DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM

26/02/2008 • Por • 32,883 Acessos

Dificuldade na leitura e/ou na escrita, com trocas de fonemas, inversões de fonemas e/ou sílabas, junções de palavras, omissões de sílabas ou palavras.
As causas são variadas. Entretanto os elementos constantes são sempre em relação a falhas de percepção visual e auditiva, além do conhecimento da língua.
A habilidade visual ou inteligência visual vai desde a inabilidade do bebê normal de ver bem ao nascer; da criança média ler aos 6 - 7 anos; até a habilidade superior do adulto que lê extremamente bem, em velocidade acelerada, ou dos pintores e escultores.
No tratamento da criança com falhas de percepção visual e/ou trocas de fonemas com semelhanças visuais (ex.: p x d) ou na memorização da forma visual da palavra (ex.: casa X caza). O treino deve voltar-se principalmente para a estimulação da percepção visual (que compreende discriminação visual, posição no espaço, figura e fundo, coordenação viso-motora e memória visual) e a seguir o conhecimento da língua (semântico e gramatical).
A habilidade ou inteligência auditiva parte da inabilidade do bebê de ouvir de maneira compreensível quando nasce e evolui até os 6 anos quando compreende uma conversa, transcreve a palavra falada (a voz interna que nos "dita" a palavra "pa-ra-béns" quando queremos escrevê-la), à extrema habilidade ou genialidade do adulto que ouve e compreende acima da média; aos grandes músicos e compositores.
No tratamento de crianças e adultos com falhas de percepção auditiva, com trocas de fonemas auditivamente parecidos (ex.: t x d; f x v; c x g) ou na memorização da seqüência auditiva da palavra
( ex.: preda em vez de pedra), o treino deve voltar-se para a percepção auditiva que compreende discriminação e memórias auditivas.

A aprendizagem depende basicamente da motivação. Muitas vezes o que se chama de dificuldade de aprendizagem é basicamente "dificuldade de ensino". É sabido que cada indivíduo aprende de uma forma diferente, conforme seu canal perceptivo preferencial. Quando o que lhe é ensinado não o motiva suficientemente, ou lhe chega de forma diferente de seu canal preferencial (de acordo com o canal preferencial de quem lhe ensina), então a compreensão ou o aprendizado não se completa.
A massificação do ensino tem contribuído muito ao aparecimento e aumento dos "distúrbios de aprendizagem".
Quando a aprendizagem não se desenvolve conforme o esperado para a criança, para os pais e para a escola ocorre a "dificuldade de aprendizagem". E antes que a "bola de neve" se desenvolva é necessário a identificação do problema, esforço, compreensão, colaboração e flexibilização de todas as partes envolvidas no processo: criança, pais, professores e orientadores.
O que se vê normalmente é a criança desestimulada, achando-se "burra", sofrendo, os pais sofrendo, pressionando a criança e a escola, pulando de escola em escola, e esta pressionando a criança e os pais, todos insatisfeitos.
É necessário o reconhecimento do problema por um profissional adequado, com treino específico da dificuldade a fim de que a criança supere suas dificuldades, com esforço, colaboração da família e da escola em conjunto acompanhando as etapas de evolução da criança.

Perfil do Autor

Cláudia Pietrobon

Fonoaudióloga graduada pela UNIFEV (Centro Universitário de Votuporanga - SP), Especialista em Linguagem. Especializanda em Psicopedagogia. Aperfeiçoamento em Distúrbios de Aprendizagem. Pós-graduada em Dislexia e TDAH. Atua nas áreas de prevenção e reabilitação nas questões relacionadas à Linguagem oral e escrita, voz, fala e motricidade oral. Realiza assessória Fonoaudiológica em empresas e atendimento clínico, domiciliar e hospitalar.