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A SOCIOLOGIA E O TERCEIRO MILÊNIO
Por: SANDRA VAZ DE LIMA  | Publicado em: 23-02-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 740 | Avaliação: (388) (?)
O caso do Brasil é ilustrativo. A partir da década de 1980, a questão do desenvolvimento, que tinha ocupado um lugar central no debate econômico desde o período Vargas, perdeu espaço ante os problemas da crescente inflação e da crise fiscal do Estado, que passaram a galvanizar as atenções da mídia, da academia e da política.
O avanço da ideologia neoliberal em escala mundial, que acabou atingindo o Brasil, também corroborou, e muito, para essa reversão de prioridades. Preocupar-se com o problema do desenvolvimento, até pouco tempo atrás, significava contrapor-se aos temas hegemônicos.
Embora as questões relativas à estabilidade, à desregulamentação das economias nacionais etc. continuem ocupando um enorme espaço nos debates, a problemática do desenvolvimento, em virtude da severa crise social e econômica, vem novamente ganhando importância, não apenas no Brasil.
Até vinte ou trinta anos atrás, as prioridades eram coisas como o desenvolvimento econômico, a modernização do Estado, a participação política, a democracia e a mobilidade social.
Hoje, os temas dominantes são a pobreza e a exclusão social. Não é que estas questões não estivessem presentes no passado; mas elas eram vistas como uma decorrência dos problemas, deficiências ou desajustes na ordem econômica, política e social, que seriam resolvidas e superadas na medida em que estes problemas fossem sendo equacionados.
O tema da pobreza aparece no primeiro plano, requerendo atenção imediata, e definindo o foco a partir do qual as demais questões são vistas e tratadas. É possível pensar na eleição de Lula como o efeito mais marcante desta mudança de perspectivas, que afeta também a maneira pela qual o governo trata de estabelecer suas prioridades, entre as necessidades de austeridade econômica e a urgência das políticas sociais.
Na passagem da consciência moral para o mundo prático da política e da ação governamental, os direitos humanos se transformam, adquirem vida própria, e suas origens se obscurecem, dificultando o entendimento e prejudicando, muitas vezes, os próprios objetivos que se quer alcançar.
De onde vem esta nova visão dos direitos humanos? Como se poderia pensar a agenda social para o Brasil, de forma mais ampla? Que sabemos, com os dados existentes, sobre raça, trabalho infantil e educação? Como fazer para implementar políticas públicas comprometidas com os direitos humanos e o combate à pobreza, tomando em conta sua as informações disponíveis, e as diferenças de perspectiva e prioridades que sempre existem sob o manto de imperativos aparentemente naturais? Não existem respostas simples para estas questões, mas é necessário enfrentá-las e contribuir para isto.
Abordar a questão do desenvolvimento mostra-se a importância da discussão acerca do mesmo, pois parece indispensável nos dias de hoje, seja em razão da situação de estagnação econômica e da deterioração das condições sociais de vastas regiões da periferia capitalista nesse contexto de globalização, seja em razão dos próprios limites ecológicos da sociedade de consumo. O grande desafio consiste em repensar o desenvolvimento levando em consideração esse conjunto de problemas.
A crescente integração da economia mundial tornou as tendências econômicas mais homogêneas, embora as desigualdades sociais e econômicas tenham aumentado.
Apesar de algumas exceções importantes, em geral tanto os países desenvolvidos quanto os não-desenvolvidos entraram em uma fase de baixo crescimento nas últimas décadas e particularmente estes últimos enfrentam crescentes problemas sociais.
Acredita-se, que esse fenômeno à crise social e econômica que se arrasta desde a década de 1970 e que abriu as portas para o predomínio dos interesses financeiros.
A derrota dos trabalhadores abriu espaço para uma larga ofensiva da burguesia, mas as suas tentativas de reestruturar o sistema até agora se mostraram bastante problemáticas: não criaram as condições para uma vigorosa retomada do crescimento em escala global, contribuíram para a estagnação de uma vasta zona do mundo e não enfrentaram de maneira consistente os problemas ecológicos.
As enormes dificuldades enfrentadas pelos países subdesenvolvidos não se deveram, no entanto, apenas à tendência declinante da economia mundial, mas também ao aprofundamento dos mecanismos de dependência sobretudo financeira, que dificultaram a adoção de políticas voltadas para o desenvolvimento e aprofundaram as crises financeiras e nas contas externas, além de terem possibilitado a drenagem de parcela do excedente econômico para os países ricos.
É preciso assinalar, contudo, que esse resultado não decorreu apenas das pressões e dos limites impostos pelas estruturas da economia mundial aos países não-desenvolvidos. Decorreu também, embora talvez não tenhamos frisado o suficiente, das decisões dos governos desses países e do contexto social, econômico e político interno a cada um deles no qual se desenrolam as lutas sociais.
Dessa forma, o desenvolvimento, tem que ser entendido em suas complexas e múltiplas articulações sociais, econômicas e políticas internas e externas. Este tipo de abordagem implica em análises históricas das experiências particulares e como elas inserem-se na economia mundial. Tentamos sugerir também a necessidade de estudos comparativos mais amplos, que levem em conta as diferentes estratégias de inserção no cenário atual do mundo globalizado.
Embora o problema do desenvolvimento econômico com preservação da natureza e superação da miséria seja um desafio para qualquer forma de sociedade, ainda mais quando a população atinge a cifra de bilhões, parece estar colocado na ordem do dia, a questão dos limites ecológicos do desenvolvimento capitalista.
Para agir de forma responsável na sociedade de hoje e de amanhã, a população têm de adquirir as necessárias aptidões profissionais, metodológicas, sociais e de comunicação.
A sociedade só pode ser inovadora se definir e, de forma constante, desenvolver os seus objetivos, de acordo com as normas adequadas, baseados nas necessidades e potencialidades da população.
Para responderem aos desafios do presente e do futuro, de uma forma positiva, a sociedade, enquanto organização capaz de aprender, deve gozar de um certo grau de liberdade no campo da organização e da administração, devendo fazer uso dessa liberdade no sentido do melhoramento dos seus resultados.
O mais importante pré-requisito de uma sociedade boa são as pessoas criativas, motivadas e bem preparadas. Os papéis que desempenham e as responsabilidades, que lhes são próprias, requerem um processo de aprendizagem permanente, ao longo da vida.
Cabe à liderança da sociedade promover as iniciativas e o sentido de responsabilidade dentro do meio onde está inserido. Todos, devem se encorajar à exercer o seu direito de liberdade e responsabilidade. Cada pessoa reflete-se nos seus membros que são, no seu conjunto, responsáveis pela imagem que dela dão perante a sociedade.
Todos aqueles que estão envolvidos no sistema social contribuem de forma consistente, para o melhoramento da sua qualidade. Os procedimentos para essa avaliação formal e fiável são uma pré-condição para a delegação de responsabilidade para o nível de cada um que está inserido na sociedade.
A sociedade em geral precisa, para florescer, de um clima favorável. É tarefa das entidades nacionais e locais estabelecer o equilíbrio entre a autonomia da sociedade e a necessidade de garantir oportunidades educativas para toda a população.
Deve-se fazer uma reflexão sobre esta grande mudança de perspectivas. Ao contrário do que pode parecer, pobreza e exclusão social, não são conceitos óbvios, que surgem naturalmente, como direitos humanos inquestionáveis, a partir da consciência moral das pessoas.
As questões de pobreza são construídas historicamente, elaboradas e processadas pelas agências estatísticas e pelos cientistas sociais, e transformados em palavras de ordem de partidos políticos e movimentos sociais.
É necessário que se eduque para os obstáculos à compreensão humana, combatendo o egocentrismo, o etnocentrismo e o sociocentrismo, que procuram colocar em posição subalterna questões relevantes para a vida das pessoas e da sociedade.
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Perfil o autor:Graduada em Letras/ Inglês
Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia Clinica/institucional
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