Do Bofe Ao Bife
Conversando hoje sobre orgulho, concluí que o que falta a nós brasileiros, é uma dose homeopática dele. O que abominamos, por exemplo, nos americanos do Norte é o que falta no americano do Sul.
Somos todos, um breve resumo de nossos antepassados. Se nos colocarmos a pensar individualmente em nossas características pessoais, provavelmente as encontraremos de forma acentuada em alguém, entre nossos antepassados, sendo que a maioria delas é do que mais nos orgulhamos.
Orgulho-me, por exemplo, da minha bisavó paterna, negra, filha de escravos, cujo nome era Sabrígida que, já próxima dos 90 anos de idade, perambulava pelas ruas de Barbacena, minha terra natal, de forma que não poderia deixar de ser notada. Cumprimentada e festejada por todos, fazia mais sucesso, talvez, que o prefeito da cidade, quando passava, já que usava, talvez como artifício para chamar atenção, brincos e meias de formatos e cores diferentes para cada orelha e perna. Usava muitos e variados tipos de anéis, além de diferentes lenços no pescoço e na cabeça. A variação das cores e das formas sempre contrastava com a negritude da pele e eram compatíveis com a sua alegria de viver.
Também me orgulho de minha avó paterna, Cecília, filha de Sabrígida, que funcionária do Estado, trabalhava como guarda no manicômio feminino, também em Barbacena. Muito cedo nos levava para conhecer os limites do sofrimento físico e mental do ser humano e como ela lidava com ele, fazendo com que pudéssemos enxergar no que considerávamos um inferno, como alguns conseguiam conquistar seus próprios paraísos, como se fossem oásis em meio ao deserto.
Mas o maior orgulho que tenho, talvez por ter sido partícipe da história, foi o fato de ter convivido com minha avo materna, Clara Soares Rocha. Aquela avó exigente, disciplinadora, que todos tinham como ranzinza e de difícil convivência, mas que sucumbia diante de um gesto ou uma palavra de afeto. Chegava ao que hoje eu considero cúmulo de, durante o período de frio intenso em São Paulo, ficar passando a toalha de banho em ferro quente para que ao sair do banho, eu pudesse ter a toalha aquecida como agasalho. Vez por outra a surpreendia envolta em seus pensamentos, com os olhos brilhantes e lacrimejantes. Aquela figura de corpo pesado e alma leve como pluma, me ensinou como conviver com os fardos pesados que, às vezes, a vida nos impõe.
Doméstica em São Paulo, para onde se mudou com os filhos após a morte do marido, já não mais trabalhando e tendo como garantia uma modesta aposentadoria, mas uma farta solidariedade dos muitos filhos, durante os anos que com ela convivi, percebi que seu maior prazer era o de exercer o direito de praticar o simples gesto de ir ao açougue. Mas ela o fazia de forma diferente e com uma grande dose de orgulho, porque razões havia de sobra para fazer isso. Ela escolhia o tipo e tamanho da carne que desejava, mandava pesar, ia ao caixa efetuar o pagamento e depois voltava-se para quem a havia atendido no balcão e dizia: “agora que está paga, por favor, retire todas as gorduras e nervos que tiver, porque gosto de carne dessa forma”. Geralmente as pessoas olhavam para ela com semblante misto entre surpresa, espanto e obediência. Já havia pago, não apenas pela carne, como também por todos os entulhos que a vida havia lhe imposto e, portanto, sentia-se e tinha direito de exigir.
Com o passar dos anos, pude compreender os motivos de tanto orgulho. Minha mãe contava sobre as dificuldades que tivera na infância, juntamente com uma dezena de irmãos, na pequena cidade mineira de Caeté, tinham o pai vivo, mas incapacitado para o trabalho por problemas de saúde e tendo minha avó Clara, a tarefa de alimentar e educar os filhos saía em busca de alimento e, vez por outra, passava nos açougue que antigamente, doavam as partes do boi consideradas menos nobres, tais como: mocotó, bucho e bofe de boi.
Do mocotó e do bucho sabemos hoje serem gostosas iguarias servidas em restaurantes, e nos botecos da vida, com considerável valor. Do bofe, sabemos atualmente, nem cachorro come, porque têm dieta e peso controlados através dos mais variados tipos de ração. A família Rocha, de Caeté, Minas Gerais, comia bofe de boi e ainda gostava, não apenas porque era a única forma que tinham para garantir a sobrevivência de todos, mas também porque dona Clara fazia de forma especial, como dizia minha mãe. Até hoje, não tive noticias de alguém que tenha se alimentado dessa parte do boi.
Transportando essa experiência de meus antepassados para os tempos atuais, percebi que para se ter orgulho é necessário que construa algo. Nós, brasileiros, precisamos construir um país em que programas como Fome Zero signifiquem o bofe. Transitório, mas necessário para garantir a sobrevivência de grande parte dos cidadãos para que, com trabalho e persistência, tenhamos todos um dia, o direito de ter o bife da melhor forma que convier, até mesmo com gordura, que é o gosto de muitos, e que dona Clara exigia que fosse retirada. O bife tem que ser conquistado com dignidade, amor próprio e alguma dose de orgulho.
(Artigonal SC #1810972)
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do bofe ao bife
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Dois tratados tiveram importância fundamental para o avanço do capitalismo comercial no mundo. O tratado de Saragoça em 1529 e o tratado das Tordesilhas em 1494. O império colonial português foi até os idos de 1580, enquanto o espanhol durou até 1580. Em 1580 aconteceria a unificação dos dois impérios sob a coroa da Espanha. Até 1640. A conquista de Gibraltar, na costa espanhola, um simples rochedo onde vivem aproximadamente 27 mil cidadãos britânicos, é um fato intrigante e repudiado até os dia
BALZAC COMPARA NOIVOS E MARIDOS A UM ORANGOTANGO TENTANDO TOCAR VIOLINO.SAIBA PORQUE!
Há cerca de três décadas que, no patropi, não se conhece análises consistentes sobre nossa experiência histórica recente. Tudo se passa como se um grande desalento houvesse tomado conta dos nossos intelectuais. E que a imprevisibilidade caracteriza o nosso tempo. Vou tentar traçar aqui um resgate do que foi esse processo em nosso país.
E se pudéssemos voltar atrás para aproveitar uma chance, corrigir um erro cometido, engolir palavras que nunca deveriam ter sido pronunciadas? Seria mesmo a melhor maneira de viver?
A conversa de hoje aponta para os perigos embutidos na existência de lideranças carismáticas. E compartilho com você, caro leitor, a minha convicção de que existe a verdade em oposição à falsidade, que ela pode ser alcançada se as pessoas desejarem, que vale a pena buscá-la, e que não é apenas a mais valiosa mas a mais aprazível das coisas no mundo. Valho-me da História para embasar minhas preocupações.
Protesto contra a extinção do Instituto Benjamin Constant (cegos) e do INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos), fundados por D.Pedro II e em dias desapareceriam por decreto do então, Presidente Collor. Os representantes de ambos Institutos, parentes, amigos, cegos e surdos-mudos resolvem protestar quando da vinda do aludido presidente, figura de triste lembrança. As consequências do protesto: afundamento crâneando, fraturas múltiplas, escoriações, entre os deficientes. Etc.
Infelizmente os poderosos da mídia auferem tudo. Através da influência do vil metal eles conseguem dizimar um curso superior para proporcionar a gregos e troianos, o que se chamaria "Exercício Ilegal da Profissão".
Artigo acerca do comportamento de militantes políticos, no período que antecede à definição de candidaturas, em algumas regiões do Brasil, publicado na edição 120 do jornal Baruc, que circula nas cidades de Congonhas, Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco, Minas Gerais.
Acho até que as escolas deveriam ter pelo menos uma hora diária para leitura obrigatória, mas para cada hora de leitura deveria haver pelo menos 15 minutos para meditação sobre o que se leu.
Não sei qual é o grau de formação acadêmica do atual e pretendente a presidente vitalício da Venezuela, Hugo Chavez. Entretanto a formação política dá para perceber que está muito aquém do que seria razoável para alguém que alcança o status de presidente de um país, seja qual for.
Somos todos, um breve resumo de nossos antepassados. Se nos colocarmos a pensar individualmente em nossas características pessoais, provavelmente as encontraremos de forma acentuada em alguém, entre nossos antepassados, sendo que a maioria delas é do que mais nos orgulhamos.
Ao ver a propaganda do filme "Lula, o filho do Brasil", me ocorreu a necessidade do Brasil, através dos brasileiros, escrever e produzir o filme de nome Brasil, filho do Lula. Os motivos são óbvios, mas vale a pena mencionar alguns.

