 |
A História Da Vida De Joãozinho
Por: João do Rozario Lima  | Publicado em: 21-04-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 89 | Avaliação: (75) (?)
A HISTÓRIA DA VIDA DE JOÃOZINHO.
PAI:
Joãozinho, acorda, já é cinco horas, temos que ir trabalhar.
JOÃOZINHO:
Há pai é muito sedo e eu estou com muito sono.
PAI:
Levanta já daí moleque, temos que plantar se não vai morrer de fome.
JOÃOZINHO:
Pai eu estou com os pés todos furados de espinhos, não estou agüentando.
MÃE:
Há meu filho você tem de ajudar seu pai, vou enrolar uns panos em seis pés e isso vai ajudar a não doer.
PAI:
Joãozinho, como você cortou este pé de milho?
JOÃOZINHO:
Há pai eu não vi, estava atrás do mato.
PAI:
Você me paga moleque, vou dar-lhe umas cabadas de enxada na cabeça para você enxergar melhor e não cortar mais as plantas.
MÃE:
Homem! Já são oito horas da noite e você está chegando esta hora da roça?
PAI:
Saímos da roça escurecendo, é porque a distancia é longe.
MÃE:
Veja o coitadinho do menino já está dormindo ali no chão, vou colocar ele na esteira para dormir amanhã ele come.
PAI:
Acorda menino temos de ir trabalhar.
JOÃOZINHO:
Há pai estou com sono e muita fome.
PAI:
Mulher, veja se sobrou algum resto de fruta pão e dê a este menino que eu não posso perder tempo.
NÃE:
Há sim sobrou um pouco de sopa de fruta pão, vou esquentar para ele.
PAI:
A sim aproveite e chame a Alzira, vou levar ela também para ajudar, porque esta semana quero terminar aquele serviço.
MULHER:
Homem estes meninos estão crescendo, a professora veio aqui ontem e disse que temos que colocarem eles na escola, se não eles vão ficar burros que nem nós.
PAI:
Que nada mulher, até hoje não precisei de estudos.
MULHER:
É mais até hoje nunca teve nada, se que nunca pode comprar um sapato nem para você, quanto mais para seus filhos.
JOÃOZINHO E ALZIRA:
É mesmo pai, os colegas zombam de nós porque andamos descalço.
PAI:
Está bem vou colocar o Joãozinho na escola porque ele é homem, mas as mulheres não precisam de estudar não, logo elas crescem e vão se casar.
PROFESSORA:
Bom dia senhora, vim aqui, procurar saber se não vão colocarem seus filhos na escola?
MÃE:
A sim professora, falei com meu marido sobre isto, e ele disse que vai colocar só o menino, depois da aula ele tem de ir ajudar ele na roça.
MÃE:
Joãozinho, vai para a escola, e na hora do recreio você vem colocar arroz na pedra pra secar e lavar as vasilhas para mim.
JOÃOZINHO:
Mãe, não vai dar tempo pra tudo isso.
MÃE:
Olhe, e tem mais uma coisa , quando terminar as aulas vem direto pra casa, você tem de levar almoço para seu pai e se chegar atrasado já sabe, vai apanhar.
PROFESSORA:
Olhe senhora, o Joãozinho já está com oito anos, já passou da idade para começar a estudar, e depois entrou na escola no meio do ano, é possível que ele não passe de ano.
PAI:
Menino vagabundo, a comida já está fria e azeda, vou lhe dar uma surra pra você aprender a não ficar brincando na estrada.
PROFESSORA:
Olhe pai, seu filho não tem condições de passar de ano e estou achando ele muito triste porque seus coleginhas riem muito dele por estar sempre descalço e com estas roupas de chita todos os dias.
PAI:
Que nada, moleque é assim mesmo, e demais eu tenho nove filhos, não poço comprar calçados e nem roupas melhores para eles.
MÃE:
Joãozinho, pegue seu caderno e vai fazer as tarefas que a professora mandou.
PAI:
O moleque está dormindo em cima do caderno, vou dar umas cadernadas na cara dele que ele toma vergonha.
MÃE:
O homem não faz isto, o coitadinho está cansado de tanto trabalhar.
PAI:
Levante moleque e vai dormir que amanhã você tem que acordar cedo para ir a escola.
PROFESSORA:
Joãozinho, não durma na aula, você tem de dormir de noite e não na escola.
JOÃOZINHO:
A professora, é que chego todos os dias da roça às oito horas e ainda tenho de fazer as tarefas.
PAI:
É Joãozinho este ano você termina a quarta série e vai ficar melhor que o ano que vem você pode me ajudar o dia todo na roça.
JOÃOZINHO:
Mais pai! Eu quero estudar mais como os outros meninos.
PAI:
Deixe de ser bobo moleque, não está vendo que eles são ricos e seus pais podem pagar estudo para eles. E nós como vamos pagar.
JOÃOZINHO:
O pai, em outros lugares tem escolas do governo e é de graça.
PAI:
Deixe de besteira moleque, que estudar que nada, até hoje eu não estudei e estou vivendo.
JOÃOZINHO:
Mãe, o pai não quer deixar eu ir estudar, eu vou embora para estudar em outro lugar.
MÃE:
Meu filho não me de este desgosto,eu não vou agüentar sem você.
JOÃOZINHO:
Não mãe, sempre virei te visitar.
MÃE:
Está bem meu filho se é assim que quer.
JOÃOZINHO:
Bom dia seu Arlindo, o senhor deixa eu morar aqui para eu estudar.
ARLINDO:
Olhe menino, pra você ficar aqui já é uma complicação com seu pai. Vou deixar você ficar até arrumar um lugar.
JOÃOZINHO:
Bom dia seu Vivaldo. O senhor podia arrumar um trabalho para mim para eu morar aqui e poder estudar a noite.
VIVALDO:
Bom, posso até arrumar um trabalho para você, mas é o seguinte, vai ter de levantar às três horas da madrugada para tirar o leite e depois durante o dia fazer alguma coisa.
JOÃOZINHO:
Pra mim está bom, o que eu quero é estudar.
VIVALDO:
Acorde rapaz, já são três horas.
VIVALDO:
Joãozinho, só tem um cavalo e nós vamos ter de levar o gado para a outra colônia ok.
JOÃOZINHO:
Vamos seu Vivaldo então vamos tocar o gado.
VIVALDO:
Vamos Joãozinho cerque esta vaca seu idiota.
JOÃOZINHO:
Olhe seu Vivaldo, ninguém ate hoje precisou gritar comigo, e o senhor estava acavalo e não cercou a vaca, acerte minha conta que vou embora.
VIVALDO:
Pra onde vai menino? Deixe de bobagem fique aqui, você é um bom menino.
JOÃOZINHO
Não seu Vivaldo, não vai dar certo, eu vou para a casa do seu Arlindo ajudar ele apanhar café.
VIVALDO:
Está bom Joãozinho, se você quer assim, vou levar o dinheiro para você na escola a noite.
JOÃOZINHO:
Bom dia seu Arlindo, tem serviço pra mais um ai?
ARLINDO:
É claro que tem, o café está quase seco e preciso apanhar ele logo.
(uma semana depois) JOÃOZINHO:
O seu Arlindo, uma cobra me mordeu e minhas vistas estão escurecendo.
ARLINDO:
Vamos descer a cerra e você vai tomar uma injeção na venda do Vergílio e isto vai melhorar.
JOÃOZINHO:
Seu Arlindo, estou sentindo uma fraqueza danada.
ARLINDO:
Olhe rapaz, não posso ficar com você aqui em casa sem fazer nada, você vai ter que se virar, arrumar um serviço por ai.
JOÃOZINHO:
Bom dia seu Henrique. O senhor não tem um trabalho ai para mim?
HENRIQUE:
Olhe meu filho, serviço tem muito, mas do jeito que estou vendo você não vai agüentar muita coisa.
JOÃOZINHO
Há, seu Henrique, o que quero é um lugar para ficar e comer, não importo com salário no momento.
HENRIQUE:
Se for assim está bom pode ficar.
Avalie este artigo:
Current: 1 / 5 stars - 2 vote(s).
Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com
Perfil o autor:João do Rozario Lima. Filho de Athaydes Martins de Lima e Zita do Rozario Lima. Nasceu e São Gabriel da Palha no Estado do Espirito Santo. Graduado em Pedagogia e Pós Graduado em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Atua como Professor das Séries Iniciais no Municipio de Seringueiras no Estado de Rondonia. telefone 069 3623 3196.
|
Submeter artigos se tornou um dos meios os mais populares de gerar links de qualidade e tráfego para o seu site. CADASTRE-SE JÁ, É DE GRAÇA! |
|
Últimos Educação artigos
A Violência Na Escola Pública: Como Prevenir E Corrigir Por: Maria José Esmeraldo Rolim | 19/11/2008 A violência na escola é um tema de grande relevância, inserindo no processo educacional. Muito se tem abordado sobre o referido assunto e muitas pesquisas foram direcionadas nesse campo. Partindo desse pressuposto, passa-se a estudar pessoas, idéias e atitudes que interferem na motivação e aprendizagem. Para a realização deste trabalho analisa-se a violência como um fator que interfere na aprendizagem e o papel da família, do Estado, da escola e do educador frente a essa problemática.
Do Conto Tradicional Às Actuais Narrativas – Propostas Pedagógicas: A Menina Que Não Gosta De Ler! Por: Susana Quesado | 19/11/2008 O conto estuda modelos textuais, formas primitivas de viver, estabelece regras de funcionamento da narrativa, explica conflitos humanos… Em suma, o conto levanta questões que dizem respeito a todos nós.
Crianças Pequenas: Poetas Grandes - A Poesia Nas Escolas Por: Susana Quesado | 19/11/2008 Os objectivos que nortearam as nossas práticas poderão ser assim explicitadas:
- Despertar os nossos alunos para a apreciação do texto poético;
- Favorecer a fruição;
- Alargar conhecimentos;
- Formar leitores autónomos, críticos e interventivos.
A poesia oferece ao leitor a possibilidade de vivenciar as suas emoções, desenvolvendo e alargando a sua sensibilidade e a sua visão do mundo em plena liberdade.
Explorando Identidades, Construindo A Literacia: O Gato E O Escuro De Mia Couto Por: Susana Quesado | 19/11/2008 Dado que decidimos abordar o valor pedagógico da literatura Infanto-Juvenil como meio de consciencialização histórica e de desenvolvimento da cidadania, optámos pelo “O Gato e o Escuro” de Mia Couto.A versão prática dste trabalho também vai ser apresentada em Espanhol.
Motivação Para A Leitura No 1º Ciclo Do Eb Através Da Narrativa “A Fada Oriana” Por: Susana Quesado | 19/11/2008 trabalho aqui apresentado tem como objectivo principal fomentar a motivação para a leitura e, em simultâneo, desencadear mecanismos de compreensão da narrativa.
É tido em conta o facto de que o estudo da narrativa tem constituído um tema dos programas de português em todos os níveis de ensino.Apresentamos o estudo da obra “A Fada Oriana” de Sophia de Mello Breyner Andresen numa perspectiva interdisciplinar.
Do Aprender Contos Ao (Ser) Leitor Por: Susana Quesado | 19/11/2008 O presente trabalho de investigação foi levado a cabo numa escola dos arredores do Porto, através de inquéritos aplicados (inquéritos de escolha múltipla) aos 40 alunos do 4º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico e pretendeu-se recolher informação acerca das suas preferências ou hábitos de leitura. Tentámos, assim, descobrir se os alunos preferem ler um livro de histórias ou ver o DVD relativo a esse livro.
Contos De Encanto: A Menina Do Mar Por: Susana Quesado | 19/11/2008 O trabalho aqui apresentado tem como objectivo principal fomentar a motivação para a leitura e, em simultâneo, desencadear mecanismos de compreensão da narrativa.É tido em conta o facto de que, o estudo da narrativa, tem constituído um tema dos programas de português, em todos os níveis de ensino.Assim, para além de se apresentar o estudo da obra “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, numa perspectiva interdisciplinar, adequamos a estrutura desta obra à gramática de Denhière.
Professora, Não Gosto De Ler! Por: Susana Quesado | 19/11/2008 Levar a literatura infantil à sala de aula no primeiro ciclo do ensino básico é, sem dúvida, o “lançamento” das bases de uma primeira cultura literária, a par do desenvolvimento de valores e atitudes, e, concomitantemente, do espírito crítico.A obra seleccionada para o presente estudo é o “Segredo do Rio” de Miguel Sousa Tavares. Deste modo, impõe-se tecer alguns comentários acerca da narrativa, bem como dos benefícios que esta pode fornecer à compreensão na leitura.
Mais artigos de João do Rozario Lima
O Libertador Da Umanidade Por: João do Rozario Lima | 27/10/2008 | Crônicas As sagradas Escrituras revela vários atributos de Deus que o enaltecem como libertador da raça humana, como: Deus de amor, Deus misericordioso, Deus onipotente e Deus onisciente.
O plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo( Jô 1.29; Cl 4.4,5)
Amor!!! Por: João do Rozario Lima | 21/10/2008 | Poesia Tu és como uma perola,
No mais profundo mar.
Que me faz sentir vontade,
De viver e de amar.
O Senhor Da Terra Por: João do Rozario Lima | 28/09/2008 | Poesia Quando Deus criou o homem,
As feras e os animais.
Dando vida a todos os seres,
O amor e a liberdade.
Minha Mãe Por: João do Rozario Lima | 28/09/2008 | Poesia Sinto saudade na alma,
De vontade de lhe ver.
Procuro em todos os lados,
Não consigo ver você.
Poluição Ambiental Por: João do Rozario Lima | 28/09/2008 | Poesia Eu olho o céu tão escuro,
Começo então a pensar.
Se não pararmos com isso,
Onde vamos morar.
Saudades Por: João do Rozario Lima | 10/09/2008 | Poesia Quase morro de saudades,
Das paisagens e das palmeiras.
Dos pássaros lindos e felizes,
Das matas de Seringueiras.
Porque Destruir Por: João do Rozario Lima | 06/09/2008 | Línguas Como o sol que ilumina a lua,
E as águas da imensidão do mar.
Por pior que sejam os homens,
Deus os ama e jamais os abandonará
Educadores Do Futuro Por: João do Rozario Lima | 12/08/2008 | Poesia Os nossos educadores,
Precisam considerar.
Educar não é apenas,
Os conteúdos ensinar.
|
 |