Auto-Avaliação

07/09/2009 • Por • 16,123 Acessos

AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM E DO ENSINO

 

Leia as questões e responda separadamente cada uma demonstrando um processo de metacognição  sobre o que aprendeu durante a disciplina.

 

☻ Faça uma síntese das aprendizagens significativas construídas dos núcleos temáticos.

 

          Darei inicio a este tópico ressaltando a relevância dos conhecimentos adquiridos para minha formação pessoal e profissional.

          Nessa viagem ao mundo da avaliação educacional tive o privilegio de rever alguns de meus conceitos até então inflexíveis e potencializar meu senso critico de uma forma mais fundamentada.

          Para apresentar uma síntese das aprendizagens significativas construídas dos núcleos temático resolvi (com o auxilio dos textos extras e sugeridos na disciplina, das discussões em sala de aula e da reflexão em torno do discurso docente) destrinchar o que aprendi sobre avaliação educacional fazendo um feedback do que vimos desde o inicio da disciplina.

          Perrenoud (1999) nos diz que:

A avaliação não é uma tortura medieval. É uma invenção mais tardia, nascida com os colégios por volta do século XVII e tornado indissociável do ensino de massa que conhecemos desde o século XIX, com a escolaridade obrigatória” (PERRENOUD, 1999)

          Sendo assim faz-se mister refazermos o caminho de volta que pode nos ajudar a entender melhor a avaliação educacional.

          Século XIX nos Estados Unidos é criado um sistema de testagem que tinha como finalidade melhorar os padrões educativos.

          Este sistema tinha Três propostas principais:

1 – substituir os exames orais pelos escritos;

2 – substituir as questões gerais pelas específicas e aumentar o seu número;

3 – buscar padrões mais objetivos

          Já no início do século XX – Thorndike nos Estados Unidos – os testes educacionais tinham como objetivo mensurar as mudanças de comportamento dos alunos caracterizando o início da avaliação da aprendizagem, conhecida como medida ou avaliação do rendimento escolar, o que deu origem aos testes padronizados.

          Em 1935-1938 surgem as conferências sobre a avaliação e criação de uma comissão permanente de estudos sobre o assunto.

          Nos anos 50  Tyler e Smith defendem os testes, as escalas de atitude, os inventários, os questionários e as fichas de registro de comportamento dos alunos.  

          Tyler atribuiu à avaliação um novo enfoque denominada avaliação por objetivos.

          Mager amplia essas idéias, apresentando três características:

1 – conter, explicitamente, o comportamento observável dos alunos;

2 – especificar as condições nas quais o comportamento deve ocorrer;

3 – definir o padrão de rendimento aceitável (critério), segundo o qual o nível de desempenho do aluno é considerado satisfatório.

  Cronbach (1963) nos apresenta quatro pontos sobre avaliação:

1 – a associação entre avaliação e o processo de tomada de decisão;

2 – os diferentes papéis da avaliação educacional;

3 – o desempenho do estudante como critério de avaliação de cursos;

  1. 4 – a análise de algumas técnicas de medida à disposição do avaliador educacional.     

          Noll – (1965) publica no Brasil Introdução às medidas educacionais que tem como idéia principal a mensuração das mudanças desejadas no comportamento do aluno.  

          A Contribuição de Stake (1977) – amplia as discussões sobre as diferentes epistemologias entre pesquisa e avaliação quantitativa e qualitativa e definiu as características do estudo de caso como forma de pesquisa

          Popham (1969) publica manuais que tratam do planejamento de ensino e avaliação. Essa contribuição trata da definição de objetivos (comportamentais)

          Essas teorias exacerbam a tecnologia da avaliação, considerando a necessidade de construir itens de testes apropriados e de testá-los de forma altamente valorizada

          Stufbllean e Guba – década de 70 criam um modelo de facilitação em avaliação educacional, dando ênfase ao processo de julgamento e tomada de decisões

          Scriven (1978) considerava que a avaliação desempenha vários papéis, embora com um único objetivo: determinar o valor ou o mérito do que está sendo avaliado.

          Bloom Concebe a avaliação como um levantamento sistemático de informações e sua posterior análise para fins de determinar o valor de um fenômeno educacional. Foi quem primeiro utilizou o termo Avaliação Formativa.

          Para ele, a avaliação tem papéis diferenciados, ou seja, papéis formativos e somativos, cujos conceitos influenciaram em definitivo, a prática e o futuro da avaliação.

          Essas idéias influenciaram o pensamento dos autores brasileiros até a década de 80.

    A avaliação formativa caracteriza-se por um caráter processual, isto é, ocorre ao longo do desenvolvimento dos programas, dos projetos e dos produtos educacionais, permitindo as modificações que se fizer necessárias durante o processo.

   A avaliação somativa é a que se realiza ao final de um programa ou de uma atividade, possibilitando a reorientação necessária e tomada de novas decisões

  A avaliação diagnóstica surge mais tarde e tem o sentido de se partir dos conhecimentos prévios dos alunos o que permite diferenciar avaliação de medida.

        Funções da avaliação são a Diagnóstica, Formativa e Somativa:

Diagnósticapermite detectar a existência ou não de pré-requisitos necessários para que a aprendizagem se efetue. No início de um assunto, bimestre, etc.                             Formativaconsiste no fornecimento de informações que orientarão o professor para a busca de melhoria do desempenho dos estudantes durante todo o processo ensino/aprendizagem, de modo a evitar o acúmulo de problemas

Somativaimplica no fornecimento de informações a respeito do valor final do desempenho do aluno, tendo em vista a decisão de aprová-lo ou reprová-lo.        

          Benjamim Bloom publica o Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar 1971 nos Estados Unidos 1983 no Brasil Influenciou os meios acadêmicos da época e influencia até os nossos dias

          As concepções de Bloom (1972) foram importantes para a geração de um sistema de ensino e avaliação mais coerentes entre si.  

          Ao destacar a relevância do domínio de taxonomias (Taxonomia – ciência ou técnica de classificar) despertou os professores para o perigo da incoerência entre o que se ensina e o que se avalia

         Bloom define avaliação como “coleta sistemática de evidências por meio das quais determinam-se mudanças que ocorrem nos alunos e como ocorrem”

               Inclui uma grande variedade de evidências que vão além do tradicional exame final de caneta e papel.

                Portanto as funções da avaliação – diagnosticar, retroinformar e favorecer o desenvolvimento individual, ou seja, a avaliação diagnóstica .

               Pressupostos que devem nortear a avaliação diagnóstica  deve ocorrer no início de uma unidade, semestre ou ano letivo

               As idéias de Bloom enquadravam-se na corrente quantitativa da avaliação que predominou na literatura brasileira até o início dos anos 80.

              Tal corrente valoriza o uso de instrumentos e tecnologias diversas para a mensuração  do rendimento do aluno com o propósito de alcançar objetivos comportamentais, bem como traduzir a quantificação do conhecimento adquirido que ainda predomina no pensamento educacional brasileiro, expresso nas práticas avaliativas desde a Educação Básica até o Ensino Superior (MEZZAROBA & AVARENGA, 1999; SAUL, 1988).

         A avaliação apresenta dois modelos: o tradicional e o progressivista:

Tradicional – enfatiza as quantificações dos resultados e a classificação do aluno;

Progressivista – focaliza o processo e a avaliação diagnóstica do aluno

        No final da década de 80 e início de 90 surgem visões mais progressistas, dentre as quais, a abordagem da avaliação emancipatória de Saul (1988), Hoffmann (1998) – avaliação mediadora , Lüdke e Mediano (1994) – enfoque sociológico para a avaliação, Luckesi (1999) – enfoca a avaliação enquanto processo, Prado (1997) – enfatiza a avaliação como processo e não como produto eVianna (1989) – contribui para criar a cultura da avaliação.

        Esses autores contribuíram para que desencadeasse no Brasil um processo de sensibilização e preocupação com a avaliação também, a desvinculação com as obras norte-americanas, embora elas continuem sendo valiosas para aprofundamento de estudos, uma vez que sustentaram e sustentam as pesquisas na área.

 

☻As atividades e tarefas favoreceram o seu crescimento pessoal e formação profissional? De cada tarefa executada durante o curso explique o grau de relevância.

               Como diria o poeta: tudo vale a pena quando a alma não é pequena. As atividades e tarefas tiveram grande significado. O diário reflexivo funciona pra mim como uma espécie de álbum de fotografias em que posso visualizar as mudanças ocorridas ao longo do processo. Creio que meu ultimo diário contem mais informações que o primeiro, embora admito que preciso melhorar em alguns aspectos que dizem respeito à fundamentação teórica.

              Compreendi a eficiência e confecção correta dos resumos informativos.

              Gostaria de ter evoluído um pouco mais na elaboração do mapa conceitual.

              Estou satisfeito com minhas atuações nas apresentações em equipe.

              A pesquisa da prática avaliativa de um docente contempla tudo que vimos nessa disciplina, pois podemos identificar facilmente qual paradigma nosso entrevistado está inserido.

 

☻Comente sobre as dificuldades enfrentadas para executar as tarefas individuais e em grupo. Quais as limitações pessoais, do professor, dos colegas, outras?

               As dificuldades que encontrei podem ser os resquícios do paradigma empiristas que estruturaram a minha trajetória acadêmica. Isso pode explicar minha fraqueza metacognitiva. No entanto vejo tal crise como um ponto de amadurecimento.

☻O que você retiraria ou acrescentaria da proposta da disciplina?

          Incluiria estudos sobre neurociência.

2. Faça o comentário que desejar:

Quero aproveitar este espaço para manifestar minha gratidão pela experiência vivida. Gostaria de dizer que não é nada fácil enfrentar os obstáculos que tentam bloquear nossa chegada à autonomia. Não é fácil identificar quando deixamos de ser heterogêneos, pois estamos tão presos ainda em paradigmas que sustentam nossas crenças que chocá-los pode gerar alguns conflitos internos.

Esses conflitos ou processos de desequilíbrio são na verdade uma oportunidade para emergirmos para o novo. E feliz aquele que nesse momento de transgressão tenha em seu auxilio um mediador competente, um motivador do nosso potencial, um altruísta por natureza.

 Durante muito tempo a escola tem perdido a oportunidade de transformar-se na instituição mais poderosa e influente da união. A insistência em utilizar modelos pedagógicos e epistemológicos que limitam o ser pensante que há em cada aluno, tem sido o fator marcante para a desvalorização que a escola pública vem sofrendo.

Nós, futuros profissionais de educação, temos a obrigação moral de buscarmos a nossa autonômia, e mais ainda, o dever nato de viabilizar caminhos para a emancipação daqueles que a própria escola tratou de excluir.

É preciso acreditar em nossos rumos para a educação de nosso país. Não é mais concebível os processos de avaliação que expressam juízo de valor e promovem segregação.

Queremos uma escola em que interagir seja parte processual da avaliação, que as experiências sejam valorizadas e respeitadas tal como devemos agir com as pessoas, um processo avaliativo que mas parece um celebração de identidades onde cores, crenças e valores se misturam e faça todos entenderem que o ser humano só pode ser uma coisa:

ELE MESMO!

 

Joilson Aleixo

 

Perfil do Autor

Joilson Aleixo da Silva

Estudante de pedagogia. Autor de o Super-pai: A emergência de um novo modelo de paternidade.