A bíblia e o direito do trabalho

Publicado em: 23/02/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,687 |


"Porque digno é o trabalhador do seu salário" Lucas 10:7

autor:Marcos Paulo A. Morais
acadêmico do curso de Direito

Quando Deus fez a terra, deu-a ao homem, para que este a cultivasse e a guardasse. Dessa forma, Adão trabalhava no jardim do Éden, sendo que este trabalho, na verdade, não consistia em um trabalho cansativo, pesado, árduo, cheio de dificuldades; mas era um trabalho realizado sem maiores dores e dificuldades. Lá havia tudo aquilo que seria suficiente para seu sustento e suas necessidades básicas.
Depois do pecado, quando Adão ao provar do fruto proibido demonstrou querer ser auto-suficiente diante de Deus, entre as várias conseqüências que acarretaram de seu pecado, encontra-se o castigo que Deus estabeleceu à raça humana: "Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comeres, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o teu sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado, porque tu és pó e ao pó tornarás"(Gn 3:17-19).
Então veja que o trabalho depois do pecado, seria realizado com certo suor, fadiga, cansaço. A natureza passou a ser um obstáculo ao homem, ela passou a produzir "cardos" e "abrolhos", ou seja, "em fadigas obterás dela o teu sustento". Diz que "maldita é a terra por tua causa", sendo que, na minha forma de entender esse trecho, a "terra" significa todo o nosso sistema econômico, político, social, cultural, e não deixando a entender apenas a terra no sentido "físico". Ou seja, o nosso sistema econômico, político, social, cultural, em vez de propiciar um ambiente agradável para se viver uma vida plena, com alegria, paz etc., gera o caos, as guerras, as crises econômicas, os conflitos políticos, a concentração de renda nas mãos de poucos, a violência crescente no mundo todo, enfim a maldição paira sobre as cabeças de todos nós sobre a face da terra.

Penso que a grande verdade que estar nestes versículos é que a vida humana na terra envolveria uma luta constante pela sobrevivência. Cada ser humano terá que trabalhar para poder se auto-sustentar ou sustentar sua família. Enfim, envolveria um árduo trabalho. No entanto, há alguns escritores que criticam essa visão que a Bíblia apresenta acerca do trabalho como algo que envolvesse o muito "esforço", "fadigas" etc.: dizem que o trabalho tem que ser visto de forma positiva, ou seja, o trabalho deve ser encarado como uma forma de desenvolvimento da personalidade; algo através do qual se extrai do ser humano suas qualidades, seus talentos; enfim, o trabalho deveria ser visto como um dos meios de progresso da humanidade. Na realidade, numa visão bíblica correta, o trabalho "em si" não é um "castigo" por causa do pecado do ser humano, pois o trabalho humano já existia antes do pecado; o que de fato percebemos depois da queda, foi que o trabalho assumiu também outra face, passando a ser algo que traz certo suor, esforço, enfado. Como veremos mais adiante, a Bíblia não exclui essa forma positiva de enxergar a questão do trabalho, porém mostra que o trabalho humano deveria ser encarado como uma moeda em que há duas faces: uma positiva e a outra negativa.

Mas o princípio básico que eu quero extrair desse texto é a atividade que o ser humano realiza em busca de uma recompensa, sendo que esta recompensa como algo necessário à sua sobrevivência e bem-estar. Todo trabalho humano visa uma recompensa básica: a contraprestação do seu serviço. Em nossa Constituição Federal, estabelece quais são os direitos dos trabalhadores entre eles: "salário mínimo, fixado em lei(...), capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e as de sua família..."(Art.7º,IV), portanto, todo trabalhador urbano ou rural tem direito de receber um mínimo necessário como recompensa pelo seu trabalho realizado com a finalidade de suprir suas necessidades básicas e vitais(como sabemos, esse salário, aqui no Brasil, de forma alguma supri as necessidades do trabalhador). Assim também, a Bíblia estabelece esse princípio de que é justo que todo trabalhador receba o salário como recompensa, através do qual se retira a lei natural encontrada em Lucas 10:17 que reza: "digno é o trabalhador de seu salário". Furtar-lhe esse direito, é atentar contra a dignidade humana.

Deus estabeleceu o direito natural daquele que trabalha: sua recompensa, seu salário, sua contraprestação ao serviço prestado ou ao trabalho realizado. Na lei de Deus havia uma regra que ordenava: "não atarás a boca do boi, quando pisa o trigo"(Dt 25:4), significando que os israelitas deveriam permitir que seus bois comessem enquanto trabalhavam. E o apóstolo Paulo, quando os irmãos da igreja de corinto estavam querendo negar-lhe certos direitos e, dentre estes, estava o direito de receber o seu salário pelo trabalho realizado através de seu ministério apostólico e pastoral, Paulo enfatiza em sua carta aos coríntios que, embora tivesse esse direito natural, era da sua preferência não ser sustentado por igreja nenhuma. Vejamos sua argumentação e verifiquemos esse direito natural do trabalhador, que é o seu salário:

"quem jamais vai a guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come de seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do seu leite? Porventura, digo isso apenas do meu ponto de vista humano, ou a lei não diz a mesma coisa? Pois está escrito: não atarás a boca do boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa? Não é certamente por nossa causa que ele o diz? Sim, isso foi escrito em nosso favor; pois o que a lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida(...). Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculos ao evangelho de Cristo." 1 Coríntios 9:7-10,12b

Como visto, Paulo foi claro ao dizer que Deus estabeleceu esse princípio elementar de que "todo trabalhador é digno de seu salário". Faz parte de um direito natural que a todos é facultado enquanto trabalhador. Portanto, podemos perceber que o trabalho não é só um imperativo da ordem divina como uma das conseqüências do pecado de Adão, mas acarreta esse outro significado que é um dever, um direito-dever. Esse aspecto do "direito-dever", nas palavras de Amauri Mascaro Nascimento, encontra-se expresso mais recentemente nos preceitos Constitucionais modernos:

"... no Renascimento — as idéias de valorização do trabalho como manifestação da cultura, e, mais recentemente, nos preceitos constitucionais modernos — do trabalho como direito, como dever, como direito-dever, ou ainda, como valor fundante das sociedades políticas" (inicialização ao direito do trabalho, 33ªed. São Paulo:LTr, 2007, p.60).

A Bíblia há muito tempo atrás já estabelecia esse direito, como um direito natural do ser humano. Porém, depois do pecado, a raça humana passou a ser uma raça corrompida pelo pecado, e ao invés de perceber que o trabalho é uma das formas de prestar adoração a Deus, a raça humana utiliza-o para a promoção do orgulho, para subjugação de uns sob outros, para se sentirem importantes e poderosos, para assumir o lugar de Deus na terra. A Bíblia diz que Deus se agradou de Abel e de sua oferta devido ao fato que ele trouxe "as primícias de seu rebanho e da gordura deste" como um ato de reconhecimento de que Deus tinha o direito à primeira parte produzida de tudo que seu labor produzisse. Esse era o melhor que o adorador poderia oferecer a Deus, como um reconhecimento de que: 1) Era uma ordem de Deus que, mesmo apesar da queda de Adão, os seres humanos ainda devem cumprir o mandato de Deus de administrar os recursos da terra (trabalhar); 2) Sendo que os recursos da terra, que hoje a indústria a utiliza para a produção dos mais diversos produtos, deveria ter o reconhecimento por parte do homem de que estes recursos provêm de Deus. Por isso que a oferta, o tributo prestado a Deus por Abel, encontrou aceitação diante dele, visto que ali se tratou deste reconhecimento das dádivas divina concedidas ao ser humano.

No entanto, o gênero humano busca através do trabalho outras finalidades, como exemplo, podemos encontrar em Gêneses capitulo 11, na construção da torre de Babel, onde podemos encontrar a idéia do chamado "trabalho coletivo", em que seus habitantes se organizaram com um objetivo em comum. Eles tentaram construir uma cidade imortal e que tornasse célebre o nome de seus fundadores, por meio de uma torre cujo topo chegasse aos céus. Esse intento demonstra a busca pela fama, a busca para obter relevância, notoriedade, imortalidade por meio de seus feitos. Eles utilizaram essa capacidade que Deus deu ao homem – que é essa capacidade que só os seres humanos têm de criar, fazer, produzir, construir coisas novas, ou como dizem os livros, só o homem produz a cultura, que nada mais é do que todo esse universo de coisas presentes, em nosso dia-a-dia, criadas pela invenção humana – para se rebelar contra Deus. Aquele projeto na sua origem estava a arrogância humana de ser auto-suficiente, de não depender de Deus de forma alguma.

Outra observação nesse sentido, é que podemos perceber que nem todas as pessoas gostam de trabalhar; mas gostam apenas dos frutos que o trabalho produz. De outro modo, podemos dizer que muitos gostam apenas dos frutos da árvore, mas não gostam e não querem plantar a própria árvore. Daí surgem aqueles que vão usufruir do trabalho realizado por outros. Sendo que esse usufruir, muito das vezes, tomará as diversas formas de opressão e exploração do trabalhador necessitado. Por exemplo, a escravização humana se deu ao longo da história como uma forma de exploração do trabalho sem o pagamento da devida recompensa e debaixo da força bruta, com o fim de usufruir do trabalho árduo realizado por meio de um processo de exploração e opressão. Contudo isso não é de se estranhar numa perspectiva bíblica, posto que depois da queda no Éden, o ser humano passou a ser obcecado pelo os "rendimentos" do trabalho, uma vez que este produz a "riqueza", que por sua vez, produz o "poder", e como conseqüência o "domínio" de uns sobre outros, surgindo daí a exploração e a opressão do trabalhador. Em Eclesiastes 5:8 diz:

"Se vires em alguma província opressão de pobres e o roubo em lugar do direito e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si outro mais alto que o explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram."

Veja que em "lugar de direito e da justiça" o autor viu exploração de ricos sobre pobres, roubo e exploração; e diz o texto que isso não deve ser algo que deve nos deixar maravilhados, espantados; pois, devido ao pecado humano, a exploração, o roubo, a opressão, passou a fazer parte da nossa realidade cotidiana. Quem não vê isso todo os dias acontecendo e testificado pelos jornais da TV. Roubo, corrupção, mortes etc. tudo isso se dá porque muitos querem tudo, mais e mais dinheiro, mais e mais bens, sem de forma alguma se preocupar com os demais, que aliás compõe a grande maioria no mundo todo. Como diz Eclesiastes 5:10 "Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda". Portanto, esse amor ao dinheiro vai produzir a exploração do trabalho humano, ou seja, alguns por meio de astúcias e circunstâncias favoráveis, irão se aproveitar dos rendimentos, dos frutos, dos lucros, da "mais-valia", do trabalho realizado, pagando pouco, quase nada ou nada(a escravidão) àqueles que por necessidade urgente de sobrevivência tiveram e têm que se submeterem aos ditames da realidade cruel das desigualdades do meio social. Jesus chegou a fazer referências "das riquezas de origem injusta"(Lc 16:11) na parábola do administrador infiel, o qual por meios ilícitos tenta se dar bem na vida . A Bíblia chega a dizer que: "nunca deixará de haver pobres sobre a terra"(Dt 15:11), não porque essa seja a vontade de Deus, mas porque diante da maldade humana, do egoísmo, da falta de amor ao próximo, não resta dúvida de que essa constatação social é proveniente do nosso próprio meio, e nós somos os causadores da pobreza no mundo e da sua permanência! Paulo chega a dizer que os ricos do presente século não deveriam ser orgulhosos, mas deveriam praticar o bem, sendo generosos em dar e prontos a repartir (1Tm 6:17-19). Para um cristão verdadeiro essa exortação poderia ser aplicada na prática, no entanto, para os muitos incrédulos, essa exortação será dificilmente aplicada; pois o que de fato prevalece é o egoísmo humano em detrimento do bem comum.

Em meio a tudo isso surge a necessidade de leis que regulem o trabalho humano. Leis que assegurem proteção ao trabalhador. Leis que pelo menos diminuem as desigualdades que há no campo do trabalho. No entender de Amauri Mascaro, na sociedade pré-industrial não havia um sistema de normas jurídicas de direito do trabalho. Este só surge realmente com a sociedade industrial(séc.XVIII) e com o trabalho assalariado. Aponta a Constituição do México(1917) como a primeira constituição do mundo que surgiu dispondo sobre direito do trabalho(op.Cit.,pp.43-45). No entanto, na Bíblia, encontramos algumas leis trabalhistas como: "não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele teu irmão ou estrangeiro que está na tua terra e na tua cidade. No seu dia, lhe darás o seu salário, antes do pôr do sol, porquanto é pobre, e disso depende a sua vida; para que não clame contra ti ao senhor, e haja em ti pecado"(Dt 24:14,15). Os negócios realizados no comércio deveriam ser feito com honestidade, sem qualquer fraude: "...não terás pesos diversos, um grande e um pequeno(...), terás peso integral e justo"(Dt 25:13-15). O empréstimo concedido não deveria ser realizado levando como penhor algum bem, objeto, pertence material que fosse necessário ao viver digno daquele que contraiu o pedido de empréstimo: "Se o homem for pobre, não vá dormir tendo com você o penhor: devolva-lhe o manto ao pôr do sol, para que ele possa usá-lo para dormir, e lhe seja grato. Isso será considerado um ato de justiça pelo senhor, seu Deus"(Dt 24:12,13). Em nossa lei trabalhista, a CLT (consolidação das leis trabalhistas), em seu Art. 473 expressa que todo empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário quando:
II – em virtude de casamento, até 3(três) dias consecutivos.

Já em relação à lei de Deus, seu dispositivo legal em Deuteronômio 24:5 amplia mais ainda esse benefício ao trabalhador dispondo que: "homem recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá qualquer encargo; por um ano ficará livre em casa e promoverá felicidade à mulher com quem se casou". Por um ano, era o beneficio concedido para gozar de sua lua-de-mel.
Ainda nesse contexto de proteção e de direitos concedidos ao trabalhador, a Bíblia apresenta uma espécie de trabalhador, que embora seja chamado de "escravo", na verdade, na minha forma de analisar esse tipo de trabalho em Israel, não o considero como de fato um trabalho escravo, pois não contém os elementos que o caracterizam como tal.

Primeiro, em Israel, o trabalho escravo duraria apenas 6 anos, no sétimo, estaria livre de qualquer obrigação. Nesse caso, o escravo poderia após os seis anos continuar trabalhando para seu senhor, sendo essa decisão facultada ao servo; ou seja, dependeria do seu querer ou não: "Porém, se escravo expressamente disser: eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos, não quero sair livre. Então o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou À ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha, e ele o servirá para sempre"(Êx 21:5,6). Podemos perceber que o escravo era portador de direitos; tinha o direito de continuar ou não trabalhando para o seu senhor. O trabalho escravo na antigüidade entre outros povos não havia contrato, não havia o acordo de vontades em relação ao trabalho escravo; porém, em Israel, o trabalho "escravo" não consistia em um trabalho forçado, mas consistia em um acordo de vontades.

Segundo, caso o escravo quisesse ficar livre de qualquer obrigação para com o seu senhor, ele teria algumas garantias como a obrigação que seu senhor, quando do término dos seis anos trabalhados, teria de lhe dar os devidos meios necessários para que o "escravo" pudesse produzir economicamente seu auto-sustento: "E quando o fizer, não o mande embora de mãos vazias. Dê-lhe com generosidade dos animais do seu rebanho e do produto da sua eira e do seu tanque de prensar uvas. Dê-lhe conforme a bênção que o Senhor, o seu Deus, lhe têm dado"(Dt 15:13,14). Lei criada por Deus exatamente com a finalidade de não deixar desamparado o trabalhador. Se percebermos, esta lei guarda certa semelhança com o que hoje conhecemos por fundo de garantia por tempo de serviço, o FGTS. Este consiste no depósito de 8% do salário do empregado que o empregador faz todo mês em sua conta, para que ao final do tempo útil de atividade, o trabalhador possa contar com um valor pecuniário acumulado dos depósitos feitos em seu nome, além de ser uma proteção contra a despedida sem justa causa.

Terceiro, além desses direitos, havia o direito de receber "salário". Sim, mas isso parece uma contradição: escravos recebendo salário? Vejamos que em Israel o trabalho "escravo" era um trabalho assalariado: "Não se sinta prejudicado ao libertar o seu escravo, pois o serviço que ele prestou a você nesse seis anos custou a metade do serviço de um trabalhador contratado. Além disso, o Senhor, seu Deus, o abençoará em tudo o que você fizer"(Dt 15:18). Veja que o texto deixa claro que, embora o trabalho fosse chamado de trabalho "escravo"; de fato, se tratava de um trabalho remunerado, embora custasse a metade do salário pago a um trabalhador normal. Portanto, esse aspecto é completamente descaracterizador do Israelita como trabalhador escravo de fato. Foge aos aspectos que caracterizavam o trabalho escravo na antigüidade. O escravo naquela época não tinha qualquer tipo de direito reconhecido, era considerado apenas como objeto de seu senhor. Seu senhor tinha total direitos sobre seu escravo, inclusive de oprimir, torturar, e matar. Isso me leva a um quarto ponto.

Quarto, mais uma diferença básica que podemos inferir que em Israel não havia o regime de escravidão como houve na história da humanidade. Em Êxodo 21:20 mostra que o senhor seria punido caso ferisse de morte o seu escravo: "Se alguém ferir seu escravo ou escrava com um pedaço de pau, e como resultado o escravo morrer, será punido". Mais ainda, nenhum israelita poderia vender para outros povos um outro israelita, pois era proibido qualquer espécie de tráfico de escravos(cf. Dt 24:7).


Enfim, penso que aqueles israelitas submetidos a esse tipo de trabalho eram chamados de "escravos" apenas porque naquela época era comum o sistema de escravidão humana, e, de uma certa forma, por guardar certas semelhanças, era chamado de trabalho "escravo". Porém, como mostrei, o trabalho de um israelita considerado "escravo" era regulado por direitos trabalhistas, e se ele era portador de direitos, logo, não era escravo, pois o escravo de fato não era portador de qualquer direitos enquanto pessoa humana; sendo dessa forma, o trabalho de um "escravo israelita" era completamente diferente do trabalho explorado, opressor, desumano, praticado por outros povos contemporâneos do Estado teocrático de Israel.

As leis que Deus outorgou a Israel trataram de remediar a questão do trabalho humano através de leis humanitárias, buscando fazer valer o ideal de justiça. O trabalho não deve ser encarado pelo cristão apenas como uma coisa má, pois faz parte da essência humana o trabalhar, o produzir, o criar, o fazer. Dessa forma, o trabalho é um dos meios pelo quais o ser humano pode se sentir realizado. Uma vida sem trabalho é uma vida tediosa. O apóstolo Paulo foi um exemplo de alguém que "em labor e fadiga" e "de dia e de noite" trabalhou para se auto-sustentar em meio às muitas viagens que fez, com o objetivo de propagar a mensagem do evangelho (cf. 2Ts 3:7,8). Assim é, pois Jesus diz: "Meu Pai continua trabalhando até agora, e eu também trabalho"(Jo 5:17). Portanto, enfatizando esse lado positivo do trabalho humano, disse Salomão que:

"Boa e bela coisa é o comer e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é sua porção"(Eclesiastes 5:18).

O trabalho apesar se ser uma necessidade imperativa, não pode se constituir em uma finalidade em si mesmo; não devemos fazer do trabalho o objetivo maior de nossa existência, e desse modo, viver ansiosos, preocupados pela vida de amanhã, quanto o que haveis de comer ou beber, quanto o que haveis de vestir. A vida humana tem nela algo mais sublime(o voltar-se para adorar a Deus, o buscar o reino de Deus em primeiro lugar e a sua justiça) do que a mera preocupação com as coisas materiais dessa vida terrena. Jesus mostrou que, aqueles que foram salvos por ele e foram feitos filhos de Deus pela graça, devem confiar nos atos providenciais de Deus, neste Deus que não desampara os seus filhos ao dizer "...não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal"(Mt 5:34).

Para concluir, Jesus contou uma parábola em Lucas 16: 1-13 – a parábola do administrador infiel – para mostrar que devemos aplicar o nosso dinheiro, conseguido pelo nosso trabalho, em prol da pregação do evangelho e salvação daqueles que ainda não foram alcançados pela graça de Deus. Jesus contou que os ímpios muitas vezes aplicam sabiamente seus recursos financeiros em proveito próprio; gere seus negócios sabiamente – até por meios ilícitos – para proveito e satisfação de si próprio. E comparou essa atitude com as atitudes dos filhos de Deus, que devem saber investir realmente seu dinheiro adquirido pelo seu trabalho honesto no sentido de poder ganhar seus amigos para o reino celestial. Portanto Jesus conclui dizendo que esse dinheiro que nós recebemos através do nosso salário deve ser aplicado na salvação das almas humanas, sendo que a verdadeira recompensa – em vez da simples satisfação própria – virá quando estes nos receberem nas moradas eternas agradecidos por termos investido em coisas que realmente valeu à pena!

"E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos"(Vs.9).

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/direito-artigos/a-biblia-e-o-direito-do-trabalho-4295133.html

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    Por: marcos paulo almeida moraisl Literatural 11/05/2012 lAcessos: 219
    marcos paulo almeida morais

    o texto discorre sobre o por que de determinados relacionamentos, em que normalmente, não dar certo, nos tempos atuais, quando um dos amantes é uma pessoa comprometida. Mesmo quando o divorcio se tronou algo fácil de ser obtido na via judicial, mas mesmo assim, relacionamentos de afinidades extra "oficial" acabam por terminar, em prol de uma instituição e de uma continuidade conjugal cadavérica.

    Por: marcos paulo almeida moraisl Relacionamentos> Relações Amorosasl 11/05/2012 lAcessos: 269
    marcos paulo almeida morais

    razão das cotas raciais:O capitalismo é um sistema econômico dinâmico. As tecnologias vão se aperfeiçoando, e para tanto, há de se ter uma mão de obra mais qualificada que acompanhe este movimento. Fato este que começa por volta da década de 90 até os dias atuais. Na dialeticidade histórica ñ é por acaso: numerosa mão de obra mais qualificada, mas com fixação salarial baixa; lei de mercado: quanto maior a procura, maior será o poder de barganha da elite dominante na hora da fixação salarial.

    Por: marcos paulo almeida moraisl Educação> Ensino Superiorl 27/04/2012 lAcessos: 214
    marcos paulo almeida morais

    Na realidade o que Nietzsche percebeu foi que é difícil acha alguém que nos compreenda. E compreenda principalmente o "SER" do filósofo. Ou posso dizer: para a maioria superficial é difícil compreender alguém que foge dos padrões do geral. Hoje, em pleno século XXI, os "nietzsches" estão cada vez mais sós neste mundo de pura vaidade. A pequenez da alma humana cada vez mais definha para a sordidez. O egoísmo humano impede os bons relacionamentos.

    Por: marcos paulo almeida moraisl Educaçãol 10/03/2011 lAcessos: 674 lComentário: 3
    marcos paulo almeida morais

    Como analisar este incidente horrível em Porto Alegre à luz de uma visão sociológica das forças de poder econômico?

    Por: marcos paulo almeida moraisl Direito> Doutrinal 28/02/2011 lAcessos: 238
    marcos paulo almeida morais

    deixo aqui a minha contribuição no sentido de fazer com que os jovens acordem desse sono debiloidizado; que os jovens sejam politizados em sua opiniões e agentes de mudanças sociais em prol do bem comum, e não apenas um bandinho de fanfarrões de baladas noturnas, e dos que gostam de curtir cantigas de ninar com amiguinhos no shopping, enchendo a pança no McDonald's, mas com a cabeça vazia de conscientização politica, e de que o fast food do momento é o da agremiação política

    Por: marcos paulo almeida moraisl Educação> Ensino Superiorl 27/02/2011 lAcessos: 894 lComentário: 1
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