A influência dos movimentos sociais na educação

Publicado em: 12/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 9,669 |

 

1.INTRODUÇÃO

Ao se falar em movimentos sociais, sabe-se que há uma luta pela construção de uma sociedade mais justa, igualitária, sabendo que todo ser humano tem direito á terra e ao trabalho na terra. No entanto eles lutam juntos pela construção de uma nova sociedade que quebrem as barreiras da ignorância, que obrigam o governo a se posicionar diante de suas reivindicações.

 

A educação é a chave para esta sociedade mais justa e igualitária, quando nos remetemos ao termo "educação", lembramos que existem várias formas de educar seja ela direta ou indiretamente, ela aparece sempre que há relações entre pessoas e intenções de ensinar-e-aprender.A seguir trazemos à discussão, a  influência dos Movimentos Sociais na busca dos interesses comuns, na luta por uma educação pública de qualidade, buscando compreender melhor a complexa relação entre Movimentos Sociais e Educação.Para tal recorremos a alguns autores que contribuem com a nossa temática, como: Gonh, Freire e Miguel Arroyo, suas colocações são enriquecedoras à medida que nos transporta a alguns momentos na história, trazendo à nossa realidade pontos importantes a serem debatidos e analisados.

 

2. Movimentos Sociais: História e Lutas

Ao analisarmos a história dos movimentos sociais no Brasil é possível percebermos um forte enfoque teórico vindo do marxismo, ora estão vinculados ao espaço urbano, ora ao espaço rural. Apesar de a cidade ser o lugar onde os conflitos de interesses ocorram com maior intensidade, tais movimentos, quando se referiam ao espaço urbano possuíam várias temáticas como, por exemplo, questões como a participação, a gestão democrática, a saúde, a educação, a moradia, a melhoria da qualidade de vida, a geração de emprego e renda, e o desenvolvimento econômico e social as lutas por creches, por escola pública, transporte, saneamento básico entre outros. Na esfera rural, a diversidade de temáticas expressou-se nos movimentos de bóias-frias, das regiões cafeeiras, citricultoras, canavieiras, de posseiros, sem-terra, arrendatários e pequenos proprietários.

 

Cada um dos movimentos possuía uma reivindicação específica, com um único objetivo, demonstrar as contradições econômicas e sociais presentes na sociedade brasileira.

 

No final do século XIX, e início do século XX, era muito mais comum a existência de movimentos voltados ao meio rural, assim como movimentos que lutavam pela conquista do poder político. Em meados de 1950, os movimentos nos espaços rural e urbano adquiriram popularidade através da realização de manifestações em espaços públicos como rodovias, praças... Mesmo diante da forte repressão policial, que ocorreu nos anos 1960 e 1970, os movimentos não se calaram, reivindicavam educação, moradia, e lutavam pelo voto direto. Em 1980 destacaram-se as manifestações sociais conhecidas como "Diretas Já".

 

Em 1990, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e as ONGs tiveram destaque, ao lado de outros sujeitos coletivos, tais como os movimentos sindicais de professores.

 

Simultaneamente à essas ações coletivas que tocavam nos problemas existentes em todo o mundo como a violência, por exemplo, existiam também ações coletivas que denunciavam a concentração de terra, ao mesmo tempo em que apontavam propostas para a geração de empregos no campo, a exemplo do (MST); ações coletivas que denunciavam o arrocho salarial (greve de professores e de operários de indústrias automobilísticas); ações coletivas que denunciavam a depredação ambiental e a poluição dos rios e oceanos (lixo doméstico, acidentes com navios petroleiros, lixo industrial); ações coletivas que tinham o espaço urbano como  meio para realização de suas manifestações/ reivindicações.

 

As passeatas, manifestações em praça pública, difusão de mensagens via internet, ocupação de prédios públicos, greves, marchas entre outros, são características da ação de um movimento social. A ação em praça pública é o que dá visibilidade ao movimento social, principalmente quando este é focalizado pela mídia em geral. Os movimentos sociais são sinais de maturidade social que podem provocar impactos conjunturais e estruturais, em maior ou menor grau, dependendo de sua organização e das relações de forças estabelecidas com o Estado e com os demais atores coletivos de uma sociedade.

 

Pesquisas apontam que nas décadas de 1970 a 1980 vários trabalhos como: dissertações e teses mostraram a influência dos movimentos sociais na formação da consciência popular do direito à educação básica, à escola pública. Pesquisas têm mostrado como a ampliação e democratização da educação básica e a inserção dos setores populares na escola pública teve como um dos mais decisivos determinantes a pressão dos movimentos sociais. Esta é uma relação bastante pesquisada e reconhecida.

 

 

3. A educação e os Movimentos Sociais

 

As Escolas necessitam passar por profundas transformações em suas práticas e culturas para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Daí a importância de se lutar por uma educação de qualidade: pais, alunos, professores, toda comunidade envolvida devem ter como objetivo essa luta na difícil e complexa tarefa de aperfeiçoamento de todo o trabalho escolar. Inserir o educando no contexto sócio-cultural é essencial para constituí-lo enquanto sujeito de identidade.

 

Em dias atuais é necessário transformar a Escola burocrática existente, uma escola com autonomia, uma Escola cidadã. Quando se fala em autonomia, ainda há uma resistência onde limita o verdadeiro sentido ideal da escola, projetada para a liberdade e autonomia, essa centralização ainda imposta, dificulta o andamento, a organização de trabalho pedagógico, sendo apenas utópico ou demagogia.

 

Para se ter cidadãos atuantes em sociedade, com uma preparação melhor para a vida, é necessário que as escolas promovam a autonomia. Diante disso, nos transportamos á definição de Gadotti para melhor compreendermos o significado da palavra autonomia:

 

"A palavra autonomia vem do grego e significa capacidade autodeterminar-se de auto-realizar-se, de "autos" (si mesmo)                                                                           e "nomos" (lei), A autonomia significa                                                                          autoconstrução, autogoverno. A escola autônoma                                                                           seria aquela que se auto governa" (p.10)

 

 

Este é o papel da escola, formar pessoas que sejam sujeitos do aprender a aprender em níveis crescentes. Infelizmente, isso nem sempre acontece na realidade das escolas. Partindo desse pressuposto, percebe-se a urgência em mudar paradigmas para construir uma escola pública universal, que respeite as diferenças, a cultura enfim a diversidade e é claro que garanta um padrão de qualidade.

 

O princípio de uma educação de qualidade baseia-se na participação onde constitui um conjunto de medidas políticas visando à democratização. A autonomia dos movimentos sociais e de suas organizações em relação a administração pública .Visto que deve haver parceria, igualdade de condições, elo entre a Escola e a sociedade civil.Há a necessidade de participação ativa por parte da população no que se refere aos direitos, e esse primeiro passo, deve ser  iniciado na Escola.

 

Ao fazer uma relação entre Escola e movimento sociais, nota-se o poder que ambos possuem o caráter educativo, a questão da cidadania, o contexto histórico envolvendo as lutas, os processos de alfabetização (movimentos populares), a luta dos professores (sindicatos), etc. Essa relação é complexa a partir da centralização de poder ainda instituída pelo sistema imposto, não possibilitando os direitos dos cidadãos á participação dentro e fora da Escola pública.

 

Participação esta que o meio prático de formação para a cidadania. Nesse sentido, é fundamental perceber que sem ela é impossível que os membros da comunidade tenha condições de implementar formas não autoritária de exercício de poder de intervir nas decisões da organizações e definir coletivamente o resumo e os resultados dos trabalhos.Participar significa engajar-se numa atividade já existente  com sua  estrutura e finalidade.

 

Os movimentos sociais não são isolados, se articulam lutam pela melhoria na Educação, por melhores condições de trabalho como os sindicatos. Essa melhoria terá reflexo na aprendizagem dos alunos, se não houver movimentos sociais a sociedade não despertará para a melhoria, bem comum não será jamais respeitado. Na concepção de Gonh (1997):

 

Movimentos sociais são ações sociopolíticas construídas por atores sociais coletivos pertencentes a diferentes camadas sociais, articuladas em certos cenários de conjuntura socioeconômica e política de um país, criando um campo político de força social na sociedade civil. (...) (Gonh, 1997, p. 251).

 

 

Infelizmente há uma complexa relação entre Educação e movimento sociais, pois o que se ver é que não há uma integração entre movimentos sociais e o contexto educacional; Ao aproximar mais de forma motivadora e intencional tornando-se a educação efetivamente popular, o que na perspectiva freiriana, esta educação popular deve privilegiar o diálogo como princípio pedagógico, a liberdade e a autonomia como a formação humana, como salienta:

 

"A educação libertadora, problematizadora,                                                                              já não pode ser o ato de depositar e de narrar                                                                         ou de transmitir "conhecimentos" e valores aos                                                                        educandos, meros pacientes a maneira da                                                                         educação bancaria, mas um ato cognoscente"                                                                        {...} educação problematizadora consiste de caráter                                                                                       autenticamente reflexivo, implica num constante                                                                                       ato de desvelamento da realidade." (FREIRE, 1985, P.78).

 

Isso contribui para a formação humana emancipadora, como sujeito transformador de seu tempo. Essa relação social no processo de educação e formação, o diálogo é imprescindível à medida que proporciona uma aprendizagem ativa e presente na prática dos movimentos sociais.

 

Em todo âmbito educacional a hierarquia ainda continua a mesma. O diretor administra todos os recursos, cumpre o que é ordenado pela Secretaria Municipal Educação, o coordenador pedagógico não tem autonomia para efetivar a participação de todos os envolvidos no processo educativo e o professor sente-se isolado em suas ações, há ainda uma relação de poder no interior das unidades escolares. Isso acarreta em resultados não satisfatórios refletido na aprendizagem dos alunos. É necessário que haja uma reorganização na estrutura curricular instituindo uma escola cidadã. Se a escola é uma instituição social, ela deve abranger todo âmbito social e claro isso iniciará em seu interior.

 

A metodologia educacional respeita e valoriza o educando como cidadão, visando instituí-lo como sujeito coletivo e autônomo, não deixando de lado seus saberes, sua cultura é no processo educacional que está seu contato com o meio. Os projetos educacionais elaborados pelos professores não deve ficar apenas na. Escola deve atender a comunidade em torno. Essa relação aproxima a escola/comunidade quebrando o sistema existente.

 

Ao fazer uma relação entre a importância da ação coletiva, nota-se a complexidade dos movimentos sociais com a Educação, conforme Paludo (2008): Existe, atualmente, mais especificamente a partir dos                                                                     anos 80, a emergência de novos conceitos ou a                                                                      resignificação dos antigos conceitos relacionados ao campo                                                                    de discussão sobre movimentos sociais: Sociedade                                                                    civil, cidadania, esfera pública, parceria, democracia participativa.

 

É notório que há uma objetividade e uma relação aproximada dos movimentos sociais, á medida que ambos têm uma função primordial resignificando o que ainda está explícito: O burocratismo e o pouco compromisso com a educação. Tanto os movimentos sociais quanto a educação tem um papel trivial na mudança de atitude das pessoas.

 

Sabe-se também que é importante superar algumas práticas educativas que infelizmente, legitimam a opressão, e isso ainda está empregado no interior das escolas, seja ela no campo ou na cidade. Para democratizar o ensino é necessário, descentralizar o poder instituído se faz urgente, pois as crianças do campo ou oriundas dele sofrem a descriminação/pré-conceito de serem rotuladas de "roceiros", "brejeiras" e isso é um desestimulo para continuarem estudando.

 

A escola atual está aberta para os alunos da cidade, esquecem daqueles que vem da zona urbana, tem sua cultura, e muitas vezes não é considerado como um sujeito com anseios e dificuldades. Nesse sentido, TARDIF e LESSARD (2005), abordam que a escola:

 

‘'É o produto de convenções sociais e história que                                                            se traduzem em rotinas organizacionais relativamente                                                             estáveis através do tempo. É um espaço sócio-organizacional no qual atual e diversos indivíduos                                                                     ligados entre se por vários tipos de relações mais ou                                                                 menos formalizadas, obrigando tensões, negociações,                                                               colaborações, conflito e reajustamentos circunstanciais                                                              ou aprofundamentos de suas relações".

 

Diante disso há toda uma organização; programas, matérias, objetivos discursos, etc. Onde os docentes buscam atingir os objetivos propostos, porém existe uma alienação de que precisa melhorar, no entanto nada se faz para que isso ocorra efetivamente. A instituição educacional se delimita de forma fechada e separada, onde as crianças, jovens e adultos arrastam anos, obtendo um vasto e longo processo de aprendizagem.

 

A escola como organização, a partir do momento em que mantêm as crianças em seu interior. Não havendo uma organização social efetiva, as práticas e relações acabam ficando presas na memorização, provas, seguimentos da grade curricular da escola. Outro fato é a ausência da família por não intervir na prática educativa, a escola continua como está, não acompanhando as transformações da sociedade, deixando os alunos subordinados ao sistema educacional, indo contra os ideais de uma escola cidadã.

 

A construção humana coletiva existente aparece por detrás dos portões, nem sempre o educando tem oportunidade de participar, interagir, emitir sua opinião. O professor também age de forma isolada, a relação social é bem restrita entre alunos, professores e pais. Algo bem relevante é a despreocupação dos pais e dos movimentos sociais com a escola pública, onde muitas vezes não priorizam a educação, visto que a participação faz a diferença e obriga o estado a redefinir sua atuação.Arroyo (1980), ressalta a importância das camadas populares se mostrarem presentes no cenário político e social por meio de formas de organização e luta, chama a atenção para o fato de que:

 

"Essa presença se dá em níveis,                                                                               diretamente, nem sempre atingem a                                                                                     escola e os educadores, ao menos por                                                                                    enquanto, mas é importante não esquecer                                                                                   que qualquer movimento de opressão das                                                                                camadas trabalhadoras terminam pressionando                                                                               e obrigando o Estado e as classes dominantes                                                                           a redefinir suas políticas na área econômica                                                                              e social". (P.10)

 

É notória, a partir das colocações de Arroyo que essa "pressão" que os movimentos fazem, de alguma maneira traz bons resultados, visto que o governo se sente pressionado a mudar/ redefinir suas políticas. A Participação da comunidade na Escola depende dos interesses do grupo que interage diretamente na comunidade escolar e toda a comunidade pais, alunos, professores e funcionários procurarem o interesse comum: a melhoria do ensino e aprendizagem e a luta por uma educação de qualidade.

 

Os Movimentos Sociais que tem como objetivo lutar pelo interesse comum, reivindicar os direitos do coletivo, é viável pensar e comparar o poder da escola pública, amparada pela participação da sociedade na luta pela adequação e organização do currículo; melhores condições de trabalho para os profissionais da educação, acesso gratuito e fácil a todos os educandos e garantia de permanência das turmas especiais como EJA (educação de jovens e adultos) em sala de aulas e reformulação da escola enquanto instituição social, sobretudo pela participação, se terá grandes avanços em toda a esfera educacional.

 

Nas lutas sociais, há um aprendizado do coletivo, da solidariedade, da preocupação com o outro, pois, sem ele, não é possível avançar. Nos coletivos sociais, aprendem não só trabalhadores, mães, mulheres, negros, mas os intelectuais orgânicos – para usar um conceito gramsciano – também aprendem, também se refazem enquanto humanos.

 

4. O papel educativo dos Movimentos Sociais: Um exemplo a ser seguido

É importante destacar que os movimentos sociais têm sido educativos não tanto através das lições conscientizadoras, mas pelas formas como tem-se mobilizado em volta das lutas pela sobrevivência, pela terra, pelas condições de vida nos processos de formações. No entanto os movimentos sociais são de grande importância, à medida que cobram mudanças, reivindica transformações, mostrado assim, a insatisfação do povo.

 

Vale ressaltar também, que nos assentamentos o que se trabalha é a questão dos valores que cada um tem as formas de conviver vão ensinando o valor do coletivo, generosidade, solidariedade e etc. As crianças independentes da cor, raça, religião, aprende o quanto o trabalho é importante, ou seja, o verdadeiro sentido do amor às terras. Porém desde cedo aprendem a valorizar suas origens, saber que é preciso que lutem pelos seus direitos e sua valorização como parte integrante da sociedade.

 

Nessa perspectiva, os sindicatos também exercem um papel pedagógico importante e reconhecido. Agem como escolas de formação de lideranças e de também de formação políticas entre os diversos trabalhadores, possui como principal objetivo a defesa dos interesses profissional, econômico e social e político. No entanto, os movimentos sociais não deixam de ter o papel pedagógico, formaram lideranças e contribuíram também para educar esses trabalhadores.

 

Paulo Freire construiu sua reflexão a respeito da prática educativa, referindo sempre aos movimentos de jovens, camponeses, trabalhadores. O mais importante na pedagogia do oprimido é que Paulo Freire não inventa metodologia para educar os adultos, camponeses ou trabalhadores, mas os reeducam na sensibilidade pedagógica para captar os oprimidos e excluídos como sujeitos de educação, de construção, saberes, conhecimentos, valores e cultura.

 

O sindicato é uma associação que reúne pessoas, que pertencem a um mesmo segmento econômico ou trabalhista. Existem vários tipos de sindicatos: De trabalhadores (carteiro, professores, metalúrgicos, médicos etc.) e também de empresários (são conhecidos como sindicatos patronais)..

 

Assim, a cidadania se constrói pela participação direta e indireta dos cidadãos, enquanto sujeitos políticos, não apenas para a solução dos seus problemas sentidos, sem espaços públicos onde as decisões coletivas possam ser cumpridas mas também para um processo de   radicalização democrática, através do desempenho instituíste, transformado da própria ordem na qual opera. (BAIERLE, 2000, P.192).

 

A educação aparece dentro dos movimentos sociais como uma questão fundamental para todos. Os conteúdos trabalhados na educação dos movimentos sociais são os próprios conteúdos da vida, porém, as condições e as dimensões necessárias para o pleno desenvolvimento como ser humano e como cidadão.

 

Os métodos de ensino, ou seja, os conteúdos são bastante diferenciados dos conteúdos do ensino formal, embora existam as escolas, não são elas um lugar privilegiado para a pratica da educação, porem educa-se desde o momento de levantar, e distribuir as tarefas do cotidiano, assim na medida em que se busca a despertar a consciência de  cada um em relação as tarefas a serem executadas , são de grande proveito de todas da comunidade em que vive.Ele tem um setor responsável pela educação e são esses setores que elaboram diretrizes e coordenam as atividades voltadas para as crianças.

Regina Leite Garcia (2000) tratando da luta do MST por escolas e educação de qualidade, afirma que:

 

"Em sua luta pela construção de uma sociedade mais justa, solidária e igualitária se inclui a luta pelo direito a escola, pois que para construir uma sociedade realmente democrática há que se acompanhar a luta por um projeto político-pedagógico emancipatório, que vá preparando o novo homem e as novas mulheres para construírem uma nova sociedade".

 

 

O movimento social é fator muito importante para educar no sentido pleno levando em conta a necessidade de uma sociedade que luta pela uma vida digna. Nessa perspectiva é necessário elaborar uma educação diferenciada, que oferece condições ideais para desenvolver as potencialidades dos seres humanos, sua autonomia, tornando-o um ser social.

 

Porem há muitas indagações, questionamentos, e preocupações no que se refere a prática educativa dos movimentos sociais, tendo m vista que nossa educação escolar se encontra longe de uma educação plena.

 

Muitos dos profissionais de educação demonstram obter uma cultura pedagógica, caracterizada pela partilha de saberes prático através da troca de experiências sem compreender suas origens e seus fundamentos, não buscando uma fundamentação teórica que norteie verdadeiramente sua prática.

Sendo assim entende-se que a educação desses movimentos deva proporcionar na prática educativa um auxílio, condições para o desenvolvimento do indivíduo, o professor deve ser acessível ao aluno para ajudá-lo em suas necessidades, nas atividades que o levarão a independência do seu ser, preparando-o para a vida.

 

 

5.Considerações finais

A história da educação no Brasil bem como a história dos Movimentos Sociais, tem sido marcada por muitas lutas, campanhas e mais campanhas. Nota-se o quanto isso é importante para o desenvolvimento dos envolvidos. Ao pararmos para fazer uma reflexão, aprendemos muito com a luta dos povos, pela sobrevivência, pela moradia e pela educação de qualidade. É lamentável ainda hoje observarmos que muitos não entendem que cada gesto, cada batalha travada destes povos fazem muita diferença na realidade em que vivemos. A educação tem sido, via de regra, o horizonte para o qual os movimentos sociais apontam ao reivindicarem que esta seja pública de qualidade, que atenda aos interesses das camadas populares. Assim, a educação voltada para a construção de uma cidadania ativa  aquela em que os cidadãos efetivamente participam das decisões políticas que os afetam  aparece nos movimentos docente-discentes, nas organizações comunitárias de pais que lutam por escola, nos programas e nas ações de partidos de esquerda, sendo também uma das bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6.REFERÊNCIAS:

 

ARROYO, Miguel g. Operários e educadores se identificam: que rumos tomará a educação? Educação e sociedade, São Paulo. 1980.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 15 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985.

 

GADOTTI, Moacir. 194. Escola cidadã/ Coleção questões da nossa época.3ª ed. – São Paulo: Cortez ,1994.

 

GARCIA, Regina Leite. Movimentos Sociais – escola-valor. In aprendendo com os movimentos sociais. Garcia. Regina Leite (Org) Rio de Janeiro, 2000.

 

 

GOHN, M.G (Org).  Movimentos sociais no início do século XXI: antigos e novos atores sociais. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

PALUDO, Conceição. Movimentos sociais e educação. In: RABELO et all (Org.).  Vivências e práticas pedagógicas: sistematizando a turma Antônio Gramsci. Cascavel: Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2008.

 

TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: Elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.

 

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/a-influencia-dos-movimentos-sociais-na-educacao-4397560.html

    Palavras-chave do artigo:

    movimentos sociais educacao pratica educativa coletividade

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