Considerações Sobre Educação Especial E Educação Inclusiva

Publicado em: 29/09/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 1,678 |

O Parecer 17/2001 do Conselho Nacional de Educação instituiu as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica e definiu como alunos com necessidades educativas especiais aqueles que apresentam, durante o processo ensino-aprendizagem:
1. Dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos:
1.1.Aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica;
1.2.Aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências.
2.Deficiências de comunicação e sinalização diferenciadas dos alunos, demandando a utilização de linguagem e códigos aplicáveis;
3.Altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem dominando rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes (CNE/CEB/MEC, Resolução 2/2001, art. 5º).

Nessas perspectivas, considera-se aluno com necessidades educativas especiais aqueles que manifestam comportamentos particulares que impeçam os encaminhamentos rotineiros das práticas pedagógicas em sala de aula, pois é necessário que o professor faça ajustamentos curriculares sem os quais eles não conseguirá realizar as aprendizagens ao nível de suas capacidades e potencialidades.

São alunos que se diferenciam por seus ritmos de aprendizagem, seja mais lentos ou mais acelerados. São pessoas que em situação de aprendizagem escolar necessitam de adaptações nas condições materiais de ensino, pois sem elas a permanência na escola não terá qualquer significado, já que não poderão compartilhar os resultados de suas aprendizagens (DELOU, 2008, p. 16).
Fonseca (1995, p. 26), afirmou que, do ponto de vista teórico, “a ideia fundamental da definição e de classificação em Educação Especial deve ter em consideração que se classificam comportamentos e não crianças”.

Assim sendo, devemos ter o cuidado de definir ou classificar comportamentos humanos com caráter exclusivamente diagnosticados e/ou didático pedagógico sem prejuízo para o indivíduo para não haver maiores dificuldades. O problema é que a classificação traz junto a si o impacto da rotulação na subjetividade do indivíduo, e consequentemente, na subjetividade da sociedade. O indivíduo passa a ser e a ser visto a partir de um rótulo, perdendo-se de vista tudo o que se relaciona ao seu referencial sociocultural, à riqueza de sua subjetividade, de seus valores e de sua singularidade, acabando por se tornar um excluído social por se diferenciar dos demais membros da sociedade.

Para Delou (2008), a utilização de denominações particulares do aluno da Educação Especial, regra geral, tem servido para marcar espaços teóricos, mas ao mesmo tempo de exclusão, ou seja, sistematicamente os autores da área têm limitado o conceito de necessidades educativas especiais a um de seus grupos, como o das deficiências. Essa concepção é um problema teórico-prático que poderá refletir a formação fragmentada dos professores de Educação Especial.

Educação Inclusiva

O sucesso  de qualquer trabalho educacional depende de quem executa a proposta. E a educação inclusiva é tarefa complexa, mas necessária.

A  Educação Inclusiva teve início nos Estados Unidos através da Lei Pública 94.142, de 1975 e, atualmente, já se encontra na sua segunda década de implementação.

O que á Educação Inclusiva?

Na concepção de Macedo (2007, p. 11), a educação inclusiva é uma educação democrática, comunitária, pois supõe que o professor saia da sua solidão, arrogância, falso domínio e tenha a coragem de dizer não sei, tenho medo, nojo, vergonha, pena, não respeito, quero aprender ou rever minhas estratégias pedagógicas, pois não consigo ensinar para certos tipos de criança, não sei controlar o tempo, não sei ajuda.

Para Mrech (1999), entende-se por educação inclusiva, o processo de inclusão dos portadores de necessidades especiais ou de distúrbios de aprendizagem na rede comum de ensino em todos os seus graus. Numa escola inclusiva o processo educativo deve ser entendido como um processo social, em que todas as crianças portadoras de necessidades especiais e de distúrbios de aprendizagem  têm o direito à  escolarização o mais próximo possível do normal.

Com a educação inclusiva, objetiva-se a integração da pessoa portadora de deficiência na comunidade, propiciando a ampliação do acesso destes,  às classes comuns.
Merch (op cit) elenca alguns objetivos para o sucesso da educação inclusiva, assim descritos: perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo objetivos e processos diferentes;  propiciar também aos professores da classe comum um suporte técnico; levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiência e  propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum.

Educação Inclusão precisa de cabeças pensantes, novos saberes, mais reflexão e maior questionamento. A grande força está na capacidade de superar o conformismo, vencer a submissão, semear a esperança e instigar ações socialmente éticas, efetivas e responsáveis.

No Brasil, apesar de garantida na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, em 1996, a filosofia da inclusão não está consolidada na forma desejada. É preciso antes de qualquer ponto, que os professores se adaptem a este novo processo, entendendo que há necessidade de um novo olhar para os portadores de necessidades educativas especiais.
Na opinião de Mazzillo (2008, p. 30), é importante que sejam revistos os conceitos e pré-conceitos existentes, para que seja possível a elaboração de um trabalho educativo de qualidade. Diz a autora: "é de fundamental importância que haja trabalho de capacitação para os professores que já estão na rede regular de ensino, vivenciando ou prestes a vivenciar a experiência de ter um aluno portador de necessidades educativas especiais, inserido em sua classe".

Falar em políticas inclusivas supõe retomar o tema da igualdade e consequentemente o da singularidade. Sendo assim as políticas inclusivas podem ser entendidas como, estratégias voltadas para a universalização de direitos civis, políticos e sociais. Elas devem ser voltadas para indivíduo e para todos, sustentadas pelo Estado, pelo princípio da igualdade de oportunidades e pela igualdade de todos ante a Lei (CURY, 2005, p. 14-15).

Urge, portanto, uma discussão séria quanto aos princípios norteadores da educação inclusiva, bem como à prática de políticas públicas efetivas que visem ultrapassar o ceticismo que toou conta da educação nos últimos anos.
Nessas perspectivas, a auto-avaliação torna-se necessária, embora difícil. Mas como enfatiza Macedo (2007), esse é o caminho e, portanto, um novo desafio para os educadores.

Referências BRASIL/CNE/CEB, Resolução CNE/CEB de 11/09/2001. Brasília. 2001. BRASIL/CNE/CEB, Resolução CNE/CEB/2/2001. Brasília. Disponível em: www.mec.gov.br/seesp/legislacao.htm. Acesso em: 25 de junho de 2009. CURY, C. R. J. Políticas inclusivas e compensatórias na educação básica. PUCMG, 2005. DELOU, C. M. C. et al. Fundamentos teóricos e metodológicos da inclusão. Curitiba: IESDB-Brasil S.A, 2008. FONSECA, V. Educação Especial: programa de estimulação precoce e uma introdução às idéias de Fuerstein. Porto Alegre: Artemed, 1995. MACEDO, L. Fundamentos para uma educação inclusiva. Educação Online, 2007. MRECH, L. M. O que é educação inclusiva? São Paulo, USP, 1999.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/consideracoes-sobre-educacao-especial-e-educacao-inclusiva-1282926.html

    Palavras-chave do artigo:

    necessidades educativas especiais curriculo praticas pedagogicas

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    josé irlan das graças souza

    Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a pratica pedagógica dos professores de Educação Física com deficiência. Acreditamos ser de suma importância pesquisar sobre a inclusão profissional de um professor com deficiência e as dificuldades enfrentadas por ele. De que forma o professor de Educação Física com deficiência exerce sua prática pedagógica.

    Por: josé irlan das graças souzal Educação> Ciêncial 06/05/2010 lAcessos: 603
    shirleidy de sousa freire

    Elencam-se questões referentes a uma temática bastante polêmica no mundo de hoje. Refere-se à inclusão de alunos com necessidades especiais que estão inclusos no ensino regular. Enfocaram-se algumas infoemações referentes ao histórico da educação especial no contexto brasileitro.

    Por: shirleidy de sousa freirel Educação> Educação Onlinel 25/06/2011 lAcessos: 3,445

    Este artigo surgiu da discussão sobre o fato de que a Metodologia de Projetos surge da necessidade de desenvolver uma forma de trabalho pedagógico que valorize a participação do educando e do educador no processo ensino-aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada Projeto de Trabalho. E de que atividades mediadas por projetos, com o uso das tecnologias, permitem abrir novos caminhos à prática educativa.

    Por: Graziela Françal Educação> Educação Infantill 09/11/2010 lAcessos: 389 lComentário: 1
    Iara Silvia Arfelli Martins

    Não há dúvidas que, para “o fazer” cotidiano dos professores, constitui um importante problema abordar o desafio colocado por um considerável número de alunos que, sem deficiência mental, nem sensorial, nem privação ambiental, não alcançam rendimentos inicialmente esperados em suas aprendizagens.

    Por: Iara Silvia Arfelli Martinsl Educaçãol 09/09/2009 lAcessos: 19,865 lComentário: 104

    O presente trabalho aborda um assunto de estrema importância para o avanço dos direitos educacionais garantidos na Constituição Brasileira, quando se entende que a educação é direito de todos. Em um breve histórico, que versa sobre o contexto no qual fizeram parte as pessoas com deficiência rumo ao processo de inclusão na educação superior, buscaremos apresentar os avanços relacionados à inclusão dos mesmos, como também as atenções voltadas para esse público de discente.

    Por: Duanne Granjal Educação> Ensino Superiorl 21/07/2011 lAcessos: 600

    Pessoas com necessidades especiais, durante muito tempo, consideradas diferentes ao logo do tempo, numa sociedade discriminatória, A conquista e o reconhecimento de direitos das pessoas se às necessidades do alunado, respeitar o ritmo e os processos de aprendizagem, propondo uma pedagogia centrada nas potencialidades humanas, em com deficiência no Brasil tornaram-se componentes integrantes de políticas sociais a partir da metade do século passado.

    Por: CLEA MARCIA PEREIRA CAMARAl Educação> Ensino Superiorl 14/03/2012 lAcessos: 1,064
    Hellen Bessa de Oliveira

    Este trabalho tem como objetivo apresentar uma leitura sobre como está sendo tratada a questão da sexualidade na escola.

    Por: Hellen Bessa de Oliveiral Educação> Educação Infantill 28/05/2013 lAcessos: 145
    GUTEMBERG MARTINS DE SALES

    RESUMO O objetivo deste artigo é a busca pela compreensão sobre a prática docente da Educação Física no ensino superior. Para tal partiu-se do estudo sobre as noções sobre educação, delineando-se o papel do docente no ensino superior, destacando ainda algumas de suas funções didáticas metodológicas. Tudo isso sem deixar de mencionar sobre o papel e funções do Estado e do governo na universalização brasileira.

    Por: GUTEMBERG MARTINS DE SALESl Educação> Ensino Superiorl 06/07/2011 lAcessos: 316

    Este artigo aborda a importância de se construir um modelo de ensino-aprendizagem dentro da Educação Física Escolar que não se prenda apenas na prática do exercício, mas que através do máximo aproveitamento de todos os componentes da Cultura Corporal do Movimento, conduza o educando a um nível de desenvolvimento elevado dentro dos aspectos motor, cognitivo, emocional e social. O método utilizado foi a pesquisa bibliográfica e comparação dentro da prática realizada no estágio supervisionado.

    Por: Vandersonl Educação> Educação Infantill 29/06/2014 lAcessos: 38

    O presente artigo pretende identificar, discutir e entender as principais questões que envolvem o papel do professor, currículo e avaliação dentro de uma perspectiva de pedagogia antiautoritária e autônoma ancorada nas teorias de Paulo Freire.

    Por: Júlio César Dias do Nascimentol Educação> Ensino Superiorl 27/07/2011 lAcessos: 1,099 lComentário: 1
    CLEBERSON EDUARDO DA COSTA

    Existem muitas formas de desumanização e, uma delas, talvez a mais crucial, seja aquela que está sistematizada no desrespeito às diferenças, na medida em que esse desrespeito - no sentido micro - leva o indivíduo para longe da sua capacidade de coexistir e, consequentemente, para longe da possibilidade de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento pessoal; no sentido macro, leva a sociedade para xenofobismos, nacionalismos exacerbados, genocidismos, biocidismos, apartheids, etc.

    Por: CLEBERSON EDUARDO DA COSTAl Educaçãol 22/01/2015
    Magno Fernando

    Esse artigo busca analisar e compreender as implicações dessa remuneração para o trabalho docente. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter bibliográfico-documental com base em pesquisas relacionadas à remuneração docente e documentos relativos à temática elaborados por organismos internacionais.

    Por: Magno Fernandol Educaçãol 20/01/2015

    Trata-se do primeiro processo de industrialização do Brasil que foi implantado pelo ministro Rui Barbosa à época da Independência que, por fim, foi um verdadeira fracasso.

    Por: Gabriell Educaçãol 20/01/2015

    Vivemos em um um país, que demonstra abertamente, que toda sociedade convive pacificamente e não há preconceito ou discrimanação racial, vendemos a ideia que no Brasil existe a Democracia Racial, onde negros e brancos, se relacionam amigavelmente sem qualquer preconceito ou discrimanação. Porém observamos que, o que existe de fato, é o mito da Democracia Racial, ou seja, uma falsa ideia que brancos e negros vivem harmonicamente. Neste sentido, vamos relatar brevemente sobre algumas expressões.

    Por: Simone Marial Educaçãol 17/01/2015 lAcessos: 14
    Instituto Fisiomar

    Profissionais com qualificação saem na frente no mercado de trabalho e principalmente qualificação técnica. O curso técnico é um bom investimento, pois é um investimento barato, de curto prazo e que dá um excelente retorno. Uma Instituição séria que temos em Santa Catarina é o Instituto Fisiomar, com Cursos Técnicos de Segurança do Trabalho, Petróleo e Gás, Estética, Massoterapia e Podologia.

    Por: Instituto Fisiomarl Educaçãol 08/01/2015

    Considerando que a Educação deve ser voltada para a construção da cidadania, para o desenvolvimento das potencialidades do educando e a preparação para o trabalho, como diz na LDB – Lei nº 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), pensa-se que escola deve ser tida em nossa sociedade como oportunidade para o desenvolvimento, não só permitindo possibilitar ao educando estudar conteúdos, mas também dele ampliar relações com o outro, portanto devendo ser de qualidade.

    Por: nilda flores schutzl Educaçãol 30/12/2014
    Jaguaracy Conceição

    Esse texto tem como base a entrevista publicada na Revista Nova Escola de dezembro de 2014 e que traz como título: "A escola é a estrutura estável de quem vive numa família instável". Nela o sociólogo francês Bernard Lahire diz que o meio social é crucial ao desenvolvimento das crianças, pois sozinhas elas não conseguem superar as dificuldades que se deparam.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 23/12/2014 lAcessos: 21
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Basicamente a três milhões de anos atrás. A evolução humana foi desencadeada na África. Resultada de um elo anterior que favoreceu no surgimento do homo sapiens e do chimpanzé. Todas as populações do mundo descendem de tal elo. O que já foi explicitado cientificamente por comparações de DNA.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educaçãol 23/12/2014 lAcessos: 11

    Em nossa vivência em sala de aula, é possível observar que cada aluno apresenta - a princípio - uma gama ampla de diferentes características intelectuais, e que o convívio escolar vai permitir ao professor, mesmo não especialista no assunto, constatar que cada aluno apresenta algumas delas como mais evidentes. Essas especificidades dependem, essencialmente, de sua origem e/ou formação genética e influenciadas pelo meio onde cada um vive e com quem se relaciona, ou seja, o padrão original pode sofrer alterações durante todo o seu ciclo de vida. Dentro desta visão, fica claro que a possibilidade de alterar os padrões inteligíveis do aluno depende quase que inteiramente do orientador, e do método aplicado no processo de ensino-aprendizagem.

    Por: MARIA SALETE CORRÊA CARVALHOl Educaçãol 29/09/2009 lAcessos: 1,421

    Ao abordarmos o tema dificuldades de aprendizagem, podemos tecer uma série de reflexões a partir de diferentes linhas de pesquisa que embasam a teoria e a prática nessa área de conhecimento. O termo dificuldade de aprendizagem têm se mostrado um assunto que ainda gera discussões e dificuldades na sua conceituação. Ainda que as dificuldades de aprendizagem possam ocorrer concomitantemente com outras condições incapacitantes ou com influências extrínsecas não são o resultado dessas condições.

    Por: MARIA SALETE CORRÊA CARVALHOl Educaçãol 13/09/2009 lAcessos: 38,612 lComentário: 9
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