A importância da Reflexão dentro e fora da sala de aula

24/05/2010 • Por • 2,132 Acessos

A expressão professor – reflexivo, a partir dos anos 90 do século XX, tomou conta do cenário nacional, confundindo-se,inclusive, a reflexão, enquanto atributo de todo ser humano, com o movimento de entendimento do trabalho dos professores (PIMENTA, 2002).

O questionamento que se faz é o seguinte: que tipo de reflexão, deve ter o professor em serviço? Ele deve refletir na ação; deve refletir sobre a ação ; deve refletir sobre a reflexão na ação ou ser um intelectual crítico da própria prática? Será que a reflexão subjetiva do professor em qualquer dessas concepções resolve o problema da prática educativa na atualidade? Entendemos que a reflexão na atividade docente não pode ser uma prerrogativa ou um encargo particular do professor, ela deve ser um processo intersubjetivo, assim como, não podemos renegar os saberes docentes experiências a um plano inferior, em qualquer prática educativa que se disponha a valorizar o trabalho do professor e respeitar o próprio ser humano.

A maioria dos educadores, devido a falta de tempo, ou por algum outro motivo deixam de fazer algo que é importânte para sua prática diária; que é o ato de refletir. Essa atitude ajuda o professor a diagnosticar sua forma de ensinar.Pensar é começar a mudar. Quem não reflete sobre o que faz acomoda-se, repete erros e não se mostra profissional.

O professor deve refletir para entender o seu aluno, para mudar algo que não esta dando certo, para conhecer novas metodologias e enfim! para aprender novas tecnologias.

No caso do professor, isso assume conotação mais grave. Ele lida com gente, crianças e jovens que podem ser afetados por uma conduta inadequada e conceitos errôneos. O professor prático reflexivo nunca se satisfaz com sua prática, jamais a julga perfeita, concluída, sem possibilidade de aprimoramento. Está sempre em contato com outros profissionais, lê, observa, analisa para dar um suporte ao seu educando, sujeito e objeto de sua ação docente. Se isso sempre foi verdade e exigência, hoje, mais do que nunca, não atualizar-se é estagnar e retroceder.

As exigências da tecnologia e do mercado de trabalho são tantas e tão rápidas que o profissional pode ser pego de surpresa em sua prática cotidiana. Notícias, fatos, mudanças podem chegar à sala de aula pela boca dos alunos, sem que o professor tome conhecimento. Quantas vezes, em alguns casos, o aluno supera o professor! Isso tudo por conta da internet e seus meios de comunicação tão ageis que, às vezes o aluno fica bem mais informado que os seu professor. Hoje qualquer criança de 7 anos tem seu "orkut", se naõ tem computador vai na lan hose e se comunica com mundo em questão de minutos.

Existem dois sistemas envolvidos no início da escolarização ( o sistema de representação de números e o sistema de representação de linguagem ), as dificuldades que as crianças enfrentam são dificuldades conceituais semelhantes às da construção do sistema e por isso pode-se dizer, em ambos os casos, que a criança reinventa esses sistemas. Não é reinventar as letras e, ou os números, mas compreender seu processo de construção e suas regras de produção.

 Cada aluno tem sua forma de aprender e seu tempo de aprendizado, cabendo ao professor atravéz da prática da reflexão identificar a forma de aprendizado, e o tempo de cada aluno. No passado os "professores", ensinavam de uma forma tradicional; era uma mesma metodologia com todos os alunos. O professor não buscava informações sobre novas metodologias para, assim agregar novos conhecimentos para somar a sua prática diária.

Normalmente as reflexões psicológicas são efectuadas pelas pessoas que "pensam", "questionam" o que as rodeia. A reflexão psicológica é muitas vezes utilizada na filosofia. Refletir é pensar, abordar um tema, que nos intriga, por vezes.

Nesse sentido o professor é um pensador constante, um investigador que, tem por obrigação buscar novas metodologias de ensino; para facilitar o aprendizado de seus educandos.

O educador compreendido não apenas como facilitador da aprendizagem é um mediador de saberes, praticando uma pedagogia ativa centrada no educando e que tem um papel decisivo na construção da cidadania dos sujeitos. A partir das idéias de Paulo Freire os docentes começaram a se preocupar com o aspecto crítico e reflexivo da educação e coma leitura da realidade.

 Segundo Freire (2001), a crítica é a curiosidade epistemológica, resultante da transformação da curiosidade ingênua, que criticizar-se. Corroborando com essa idéia Freire afirma:

 A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fizemos.(2001 p.53).

 Desta forma é preciso defender um processo de formação de professores em que as escolas sejam concebidas como uma instituição essencial para o desenvolvimento de uma democracia crítica e também para a defesa dos professores como intelectuais que combinam a reflexão e a prática, a serviço da educação dos estudantes para que sejam cidadãos reflexivos e ativos. O mundo evolui em uma velocidade assustadora e o professor tem que estar atento a essa evolução refletindo e repensando sua prática diária, dentro e fora da sala de aula, para que seus alunos não sejam prejudicados na aquisição dos seus conhecimentos básicos.

 

Perfil do Autor

Rosângela da Glória Santos

Sou educadora, cantora e compositora.Tenho 43 anos, adoro cantar e escrever.