A Concepção De Educação De Paulo Freire Para "jovens E Adultos"

25/06/2009 • Por • 36,042 Acessos

PAULO FREIRE: A CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO

Jorge Elissander Novato Balbino*

A experiência de Paulo Freire não se restringe só a educação de jovens e adultos, algumas pessoas até estranham que ele não seja apenas usado por educadores nessa área. Em outras áreas do conhecimento Paulo Freire é utilizado como referência teórica para seus estudos e pesquisas.

Atualmente seus livros estão publicados em mais de 60 línguas e presente no mundo inteiro isto é, bastante universalizado, estuda-se Paulo Freire em diversos idiomas. Freire não aceitava a visão do MOBRAL que foi implantada depois dele, onde as pessoas aprendiam a escrever, mas não aprendiam a ler o mundo.

A educação de jovens e adultos na visão de Freire tinha como preocupação o analfabetismo e para ele o pior analfabeto era aquele que não ler o mundo. Destacando isso em seu livro “A importância do ato de ler.” A educação de jovens e adultos ou a educação freireana seja aqui no Brasil ou qualquer outro país, sempre esteve voltado para a conscientização em vencer primeiro o analfabetismo político, depois ensinar ao aluno ler o seu mundo a partir da sua experiência, do seu meio.

A terminologia adotada por método Paulo Freire vem a ser contestada pelo mesmo onde alega não ter escrito método algum e sim tinha uma preocupação com a educação, se tornou método na concepção de professores, mas que para ele próprio era uma concepção de educação contra outro tipo de educação, isto é, uma educação problematizadora e libertadora contra o principio de uma educação bancária, uma educação contra um tipo de educação que domesticava.

Conhecido como “Circulo de Cultura” o método ou Concepção de educação foi utilizado no Brasil, na Guiné Bissau, na Suíça, nos Estados Unidos em Harvard e em livros, ou seja, ele experimentou o “Circulo de Cultura” que segundo Freire é uma experiência que visava substituir algo maçante, isto é, aquela aula na qual os alunos estão presentes nas carteiras apenas como depositários e não tem autonomia, o professor na frente e detentor do saber, o “Circulo de Cultura” pregava uma sala com ambiente agradável onde todos nos tivéssemos o mesmo patamar, onde cada um do grupo definia pra cada um o significado de algo a partir de seu conhecimento, ou seja, não tem professor detentor do saber ali que sabe tudo. Cada grupo do circulo de cultura ele tem um orientador que ajuda com uma relação onde todos são iguais. O circulo busca em cada um, o que se entende pelos temas abordados, são feitas anotações, gravações e quando toda a discussão chega a um nível de satisfação onde todos falaram e tem o direto de falar, isto é, cada um se sente livre para dizer não tem aquela pressão do professor dizendo ou obrigando a fala. Depois deste processo encontravam-se as “Palavras Geradoras” que não eram retiradas de fora do contexto e sim de dentro do grupo.  Com essas “Palavras Geradoras” tenta-se criar um conceito, pois surgem varias palavras, onde se cria um conceito do tema abordado, partindo então do universo do educando, usando os mais diversos conhecimentos da região ou local onde o educando está inserido, isto facilita que o aluno aprenda a partir de seu meio. Freire valorizava imensamente o meio do educando, levando e conta a sua história, a cultura, a experiência anterior do aluno, não se perde nada se aproveita tudo. Sendo um ponto positivo da aprendizagem.

Segundo Freire o verdadeiro educador é aquele que não ri do seu educando não ri da ingenuidade de seu educando. A ingenuidade do aluno é só não saber, quando o educando não sabe o professor não tem que rir dele e o humilhar, o professor tem que superar junto ao aluno as suas limitações pelo não saber e na medida da mediação deste professor o aluno aprende. Freire defende que ninguém ensina nada a ninguém e ninguém aprende nada sozinho, ele diz que só se aprende consociando uns com os outros, liderizados pelo mundo que nos cerca, isto é, só somos capazes de ensinar para os adultos ou para a criança se formos capazes de aprender, sendo um professor que disposto a buscar o novo, a aprender todos os dias e não aquele que acha que sabe. Segundo Freire o bom professor é aquele que se coloca junto com o educando e procura superar com o educando o seu não saber e as suas dificuldades, com uma relação de trocas onde ambas as partes aprendem.

Existem em vários lugares do mundo, onde se tem aplicado a educação de Paulo Freire para as crianças, o grande ponto em Freire é que nós precisamos compreender, precisamos modificar para atender a crianças, atender um jovem. Mostrando-nos a preocupação com a educação em geral.

Freire dizia que se alguém quisesse trair o seu legado que o imitassem, e que se quisesse não o trair que o reinventasse.

Freire quando começa a trabalhar a educação de jovens e adultos ele esta preocupado em que o ser humano se liberte, para que seja, mas feliz, cresça, que siga em frente. Em todo o processo e em sua história Freire contribui para que o ser humano fosse mais, e isso ainda continua porque todos aqueles que descobrem Paulo freire, o percebem, o amam. O sentido de seus ensinamentos é tomar pelo estômago, é uma coisa visceral, é forte, ele vira uma luz no caminho da gente, Freire diz algo interessante: “Ai de nós se não sonharmos sonhos possíveis.”

A “Utopia” em Freire é justamente o fato de nossa inconclusão, nós somos seres inconclusos, não estamos prontos, acabados e nunca estaremos. Onde a educação freireana seja ela para o adulto, seja ela para crianças, ou para quem quer que seja, é uma educação para que nós nos completemos, isto é, somos utópicos, no sentido freireano a utopia é um sonho que se sonha acordado que esta em constante busca da realização tanto humana com profissional.

Freire foi e continua sendo um dos maiores educadores do mundo, pouco conhecido e divulgado no Brasil, mas muito utilizado no mundo e em várias e grandes universidades do mundo.

 

 

Bibliografia:

 

Freire, Paulo Régis Neves. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.

Freire, Paulo Régis Neves. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
Freire, Paulo Régis Neves. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.

Freire, Paulo Régis Neves. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez Editora, 1982.

 

 

*Graduando do Curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF)

Perfil do Autor

JORGE ELISSANDER N. BALBINO