A Imprescindibilidade De Descortinar Fatores Prejudiciais Aos Deficientes Auditivos Na Escola

Publicado em: 07/06/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 771 |

A IMPRESCINDIBILIDADE DE DESCORTINAR FATORES PREJUDICAIS AOS DEFICIENTES AUDITIVOS NA ESCOLA.

 A inclusão de deficientes auditivos no cenário educacional é um tema bastante complexo, no qual a situação necessita ser analisada como um todo, a partir da realidade de cada meio. Para conseguir analisar a situação largamente, é necessário conhecer melhor o universo dos surdos, levando em consideração sua situação cotidiana de inclusão/exclusão no meio social como um todo, discutir e repensar práticas e teorias tomando como base uma questão sociocultural (não apenas audiológica), onde o deficiente é um sujeito que possui uma língua natural, a Língua de Sinais (LIBRAS).  Segundo Marisa Faermann Eizirik (2000), "na inclusão o que está em jogo é a ruptura com o conceito estático do homem, de mundo, de conhecimento; é a necessidade de transpor experiências, de compartilhar caminhos, de compreender a complexidade e a diversidade através da abertura de canais para o diferente, o que não é meu, nem igual ao meu, mas por isso mesmo, merece respeito. E esse respeito descortina a possibilidade da descoberta de coisas. pessoas, situações, - insuspeitáveis, fascinantes. - É certo que esse caminho produz marcas pela insegurança, pela quebra de certezas, de normas estáveis." Há uma diversidade de fatores e experiências em cada indivíduo e, quando se fala de inclusão de surdos, além da diversidade, retrata-se o diferente (língua, cultura, tradições,...). Neste convívio, entre duas comunidades (surda e ouvinte), há sempre a situação de uma nova língua, ou seja, para o ouvinte, a língua de sinais e para o surdo, a língua portuguesa. Retratando da segunda língua, pode-se reportar à Poersch (1995), "há três fatores para o aprendizado de uma segunda língua:

 Motivacionais - fatores construídos no sujeito aprendiz devido ao contexto comunicacional lingüístico em que ele se insere; -

 Atenção - que é construída da motivação, isto é, dependerá da maneira como o aprendiz tem contato com a língua a ser aprendida (métodos e técnicas utilizadas no ensino, oportunidades e qualidades da utilização da língua); -

Memória - que provém da atenção e está relacionada à aptidão do indivíduo para o aprendizado de novas línguas".

Na inclusão, é importante lembrar-se de alguns fatores primordiais quando pensamos em surdos: Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença sócio-lingüística e valorizando a comunicação espaço/visual em todos os momentos deste processo, já que, segundo Skliar (1998), "... todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de entender o universo em seu entorno, se configura como experiência visual". A língua de sinais não pode nem deve ser vista pelo docente como um objeto de trabalho, mas sim, como parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial. Portanto é relevante viabilizar o aprendizado do sujeito surdo valorizando a língua de sinais, se ao iniciar o trabalho de inclusão esta não for possível,  faz-se necessário utilizar todos os recursos de comunicação (não simultaneamente), para que a partir destes tenha-se a certeza de que o surdo pode desenvolver habilidades dentro dos seus parâmetros. Deste modo podemos nos reportar ao livro "O vôo da gaivota" da autora surda Emmanuelle Laborit (1996): "Utilizo a língua dos ouvintes, minha segunda língua, para expressar minha certeza absoluta de que a Língua de Sinais é nossa primeira Língua, aquela que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer, também, que nada deve ser recusado aos Surdos, que todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se ter acesso à vida". Entende-se como integração, a possibilidade de que as pessoas com necessidades especiais devido a deficiência ou problemas em seu desenvolvimento viva e conviva com as demais pessoas de sua comunidade. Conforme Correia (1997:23), profissional ligado a educação, este viver e conviver em sua própria comunidade é um direito e uma questão de justiça.

É justo que o portador receba uma educação adequada às suas necessidades específicas, uma vez que a educação é um direito constitucional de todos os cidadãos. E entendemos que a educação é o passaporte para o futuro, logo não podemos privar qualquer cidadão de adentrar no mundo escolar independente de ser portador de deficiência ou não. O princípio de integração não nega o atendimento às necessidades educativas que o educando possa apresentar. Para a pedagoga Márcia Leite (1969:10), a sociedade é muito discriminadora, o que ocorre em muitos casos, é a criança ser discriminada pelos colegas, pela escola ou pela própria família, que não consegue aceitar a deficiência. Qualquer coisa que se desvie do padrão idealizado de normalidade da nossa sociedade, é discriminada. Então, esse conjunto de fatores pode resultar numa dificuldade de socialização, prejudicando o desenvolvimento do sujeito. Logo entendemos que a sociedade de modo geral deve pautar-se sobre como proporcionar aos deficientes mecanismos que proporcionem aos surdos o desenvolvimento de suas habilidades e competências para a realização de suas atividades dentro e fora do espaço escolar para que assim o sujeito surdo possa exercer seus direitos e deveres de cidadão comum.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/a-imprescindibilidade-de-descortinar-fatores-prejudiciais-aos-deficientes-auditivos-na-escola-957917.html

    Palavras-chave do artigo:

    deficiencia

    ,

    inclusao

    ,

    escola

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    O presente trabalho aborda um assunto de estrema importância para o avanço dos direitos educacionais garantidos na Constituição Brasileira, quando se entende que a educação é direito de todos. Em um breve histórico, que versa sobre o contexto no qual fizeram parte as pessoas com deficiência rumo ao processo de inclusão na educação superior, buscaremos apresentar os avanços relacionados à inclusão dos mesmos, como também as atenções voltadas para esse público de discente.

    Por: Duanne Granjal Educação> Ensino Superiorl 21/07/2011 lAcessos: 603
    Aline Pereira Dutra Santana e Sabrina Celestino Soares, Orientadora: Profª. Ms. Josiane Fujisawa Filus

    Este artigo faz uma reflexão sobre a história da educação escolar de pessoas em condição de deficiência no Brasil. Analisamos o final do século XVIII até as atuais discussões sobre o processo inclusivo. Observamos que os conceitos de deficiência e a ênfase na limitação da pessoa acompanharam os educadores no decorrer dos anos e têm influenciado a prática deles até hoje. Concluímos que uma educação de qualidade a todos ainda não é uma realidade, mas é preciso o trabalho de todos para que aconteça

    Por: Aline Pereira Dutra Santana e Sabrina Celestino Soares, Orientadora: Profª. Ms. Josiane Fujisawa Filusl Educaçãol 04/11/2009 lAcessos: 2,772 lComentário: 6
    Natália de Souza Cardoso

    O artigo abordou como tema "a inclusão de crianças com síndrome de Down na educação física, com o propósito de mostrar à sociedade de que essas crianças são capazes de participar das aulas de educação física, apesar de todos os problemas que enfrentam no decorrer de sua vida.

    Por: Natália de Souza Cardosol Educação> Educação Infantill 22/08/2011 lAcessos: 1,737
    Rosana  Vidal

    Este artigo apresenta algumas considerações sobre o processo de inclusão, elaboradas a partir dos relatos de professores e de instituições que trabalham com alunos com necessidades educacionais especiais incluídos em classes regulares nas instituições de ensino da rede pública e privada. Apresenta a narrativa dos professores que atuam com crianças com necessidades especiais e não possuem formação em Educação Especial e de professores que possuem especialização na área, assim como o parecer das instituições de ensino e o sentimento dos pais e ou responsáveis deste alunado. O estudo também proporciona a visão da evolução da educação especial no Brasil de 1996 a 2006.

    Por: Rosana Vidall Educaçãol 25/06/2009 lAcessos: 47,331 lComentário: 4

    Esta pesquisa teve como objetivo investigar a experiência de inclusão escolar de uma criança com deficiência física. Partindo do processo histórico de construção das políticas públicas voltadas às necessidades educacionais especiais, problematizou-se o modo de formulação e implementação das políticas de inclusão, atentando para a necessidade de compreender sua efetivação concreta. Partindo de uma perspectiva fenomenológica, a pesquisa recorreu à reconstrução biográfica do processo de inclusão.

    Por: Flainyl Educação> Educação Infantill 09/01/2014 lAcessos: 128
    Inez Kwiecinski

    A inclusão ou integração de crianças com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino é uma realidade imposta por várias diretrizes de políticas educacionais, porém ainda persistem muitas dúvidas e impasses sobre como deve ser o processo de escolarização desses alunos. Os portadores da Síndrome de Down são crianças que merecem especial atenção, a educação dessas crianças é um processo complexo e requer adaptações e, muitas vezes o uso de recursos especiais.

    Por: Inez Kwiecinskil Educação> Educação Infantill 25/01/2011 lAcessos: 4,566 lComentário: 1
    Maria Elena Guimarães Regiani

    Atualmente a palavra inclusão tem realmente tomado conta dos espaços principalmente das mídias, já virou um modismo muito discutido no momento, pelos governantes. As escolas, professores e funcionários estão preparados para acolher e aceitar pessoas "deficientes" ou "diferentes", portadoras de necessidades especiais? Esses questionamentos levaram à escolha deste tema "A inclusão de portadores de necessidade especiais nas séries iniciais". Certamente que muito já evoluímos na busca da defesa e ga

    Por: Maria Elena Guimarães Regianil Educação> Ensino Superiorl 19/01/2015 lAcessos: 80

    O presente artigo pretende discutir alguns aspectos relacionados à problemática da inclusão educacional, no ensino de Graduação de alunos portadores de deficiência

    Por: Vera Lucia Lina da Silval Educação> Educação Infantill 19/08/2010 lAcessos: 996
    Alessandro Neves de Araujo

    A palavra inclusão vem sendo colocada e usada muito atualmente, em todos os sentidos, principalmente na educação. Existem discussões dos educadores quanto ao termo e significado da inclusão, pois o desafio está nos projetos colocados em teoria e que deverão passar para a pratica, no qual todos os seres humanos usufruir os mesmos direitos.

    Por: Alessandro Neves de Araujol Educação> Ciêncial 06/10/2011 lAcessos: 445
    Tania Maria da Silva Nogueira

    Os conteúdos abordados no desenvolvimento do trabalho evidenciam a construção histórica social da inclusão suas fases, a conceitualização da educação especial e inclusiva, a importância da educação Física e as ações inclusivas que a mesma oportuniza, assim como a organização pedagógica do profissional deve promover a inclusão em sua pratica. Para que possamos reconceituar valores acerca das diferenças entre indivíduos e os processos que culminaram com o ideal da inclusão é preciso que façamos uma retrospectiva histórica de como a sociedade tratou a deficiência em diferentes contextos sociais e históricos. Os valores são constituídos de normas pré-estabelecidas pela sociedade que direciona comportamentos e ações a serem seguidos.

    Por: Tania Maria da Silva Nogueiral Educação> Educação Onlinel 09/12/2009 lAcessos: 2,042
    Genilda Vieira Rodrigues

    Este artigo tem por objetivo apresentar estudos aprofundados sobre a educação inclusiva dando ênfase à questão envolvida no que se refere ao trabalho do professor com alunos portadores de deficiência. No decorrer da produção serão expostos conceitos de Educação Especial e Educação Inclusiva pontuando o saber fazer e o aprender diante das dificuldades encontradas em trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais, ressaltando ainda mostrar alguns dos recursos e as estratégias utilizados

    Por: Genilda Vieira Rodriguesl Educaçãol 21/02/2015

    Propriedade vocabular é muito importante na hora de redigir o texto, uma vez que saber empregar as palavras mais adequadas no momento enriquece muito o conteúdo do texto e, além disso, torno-o mais clara e objetivo. Mesmo que o texto seja um mero exercício escolar, antes de construí-lo, pergunte-se: para quem escrevo? O tipo de receptor determina a forma de sua mensagem. Um panfleto dirigido a crianças precisa ter uma linguagem fácil, direta, sem rebuscamento.

    Por: Professor Leol Educaçãol 19/02/2015

    Quando se ouve falar em educação, pensamos em escola, em educação formal. E quando o assunto é família temos vários pensamentos. Educação e Família são dois temas bastante complexos, porque educação é muito mais que escolarização, letramento e formação, sendo que família é a instituição mais antiga da sociedade e sofre constantes transformações. Ambas tem a função de socializar e transformar o homem biológico em um ser social.

    Por: Alexandrina M. P. de Fariasl Educaçãol 16/02/2015

    Propostas Pedagógica e a Participação da Família no Resultado. A progressão escola é um instrumento que pode mudar a realidade desses estudantes que estão fora da faixa etária escolar. Determinadas escolas contemplam dentro do seu projeto político pedagógico, o sistema de progressão. Para que funcione a progressão em uma escola é necessário que haja engajamento por parte dos docentes, dos estudantes e da família. É importante ressaltar, que a família também tem um papel fundamental...

    Por: Elonir dutra terral Educaçãol 13/02/2015

    Diante dos agravos causados pela violência doméstica, tais entraves se estendem também ao processo educacional da criança e adolescente. Por outro lado, esta situação nem sempre é conhecida pelos seus educadores no campo acadêmico, causando assim uma lacuna no campo da avaliação pedagógica que, muitas vezes, abrangem somente o campo intelectual. Este trabalho tem por objetivo fazer uma análise sobre os impactos da violência doméstica no processo ensino-aprendizagem.

    Por: Jiane Martins Soaresl Educaçãol 12/02/2015
    ÁUREA MARIA SOARES LIMA

    A educação é um direito humano substancial, e como tal, precisa ser garantido universalmente. As conquistas das mulheres brasileiras em relação á educação, vêm crescendo consideravelmente e com isso, reduzindo significativamente o analfabetismo. O número de mulheres no mercado de trabalho cresceu gradativamente e isso ocorreu devido à determinação para conquistar seu espaço, milímetro a milímetro, dentro e fora de casa, e especialmente do empenho em subir novos degraus de instrução.

    Por: ÁUREA MARIA SOARES LIMAl Educaçãol 10/02/2015 lAcessos: 11
    ÁUREA MARIA SOARES LIMA

    O direito de trabalhar, obter formação intelectual e de atuar no cenário político do País, nem sempre foi concedido às mulheres. As mulheres que queriam reverter esta situação, buscando conquistar funções que tradicionalmente não lhes cabiam, devido à sociedade patriarcal, eram ridicularizadas e até difamada. A luta das mulheres brasileiras pelo reconhecimento de seus direitos políticos e civis é secular; a emancipação feminina nas ultimas décadas do séc. XIX era vista pelos mais diversos setore

    Por: ÁUREA MARIA SOARES LIMAl Educaçãol 10/02/2015 lAcessos: 16
    Carlos Henrique Araújo

    Não haverá uma educação de qualidade se não houver uma reforma do ensino no país. Um pacto entre a sociedade e os seus representantes políticos em prol de uma verdadeira reforma do ensino nacional deveria ser estabelecido. Na minha percepção, a reforma do ensino é a mãe de todas as reformas.

    Por: Carlos Henrique Araújol Educaçãol 03/02/2015 lAcessos: 12

    A ação docente sob a perspectiva dos gêneros do discurso é uma questão de construção de paradigmas que se direcionam a uma compreensão da linguagem como prática social.

    Por: Robson Silva dos Santosl Educaçãol 03/12/2009 lAcessos: 1,736

    A pesar da origem italiana foi na Espanha que o barroco conquistou maior expressividade, o estilo barroco retrata a instabilidade pós-renascentista e demonstra a angústia do homem demarcado entre a efemeridade do mundo material e a incerteza do mundo espiritua.

    Por: Robson Silva dos Santosl Literatural 26/11/2009 lAcessos: 619 lComentário: 2

    A verossimilhança, mascarada pela sátira, fez com que discursos políticos desconstruíssem a realidade e construíssem e reconstruíssem suas próprias determinações, alheias as reais condições do povo.

    Por: Robson Silva dos Santosl Notícias & Sociedade> Polítical 15/10/2009 lAcessos: 383

    E o que nos é perceptível é que a imprensa inventa, cria, recria, constrói e reconstrói, uma ou várias realidades a partir de suas narrativas. São discursos produzidos por pessoas que não observam a realidade de fora, como sujeitos privilegiados, mas, antes, se inserem nela com todas as subjetividades que os compõem. As narrativas são sempre híbridas no sentido de que se articulam em uma estrutura de outras narrativas que tomam posições no discurso de quem as configura.

    Por: Robson Silva dos Santosl Notícias & Sociedade> Cotidianol 24/06/2009 lAcessos: 380

    Os resultados positivos da propaganda só se constroem a partir de uma matéria-prima básica que habita em noções rudimentares conscientes e inconscientes presentes na totalidade da população, ou em pontos sociais específicos.

    Por: Robson Silva dos Santosl Marketing e Publicidadel 22/06/2009 lAcessos: 640
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