Custo Brasil

27/07/2009 • Por • 7,177 Acessos

O Custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades que encarecem o investimento no Brasil, dificultando-lhe o crescimento e o desenvolvimento.

E quais são os custos que compõem a formação de preço de um produto e por que eles são mais elevados no país?  

O investidor faz suas contas para verificar qual país tem mais condições de lhe render-lhe um lucro maior na sua produção, levando em consideração diversos fatores.

As questões que o investidor irá analisar são:

1 - Os impostos são reduzidos?

No Brasil além de impostos serem um dos mais altos do mundo, a legislação é bastante complexa e extremamente ineficiente. O ideal é a redução dos impostos para ocorrer o aumento da arrecadação, Como isso funciona? O fato de reduzir os impostos possibilita ao empresário um maior investimento, o que, por certo, geraria um crescimento do produto interno bruto e um acréscimo da arrecadação, ou seja, haveria um giro maior o qual possibilitaria uma maior arrecadação.

2 - A mão-de-obra é barata, farta e qualificada?

No caso da mão de obra tem-se um paradoxo: o funcionário ganha pouco e o empresário paga muito, em decorrência do alto custo do sistema social brasileiro. Ao invés de o governo dar os benefícios sociais que somem no caminho entre a arrecadação e a chegada ao trabalhador, o que se deveria dar é um salário melhor possibilitando ao trabalhador adquirir o que necessita, ao invés deste receber esmolas do governo.

Tem-se farta mão de obra, porém desqualificada, pois o Estado arrecada muito, mas não transfere à população em virtude do alto custo de custeio e da corrupção. 

3 - Os insumos são abundantes e baratos?

O Brasil tem uma fartura enorme de recursos naturais e não sabe aproveitá-los, pois os exporta in natura, quando deveria beneficiá-los, pois assim, obter-se-ia um melhor resultado nas exportações.

4 - Os juros são baixos?

Os juros do Brasil estão entre os mais altos do mundo, criando uma situação perversa em que o investidor ganha mais especulando do que produzindo.

5 - Existe uma boa infra-estrutura de transportes?

O Brasil tem umas das maiores malhas rodoviárias do mundo, porém em péssimas condições, o que encarece o transporte das mercadorias. Em compensação não se tem uma malha ferroviária compatível com o tamanho do país. E quanto ao transporte hidroviário? Em um local com tantos rios é praticamente nulo.

6 – A energia é abundante?

O fornecimento de energia não é seguro. Nesse sentido, se houver um grande crescimento, não se terá energia suficiente para suportá-lo, haja vista o racionamento de 2001.

7 - Existe um mercado consumidor?

O nosso mercado consumidor é imenso, porém a maioria não tem poder aquisitivo o que engessa a produção. Se o trabalhador ganhasse mais, consumiria mais e isso geraria uma roda da fortuna.

8 - O câmbio e a inflação estão controlados?

O câmbio e a inflação estão ligeiramente controlados. Não se necessita de grandes intervenções do Banco Central, mas, sim de algumas intervenções pontuais.

Citam-se alguns exemplos do Custo Brasil: 

  • alta carga tributária que sufoca as pequenas e médias empresas;
  • alta legislação fiscal que onera o custo dos produtos;
  • altos custos trabalhistas e salários irrisórios;
  • altos custos do sistema previdenciário e atendimento precário;
  • manutenção de taxas de juros reais elevadas, o que inviabilizam os investimentos;
  • spread bancário exagerado, devido à concentração bancária;
  • corrupção administrativa elevada, o que eleva mais a carga tributária;
  • déficit público elevado e difícil de ser contido;
  • Burocracia excessiva para:
    • criação de uma empresa;
    • exportação e importação, dificultando o comércio exterior.

 

Esses diversos fatores inibem o investimento estrangeiro e nacional em nosso país e impedem o desenvolvimento rápido como ocorreu no Japão, na Coréia e na China, onde o crescimento beira os 10% ao ano. Se o Brasil não corrigir essas distorções, correrá o risco de ser o eterno país do futuro que nunca chega.

Para a devida correção, seria necessária uma reforma tributária e política urgente, além de pesados investimentos em infraestrutura, o que poderia ser feito com parte de nossas reservas de 220 bilhões de dólares, pois estas estão aplicadas em títulos dos EUA, os quais remuneram a 3% ao ano, enquanto se paga 12% ao ano aos nossos credores.

Perfil do Autor

Dr. Décio Ambrozio

*Décio Ambrozio é presidente da Andecred – Associação Nacional de Defesa dos Credores da União, Estados e Municípios e sócio da Décio...