A educação jesuítica no Brasil

29/11/2010 • Por • 5,925 Acessos

1. INTRODUÇÃO

 Compreender a história da educação no Brasil é retornar aos primórdios da colonização portuguesa. Embora seja a partir da colonização que se começa a falar de educação formal em terras brasileiras, é importante salientar que a tarefa de montar uma estrutura educacional ficou sob responsabilidade dos padres da Companhia de Jesus. 

 A partir daí, os jesuítas criaram diversos estabelecimentos de ensino na colônia, destacando-se na educação, catequização, criação e expansão das missões jesuíticas. Este período de intenso trabalho jesuítico chega ao fim com as reformas pombalinas culminando na sua expulsão de Portugal e das colônias portuguesas. Levando a conseqüente desestruturação do ambicioso sistema educacional implementado no Brasil.

 

2. OS JESUITAS E A EDUCAÇÃO NO PERIODO COLONIAL

 A história da educação no Brasil tem inicio com a chegada dos jesuítas da Companhia de Jesus. Considerando o período histórico dos acontecimentos, não será difícil compreender a importância dos padres dentro do projeto português de colonizar as terras recém descobertas e as marcas deixadas durante a permanência dos jesuítas em terras brasileiras.  

 Os primeiros jesuítas chegaram com Tomé de Souza, o primeiro governador geral e sob liderança do Padre Manoel de Nóbrega. Logo de inicio fundaram a primeira escola elementar em Salvador. A partir desta iniciativa a influência jesuítica não cessou de expandir, pois no ano seguinte criaram outras escolas na Bahia e em São Vicente, com objetivos de forma padres que pudesse se dedicar ao trabalho de evangelização e mais adiante na formação das elites locais.

 Como apontado, a iniciativa jesuítica foi decisiva para se montar e expandir uma complexa estrutura educacional colonial. Não havia formalmente, por parte das autoridades portuguesas, o interesse em tal iniciativa, porém limitaram a ação dos jesuítas proibindo a abertura de universidades. A estrutura educacional estava organizada em curso elementar, humanidades, artes e teologia. Na estrutura, destacava-se o curso de artes, tendo como objetivos a formação de padres, a elite dirigente local e preparar candidatos ao ingresso na Universidade  de Coimbra, a exemplo de médicos,  cânones  e  advogados,  futuramente a elite da política brasileira.

Desta forma, é compreensível a monopolização sobre os rumos da educação na colônia, tendo como objetivo difundir a fé católica, consolidar os interesses da organização religiosa e contribuir para a formação da elite dirigente da colônia. Tal poder será mais tarde objeto de discórdia entre governo português e jesuítas.

 

3. CATEQUIZAÇÃO INDÍGENA E MISSÕES JESUITICAS

  A catequização dos povos indígenas não se constituiu em tarefa fácil para os jesuítas. Havia dificuldades de toda ordem, mas os padres souberam driblar as adversidades através da persistência e do domínio da língua nativa. Branco (2000, p. 3) assim se refere às estratégias adotadas pelos padres: "Os jesuítas tomam conhecimento da situação real do território, logo após a sua chegada. Antes de ensinar, querem aprender, e, imediatamente, um deles trata de aprender o idioma dos índios". Essa estratégia foi decisiva para desacreditar a tradição tribal amparada no pagé e convencê-los da conversão para o catolicismo. Além dessa estratégia trouxeram órfãos de Portugal com o intuito de atrair os curumins já que havia a resistência dos índios mais velhos para suas pregações religiosas.

 Com o domínio da língua utilizada pelos indígenas, o processo de aculturação vai se tornando mais intenso e determinante para o sucesso da catequização em território brasileiro. Nesse processo, praticas como pregação e batismo, com vistas a incutir em suas mentes, os ensinamentos bíblicos, a disciplina e a obediência, contribuíram gradualmente para minar a resistência ao conquistador, persuadindo-os a abandonar suas crenças e assumindo em definitivo a fé cristã.

 Outra estratégia de grande utilidade para a conversão em massa dos gentios foi à disseminação das missões jesuíticas. Os jesuítas perceberam que o sucesso da sua empreitada exigia mais tempo entre os povos a serem evangelizados. Desta iniciativa surgiram os aldeamentos indígenas para assegurar permanentemente a pregação e o controle das tribos catequizadas.

 Embora, houvesse transferido para as missões as populações indígenas, não havia a garantia de que tais aldeamentos se mantivessem livres da cobiça dos bandeirantes havidos por capturar e escravizar mais facilmente os gentios. Apesar de todas as dificuldades para a manutenção do projeto evangelizador, as missões jesuíticas foram fundamentais para o processo civilizatório gestado, por Portugal, para a conquista do Brasil.

  

4. A REFORMA POMBALINA E A DESESTRUTURAÇÃO DA EDUCAÇÃO JESUÍTICA

 Durante aproximadamente dois séculos, os jesuítas mantiveram sob seu controle a educação na colônia. Já não se ocupavam apenas da evangelização dos indígenas, agora, também da administração do patrimônio jesuítico, da instrução dos portugueses, das populações mestiças e dos escravos negros. Detinham considerável poder político e econômico que incomodava as autoridades portuguesas e até religiosas.

 Enquanto, o trabalho dos jesuítas se mostrava útil a pacificação das tribos locais, pois os custos do enfrentamento eram enormes para Portugal, o empreendimento da Companhia de Jesus, mostrava-se adequado aos interesses da coroa portuguesa de subjugar e conquistar as terras dos povos indígenas.

 A partir do momento que a tarefa já se mostrava mais favorável ao poder local e a missão jesuítica entrava em choque com os novos interesses do governo colonial, houve, então, mudança de rumo nas relações entre Estado e Companhia de Jesus. É neste momento que entra em cena a nova política colonial conduzida pelo Marquês de Pombal. Segundo Santos (2005, p. 1),

 Em 1759, depois de anos de perseguições e campanhas difamatórias, os jesuítas são expulsos do Brasil por determinação do primeiro-ministro português, o marquês de Pombal. Dos 670 missionários que se encontravam no país, 417 são deportados para os territórios pontifícios (Itália) onde permanecem até o banimento da Companhia também naquele país. Em 1773, vítima do enorme poder que acumulara rapidamente, passando  a representar uma ameaça aos poderes estabelecidos da época, a Companhia foi suprimida em todo o mundo.

 Com a expulsão dos jesuítas houve a desestruturação do sistema educacional sob a orientação da Companhia de Jesus. Portanto, "[...] não é sem razão, é quase (im)possível pensar uma história da educação brasileira sem colônia e colônia sem a Companhia de Jesus (considerada um estado dentro do Estado português)" (ROSÁRIO; SILVA, 2010, p. 1). Mesmo com as mudanças introduzidas pelo Marquês de Pombal, dificilmente conseguiram superar a estrutura educacional dos jesuítas, abrindo um vácuo na história da educação brasileira

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 O legado dos jesuítas é enorme considerando as dificuldades encontradas no inicio da colonização brasileira. Um território inóspito, populações nativas arredias ao contato e que se mostraram resistente a evangelização. Mesmo assim, os padres da Companhia de Jesus se mostraram empenhados a conquistá-los, dominando a língua nativa e criando missões jesuíticas. Foram ações que contribuíram para a gradual desestruturação das tribos e seus costumes. Portanto, a missão jesuítica auxiliou para a ampliação do domínio português sobre o Brasil, contribuindo em grande parte para eliminar a rejeição dos nativos a dominação portuguesa, além de ter favorecido a construção de uma complexa e extensa base educacional de grande repercussão por mais de dois séculos.

 

6. BIBLIOGRAFIA

 BRANCO, Alberto Manuel Vara. O sentido do Brasil integrado nos objectivos da Companhia de Jesus no século XVI. Disponível em: <http://www.ipv.pt/millenium/Millenium36/6.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010.

 ROSÁRIO, Maria José Aviz do. SILVA, José Carlos da. Educação jesuítica no Brasil Colônia. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/36994423/A-EDUCACAO-J-ESUITICA-NO-BRASIL-COLONIA>. Acesso em: 17 out. 2010.

 SANTOS, Daniel. A expulsão do Brasil. Disponível em: A expulsão do Brasil. Acesso em: 17 out. 2010

Perfil do Autor

Alberto Amorim

Licenciado em Geografia. Pós-Graduado em EAD pela UNEB/UAB. Entusiasta do Software Livre como filosofia educacional, da aplicação das TIC no ambiente escolar e do Linux como sinônimo de liberdade.