Contra Violência: Violência
Contra violência: violência
Você, como eu, deve ter percebido o crescimento da violência em nossa sociedade. Acontece que, para minimizar a violência estamos nos tornando cada vez mais violentos. Isso não é novo, apenas ganha novo status; apenas evidencia uma das características mais marcantes do ser humano: a crueldade que produz violência. O ser humano é cruel, pois produz situações de maldade e age violentamente de forma intencional. Não digo isso baseado apenas naquilo que os noticiários nos mostram a respeito dos chamados bandidos. Digo a partir da anuência das pessoas após um tiro, planejado pela polícia, eliminando um meliante. Em nome da paz e da segurança as pessoas agem com violência, demonstrando que essa é uma instituição humana: contra a violência que nos aterroriza, usamos violência.
Aliás, isso foi ensinado por Maquiavel, em o Príncipe. Ao explicar porque o príncipe deve ser temido ao invés de amado, diz que: “é muito mais seguro ser temido do que amado. Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho”. Se os homens são ingratos, então deve-se guia-los não com benevolência, mas com o chicote na mão. Então, por medo, aceitarão a violência e ela se institucionaliza. O medo do chicote produz uma aparente harmonia e aquela sensação de alegria ao ver o outro ser punido-agredido por quebrar a harmonia.
Isso nos arremete ao “Crepúsculo dos Ídolos” livro em que Nietzsche faz o seguinte comentário: “ver sofrer, faz bem; fazer sofrer melhor ainda: ai está um duro princípio, mas um princípio fundamental antigo, poderoso, humano, demasiadamente humano”. Que são os atos violentos se não uma expressão da maldade humana? Trata-se de um princípio, demasiadamente humano! E se isso é feito intencionalmente, de forma premeditada, indica a presença da crueldade.
O mesmo pensador alemão, chamado de anticristo, numa anotação em seu registro de óbito da capela do cemitério em que está enterrado, radicaliza ainda mais a afirmação da maldade humana. Afirma ser esse um ingrediente produtor de prazeres. Ou seja, produzir maldades produz prazeres... diz o pensador: “É verdade que repugna à delicadeza, mais ainda, a hipocrisia de animais domesticados (quero dizer os homens modernos, quero dizer nós) representar-se com todo o rigor até que ponto a crueldade era alegria festiva na humanidade primitiva e entrava como ingrediente em quase todos os seus prazeres”. No mesmo livro, na mesma página, no mesmo parágrafo, Nietzsche continua: “Indiquei já de maneira circunspeta a espiritualização e a ‘deificação’ da crueldade que não cessa de crescer e atravessa toda a história da cultura superior”.
Alguém, desavisado, poderia perguntar: qual é essa “cultura superior” que tem feito a “espiritualização e a ‘deificação’ da crueldade”? Qual é a sociedade em que se vê o crescimento da crueldade? Inicialmente a cultura alemã, à qual o pensador analisa e, por extensão, a sociedade cristã oriental em que todos estamos inseridos.
Não gostamos de sofrer, mas nos divertimos com o sofrimento alheio. Uma afirmação deste tipo pode parecer repugnante, mas como, de outra forma, explicar a crescente onda de violência, desde o colo das famílias até as mais altas rodas sociais? Nada escapa ao crescendo da violência. E, então, para reprimi-la, usamos de violência. Explico-me: os norte-americanos agrediram a vários povos orientais – violentando suas culturas, seus governos... – em nome do lucro. Alguns desses povos reagiram derrubando as “torres gêmeas” (em setembro de 2001). A contra reação norte americana foi a guerra. Contra a guerra, constantes atentados terroristas... (evidentemente não estamos analisando, aqui, a crescente e lucrativa indústria da guerra, uma demonstração de que a violência, além de fazer bem... e dá lucro).
Outro exemplo: a população urbana cresce. Não crescem as vagas em empregos. Muita gente, na cidade, vive de subemprego, com dificuldades crescentes... aprece o traficante dizendo que distribuir droga dá lucro e cria uma rede de distribuição com gente desempregada ou esfomeada. A reação da sociedade é atiçar a polícia contra eles. Estabelece-se uma guerra urbana: um atira de um lado, recebendo como resposta outro tiro... amplia-se a espiral da violência ... e jornais e TV e rádio e internet transmitem, ao vivo, as cenas de violência, para um público sedento de sangue. E as pessoas se satisfazem, se sentem gratificadas quando a polícia elimina o meliante, em transmissão ao vivo, em cadeia nacional.
É claro que, como disse Nietzsche, no trecho acima, isso pode parecer repugnante (como ele diz? “repugna à delicadeza”). O fato é que a mídia sobrevive da notícia e o consumidor da noticia – a população – está sedenta de violência e crueldade, para se divertir. Compare o tempo destinado às chamadas “boas” noticias em relação ao tempo destinado às tragédias. Diante dessa diferença, em favor da desgraça, muitos diriam que a mídia “parece que gosta de divulgar coisas ruins”. Mas a mídia transmite o que as pessoas gostam de ver! As pessoas gostam, preferem, as tragédias.
Então não podemos dizer que é repugnante o que a mídia faz, mas é repugnante a tendência da sociedade em se divertir assistindo a desgraça dos outros. É verdade que nos emocionamos com cenas e situações em que o altruísmo se manifesta. Mas, não é menos verdade que nos detemos por horas assistindo a desgraça alheia. Podemos até nos solidarizar com a vítima, mas fazemos isso para mais nos sentirmos superiores; para nos colocarmos em posição privilegiada pois “ver sofrer faz bem”... nos lembra que estamos bem! E essa é a face cruel da violência.
Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação, Filósofo, Teólogo, Historiador.
Leia mais: <http://www.webartigos.com/authors/1189/Neri-de-Paula-Carneiro>; <www.brasilescola.com.br>
(Artigonal SC #1329942)
Palavras-chave do artigo:
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Como bons patriotas, é importante compreendermos corretamente a letra do hino de nosso país. O amor genuíno a nosso próprio país ajuda-nos em nossa autoestima.
Saber o que é educação, de quem é a obrigação de educar, o que pensam os autores, o que fazer para melhorar a educação? São perguntas que todos fazem, mas as respostas nem sempre modificam o quadro atual.
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Percebeste o crescimento da violência em nossa sociedade? para minimizar a violência nos tornamos mais violentos. Isso não é novo, apenas evidencia uma característica do ser humano: a crueldade que produz violência. Produz situações de maldade e age violentamente de forma intencional. Não falo apenas pelo que fazem os bandidos, mas também a partir dos tiros da polícia, institucionalisando a violência. Maquiavel e Nietzsche, comentam isso.
Faço aqui um manifesto ecológico em favor das sacolas de plástico. E não estou louco – a não ser de ira contra os aproveitadores!!! Um equívoco está se alastrando: a necessidade de por fim às sacolas plásticas, no comércio. Isso é engodo em nome do lucro.
Para nós que as enfrentamos ou sofremos suas conseqüências, as crises, catástrofes, cataclismos, tragédias, ou grandes acidentes – depende de como as queiramos denominar – não são bem vindas. Mas as tragédias são o prato principal, do qual se nutre a imprensa e são esperadas ou buscadas – ou fabricadas – para deleite do sensacionalismo, principalmente televisivo. Exemplo típico está ocorrendo agora.
No livro de Atos dos Apóstolos encontramos uma das passagens mais controvertidas, discutidas e, ao mesmo tempo, belas, do Novo testamento. Trata-se At, 2,1-11 que se popularizou como fundamentação para a festa do Pentecostes.
Em se tratando de estudos bíblicos nem tudo são certezas e unanimidade. Existem contradições em relação às opiniões e conclusões. Uma delas é em relação a Lucas e à autoria do evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos. A tradição cristã atribui tanto o texto do quarto Evangelho como o de Atos dos Apóstolos a Lucas, médico mencionado por Paulo em 2Tm 4,11; Cl 4,14 e Fm 24. Alguns autores, entretanto, preferem dizer que ambos são personagens distintos
A historicidade da Bíblia é, muitas vezes, colocada como argumento de fé. Muitas vezes a Bíblia é usada de forma definitiva, sem considerar elementos simbólicos e textuais que não podem ser desconsiderados. Se for encarada dessa forma tanto a fé como a razão tem que se submeter a algumas contradições textuais que estão presentes no texto bíblico.
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