O Primeiro Reinado Do Brasil

Publicado em: 14/04/2009 | Acessos: 19,621 |

O PRIMEIRO REINADO DO BRASIL

Falar em império brasileiro, sempre nos deixa com uma pulga atrás da orelha. Será que a história do Brasil, que nos foi repassada é verdadeira, ou carece de novos esclarecimentos. O Império no Brasil vai de 1822 a 1889, e o primeiro compreende o período de 1822 a 1831, nove anos apenas, o mesmo tempo em que durou o Período Regencial. No primeiro reinado se destacaram as Políticas Internas e Externas. A sociedade brasileira não teve mudanças significativas nem mesmo na economia, visto que a Independência política foi mais um arranjo entre D. Pedro I e as classes poderosas e dominantes da época. Faltava capital e predominava o sistema rural, escravagista e exportador, mas não existia uma interação maior entre os mercados externos e em consequência predominou o colonial. Existia a classe privilegiada com as de hoje, a aristocracia e os mais pobres, entre eles: brancos, pobres e mestiços viviam na miséria constante e não direito ao voto. A política no Brasil pelo que se vê sempre foi uma madrasta para os menos aquinhoados.

Os movimentos populares em prol da independência eram uma constante e torciam com um governo forte que exterminasse o poder dos aristocratas. A monarquia era uma forma ideal para os ricos que lhes dava o privilégio, enquanto os mais pobres queriam a Independência, para sair da escravidão, da marginalização e sem nenhuma participação política. A Independência Política do Brasil causou grandes rebuços na armada de militares e nos comerciantes portugueses que aqui viviam em diversas províncias. Maranhão, Piauí, Grão Pará, Bahia e até na Cisplatina, hoje o Uruguai. Queria que todas as províncias aqui enumeradas ficassem fieis a Portugal. Houve a revolta, mas o Brasil não dispunha de exército estruturado e foi se arrumar com os mercenários estrangeiros com ajuda da população nordestina. Saliente-se que o Nordeste do Brasil já estava em luta contra Portugal pelas pretensões recolonizadoras do país de além mar, fato ocorrido antes de sete de setembro de 1822. Havia sempre uma repressão das classes dominantes, pois não admitiam lutas entre as classes menos favorecidas, pois o poder para eles era tudo.

O Brasil deve a sua unidade política, territorial em sua magnitude ao desempenho armado das tropas oficiais, ao desempenho armado das camadas populares, à ajuda dos mercenários em especial aos ingleses. O Brasil para ter reconhecida sua soberania havia a necessidade do reconhecimento internacional e suas políticas, econômicas e culturais fortalecidas. Não foi de imediato, inclusive pelos países sulamericanos, visto que todos eram republicanos e o Brasil não. A província Cisplatina também era um entrave para o reconhecimento. Outros países mais ricos adiavam o reconhecimento para obter proveito próprio, era o caso dos estados Unidos da América. Só entre 1824 e 1825 a independência passou a ser reconhecida internacionalmente. Estados unidos, Inglaterra e Portugal e para oficializar o reconhecimento, Portugal exigiu dois milhões de libras esterlinas e o título de D. João VI usar o título de Imperador Honorário do Brasil. A Inglaterra tinha grande interesse no Brasil e exigiu a renovação por mais quinze anos, com o Tratado de Comércio e Navegação, firmado em 1810.

A Inglaterra teria grandes benefícios entre eles, o alfandegário e o imposto que pagava nas alfândegas era de apenas 15%, os outros países pagavam 24%. Só assim o Brasil conseguia a Independência Política, embora continuasse dependendo do capital internacional que acontece até os dias de hoje. Uma Assembléia Constituinte estava no nascedouro e esperanças de se firmar a primeira Constituição Brasileira. D.Pedro queria uma constituinte digna para o país e para ele. Em 1823 foi apresentado um projeto de Constituição pelos deputados. Limitava os poderes do imperador, pois o Poder Executivo ficaria subordinado ao Legislativo e o imperador não podia dissolver a Câmara dos Deputados, e nem ser o chefe supremo das forças militares do Brasil. A Constituinte Monárquica dissolveu a anterior foi nomeado um Conselho de Estado com dez homens, escolhidos pelo imperador para elaborar a Constituição e que foi outorgada em 25 de março de 1824.

Que situação complicada essa do Brasil. Tinha que ser Monárquica centralista e hereditária e as determinações vindas do Rio de Janeiro teriam que ser obedecidas, o poder passava de pai para filho. Composta de quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário, Moderador. O Moderador dava plenos poderes ao imperador. O voto censitário surgiu nesta Constituição e se baseava na renda do cidadão e o analfabeto podia votar se tivesse uma renda anual de 100 mil réis. Para se candidatar a deputado uma renda mínima de 400 mil réis e senador 800 mil réis, assim só os ricos poderiam se candidatar, mas que dilema My God. O Nordeste rege e vem a Confederação do Equador, em Pernambuco no ano de 1824. Foi nessa situação triste que surgiu o Frei Caneca que pregava a rebelião. Cipriano Barata foi outro que se notabilizou pelas lutas em defesa dos mais carentes. A união de todas as províncias do Nordeste foi à proclamação da república federativa, com liberdade e autonomia, segundo escreveu Francisco de Assis Silva em seu livro História do Brasil – Império e República.

Vejam como o Nordeste teve uma participação fundamental na liberdade do povo brasileiro. A Confederação do Equador seria composta dos estados do Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Muitas coisas aconteceram: os latifúndios, a reação popular e a abdicação d Dom Pedro I em sete de abril de 1831, a guerra Cisplatina que durou três anos, em 1828 a Inglaterra estava interessada no livre comércio no Rio do Prata, pressionou o Brasil a conceder a independência Cisplatina que passou a se chamar Uruguai. Vários membros da família monárquica estiveram no Brasil, em 1830 era assassinado o jornalista Líbero Badaró, em 13 de março surge a Noite das Garrafadas onde portugueses atacavam brasileiros, em 19 de março de 1831 é criado o Ministério dos Brasileiros que durou apenas 15 dias.

Veio o Ministério dos Marqueses com a demissão do Ministério dos Brasileiros por Dom Pedro I, e em sete de abril ele abdicou ao trono brasileiro em favor de seu filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos de idade. Dom Pedro I volta a Portugal e com isso a aristocracia brasileira se fortalecia e começava novo período o Regencial. Todas essas nuanças fariam a história do Brasil no Primeiro reinado brasileiro. Muito conturbado e que merece um estudo mais apurado pelos brasilianos aficionados pela história da Nação brasileira.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI E DA ALOMERCE

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    lutas pobreza trocas

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    RINALDO BARROS

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    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 31/03/2015

    O Brasil vem passando por momentos difíceis e apenas algumas investigações foram feitas e com poucas prisões, no entanto os brasileiros almejam descobrir onde estão navegando os peixes grandes, que engolem toda a riqueza brasileira em forma de corrupção. Promessas prometidas em campanhas política são apenas promessas, pois não saem do papel e, em número considerável se transformam em pesadelos assustadores.

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    Um homem se baseia sempre na experiência do outro para chegar as suas conclusões. O homem jamais chegará a um denominador comum, visto que as inter-relações humanas são grandiosas. O homem ensina a outro homem e esse deixa o seu legado para ser analisado a posteriori. Assim se faz a história da humanidade. Como o homem ainda é um ser imperfeito suas opiniões sobre a complexidade dos mundos e a Divindade não passam de meras especulações.

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    Conservar a razão no afeto é uma ação que enleva o espírito humano, e pode beneficiá-lo com ações divinas e enobrecedoras, mesmo sendo imperfeito, o ser hominal está à procura da perfeição, enfrentando todas as pedras de tropeços que encontra pela frente. Quantas são dolorosas estas pedras e sua malignidade nos levam a pensamentos destrutivos e inaceitáveis.

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    A vampiragem é uma palavra desconhecida nos dicionários, no entanto, ela é uma técnica que acompanhada a história dos homens. Desde os tempos mais primórdios a Vampiragem vem sendo usada e a aperfeiçoada pelos maiores pegadores. Aos olhos de um leigo a Vampiragem pode ser simplificada como um mero beijo no pescoço. Mas simplificações como essa só estimulam a regressão cultural da humanidade

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    Manu Nascimento

    O que andamos fazendo em nossas vidas para nos tornamos exemplos para os outros? Como exigir retidão do outro se não somos assim em nossas vidas?

    Por: Manu Nascimentol Literatura> Crônicasl 17/03/2015

    A situação é tão tensa que alguns parlamentares já chegaram às vias de fato. Uma vergonha com certeza. O ministro Aloísio Mercadante é o alvo dos peemedebistas, aliás, com as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal tem político que não dorme mais à noite, pois sente pesadelos demais.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 13/03/2015

    O rebaixamento da Petrobras, a falta de convicção nas medidas econômicas e o desentendimento na política são três faces de um mesmo mal: a perda de credibilidade. A palavra credibilidade tem derivação do latim escolástico e se refere à qualidade do que é crível, que por sua vez quer dizer que se pode crer, acreditável, na verdade a crise é de confiança.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 12/03/2015

    Vivemos momentos de ilusões homéricas, de promessas mirabolantes, de mudanças políticas, de controle fiscal, reforma política, mas parece que a única solução para um país melhor seria a morte da corrupção. O primeiro presidente do PT Luís Inácio Lula da Silva, na campanha da eleição presidenciável, prometeu mundos e fundos, no entanto, as promessas não foram cumpridas, e lá se foram mundos e fundos e nada de proveitoso para o Brasil restou.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 31/03/2015

    Relevarei todos os insultos, todo o mal causado a minha vida... Elevarei o pensamento aos céus pedindo a Deus consolação. Levarei até o altar das ilusões todo o amor perdido sem guarida, eterno e deslumbrando, eu queria ser para alcançar a perfeição. Mas, afinal somos matéria corroída pelo tempo sem ilação perdida.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Poesial 31/03/2015

    A mediunidade está muito difundida nos dias atuais. Muitas pessoas de outras religiões procuram as Casas Espíritas, no intuito de encontrar uma paz interior e através dessa paz, conquistar a sua reforma íntima. Todo aquele que sente num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium. A palavra médium tem a sinonímia de intermediário entre o mundo material e espiritual. Essa faculdade é inerente ao homem, não é exclusividade de nenhuma religião.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Religião & Esoterismo> Religiãol 24/03/2015

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    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 23/03/2015

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    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Religião & Esoterismo> Religiãol 22/03/2015

    Conservar a razão no afeto é uma ação que enleva o espírito humano, e pode beneficiá-lo com ações divinas e enobrecedoras, mesmo sendo imperfeito, o ser hominal está à procura da perfeição, enfrentando todas as pedras de tropeços que encontra pela frente. Quantas são dolorosas estas pedras e sua malignidade nos levam a pensamentos destrutivos e inaceitáveis.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 21/03/2015

    A vampiragem é uma palavra desconhecida nos dicionários, no entanto, ela é uma técnica que acompanhada a história dos homens. Desde os tempos mais primórdios a Vampiragem vem sendo usada e a aperfeiçoada pelos maiores pegadores. Aos olhos de um leigo a Vampiragem pode ser simplificada como um mero beijo no pescoço. Mas simplificações como essa só estimulam a regressão cultural da humanidade

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