Adaptações Curriculares

30/11/2009 • Por • 2,749 Acessos

Inclusão significa oportunidades para as pessoas com necessidades especiais participando ativamente e contribuindo na comunidade,,mas todo trabalho de inclusão traz desafios e possibilidades tanto para os alunos como para professores. As escolas inclusivas devem sempre contar com o apoio das escolas especiais.

Alguns grupos de professores têm uma visão diferenciada quanto ao processo de inclusão, apresentando resistência como não podia deixar de ser. Quebrar essa resistência se torna um trabalho muito difícil para as escolas que abriram as portas para as mudanças. Sobre as possibilidades e garantias do direito à inclusão Beyer (2005), refere-se a um sentimento de incompletude ou impotência das redes de ensino em geral, das escolas e professores, em particular, na perspectiva da ação, do fazer valer a inclusão. Segundo ele, as leis existem, mas o seu cumprimento estaria condicionado a idéia do vir a ser, de conquista, talvez a longo prazo. Almeida

(2001), afirma que a regulamentação do saber na ótica da legislação educacional transplanta para o universo escolar o modelo hegemônico das elites dominantes.

Por isso, a legalidade confere legitimidade de um pensamento que se materializa na releitura e reinterpretação do conteúdo prescrito na lei. Há de se entender que para a inclusão acontecer é necessário que os fatores internos à estrutura escolar, tais como a organização (administrativa e disciplinar), currículo, os métodos, os recursos humanos e materiais da escola sejam determinantes para a inclusão desses alunos com necessidades especiais.

Nesse contexto é irrelevante a figura do professor, sendo o facilitador no desenvolvimento das ações mais direta no processo da inclusão, o professor deve trabalhar as diferenças e preconceito que rodeiam essas crianças. Para Montoan (1997):

É preciso lembrar, que a inclusão do aluno especial é com certeza prioridade que deve ser dada a todo ser humano, sem qualquer discriminação nem rotulação. Os sistemas públicos e particulares de ensino precisam viver a experiência da integração para sentir que o respeito à diferença é o único caminho para a vivencia da igualdade. (MONTOAN, 1997, p. 137).

A inclusão escolar constitui uma proposta que representa valores simbólicos importantes, condizentes com igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos, independentes de classe, raça, gênero, características individuais ou necessidades especiais, possam interagir e aprender com as crianças “ditas normais” em uma escola de qualidade. Existem alguns aspectos do ensino para disponibilizar condições que sejam favoráveis á aprendizagem de todas as crianças com necessidades especiais.

É importante a análise e reflexão sobre a política global da escola e a prática pedagógica dos envolvidos no que diz respeito à organização do espaço físico da escola, visto que ser este um dos aspectos que pode contribuir para proporcionar condições de apoio ou de exclusão da pessoa com necessidades especiais do espaço escolar. Segundo o texto do “Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil” (MEC, 1997), as adaptações da escola devem:

Garantir e oferecer às crianças tanto acesso aos mais variados instrumentos físicos, quanto ao simbólico, tais como: conceito, valores, atitudes, objetos sócio-culturais necessários à constituição da personalidade capazes de compreender a cultura e a sociedade, de maneira segura, solitária e cooperativa.

Atualmente, os recursos educacionais destinados ao atendimento de alunos com necessidades educativas especiais, refere-se aos serviços e auxilio especiais cuja finalidade é suplementar, apoiar, de modo a proporcionar a cada educando a possibilidade de atingir níveis de desempenho compatíveis com suas características de aprendizagem. A portaria do MEC nº 1679/99:

Dispõem sobre os requisitos de acessibilidade as pessoas portadoras de deficiência para instruir processos de alta autorização de reconhecimento de cursos e de credenciamento de instituições.

A falta de adaptações nas escolas dificultam o acesso e a interação das crianças com necessidades especiais, por isso é fundamental a organização e a cooperação de toda a comunidade para enfrentar novos desafios.  As seguintes medidas constituem adaptações de acesso ao currículo:

• criar condições físicas, ambientais e materiais para o aluno na sua unidade escolar de atendimento;

• propiciar os melhores níveis de comunicação e interação com as pessoas com as quais convive na comunidade escolar;

• favorecer a participação nas atividades escolares;

• propiciar o mobiliário específico necessário;

• fornecer ou atuar para a aquisição dos equipamentos e recursos materiais específicos necessários;

• adaptar materiais de uso comum em sala de aula;

• adotar sistemas de comunicação alternativos para os alunos impedidos de comunicação oral (no processo de ensino aprendizagem e na avaliação). (PCN, 1994, p. 42)

Sugestões que favorecem o acesso ao currículo:

• agrupar os alunos de uma maneira que facilite a realização de atividades em grupo e incentive a comunicação e as relações interpessoais;

• propiciar ambientes com adequada luminosidade, sonoridade e movimentação;

• encorajar, estimular e reforçar a comunicação, a participação, o sucesso, a iniciativa e o desempenho do aluno;

• adaptar materiais escritos de uso comum: destacar alguns aspectos que necessitam ser apreendidos com cores, desenhos, traços; cobrir partes que podem desviar a atenção do aluno; incluir desenhos, gráficos que ajudem na compreensão; destacar imagens; modificar conteúdos de material escrito de modo a torná-lo mais acessível à compreensão etc.;

• providenciar adaptação de instrumentos de avaliação e de ensino-aprendizagem;

• favorecer o processo comunicativo entre aluno-professor, aluno-aluno, aluno-adultos;

• providenciar softwares educativos específicos;

• despertar a motivação, a atenção e o interesse do aluno;

• apoiar o uso dos materiais de ensino-aprendizagem de uso comum;

• atuar para eliminar sentimentos de inferioridade, menos valia e fracasso. (PCN, 1994, p.43)

Para que a inclusão seja satisfatória é preciso criar condições para as crianças com necessidades especiais, será necessário que as escolas sejam adaptadas, garantindo acesso para desenvolver suas habilidades e favorecendo o processo de ensino aprendizagem. Sugestões de recursos de acesso ao currículo para alunos com necessidades especiais, segundo necessidades específicas, para alunos com deficiência auditiva:

• materiais e equipamentos específicos: prótese auditiva, treinadores de fala, tablado, softwares educativos específicos etc.;

• textos escritos complementados com elementos que favoreçam a sua compreensão: linguagem gestual, língua de sinais e outros;

• sistema alternativo de comunicação adaptado às possibilidades do aluno: leitura orofacial, linguagem gestual e de sinais;

• salas-ambiente para treinamento auditivo, de fala, rítmico etc.;

• posicionamento do aluno na sala de tal modo que possa ver os movimentos orofaciais do professor e dos colegas;

• material visual e outros de apoio, para favorecer a apreensão das informações expostas verbalmente. (PCN, 1994, p. 46)

Os objetivos da escola, enquanto instrumento de educação, serão o de desenvolver seres humanos críticos, criativos, pensantes, produtivos e adaptados ao seu momento histórico. Para a escola desenvolver seus alunos pensantes, críticos, produtivos, faz-se necessário fazer as mudanças e adaptações adequadas às crianças com necessidades especiais, proporcionando a integração e o desenvolvimento de todos, onde os mesmos possam ser vistos como indivíduos capazes de fazer parte de um mundo designado para habilidosos e competentes.

Perfil do Autor

SANDRA VAZ DE LIMA

Nascida no município de Telêmaco Borba -Paraná. Graduada em Letras/ Inglês. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia...