Condicionantes Da Qualidade Do Aprendizado

11/01/2010 • Por • 443 Acessos

Condicionantes da qualidade do aprendizado.

*Carlos Henrique Araújo

Os condicionantes da qualidade do aprendizado escolar são múltiplos e alguns são de difícil apreensão. Educação é uma dimensão complexa e, como sistema de ensino, envolve interesses diversos e conflitantes. A consciência sobre a complexidade do fenômeno levou o campo científico a desenvolver ferramentas estatísticas capazes de isolar variáveis do desempenho escolar e estudar os seus efeitos. Há na literatura pedagógica inúmeros exemplos de pesquisas que trabalham nesta perspectiva.

Pelos resultados destas, sabe-se que os condicionantes referem-se às características dos alunos e ao funcionamento das escolas. Sobre os alunos, os fatores de mais impacto no desempenho são o seu nível socioeconômico e a escolaridade dos seus pais. As evidências empíricas mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação de suas crianças, acompanham e incentivam os seus filhos, inclusive em tarefas do cotidiano escolar. É evidente que uma criança ao conviver com familiares de alta escolaridade tem mais oportunidades de aprender satisfatoriamente.

O acompanhamento escolar por parte da família é uma das estratégias que melhor influenciam o aprendizado. Ademais, o acompanhamento é tão importante que há evidências de que mesmo pais com baixa escolaridade, por vezes analfabetos ou iletrados, ajudam na melhora da proficiência dos seus filhos quando demonstram interesse pelas atividades escolares e incentivam o sucesso. O que parece fundamental é o apoio emocional, a cobrança serena por resultados, a valorização e o incentivo aos estudos.

Os condicionantes do ambiente escolar dizem respeito ao trabalho do professor, ao estilo de aula, à competência da gestão escolar e ao resultado positivo do clima de aula, ou seja, das interações sociais e intelectuais entre alunos, professores e funcionários escolares. Por exemplo, escolas em clima de conflito, sejam por aspectos disciplinares ou de violência, seja por falta de coordenação do trabalho docente, pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes.

Os professores precisam dominar os conteúdos escolares, obedecer a um planejamento estruturado de aula, dominar algumas ferramentas de avaliação educacional, além de serem assíduos e projetarem expectativas positivas em seus alunos.

A despeito dos determinantes originados nas características individuais do aluno e de seu núcleo familiar, é possível melhorar a qualidade da educação por meio de uma orientação de política focada na escola, notadamente uma gestão voltada ao objetivo central de fazer com que a escola ganhe em eficiência de aprendizado, que seus alunos tenham sucessivos êxitos no desenvolvimento de habilidades e competências a partir do conteúdo ministrado.

Uma boa escola caracteriza-se por ser eficaz no ensino e atrativa aos alunos. A escola deve ser agradável, segura e dispor de insumos visando ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo dos estudantes (que vão desde a oferta de merenda escolar aos materiais didáticos adequados).

Um sistema de ensino fragmentado e distante das escolas, como é o caso brasileiro, sem foco e objetivo, leva à duplicação de esforços e ao desperdício de recursos. As políticas públicas em educação devem ser sempre programadas, articuladas em seus programas, projetos e ações e alcançar a escola para dar as condições materiais, burocráticas e técnicas para que as mesmas sejam eficazes.

Pode-se, então, afirmar que o objetivo central de toda a gestão educacional deve ser o de promover os alunos com ganhos sucessivos de conhecimento e autonomia.  A escola bem gerida, orientada por resultados de avaliação educacional, com um bom clima e próxima às famílias de seus estudantes, certamente, pode transformar os indicadores macro-educacionais de forma robusta, pois é nesta instituição onde se dá o aprendizado.

 

* Mestre em Sociologia, Consultor em Educação, ex-Diretor de Avaliação da Educação Básica – Inep/MEC. chfach@gmail.com.

Perfil do Autor

Carlos Henrique Araújo

Mestre em Sociologia, Consultor em Educação, ex-Diretor de Avaliação da Educação Básica – Inep/MEC. chfach@gmail.com.