Discussão Sobre O Conceito De Educação

28/07/2009 • Por • 4,603 Acessos

A Educação é um conceito que vem sendo desenvolvida e discutida ao longo dos séculos pela sociedade, pois o homem, sempre buscou uma melhor forma para poder de se relacionar com os outros.

No período da Grécia antiga, os poetas é que eram os educadores da cidade, e através das declamações dos poemas, se passava a historia dos seus ancestrais, e os filósofos queriam ter essa influencia na educação da cidade, pois a filosofia tinha uma forte ligação com a política, e a melhor maneira de forma os cidadãos bons comprometido com a pólis porque segundo SOARES (2002) diz:

“A Filosofia é filha da pólis e, em conseqüência, a Filosofia é a Política, de modo que, na impossibilidade de se separar estas duas instâncias intimamente ligadas, dispõe, com o resultado da práxis. Esta, por sua vez, torna-se o elemento pelo qual a teoria se concretiza. Não basta, contudo, somente o envolvimento nas e com as questões que caracterizam o cotidiano da pólis para se atingir este estágio político, mas antes, é necessário submeter-se a um gradativo e sistemático processo de aprofundamento, de modo que se veja claramente onde estão assentadas tais questões. Tal processo não é outro senão o da Educação”. (SOARES 2002 p 192-193)

 O filosofo grego Platão (2003) em seu livro a Republica vai fazendo uma apresentação de como seria uma cidade ideal para ele e como devia ser a formação dos seus cidadãos de acordo com o pensamento da paidéia grega, pois para Platão a pólis devia ser governada pelos guardiões filósofos que eram responsável pela educação da cidade sua principal função era de administrar a cidade, e para isso precisava ter algumas qualidades como pode ser visto na citação a seguir.

“(...) os nossos guardiões, isentos de todos outros ofícios, devem ser os artíficies muito de liberdade do Estado, e de nada mais devem ocupar que não diga respeito a isso, não hão de fazer ou imitar qualquer coisa. Se imitarem, que imitem o que lhes convém desde a infância: coragem, sensatez, pureza, liberdade e todas as qualidades dessa espécie. Mas a baixeza, não devem praticá-la nem ser capaz de a imitar, nem nenhum dos outros vícios, a fim de que, partindo da imitação passem ao gozo da realidade”. (PLATÃO 2003 395a – e p 86-87)

 Após definir qual é a função dos guardiões da polis, em seguida vai construir um modelo do que seria para o homem ideal, vai contestar o conceito da Paidéia grega feita por Homero e Hesíodo, onde estes iniciavam primeiro pela ginástica e depois a música Platão iria dizer ao contrario.

“Uma vez definida a natureza dos guardiões, Platão passa, em seguida, a buscar o meio, pelo qual ira forjar este modelo de homem. Ora, a paidéia grega, assentada particularmente em Hesíodo, em Homero e nos trágicos, tem ensinado, até, então, que deve sempre iniciar-se pela ‘ginástica para o corpo e a alma’. (...) Convém, de inicio, porém, deter-se primeiro na música, nas artes das Musas, e só depois examinar os benefícios que a ginástica pode proporcionar à formação harmoniosa. É que Platão compreende que as artes das Musas desempenha o papel decisivo no que as artes das Musas desempenha papel decisivo no que concerne ao ‘plasmar das almas’ ” . (SOARES 2002 p 194)  

 Para Aristóteles (2004) vê a importância da educação para formação de uma boa cidade, com Platão a importância da educação física na formação dos seus cidadãos, por isso a grande importância do papel do legislador, no momento da formação da família, para que a cidade consiga chegar ao meio termo, para o melhor funcionamento.

“Se portanto o primeiro dever do legislador é garantir as crianças em educação uma organização física o mais possível robusta deve, antes disso preocupar-se com o casamento com as qualidades que os esposos precisam trazer para a união”. (Aristóteles 2004 p 148)  

 Segundo o Filósofo o legislador é que tem o papel principal na formação da educação na educação da polis, principalmente para não forma cidadãos covardes, mas corajosos, para a defesa da sua cidade, igualmente como Platão trabalha na sua idéia de educação.

O pensador francês o barão de MONTESQUIEU (2004) em seu celebre livro o “Espírito das Leis” vai dizendo que para sistema de governo existe um determinado tipo educação, para a manutenção da forma de governo, e sua importância na preparação dos cidadãos para participar do governo como mostra na citação a seguir.

“As leis da educação são as primeiras que recebemos. E como elas nos preparam para sermos cidadãos, cada família particular deve ser governada em conformidade com o plano da grande família que compreende todas as demais. Se o povo em geral tem um principio, as partes que compõem, isto é, as famílias também terão. As leis da educação serão, portanto, diferentes em cada tipo de governo. Nas monarquias terão a honra; na república, a virtude; no despotismo, o medo”.  (MONTESQUIEU 2004 p.44)

 E MONTESQUIEU (2004) inicia descrevendo de como deve ser desenvolvida o objetivo da educação em uma monarquia, que para ele o mais importante é que seus súditos cultivem o hábito de agradar uns aos outros, pois agindo desse modo possam manter essa forma de governo para a posteridade.

“(...) a educação em uma monarquia requer nas maneiras uma certa polidez. Os homens, nascidos para viver em sociedade, nasceram também para agradar uns aos outros, e aqueles que não observasse as conveniências, ofendendo àqueles com que convivesse, desacreditar-se a ponto de se tornar incapaz de praticar qualquer bem. (...) É por causa do nosso orgulho que somos polidos: sentimo-nos lisonjeados de possuir boas maneiras que demonstram que não nos encontramos nas camadas mais baixas, e que não convivemos com essa espécie de gente que desdenhou”.   (MONTESQUIEU 2004 p.45)

 Em seguida MONTESQUIEU (2004) apresenta como é a forma da educação em um governo despótico que o principal objetivo é de implantar o medo em seus cidadãos, para que estes não questionem a ordem estabelecida como pode ser ver na citação a seguir.

“(...). É mister que a educação, nesses Estados seja servil. Constituirá um bem havê-la recebido sob essa forma, mesmo no comando, pois aí ninguém será um tirano, sem que seja escravo. A extrema obediência supõe a ignorância naquele que obedece; igualmente supõe ignorância naquele que comanda; este não terá que deliberar, de duvidar nem de raciocinar; não deve senão querer”.   (MONTESQUIEU 2004 p.47)

Por fim MONTESQUIEU (2004) mostra como é a educação em um governo republicano que ele compara um pouco as cidades-estados gregas, em que a virtude é o objetivo principal dessa forma de governo, como uma maneira de se manter ainda viva para as futuras gerações.

“É no governo republicano que precisamos de todo o poder da educação. (...) Podemos definir essa virtude como amor a leis e a pátria. Esse amor, sempre requerendo a supremacia do interesse público sobre o interesse privado, produz todas as virtudes individuais, as quais nada são supremacia. Esse amor é singular afeto às democracias. Somente nessas o governo é confiado aos cidadãos. Ora o governo é como todas as coisas do mundo para conservá-los é preciso amá-los” (MONTESQUIEU 2004 p.48-49)

 Montesquieu, igualmente como Platão e Aristóteles vão defender a idéia é de suma importância da educação para a formação dos seus cidadãos, e como esses são educados, vão ter maior zelo, ou não pela sua cidade, e na escolha de seus governantes.

O sociólogo francês Émile DURKHEIM (1978) vai apresentar um conceito diferente do que foi apresentado pelos teóricos filósofos anteriores, onde se baseia o conceito de educação na perfeição, pois para o sociólogo esse conceito vai mudando com o decorrer do tempo, por isso para ele a educação é um fato social.

“A educação é a ação exercida pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontrem ainda preparada para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, particularmente, se destine”. (DURKHEIM 1978 p. 41)

De acordo com o conceito defendido por DURKHEIM a educação consiste como um meio de socialização as novas gerações, por isso que para ele considera como um fato social, pois ela não é feita individualmente, como os filósofos imaginavam, mas é o coletivo faz essa formação para as novas gerações.

Segundo DEMO (1996) a educação não é somente uma ação de treinar o estudante, a exercer uma atividade, mas defende a idéia que o educando vai construindo a sua autonomia por meio da pesquisa

 “Educação não é só ensinar, instruir, treinar, domesticar, é, sobretudo formar a autonomia do sujeito histórico competente, uma vez que, o educando não é o objetivo de ensino, mas sim sujeito do processo, parceiro de trabalho, trabalho este entre individualidade e solidariedade”. (DEMO 1996 p 16)

             Outro educador FREIRE (1996) diz que educação não deve ser uma mera transmissão de conhecimento, mas criar uma possibilidade do educando construir o seu próprio conhecimento baseado com o conhecimento que ele trás de seu dia-a-dia familiar.

“As condições ou reflexões até agora feitas vêm sendo desdobramento de um primeiro saber inicialmente apontado como necessário a formação docente, numa perspectiva progressista. Saber ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. (FREIRE 1996 p 47)

Após a discussão sobre a educação pode se perceber que os vários autores que trataram sobre esse conceito, como de suma importância para a transformação da realidade, e dependendo do ponto de vista, vai se trilhando um caminho para o aperfeiçoamento do ser humano, e como este pode conviver melhor com o outro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARISTÓTELES. A Política. São Paulo, Martin Claret .2004.

DEMO, Pedro. Educar pela Pesquisa. Campinas/SP, Ed. Autores Associados, 1996.

DURKHEIM, Émilie. Educação e Sociologia. 1958-1917. São Paulo: Melhoramento [Rio de Janeiro] Fundação Nacional de Material Escolar, 1978.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34°ed. São Paulo. Ed. Paz e Terra, 1996.

MONTESQUIEU. O Espírito das Leis. São Paulo Martin Claret, 2004.

SOARES, Antonio Jorge. Dialética, Educação e Política: Uma releitura de Platão. 2°ed. São Paulo Editora Cortez 2002. 

PLATÃO. A República. São Paulo Martin Claret 2003.

 

Perfil do Autor

Vicente Vagner Cruz

Sou Licenciado e Bacharel do Curso de Ciências Socias pela Universidade Federal do Pará. (UFPA)