Desenvolvimento Emocional E Social Da Criança E O Processo De Aprendizagem

12/10/2009 • Por • 21,471 Acessos

INTRODUÇÃO

 

O desenvolvimento da criança é um fator relevante em todos os aspectos, pois é preciso que se tenha um desenvolvimento integra, ou seja, social, psicológico, por isso é fundamental que se possa oferecer condições a criança de ter um desenvolvimento sócio-afetivo adequado e desenvolver também a sua capacidade de aprendizagem respeitando os limites de cada idade.

            A formação de indivíduos críticos e atuantes, exige das escolas um novo modo de envolvimento do educando na produção do seu próprio conhecimento, baseado agora num olhar maior sobre a democratização e o processo de socialização de saberes que conseqüentemente tende a levá-lo a autonomia.

Pensar a importância da educação na formação de indivíduos críticos, atuantes e conscientes é pensar também em alternativas que valorizem a realidade educacional dos aprendizes, criando ambientes dinâmicos e estimuladores que favoreçam mais, a efetivação da aprendizagem, de modo que possam interferir e transformá-la em um espaço com vista ao bem comum e principalmente a prática da cidadania, portanto, a prática educacional na formação dos indivíduos deve configurar numa proposta aberta, dinâmicas, flexíveis, refletidas num projeto político pedagógico calçado como objeto de norteamento, reflexão e análise por toda comunidade escolar.

O presente estudo foi realizado a partir de muitas fontes de informações em pesquisa exploratória com levantamento de revisão de literatura sobre o tema estudado. De acordo com Gil (2004, p.32) as pesquisas exploratórias e descritivas são fundamentais para a realização de um trabalho mais aprofundado sobre o tema abordado.

O presente estudo tem por objetivo: Verificar a importância de compreender o desenvolvimento infantil até a adolescência como forma de dinamizar o processo de aprendizagem.

 

DESENVOLVIMENTO INFANTIL

 

Uma criança apresenta dois aspectos distintos de evolução: o crescimento e o desenvolvimento. O crescimento corresponde ao ganho de massa corporal registrado ao longo da vida, já o desenvolvimento corresponde a um conjunto de fenômenos que se refere a evolução neuropsicológica e motora da criança. A boa qualidade de vida favorece ao desenvolvimento saudável da criança em todos os aspectos.

Os fatores que favorecem a boa qualidade de vida e desenvolvimento são os fatores genéticos, biológicos, nutricionais e psicológicos. Quando o ambiente em que a criança cresce oferece estímulos para os sentidos, habilidades físicas e para a inteligência formal, ajuda muito na formação dos indivíduos, que desenvolvem aptidões para os desafios da vida adulta.

Sendo assim, a educação seja ela infantil ou não deve começar desde cedo instigar os indivíduos a respeitar os demais, pois não existem formas educar se não tendo como base o respeito desde cedo sendo instigado. Como defendeu Piaget é fundamental ainda que o elo exista entre professor e aluno para que se possa existir um processo de aprendizagem relevante.

Para Muoura et al (2009, p.1) Piaget defende a inteligência e seu desenvolvimento em estágios.

O primeiro estágio é o da inteligência sensório-motora, a criança trabalha encima de seus reflexos inatos (sugar, engolir, tossir, agarrar, etc.) e aprende a se movimentar e dirige as sensações na construção do objeto. Piaget chama este nível de sensório motor, porque com seus movimentos físicos a criança dirige as sensações provenientes do meio, e vice-versa.

 

A criança precisa de um ambiente saudável para crescer. Sendo assim, o Estatuto da Criança e do Adolescente o ECA, tem evoluído de forma a garantir os diretos aos pequenos de crescerem com dignidade.

A criança de seis anos multiplica suas experiências a partir do convívio com novos colegas em ambiente escolar, uma vez que se volta para os jogos e atitudes dos demais. Nesse contexto ocorrem mudanças rápidas surgidas pela vivencia escolar. O convívio social é fundamental para o desenvolvimento intelectual e afetivo da criança.

A criança passa efetivamente por muitos estágios de adaptação ao meio social, e as funções do seu comportamento social modifica-se intensamente em face dessa ou daquela fase etária. Por isso o comportamento social deve ser visto como comportamento reiterante refratado em função do desenvolvimento social do organismo. (VYGOTSKY, 2001. P.278).

 

Para Vygotsky, defende ainda que é necessário uma interação social apra que se possa ter uma cognição desenvolvida. Segundo o autor é função do professor lembrar e fazer associações da linguagem e o conhecimento científico com a linguagem e o conhecimento do educando, para que assim se possa ter uma aprendizagem adequada e eficiente, ao mesmo tempo que integra o aluno no seu contexto, com novos conhecimentos adquiridos.

Concorda com ele Freire (1997), quando diz que a linguagem e a visão de mundo interfere na leitura de mundo e da palavra, ou seja, o aluno tem conhecimentos próprios e adquiridos que devem ser associados e interagir, nunca se deve desprezar o conhecimento que o aluno traz para a escola, e sim associar e melhorar os mesmos.

Aos sete anos a criança começa a adquirir uma certa capacidade se colocar no lugar do outro, esse período é marcado pelos acontecimentos sociais que desperta para os sentimentos com os demais a sua volta. Aos oito anos, já compreende melhor as diferenças entre elas e os adultos, fator que facilita a construção da  auto-estima. Sua oscilação de humor é quase constante. O período correspondente aos dez anos a criança possui grande desenvoltura social, e se  mostra capaz de analisar valores culturais e sociais, as meninas se mostram mais interessadas nas conversas de adultos e uma certa repudia pelo sexo oposto. Quanto aos meninos sua maturação sexual ainda se mostra invisível, mas já demonstra interesse pelo sexo oposto.

 

Já parece um adulto em formação; está em contato com o ambiente dos mais velhos graças as numerosas adaptações. Encontram-se mais avançada na dinâmica e organização do seu sistema de ação. Mostra-se eclético, com múltiplos interesses. Apela para as diferentes válvulas de escape como roer unhas e brincar com o cabelo. Os temores vão perdendo intensidade. As meninas tornam-se mais propensas ao choro e os meninos a ira, Soifer,( 1985. P.100).

 

 

A adolescência tem início com a puberdade que começa por volta dos doze anos, nesse período as mudanças são consideráveis tanto no plano físico quanto no psicológico, com mudanças rápidas de humor e procura firma-se no ambiente com gritos e rebeldias. As meninas criam laços afetivos mais fortes com as amigas, a interessar-se por dinheiro e o que acontece depois da morte. O apetite desses indivíduos é gigantesco compatível com o crescimento acelerado dessa fase da vida. Para o professor conhecer essa fase é fundamental, pois a escola proporciona a estes o ingresso ao mundo das ciências e dos contatos pessoais.

A OMS Organização Mundial da Saúde, diz que a adolescência tem início aos doze anos, portanto durante esse período entre nascimento e adolescência é fundamental que a criança se desenvolva em um ambiente que proporcione a sua integridade física e intelectual.

 

 

ART.227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegura á criança  e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito á vida, á saúde, á alimentação, á educação, ao lazer, a profissionalização, á cultura, aa dignidade, ao respeito, á liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de coloca-los á salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

 

O ECA afirma que todos os direitos devem ser preservados e para tanto a família, o Estado e a sociedade como um todo tem responsabilidades para com as crianças. O Brasil tem a legislação mais avançada com relação a proteção aos direitos das crianças e adolescentes, mas a realidade ainda é dura muitos brasileirinhos que vivem nas ruas, pois o ECA não tem oferecido muito em relação as crianças brasileiras.

No Brasil a realidade é ainda permanece com a influência de preconceitos, alguns aspectos de violência e principalmente de exclusão social, o que gera um desestimulo em relação as expectativas para o futuro. Fatores que não possibilitam o desenvolvimento adequado e sadio para as crianças brasileiras.

Sendo assim, é perceptível que o estatuto da Criança e do Adolescente precisa ter uma nova reformulação e um empenho efetivo das autoridades para que esse venha a ser respeitado.

O que se ver na verdade é que a criança precisa de um ambiente que venha a favorecer o seu desenvolvimento psicológico e físico de maneira adequada, o desenvolvimento do conceito e da noção de cidadania também é relativamente importante, por isso o professor deve ter uma postura firme e descentralizada, onde se tem uma posição definida, nunca uma posição convenientemente neutra quanto às questões sobre a cidadania, a criança, o adolescente e seu desenvolvimento integral.

A escola é um lugar fundamental na vida de todo os seres humanos, a transformação que acontece de forma individual e coletiva na formação da cidadania é um fator relevante para todos os estudiosos das teorias de aprendizagem. É importante ressaltar que por trás da formação do educando, não deve haver só uma pessoa, mas sim, um profissional, um educador que se movimenta, que se atenta a todos os fatos para mediar situações e fazer acontecer o aprendizado a todo momento. É neste movimento ininterrupto de intervenções na realidade do aprendiz em contínua construção e transformação que o aprendizado tende a se concretizar. 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A criança desde que nasce desenvolve-se de forma relevante e dinâmica, o desenvolvimento físico corresponde a sua maneira de crescer com fatores genético e biológicos interferindo nesse processo. Já o desenvolvimento social e afetivo é outro fator relevante que deve ser levado em consideração em especial no processo de aprendizagem.

É preciso interagir com o ambiente social para quês e tenha uma visão de mundo mais ampliada e melhorada, sem para tanto que seja desconsiderado o conhecimento que a criança já traz para  escola.

Por isso, a escola deve ser um ambiente estimulador e dinâmico para a aprendizagem dos educandos, somente assim e pode ter uma educação de qualidade e transformadora para todos.

 

REFERENCIAS

 

BRASIL. Lei n.8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, e dá outras providências. Disponível em: http:/www.planalto.gov.br  Acessado em 23 de junho de 2009.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa Paz e Terra.  São Paulo 1997.

 

MOURA Ana Maria.  et al. As Teorias de Aprendizagem e os Recursos da Internet Auxiliando o Professor na Construção do Conhecimento. Disponível em:  http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=17. Último acesso em 01 de julho de 2009.

 

 

SOIFER, R. Psiquiatria Infantil Operativa. Porto Alegre: Artes Médicas,1985a. V.I

 

VYGOTSKY, L, S. Psicologia Pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Perfil do Autor

Ana Débora Mascarenhas