Como A Filatelia Me Ajudou A Conseguir A Aposentadoria Do Inss!

Publicado em: 12/22/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 116

Como a Filatelia me ajudou a conseguir a aposentadoria do INSS!

 

Comecei a colecionar selos na minha infância. Aprendi o significado de ser filatelista, para mim esta palavra era um palavrão. Naquele tempo nem imaginava o que era INSS, ele não fazia parte do meu Universo. Mas começou atrair-me os selos das cartas. Juntava a todos que encontrava, pedia para as pessoas, visitava os escritórios de contabilidade, vasculhava os lixos de escritórios que jogavam fora às correspondências. Tudo me interessava e tratava bem cada selo encontrado, ia para água morna com sal para não desbotar, depois secavam em folha de jornal e depois de tudo isto eu passava horas classificando, por tipo, ano e nação. Era o meu grande hobby, que continua até hoje.

Esta pratica me educou, para conservar as coisas, colocá-las em ordem, classificá-las, guardá-las e depois poder encontrá-las. Os selos fizeram centenas de amizades com as pessoas, os colecionadores, isto me cativava.

Acabada a Faculdade, iniciei no mundo do trabalho, é nesta época entrou em meu vocabulário, o INSS, deveria pagar, a cada mês, deveria deixar sempre em ordem, pois dependeria da minha futura aposentadoria e também ajudaria em qualquer desgraça que ocorresse na vida.

Para mim não foi difícil aceitar o fato de entrar o INSS na minha vida, já estava educado para isto, o fato de ser filatelista ajudou a fazer minha cabeça. Meu celebro funcionava do jeito de ordenar e classificar os selos, de guardá-los para poder encontrar facilmente depois.

Não acreditava nas informações dos céticos que diziam o INSS, vai quebrar, não adiante dar esta contribuição. Pelos selos conhecia como funcionava o seguro social dos outros países não acreditava em quebra, poderia ter pessoas, funcionários que desgraçasse o sistema, mas o seguro social acreditava que é o sustentáculo do país. Poderá ele não estar bem organizado, mas desempenha uma enorme função social.

Assim minhas contribuições mensais ao INSS, como contribuinte facultativo passou ser sagrado, todo o mês preenchia o carne e ia ao banco pagar.

Depois de 20 anos de contribuição surgiu a primeiro pedido de socorro do INSS. Acidente de carro em Livramento, uma pessoa morta e eu fique em estado de coma na UTI por 15 dias.

Foi à primeira vez que recorri ao INSS, me encostando por acidente, assim fiquei por 5 meses. Quando foi encaminhado o meu encosto no INSS, a primeira coisa que pediram foram os carnes dos últimos 10 anos.

Para mim filatelista acostumado a cuidar dos selos das cartas e guardá-los foi aquilo que de mais fácil poderia fazer. Tinha todos os carnes desde o primeiro, até a aquela data, numerados e guardados em uma caixa de sapatos e ainda tinha feito uma relação de todas as contribuições, mês por mês com auxilio de um computador. A concessão do encosto foi imediata.

Neste primeiro socorro que pedi ao INSS, comecei a me perguntar, porque exigem os carnes, se o INSS, tem todas as informações computarizadas de cada contribuinte. Seria tão simples consultar o computador. Mas isto não acontece, e vem confirmar que o sistema falhou, não existem mais dados, foram eleminados, queimados saiba Deus o que aconteceu.

Neste momento pensei no trabalhador brasileiro, quantos deles tem condições de guardar os carnes quando o INSS pedir para apresentá-los. Existe um mundo de favelas, que incendeiam e queimam tudo,.existem enchentes que destroem tudo. O que restará para estas pessoas quando chegarem ao INSS e o funcionário pedir a apresentação dos carnes.

Argumentando este fato com um funcionário do INSS, ele concluiu, por isso é que o povo é tão pobre.

Eu penso diferente o INSS deveria ter o celebro dos colecionadores de selos, guardar as informações ordená-las etc.., e independente da desgraça do contribuinte, confirmar aquilo que ele conseguiu. O nosso INSS deveria jogar na frente, supor todas estas desgraças que o trabalhador brasileiro passa.

Voltando a nossa história, quando completei, 35 anos de contribuição, dei entrada no INSS, o pedido de aposentadoria por tempo de contribuição. Entreguei todos os carnes, (uma exigência), para pedido de aposentadoria e depois esperei o resultado.

Isto foi em maio de 2007, em dezembro recebi correspondência à chamada “carta de exigência”, que solicitava a minha presença na agência do INSS. Lá fui eu, eis se não que o funcionário apresentou-me a resposta do pedido: Dizia ele recebeste a concessão de aposentadoria proporcional. Pedi explicações a ele do por que, se tinha contribuído 35 anos. Ele alegou que não foi aceita a averbação que estava na carteira de trabalho, de um período de 2 anos e meio e que me era concedida a aposentadoria proporcional. Se não aceitasse deveria recorrer a junta de recursos e apresentar o recibo bancário do pagamento do tempo averbado na carteira de trabalho. Disse a ele que iria pensar no caso.

Sai da agencia do INSS, frustrado, e sem graça, parece que estava morrendo na praia com minha aposentadoria ela iria baixar em cerca de 50%. Mas disse comigo mesmo vou atrás deste recebo bancário.

Meu tino de colecionador, sempre fez com que nunca se coloca fora documentos importantes, e este era um, comecei a vasculhar nas velhas pastas de documentos, até que cheguei em uma do INSS, lá estava o recibo do pagamento bancário ao INSS de 2 anos e meio, e que tinha mais ainda ido na agencia do INSS, da minha localidade e averbado este pagamento na carteira de trabalho.

Minha grande indagação era porque o INSS, não aceitava a averbação na carteira de trabalho deste pagamento e exigia o recibo. Porque o INSS, não possuía mais uma cópia do recibo de pagamento que a ele tinha sido entregue pelo Banco. Estava muito desgostoso com a situação. Mas resolvi ir adiante.

Em dezembro de 2007 já tinha se passado 10 meses do inicio do pedido de aposentadoria, encaminhei os documentos solicitando a Junta de recursos do INSS, em rever a concessão da aposentadoria e que possuía todos os documentos que comprovavam o pagamento de 35 anos de contribuição. Meu processo foi remetido para Florianópolis, pois em Porto Alegre havia excesso de trabalho. O relatório assim relatava “Trata-se de processo de aposentadoria por tempo de contribuição requerido pelo segurado Odalberto Domingos Casonatto, em 03/10/2007, na condição de contribuinte individual e indeferido pelo INSS em 29.11.2007 por não concordância com a aposentadoria proporcional, fls 34.

Inconformado com o INDEFERIMENTO de sua aposentadoria, o segurado em 20 .12.07 interpôs recurso intempestivo a 18 junta de Recurso, onde pretende que seja reconhecido como tempo de contribuição o período de 01.12.74 a 30.03.75, já reconhecido e averbado pelo INSS de Lagoa Vermelha, processo n 604/80 completando assim 35 anos de tempo de contribuição, fls 35......” 17 junta de Recurso/SC.

A nota decisória foi a seguinte “Visto e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, acordam os membros da décima sétima Junta de Recursos do CRPS, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, por UNANIMIDADE, de acordo com o voto do (a) relator (a) e sua fundamentação. Isto aconteceu em Florianópolis, SC, 21//11/2008. Quase 1 ano depois de dar entrada. E o meu beneficio foi concedido pela agência do INSS, Partenon em Porto Alegre um ano depois desta decisão em 9 de novembro de 2009.

Se passaram justamente 2 anos e meio depois do inicio do pedido aposentadoria o reconhecimento oficial e legitimo do INSS a concessão do benefício.

 

Ficou para mim muitas marcas deste episódio a concessão da aposentadoria:

 

- Passei dois anos e meio com necessidades desnecessárias, por causa de umas decisões arbitrárias de algum funcionário, que não aceitou a averbação de dois anos e meio de contribuição na carteira de trabalho.

 

- O desgosto de ter todos os meses idos ao banco por um período de 35 anos pagar a contribuição do INSS e no final, tudo o que era claro e visível (estavam ai os carnes a averbação na carteira de trabalho). Esta última à averbação de 2 anos e meio de contribuição não foi reconhecida. Indagava-me porque não reconheceram uma averbação oficial, com processo e tudo feito pelo próprio INSS, na hora da aposentadoria. Estava sinceramente chateado.

Eu assim pensava, em vez de solicitar ao contribuinte o recibo bancário do pagamento por que não consultaram o sistema de informação do INSS ou mesmo a agência que encaminhou este processo. Onde foi guardado o processo, que o próprio INSS exigiu.

 

Mas no final já passados dois anos e meio de espera foi dada uma solução viável.

Hoje penso nos milhares de trabalhadores, que perderam seus documentos, seus carnes pelas contrariedades da vida e no final de sua trajetória profissional sentirão falta destes documentos ou não poderão conseguir uma aposentadoria mais digna.

Fico pensando e olhando quanto foi importante ser filatelista. Este hobby me educou para as contrariedades da vida e ajudou-me a superar as dificuldades da aposentadoria.

Sei que os selos que foram guardados aos milhares talvez não tenham maior valor expressivo, mas aquilo que aprendi com eles “os Selos”, me ajudaram na velhice conseguir minha aposentadoria por tempo de contribuição...... Os selos não falharam.......

Odalberto Domingos Casonatto

(Artigonal SC #1615172)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/desigualdades-sociais-artigos/como-a-filatelia-me-ajudou-a-conseguir-a-aposentadoria-do-inss-1615172.html

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