Como melhorar a prática pedagógica?

17/03/2014 • Por • 147 Acessos

Não existe receita pronta, plano infalível ou milagre que resolva todos os problemas educacionais. Há ótimas ideias que são divulgadas na internet, revistas e no café dos professores. São trocas de ideias e vivências. Afinal, é importante que haja uma ação coletiva para a discussão do conhecimento e a troca de pontos de vista. Isso é, realmente, enriquecedor. Ricas, porém, quando as sugestões incitam o pensamento crítico e levam o docente a repensar sobre sua prática, questionando quais ações são ideais para si e para sua turma, dentro do ambiente escolar.

1 - A prática pedagógica deve ser condizente com o perfil profissional do educador: o professor deve pensar em como se sente mais seguro ao planejar (e realizar) uma aula. Não adianta falarem que o docente tem que fazer uma "aula show", se ele é mais introspectivo. E o contrário também ocorre, pois não funciona para um professor que gosta de inovar, sugerirem uma aula pouco dinâmica. No entanto, todo educador deve saber ouvir, ponderar e ver o que é possível de ser realizado. O ser humano está em constante aprendizado, inclusive o professor. "E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas" (FREIRE, 1996, p.30).

2 - A prática pedagógica deve ser condizente com a turma: é necessário pensar nos alunos e tentar imaginar o que lhes chamaria a atenção, o que seria prazeroso de se realizar, como eles se sentiriam. Esse é o caminho. Empatia. Neste instante, as trocas de experiências são muito válidas. Servem de inspiração.

3 – A prática pedagógica não é linear: por isso, pode ser que em uma aula, os estudantes se interessem em participar de um debate e na outra aula, já estejam estafados. A prática pedagógica exige dinamismo (no que se refere a metodologias diversificadas), porém isso não significa que não haja rotina nas ações escolares. Essa é outra questão: não dá pra viver de improvisos. O aluno precisa perceber que o professor está seguro, que a aula foi planejada previamente. Mas também não dá pra ficar engessado. Flexibilidade. É necessário perceber o que paira no ar, captar a mensagem implícita dos alunos. O professor precisa atentar-se à contextualização, aproximar a prática à realidade do aluno, embasando-se nas potencialidades e na aprendizagem participativa.

4 – Enfim, adequação: palavra perfeita quando se fala em prática pedagógica, porque não se refere a nada pronto e acabado, tampouco exige constantes ações inéditas. É o meio termo. É a ponderação. É a análise do existente e a avaliação de sua aplicação (podendo ser igual, parecido ou totalmente diferente, levando em consideração os aspectos humanos e materiais). É o respeito à diversidade! Pois adequar situações é reconhecer que somos seres únicos, que não existe só um caminho correto. A aprendizagem é o objetivo, mas as formas de se alcançar esta meta são inúmeras.

Por isso, não existe prática pedagógica embasada em moldes inflexíveis. O que existem são ações pedagógicas coerentes com o objetivo a ser alcançado, com cada momento, com cada envolvido, proporcionando, enfim, a elaboração de práticas educacionais favoráveis ao aprendizado.

 

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GADOTTI, Moacir. Escola cidadã: uma aula sobre autonomia da escola. São Paulo: Cortez, 1997.

SCHMIDT, L., RIBAS, M., CARVALHO, M.. A prática pedagógica como fonte de conhecimento. Olhar de Professor, Ponta Grossa, 1, apr. 2009. Disponível em: http://www.eventos.uepg.br/ojs2/index.php/olhardeprofessor/article/view/1332/976. Acesso em: 25 Fev 2014.

 

Perfil do Autor

Claudia Gonçalves da Silva

Professora de Língua Portuguesa, Pedagoga e Psicomotricista. Blogueira do Pedagochique.