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O desespero de um escritor
Por: CARLOS ROGÉRIO LIMA DA MOTA  | Publicado em: 21-09-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 7 | Avaliação: (157) (?)
Desde o dia em que meu irmão do meio morreu, há quase dois anos, pergunto-me o porquê de Deus não me ter levado em seu lugar, afinal, Kezo não tinha filhos, deixava apenas, se é que posso dizer assim, mãe e pai separados.
Ele tinha algo melhor do que eu: ERA ESPECIAL! Todos o amavam, inclusive eu! A mim, poucos amam, apenas meus filhos e alguns outros que não sei se me amam de verdade ou se se utilizam de meu sagaz “veneno” para satisfazerem o próprio ego, uma vez que, em campo, difícil é aquele que supera o meu “licor da morte”. Sou expert com as palavras, vivencio tudo o que sinto e escrevo tudo o que acredito ser verdadeiro, real, ainda que muitas vezes essas verdades não passem de fantasias.
Tenho dois filhos a quem amo muito e, se eu tivesse morrido no lugar do Kezo, certamente eles não me veriam deixar sua mãe, apenas teriam a certeza de que eu estaria eternamente condenado à escuridão de um túmulo. Ainda, teriam dinheiro o bastante para viverem felizes e longe de mim... Poderiam ser melhores do que eu um dia pensei ser! Poderiam ser almas livres de minha sina, de minha dor interna, aquela que me faz acreditar cada dia num Deus que me vê, que me sente, que me ama, mas que me deixou há tempos.
Se o Kezo estivesse vivo, ele - do jeito que eu o conhecia, seria um pai para eles, algo que não estou conseguindo ser! Algo que jamais acreditei ser! Algo que não sei bem o que é... Mas o Kezo se foi! O mesmo Deus que me ama acreditou que eu deveria ser poupado e ainda não sei o porquê? A esse Deus agora me viro e pergunto: POR QUÊ? POR QUÊ?
As respostas não vêm e cada vez mais estou angustiado...Perdão, meus leitores, como perceberam, hoje estou depressivo! Separei-me de minha esposa há pouco e fui entregar meus filhos a ela, depois de ter passado dois dias com eles... É como se agora eu estivesse morto, enterrado em vida! Por que então não morrer de verdade e poupar duas crianças de uma dor tão grande como a minha, de um vazio no peito, que indescritível na forma, beira à surrealidade? Não sei mais o que sou, o que serei, só sei que estou vazio, sem alma, num corpo sem rumo, arruinado na própria trama!
Se alguém puder me ajudar... Estenda-me a mão, por favor!
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Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com
Perfil o autor:Formado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo. Casado, 32 anos, 02 filhos. Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental – CICLO II da Rede Oficial de Ensino e Professor de Língua Portuguesa (Gramática, Redação e Literatura) da Rede Privada.
Colunista de diversos órgãos midiáticos, entre eles: “Yes Marília” - (www.yesmarilia.com.br), parceiro da Globo.Com no município de Marília/SP e Revista Eletrônica “Alô Ibiúna”, de Ibiúna/SP. Colabora também com o Jornal da Manhã, de Marília /SP, e Diário de Sorocaba, de Sorocaba /SP.
Pertence ao quadro de autores da Editora Virtual Usina de Letras - mantida pelo Sindicato de Escritores de Brasília, que conta, até o momento, com mais de 80 obras publicadas de sua autoria, em sua maioria, artigos políticos e contos de suspense.
Lançou, em 04 de julho de 2008, o site www.escritorcarlosmota.com, em que estão reunidas todas as suas obras e veículos para os quais escreve.
Seu sonho é ser apenas FELIZ em vida, afinal, que autor consegue ser feliz ao ser incomodado o tempo todo por sua visão perspicaz e sensível de um mundo já torpe feito o atual?
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