Natal 2014: como evitar que a cidade se torne um pólo de atração do turismo sexual na copa

11/11/2011 • Por • 164 Acessos

 

1-      INTRODUÇÃO

 

Natal é uma cidade litorânea e tropical localizada no nordeste do Brasil com aproximadamente 800 mil habitantes, ensolarada na maior parte do ano, com inúmeras atrações turísticas e paisagens naturais convidativas aos freqüentadores, sejam eles nacionais ou internacionais. O turismo é uma das fontes que alimentam o comércio e geram emprego e renda para a população local, tornando-se uma atividade indispensável para nossa economia.

As belezas naturais, o clima (normalmente quente e ensolarado) e a receptividade local conferem a nossa cidade uma imagem de "paraíso" para os que aqui vêm nos visitar, buscando uma forma de escapar do cotidiano em que vivem, longe das cobranças do trabalho que passam.

Com uma boa rede hoteleira e aliando a isso a Via Costeira, criada desde o final da década de 1980, fornece uma boa mobilidade para os turistas que trafegam pela cidade, nas últimas duas décadas (1990 a 2000) Natal ficou conhecida como centro turístico a nível brasileiro e mundial, chegando ao ponto de inúmeros vôos charters (vôo de um país a outro sem escalas) virem oriundos dos diversos países. Inúmeros países eram responsáveis por trazer seus turistas direto para cá, destacam-se: Escandinávia, Portugal, Espanha e Itália.

Com tantas belezas naturais e culturais, um tipo de turista inconveniente começou a veranear por aqui: o turista sexual. O bairro de Ponta Negra localizado na Zona Sul da cidade mistura o antigo, a Vila de Ponta Negra, e o moderno centro de compras do bairro, Avenida Engenheiro Roberto Freire com inúmeros atrativos para os que aqui visitam e para os citadinos. A principal avenida da orla de Ponta Negra é a Avenida Erivan França: bela, pequena e com inúmeros problemas, sendo um dos principais a prostituição, esta acarreta nos outros problemas que é a violência urbana por causa do tráfico de drogas e roubos, mendicância e precarização do espaço público. Mas como surgiu o problema do turismo sexual em Natal?

O turismo sexual começa durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade se torna "porto seguro" para os estadunidenses, as mulheres estavam entre serem assediadas ou assediavam os pilotos Yankes. Se não bastassem os soldados, o próprio presidente Franklin Delano Roosevelt junto com o Getúlio Vargas foram aos bordéis da Ribeira, que era onde a elite boêmia desfrutava de sua "intelectualidade", que o diga Câmara Cascudo. As décadas posteriores a Guerra, Natal se torna um pólo de atração de inúmeros imigrantes regionais ou interioranos, a cidade crescia exponencialmente. Conforme Natal criava sua estrutura turística ao longo dos idos de 1980 a 1995, surgindo a rede hoteleira da Via Costeira, que surgira no final de 1986 durante o Governo de Lavoisier Maia ao do Governo de Geraldo Melo. Ao mesmo tempo em que despontava no cenário nacional como centro turístico a prostituição evoluía, a passo largo, surge casas de drinks com certo renome nacional, tipo a "Ilha da Fantasia" e similares. Ponta Negra selava assim seu destino. De ponto turístico do Morro do Careca a um bairro de crescente prostituição.

A prostituição em Ponta Negra chegou a um nível alarmante que saiu da orla e invadiu os shoppings e os centros comerciais do bairro. Os turistas sexuais vêm atrás dessas mulheres cuja função é dá prazer e subsidiar o tráfico de drogas na cidade. Entre um ato sexual e outro, cocaína, ecxtasy, maconha, heroína, crack, LSD e lança perfume movimentam o submundo da violência na Orla de Ponta Negra. Mas não só de Ponta Negra vive o turista sexual, as praias centrais e as de fora da cidade (Tabatinga, Pipa, entre outras), não fogem a regra do turismo sexual, a diferença está no poder aquisitivo dos freqüentadores e no custo do programa praticado em cada praia.  

Cabe salientar que existe uma sub-modalidade do turismo sexual que é formado por aqueles que buscam manter relações com crianças e adolescente. Não existe na cidade fiscalização e divulgação apropriada para combater este tipo de criminoso. No máximo, há um informativo no aeroporto internacional Augusto Severo que a cidade é contra o turismo sexual.

Neste presente projeto é apresentada a problemática do turismo sexual e suas conseqüências para a cidade e sua imagem de boa cidade para se visitar no exterior, para uma local que pretende sediar um evento Copa do Mundo FIFA 2014, apresentar uma imagem ecologicamente correta, com infra-estrutura, com povo hospitaleiro, com inúmeras belezas naturais e culturais não faz sentido se, também, atrelarmos nossa imagem ao turismo sexual.

2-      OBJETIVOS

 

O objetivo geral deste trabalho é analisar que tipo de imagem Natal vende no exterior, a de uma cidade bonita ou de mulheres bonitas. Discutir o turismo, o tipo de turista e a imagem da cidade são algo ímpar para a realização de um evento como uma Copa do Mundo, pois, famílias que prezam pelos bons costumes, se vierem a Natal, virão com ressalvas. E alertar nossas autoridades que realizar este evento não será apenas construir a Arena das Dunas será também preparar os cidadãos para receber o torneio e coibir o turismo sexual é algo de sua atribuição legal, a do Estado e da Prefeitura.

A perspectiva do trabalho é demonstrar como o turismo sexual se apresenta atualmente e as dificuldades de se combater este tipo de prática, bem como, as possíveis formas de prevenção para que a "Noiva do Sol" não tenha sua imagem associada a turistas sexuais, pedófilos e traficantes de mulheres durante a Copa do Mundo de 2014.

3-      FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A proposta deste trabalho é trazer à luz uma questão que já fora combatida anteriormente, mas que não parece preocupar as autoridades natalense no presente momento. Ainda que o turismo sexual não esteja mais tão perceptível como estava antes, ele é uma realidade nas capitais do Brasil e do Nordeste em especial, que são os principias destinos dos turistas que buscam o sexo.

A Organização Mundial do Turismo, OIT, define o turismo sexual como viagens organizadas internamente no setor turístico ou fora dele, mas que usa as estruturas e redes do setor com o objetivo primário para a efetivação da relação comercial sexual do turista com os residentes no destino determinando, assim, conseqüências sociais e culturais da atividade, especialmente quando exploram diferentes gêneros, idades, situações econômicas e sociais nas destinações visitadas.

O turismo nacional e internacional informalmente exerce influência na organização da prostituição feminina e infantil. No momento atual não é possível ocultar o fenômeno da prostituição e sua associação ao turismo, assim como sua dimensão espacial, territorial e logística, pois essa atividade é um elemento da produção do espaço, da mesma foram que modifica e degrada um cartão postal concretizado pelos clientes/mulheres do sexo e outros que são os agentes modeladores desse espaço. (CORIOLANO: 1998, p.146).

 

Natal, assim como outras capitais nordestinas, é um ponto favorável ao turismo sexual que cresce a cada ano no Nordeste Brasileiro. Várias outras cidades no Brasil e especialmente no Nordeste também sofrem com o turismo sexual como Salvador, Fortaleza e Recife. O turista sexual vem as cidades camuflado como um turista comum e utiliza praticamente a mesma infra-estrutura de outros turistas e que, freqüentemente, conta com a omissão de parte do setor turístico para realização de suas atividades. O conceito apresentado pelo CECRIA – Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes na América Latina e Caribe (Oliveira, 2006, p.2) enfatiza esta omissão e cumplicidade, quando expõe que o turismo sexual é:

 

(...) a exploração de meninos, meninas e adolescentes por visitantes, em geral, procedentes de países desenvolvidos ou mesmo turistas do próprio país, envolvendo a cumplicidade por ação direta ou omissão de agências de viagem e guias turísticos, hotéis, bares, lanchonetes, restaurantes e barracas de praia, garçons e porteiros, postos de gasolina, caminhoneiros e taxistas, prostíbulos e casas de massagem, além da tradicional cafetinagem.

Mais de 50% dos clientes internacionais são italianos ou portugueses, segundo a OIT, que vêm ao Brasil em vôos fretados. Somando todas as nacionalidades da União Européia esse número ultrapassa os 80%. Dentre as nacionalidades, lideram os italianos, seguidos por portugueses, escandinavos, holandeses, norte-americanos e, em menor grau, ingleses, alemães e latino-americanos.

Temos uma sociedade que vive o sonho do capitalismo, que além do consumismo alia-se a idéia de viver pelo Carpem Diem, aproveite o dia, tudo é possível neste mundo do materialismo histórico superficial, ao qual, nos é vendido à idéia de que a ascensão social, o prazer e o dinheiro são os objetivos maiores da vida do ser humano, fazendo com que inúmeras vidas girem em torno deste fato, o da superficialidade. Este último citado, superficialidade, se mescla ao fator de que turistas oriundos de outros países são tidos pelas mulheres locais, algumas, como uma forma rápida para esta ascensão social e material. O Euro e o Dólar são mais valorizados que o Real e a oportunidade de alavancar-se socialmente faz com que algumas mulheres procurem por turistas especificamente estrangeiros. Mas é aí que reside o perigo, no momento em que alguns deles decidem vir não por causa das nossas belas praias, e sim, visando à oportunidade de praticar o turismo sexual com crianças e adolescentes, crimes previstos em lei como o Estatuto da Criança e do Adolescente, Artigos 240 e 241, estipula pena e reclusão para quem for pego praticando atos de pedofilia, seja cidadão nacional e estrangeiro.

Para termos uma forma efetiva de combate a exploração sexual é necessária que haja uma ação por parte das autoridades competentes de divulgação de Natal no mundo valorizando as paisagens naturais e culturais, acrescentando-se a imagens que remetam a idéia de família, ao invés de mulheres seminuas. 

O turismo sexual não reside apenas na "prestação de serviço" feminino, os travestis, homens que se passam por mulheres que seu foco como cliente são os homens que são "liberais", ocorre muito na Avenida Engenheiro Roberto Freire, desde o shopping Cidade Jardim, até a Cidade Alta, Centro, na área da Catedral Nova.

Os hotéis devem fiscalizar se o turista vem acompanhado de menores de idade, depois de feito o check in e proibir que estes adentrem com as meninas (os), se não realizar e um cidadão observar tal ato e denunciar as autoridades caso se configure como um ato de pedofilia. O hotel deve ser multado ou fechado. Manter a população alerta sobre o fato do crime que é a pedofilia e deixar a população ciente para se comunicar de forma anônima por meio de telefone ou internet para as denúncias. Manter um banco de dados atualizado por meio da INTERPOL e da Polícia Federal brasileira dos pedófilos para dificultar seu acesso ao país.

4-      CONCLUSÃO

O trabalho versou sobre a questão turismo sexual em Natal e na preparação para o evento Copa do Mundo. Foi analisado o problema deste tipo de turismo, que além de degredar a imagem da cidade ajuda a de elevar a violência urbana, devido às drogas e de elevar o numero de doenças sexuais.

Uma cidade para realizar um evento deve cuidar de seu maior patrimônio, e este é o seu povo. Natal 2014, uma cidade cidadã e que não aceita a prostituição, seja adulta ou infantil.            

 

5-      REFERENCIAS

 

ARAUJO, Cíntia Moller. Ética e qualidade no turismo do Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

CARVALHO, Rodrigo José Vieira. Turismo sexual: a transmutação do espaço e do sentimento do turismo. Disponível em: http//www.estudosturisticos.com.Br/. Acesso em 11 de out. 2004.

BEM, Arim Soares do. A dialética do turismo sexual. Campinas: Papirus, 2005.

CORIOLANO, Luzia Neide Menezes Teixeira. Turismo com ética. Fortaleza: UECE, 1998.

GUIMARÃES, Maria José Bacelar. "Empresário procura mulher jovem,morena, bonita, liberal..."explorando os anúncios de estrangeiros. Salvador: EDUFBA, 2002.

SACRAMENTO, Sandra Maria Pereira do. O perfil feminino na obra de José Lins do Rego:Opressão e discernimento. São Paulo: Ed. 1. Editor Cone Sul, 2001.

SADENBERG. M. B, Cecília; DIAS FILHO, Antonio Jonas. O que é que a Bahia tem: O outro lado do turismo em Salvador. Salvador: CHAME 1998.

 

CLÁUDIO FERNANDES DO AMARAL TAVEIRA

CARLOS ALEX JARDIM DA SILVA

TACIANA DOS SANTOS COSTA

 

 

 

 

 

 

 

Perfil do Autor

Claudio Taveira

Professor de Geografia