A Crise da Década de 30: O surgimento de Bretton Woods e a criação do FMI

Publicado em: 12/11/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 90 |

                A Crise Econômica da década de 30 iniciou-se principalmente em 1929 gerando efeitos internos para os Estados Unidos, e consequentemente, se propagando para a Europa, com ruínas de materiais como: a queda dos preços da produção industrial, do comércio internacional, das reservas monetárias e do emprego.

                 A queda dos preços e do consumo de produtos alimentícios afetou os países em desenvolvimento que dependiam da venda de seus produtos para o  fortalecimento de sua economia.  O comércio Internacional chegou em 1934 ao seu nível mais baixo, sendo 66,2% inferior ao de 1929. 

                O capitalismo neste período sofreu baixas uma vez que, o individualismo, livre iniciativa e mercado cederam espaço para o fenômeno do nacionalismo econômico, que gerou o protecionismo alfandegário e a autarquia política. No que tange a última, houve uma descrença geral por parte da população nas instituições do Estado liberal, às lutas partidárias, e doutrinárias, passando a buscar alternativas radicais ao crescimento dos "egoísmos nacionais".

                 Apesar de alguns analistas econômicos entenderem que a crise de 29 ocorreu devido ao craque da bolsa, na realidade, a crise adveio de fatores de agravamento supramencionados tendo afetado as relações internacionais de duas formas, sendo elas: pela indiferença e pela hostilidade diante da cooperação e pela prática generalizada de adotar soluções nacionais para problemas internacionais.

                 Este Artigo demonstrará o surgimento da crise, bem como explicará brevemente as razões que levaram ao surgimento da crise e a solução encontrada pelos países no pós Segunda-Guerra para conter a Grande Depressão de 30 que foi o Sistema Bretton Woods e a criação do Fundo Monetário Internacional.

               A partir da criação da Liga das Nações, tendo sido esta apoiada pelo Presidente Norte-Americano Woodrow Wilson,  apesar de não ter obtido a aprovação do Parlamento Americano,  a ausência dos Estados Unidos na Liga era a comprovação de que a política internacional no entre-guerras continuava sendo conduzida à moda do mundo liberal do século XIX, onde o multilateralismo ainda era uma noção vaga.

                 George Washington argumentava, que o isolacionismo dos Estados Unidos era a forma que este país deveria adotar para manter-se afastado dos problemas do internacionalismo. Contudo, a explosão da crise de 1930 demonstrou o contrário, uma vez que, as medidas unilaterais para conter a referida crise, fez com que a situação norte-americana ficasse ainda pior.

                   Contudo, a Crise de 1930, trouxe pelo menos duas consequecias, de extraordinária importância para o envolvimento dos Estados Unidos na Administração da Ordem Internacional do Segundo Pós-Guerra, as quais foram: o pleno envolvimento dos Estados Unidos na Administração da ordem internacional e a institucionalização da cooperação internacional em bases sistemáticas multilaterais. [1]

                     Por essa razão, estudiosos como Charles P. Kindleberger argumentava que no pós Primeira Guerra Mundial, a ordem internacional se tornara instável em função da crise de hegemonia. Isso ocorria, pois os Estados Unidos se recusava a assumir o papel do "beacon of the World" como costuma dizer Henry Kissinger, ainda que tivesse todos os meios para fazê-lo, já que a Grã-Bretanha, não tinha condições de retomar a sua posição de hegemonia.

                     O Liberalismo herdado do século XIX, que com Alfred Marshall e os neoclássicos haviam sofisticado seu ferramental analítico no campo econômico, acreditavam que através do mercado era possível produzir ganhos generalizados.  Assim, os produtores de bens e serviços, disputariam entre si as preferências do mercado aumentando a oferta, melhorando os padrões de seus produtos e reduzindo custos enquanto de um lado, a demanda se beneficiaria tanto pelo efeito preço quanto pela melhoria da qualidade dos produtos devido à concorrência.

                         Com a falência dos mecanismos de mercado, em 1930 as expectativas quanto a essa teoria foram frustradas, pois, a queda continuada dos preços e o aumento dos estoques das principais commodities, na segunda metade dos anos 20 eram indicação de que o mercado já estava saturado, ou seja, produzia-se muito mais do que se vendia. Os produtores tentando reverter a situação, baixaram seus preços, para obter uma receita total que minimizasse os prejuízos aviltando, dessa forma ainda mais mercados.

                          Na área financeira, a situação não era melhor, uma vez que os fluxos de fundo não sofriam nenhum tipo de restrição e a volatilidade de capitais era um fator que ajudava a tornar mais instável a economia internacional. A queda da Bolsa de Nova Iorque, também auxiliou para esse acontecimento, mas que era inevitável que esta ocorresse.

                      A maioria dos estudiosos argumenta que a crise de 30 aconteceu devido a associação das dificuldades dos mercados de commodities com a volatilidade dos capitais em um ambiente de completa inadequação do sistema monetário internacional à realidade, a realidade que se apresentava muito diferente daquela em que a libra esterlina havia predominado amplamente na economia internacional. Como consequecia disso, muitos países viram-se obrigados a adotar políticas autônomas de proteção de suas economias.

                        Sendo assim, a crise dos anos de 1930, teve papel fundamental para as transformações estruturais na distribuição do poder, com o declínio relativo da posição da Inglaterra e da Europa e a emergência de outros centros de poder, como os Estados Unidos.  Segundo E.H.Carr, o entre-guerras, marcou portanto, o fim do padrão-ouro, assim como os principais elementos que sustentavam essa ordem, como a própria liderança britânica, a libra esterlina e a própria fé no liberalismo.

                        Após a Segunda Guerra Mundial, emergiu uma nova ordem internacional, que começou a ganhar forma bem antes do encerramento das hostilidades. Isso é o que diferenciava os dois pós-guerras do século XX.  Por exemplo, a Conferência de Versalhes foi realizada três meses após o término da Primeira Guerra Mundial, e da Segunda Guerra Mundial, a assinatura da Carta do Atlântico, tendo como campo político na esfera econômica.

                            A Carta do Atlântico teve significativa importância para a sociedade internacional, porquê, foi o primeiro documento que apresentou a figura da cooperação internacional, destacando-a não somente como base para o esforço militar das potências, mas também como parâmetros a serem seguidos para o surgimento das relações econômicas internacionais a partir de princípios universais como: a equidade, livre acesso aos mercados e as fontes de matéria prima.

                             Bretton Woods, teve lugar um ano antes do término da Segunda Guerra, tendo, portanto, antecedido as duas grandes Conferências.  As negociações antes do término da Guerra auxiliaram as negociações e as conclusões de acordos, pois propunham objetivos comuns a serem implementados em curto prazo.

                              O Sistema de Bretton Woods foi o primeiro sistema monetário que gerenciava as normas comerciais e as relações financeiras entre as grandes potências industrializadas do século XX. Foi também o primeiro exemplo de uma ordem monetária integralmente negociada por relações monetárias entre governos e entre Estados-Nações independentes.

                               O Objetivo principal do sistema supramencionado, era justamente reconstruir o sistema econômico internacional pós Segunda-Guerra, tendo sido negociado por 730 delegações e 44 Estados Aliados,  que se reuniram no Mount Washington Hotel na cidade de Bretton Woods, nos Estados Unidos. Surgiu da Conferência "United Nations Monetary and Financial Conference".

                            Deliberaram e decidiram em Julho de 1944, pela criação de sistema de normas, instituições e procedimento para regular o sistema internacional, formando o Fundo Monetário Internacional, o chamado FMI e também o BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento), que hoje é parte do Banco Mundial.

             O carro chefe de Bretton Woods era, portanto, que os Estados adotassem obrigatoriamente políticas monetárias que mantivessem a taxa de câmbio em conexão com o dólar americano e para o FMI conter pagamentos não balanceados.

                  No dia 15 de Agosto de 1971, os Estados Unidos unilateralmente determinaram a converção do dólar para outro. Assim Bretton Woods terminou e o Dólar se transformou na moeda principal do mundo. Esse evento ficou conhecido como Nixon Shock, e tornou a moeda norte-americana utilizada em todo o mundo.

                  Portanto, pode-se dizer que as bases políticas para Bretton Woods ocorreram por diversas razões como por exemplo, a grande depressão, a concentração do poder nas mãos de  Estados, que na época não eram as grandes hegemonias mundiais,  acabando por excluir as grandes potências, que não estavam em boa situação financeira devido à Guerra.

                     De fato, o mundo necessitou aproximar-se cada vez mais para facilitar o comércio e as relações econômicas entre si, a fim de regulamentar e conter a inflação dos países, que a essa altura já estavam tornando-se interdependentes, fez-se necessário o surgimento do Sistema de Bretton Woods e do FMI, para regulamentarem e obrigarem os países a terem políticas econômicas mais sólidas afim de garantir que o mundo não passasse por grandes crises como a que ocorreu em 1930. 

                   Essa tendência dos países de tornarem-se cada vez mais próximos inclusive em regulamentações internacionais, é que faz com que existam estudos que acabam por entender a importância da criação de normas comuns para os países principalmente em relação ao comércio, uma unificação de leis, e isso foi a grande contribuição de Bretton Woods para a sociedade internacional.

                              

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[1] SATO, Eiiti. Economia e política das Relações Internacionais. Pg 82

Kissinger Henry. Diplomacy

Keohane, Robert O. After Hegemony

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