É Doce, Mas Não É Mole Não

11/03/2009 • Por • 1,048 Acessos

É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO.

 

 

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Marcos Neotti
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Licenciatura/ História (HID 0771) - História do Brasil Colonial
03/03/09

 

RESUMO

Existem várias causas que levaram Portugal a colonizar o Brasil, dentre elas, a busca de novas fontes de renda foi a maior, ainda que manter a Colônia fosse uma prioridade. A baixa lucratividade na extração do pau-brasil e os altos custos das expedições às Índias, não estavam mais suprindo o luxo e as ostentações de uma corte extravagante. O aparente fracasso das capitanias hereditárias, onde tinham a pretensão assegurar suas fronteiras e colonizar a Colônia sem custos à Coroa, fizeram D. João III rever esta política e investir na gigantesca colônia do Brasil. O Rei confiaria à Martim Afonso de Sousa a manutenção de sua Colônia, para livrá-la das invasões e ao plantio da cana-de-açúcar para manter o esplendor de sua Corte. Em virtude da vigilância precária, aconteceram várias invasões na costa brasileira, apesar da retomada territorial, estas invasões sempre causavam prejuízos a Coroa Portuguesa, mas nenhuma invasão foi mais duradoura e prejudicial quanto a Holandesa na costa nordestina. Os holandeses também foram expulsos, mas levaram consigo mudas de Cana-de-açúcar, que era a maior fonte de renda da Colônia, essas mudas quase arruinaram os sonhos portugueses e marcaram para sempre a História do nosso Brasil.

Palavras-chave: Colônia; Cana-de-açúcar; Progresso.

 1 INTRODUÇÃO

 Com o alto lucro obtido com as colônias africanas e o comércio com as Índias, Portugal não tinha interesse em colonizar sua gigantesca colônia na América. Até 1530, o único interesse da Coroa era a extração do pau-brasil e expedições de reconhecimento litorâneo.

 O excesso de ofertas das especiarias fez o preço cair, além disso, o custo das expedições e escoltas para livrá-las de piratas e corsários, aumentavam ainda mais as despesas, de uma corte que não poupava dinheiro em luxos e desperdícios.

 Com o intuito de proteger e explorar o Brasil, D. João III resolveu povoa-lo. O expedicionário Martin Afonso de Sousa partiu de Portugal com a missão de fundar vilas e iniciar o plantio da cana-de-açúcar, cultura muito conhecida dos portugueses e praticada em outras colônias.

 Chegando ao Brasil, fundou a vila de São Vicente, litoral da região na baixada santista do atual Estado de São Paulo. Diferentemente das usuais feitorias, a vila era composta de uma população permanente que possuía sede administrativa, praça central, cadeia, pelourinho e igreja. A Igreja sempre esteve presente na colonização brasileira e exercendo grande influência. Observe o quão importante era para a vila a construção de uma Igreja.

 Trinta e quatro anos após a sua fundação (da vila de São Paulo), acharam os paulistas que já era tempo de possuírem a sua igreja matriz. E é assim que, a 6 de junho de 1588, se reúne o povo na Câmara da Vila, ficando resolvido que ‘era bom que na dita vila houvesse igreja matriz e vigário'. E mais: que a matriz ‘será erguida entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes' que são eleitos a seguir para angariar os recursos necessários. (BELMONTE, Apud RODRIGUE, p.191).

Martim Afonso de Sousa foi o primeiro proprietário de engenho de açúcar no Brasil, e pouco tempo depois o Brasil alcançaria o número de 235 engenhos, sendo que a maioria deles ficava no nordeste. Mas foi a partir da invasão holandesa que a colônia brasileira atinge seu ápice na produção de açúcar. Onde as técnicas de refinos holandesas se tornariam tão importante quanto à mão de obra escrava.

O aparente progresso atingindo com a monocultura açucareira, a Coroa nunca desistiu do seu El Dourado. Apesar do fracasso das duas expedições enviadas pelo rei para encontrar ouro e pedras preciosas, o sonho de encontrar metais preciosos em terras brasileiras nunca foi deixado de lado.

 

2  A EsTRUTURA CANAVIEIRA

A sociedade açucareira era dividida em duas classes sociais, formada pelos senhores de engenho e sua família e a formada por dependentes, agregados e escravos.

 A estrutura física dos engenhos era formada por várias benfeitorias desde capela até cemitério. O custo das instalações de todas estas benfeitorias e construção da casa-grande, senzala, as máquinas e instalações em que o açúcar e a aguardente eram fabricados e condicionados, bem como outros equipamentos como moenda, vasilhas de cobre e as fornalhas, era de responsabilidade do colono.

Também era necessário adquirir animais de tração para transportar a cana da roça até o engenho, além dos escravos, era imprescindível a contratação de assalariados e técnicos especializados como o mestre-de-açúcar e feitor-mor.

 Diante de toda esta estrutura poucos possuíam capital para montar um engenho. A maioria dos colonos ocupava-se apenas do plantio da cana, dependendo de outros para moela e beneficia-la.

3 O APOGEU DO AÇUCAR

            Entre 1550 e 1650, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de açúcar. Apesar dos holandeses ficarem com a maior parte do lucro, pois eram eles que refinavam o açúcar brasileiro e revendiam, o sucesso com a comercialização da cana-de-açúcar, estimulou outras culturas brasileiras, como por exemplo, a pecuária.

            A economia açucareira contribuiu de certa forma, para a interiorização do Brasil, pois precisavam aumentar mais as áreas de plantio e consequentemente as fazendas de gados tinham que adentrar ainda mais os sertões coloniais.

             Em virtude do aumento da produção, a lavoura canavieira estimulou ainda um outro comércio, o tráfico de escravos, sendo considerado por muitos historiadores um mal necessário para o Brasil colonial.

Com a interatividade desta nova sociedade e a população indígena, resultou o estimulo à agricultura de subsistência e a produção do fumo, que ao ser levado para a Europa se tornou moeda de troca na aquisição de escravos.

 Mesmo depois da queda de produção canavieira, o açúcar ainda continuou sendo o principal produto de exportação brasileira durante o período áureo da Colônia.

 4 O CORAÇÃO DO ENGENHO

 Muitos podem pensar obviamente que o coração do engenho é o engenheiro, ou seja, a casa grande. Outros ainda dirão que o coração do engenho é a plantação, onde se colhe a cana. No entanto não teríamos engenheiro, se não tivéssemos a plantação, da mesma forma não haveria plantação, se não tivéssemos a mão de obra escrava. 

 Em 1434, o navegador português Gil Eanes adicionou ao seu feito histórico de ultrapassar o Cabo Bojador, o primeiro transporte de um comércio muito lucrativo, o tráfico de escravos. Com seu navio abarrotado de negros, capturados por tribos rivais na costa da África, Gil Eanes inicia um comércio que duraria quase quatrocentos anos no Brasil.

 No primeiro momento os engenhos brasileiros usavam a mão de obra escrava dos indígenas, o que não deu muito certo devido a sua cultura e forma de vida. Os escravos vindos da África, já eram utilizados nas plantações de cana-de-açúcar em outras colônias portuguesas como as Ilhas Açores e Madeira.

Segundo, Joelza Ester Rodrigue, nos engenhos brasileiros a jornada de trabalho diário durava de 14 a 17 horas, sob a vigilância dos feitores, que eram autorizados a castigar com os mais diversos castigos os "preguiçosos". Os castigos geralmente eram aplicados em público para intimidar os demais.

 "No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários três PPP, a saber, pau, pão e pano. Quisera Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer causa pouco provada e levantada, com instrumentos de muito rigor. Alguns senhores fazem mais caso e cavalo que de meia dúzia de escravos, pois o cavalo é servido, e tem quem lhe busque capim, têm pano para o suor, sela e freio dourado" (ANTONIL, Apud RODRIGUE, p.211).

 5 O BRASIL HOLANDÊS  SOB A COROA ESPANHOLA

Com a União Ibérica, Portugal ficou sob domínio da Coroa espanhola regida por Dom Henrique I. Isto fez com que os acordos comerciais que Portugal mantinha com outros paises fossem revogados, principalmente os acordos com a Holanda, que reciprocamente não tinham negócios e tão poucos desejavam ter.

 Diante disto restou aos holandeses à invasão. Após uma tentativa frustrada, em 1630 a frota holandesa ataca Olinda e Recife. Apesar das resistências internas, o domínio holandês se consolidou e ainda anexaram outros territórios litorâneos.

 Sob o Governo de Mauricio de Nassau, esta região alcançou grande progresso. Este governante ganhou a confiança dos Senhores de engenho, emprestando-os dinheiro para refazer suas lavouras, que haviam sido destruídas durante as resistências à Invasão. Nassau reduziu impostos, aumentou a produção canavieira e introduziu novas tecnologias como irrigação e adubação do solo.

 Em 1640 Portugal, reassume e coroa e Don João IV encontra um país em sérias dificuldades, depredado pela má administração espanhola. Quatro anos após Mauricio de Nassau entrou em atrito com seus superiores e retorna à Holanda. Sem a política conciliatória de Nassau a população formada por escravos, índios e colonos se reúnem e conseguem expulsar os holandeses derrotando-os na batalha de Guararapes.

 A Holanda partiu do Brasil, mas levou consigo mudas de cana-de-açúcar e formaram outras lavouras nas Antilhas, colônias holandesas na América Central. Começou produzir açúcar e vender "a  preço" muito mais baixo, fazendo a produção brasileira entrar em colapso e declínio.

 

 5 CONCLUSÃO

 Mesmo com a queda na produção, a colônia continuou produzindo cana-de-açúcar e quando os olhos da coroa se voltaram para outra região, onde a incansável busca pelo ouro foi recompensada ao encontrar a maior reserva de metais preciosos do mundo, a cana-de-açúcar continuou sendo uma importante fonte de renda.

Atualmente o Brasil é o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo. Além do açúcar, também são produzidos da cana outros produtos, onde destacamos: O álcool, combustível e o bio-diesel.

Oficialmente não temos mais trabalho escravo nos canaviais, mas os denominados "Bóias Frias", que são os poucos trabalhadores que restaram devido à inserção de novas tecnologias no corte e manejo da cana, ainda sofrem com problemas devido aos baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Muitos brasileiros e brasileiros, independentemente da cor, etnia ou credo, deram suas vidas em campos e lavouras deste Brasil quinhentos anos e quantos ainda darão, pois a cada dia nossa História escreve uma página!

 A homenagem aos que ainda farão parte desta linda História, deixaremos aos historiadores do futuro. Para os que construíram o nosso Brasil Colônia, resta-nos dizer, muito obrigado por terem desde o inicio acreditado e sonhado com uma terra melhor e mais segura para nossa geração.

 Este grande mosaico étnico formado de várias cores e muitos amores, produziu Caramuru, Castro Alves, Zumbi, Rui Barbosa, Antônio Conselheiro, Lampião, Pixinguinha, Luis Gonzaga, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Chica da Silva, Chico Mendes, Chico Buarque de Hollanda, Chico Anísio e outros Chicos, Josés , Marias, Clarisses, Betinhos e Luizes, como Luiz Inácio "Lula" da Silva,  pessoas que fizeram e fazem a cada dia a História do nosso Brasil.

 

 6 REFERÊNCIAS

 ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil, 1711. Belo Horizonte: Edusp. 1982 p.91.

BELMONTE. No Tempo dos Bandeirantes. São Paulo: Melhoramentos, 1948, p.75.

 SOUZA, Evandro André; SAYÃO Thiago Juliano. História do Brasil Colonial. Indaial: ASSELVI, 2007.

 RODRIGUE, Joelza Ester. A História em Documento. 6ª Série. São Paulo. Ftd, 2006, p.191,211.

 

Perfil do Autor

Edevânio Francisconi Arceno

Acadêmico de História UNIASSELVI; e Policial Militar.Catarinense, Casado Com Viviani e Pai de Giovanni e Fernanda.Um Garuvense Feliz e...