Educação Física Escolar em Escolas Publica

17/01/2011 • Por • 4,603 Acessos

                                          Educação Física Escolar em Escolas Publica

 

                                                                                                       Joaquim Rangel Lucio da Penha ¹

  

RESUMO

Esse trabalho teve por objetivo observar, planejar e regênciar aulas de Educação Física durante um ano, proporcionando aos acadêmicos de Educação Física, uma visão das escolas da Rede de ensino pública, avaliando algumas das dificuldades enfrentadas pelos professores e servindo como ponte para reduzir o distanciamento existente entre a instituição que prepara os profissionais e a realidade concreta de seu campo de atuação nas escolas públicas.Durante quatro meses de estagio usando materiais e métodos adequados para ministrar aulas de Educação Física obtive resultados satisfatório, desde a aprendizagem dos movimentos até os limites em que podem ser praticados. A importância do movimento do corpo, fará que  aluno descubra seus limites e diferentes modos de executar seus movimentos físicos, desenvolver a criatividade, produção cultural, dando oportunidades ao aluno criar e recriar as atividades corporais produzidas pelos seres humanos ao longo da sua história cultural, deixando que eles tenham total liberdade de expressão de seus sentimentos.

Palavras-chave: Dificuldades. Aprendizagem. Criatividade.

 

INTRODUÇAO

               Considerando a experiência alcançada através da Educação Física nas escolas publicas dos municípios de Altaneira – CE e Farias Brito – CE, a Educação Física escolar pode sistematizar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos alunos o acesso ao conhecimento pratico e teórico.Para isso é necessário mudar a ênfase na aptidão física e no rendimento padronizado que caracterize a educação física, para umas concepções mais abrangentes, que contemple todas as dimensões envolvidas em cada pratica corporal. .Dessa maneira, a educação física, ministrada na escola, começa a ser vista como importante instrumento de aprimoramento físico dos indivíduos que se fortalecem pelo exercício físico, que em si gera saúde corporal e mental.

                 A escola é um meio social de inter-relações, ambiente no qual a criança permanece durante parte do seu dia, nas suas horas de maior apreensão em seus melhores anos de vida, a realização de atividade prazerosa vão solidificar suas estruturas. A cooperação que é relacionada com a solidariedade e organização conseguem estabelecer relações humanas, saudáveis ao crescimento e desenvolvimento da criança. A Educação Física  desenvolve um espírito construtivo entre os alunos e desperta a sua imaginação, tendo seus fins e meios. O espaço e o tempo são agentes a definir suas características. A Educação Física ser aplicado na escola com fins pedagógicos, auxiliando no processo educacional de todos os alunos. Os jogos cooperativos permitem favorecem o desenvolvimento cognitivo (atenção, memória, raciocínio e criatividade); afetivo-social (relações humanas) e o desenvolvimento motor (aspectos biológicos e a aprendizagem de atividades básicas e específicas). Em relação ao referencial trabalhado fica a impressão de que os objetivos variam conforme o período de escolarização.

               Ao ingressar na escola, as crianças já tem uma serie de conhecimentos sobre movimento, corpo e cultura corporal, frutos de experiência pessoal, das vivencias dentro do grupo social em que estão inseridas e das informações veiculadas pelos meios de comunicação. É tarefa da Educação Física escolar, portanto, garantir o acesso dos alunos as praticas e oferecer um melhor conhecimento sobre o corpo, seu processo de crescimento e desenvolvimento e ao mesmo tempo o cultivo de bons hábitos de alimentação, higiene pessoal. E assim adotar atitudes de respeito mutúo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas, buscando solucionar os conflitos de formação não-violenta.

              Poderia haver uma mudança na prática pedagógica do professor de Educação Física. número excessivo de alunos por aula, é citado pela diretora como uma dificuldade enfrentada pelo professor em ministrar uma boa aula. O professor de Educação Física diz serem necessário várias mudanças, como a revalidação da Educação Física como prática desportiva, um professor exclusivo para o treinamento esportivo; aumento no número de aulas semanais, acréscimo aos conteúdos das aulas de noções de fisiologia, higiene e fundamentações teóricas, com uma integração interdisciplinar, que reforçasse a importância da Educação Física para a saúde e para a socialização, e que todos motivassem os alunos a fazerem as aulas. Esses deveriam ver a Educação Física como uma disciplina a ser feita por prazer e gosto, e que não reforçassem a freqüência como forma de reprovação.

             O objetivo desse trabalho, foi observar a metodologia de ensino e  avaliação das aulas de Educação  Física , o relacionamento professor-aluno, ambiente escolar e o comportamento e o desempenho dos alunos nas aulas, planejar aulas relacionadas ao esporte e jogos de acordo com o plano anual de curso e transmitir um novo conhecimento estimulando atividade criativa dos aluno. Os alunos tem que ser estimulados ao máximo em sua capacidade de criação e por isso as aulas de Educação Física na escola devem basear-se no atendimento aos diversos aspectos naturais da vida ao ar livre e na liberdade de movimentos. Assim o  professor pode oferecer uma aula através de atividades rítmicas na qual peça a seus alunos para se movimentarem livremente de acordo com o som que estão ouvindo, ao invés de determinar quais movimentos cada aluno deve fazer a uma ordem sua, fazendo com que o aluno desperte a sua capacidade criativa.

  

AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

 

              Segundo Hoffmann (1993) considera que a avaliação do rendimento escolar deve ir além da simples medida, promoção e classificação do aluno, para ser entendida como uma busca de qualidade do ser no seu máximo de potencialidade sem padronizações prévias.

              Para Luckesi (1995), avaliar o rendimento escolar implica, além da coleta, análise e síntese sobre o objeto avaliado, a qualificação destes dados para posterior tomada de decisão.

             Já  Perrenoud (1999) considera que a avaliação constitui um instrumento de análise do processo educativo, dos erros e dos acertos, objetivando subsidiar a "regulação das aprendizagens", isto é, o redirecionamento no sentido de suplantar as dificuldades educacionais.

             Para Demo (1996), a avaliação escolar tem o compromisso de manter vivo o processo de reconstrução permanente da qualidade, havendo, portanto uma coincidência entre o diagnóstico permanente da realidade, e a forma de intervir nela num sentido reconstrutivo. Significa pois competência histórica para conjugar qualidade formal (aquisição de conhecimento) e política (uso deste conhecimento).

            De acordo Fensterseifer (1997) analisa que o processo de avaliação também é uma ação eminentemente social, não sendo apenas uma atividade de um sujeito isolado nem mera atividade técnica, mais que isso, é um produto social de um certo tipo de sociedade que mantém profundas contradições em seu arcabouço, produzindo desigualdades sociais entre os seres humanos, tentando convencer que esta diversidade social é um fato natural.

            

O CLIMA MOTIVACIONAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

 

              Para Bzuneck o ambiente psicológico das aulas exerce uma forte influência na formação das metas e o professor pode ser considerado o mais poderoso agente desse processo, por meio de determinadas práticas de ensino. As diversas ações pedagógicas (pistas, orientações, gestos e verbalizações) formam um currículo oculto com efeitos na determinação da meta tarefa ou ego envolvimento.

             Segundo Martinez (1996)  a escola dá uma ênfase grande à transmissão de conhecimentos e ao desenvolvimento de habilidades e, por vezes, ao invés de contribuir para desenvolver recursos subjetivos favoráveis, estimula a insegurança, o temor ao erro, a desvalorização e desmotivação. A autodeterminação como capacidade do sujeito para determinar suas ações, reflexões e convicções, apesar dos estímulos externos, é um importante elemento de saúde psicológica.

             De acordo com Papaioannou (1998) à disciplina nas aulas um clima de envolvimento tarefa propicia o entendimento, o estabelecimento de regras que facilitarão a organização, a cooperação, o senso de responsabilidade, a atenção e concentração na execução das atividades e enfim, favorecerá o processo ensino-aprendizagem. Por outro lado, um clima de ego envolvimento com a sustentação da disciplina por imposição de regras e normas, que por vezes causam humilhações aos alunos, não contribui efetivamente para a formação de valores democráticos e pautados na cidadania, bem como é de pouca eficácia na questão disciplinar.

               Segundo Feijó (1998) o primeiro objetivo existencial da educação é estimular o educando a se envolver em um processo de autodescoberta. A atividade consciente, bem orientada irá colaborar na autocompreensão, autoconsciência, auto-expressão, auto-aceitação e finalmente no processo de auto-realização do aluno. "Rivalidade, inveja, insegurança, ambições irrealistas, medos, falta de visão do conjunto, incompetência, mau profissionalismo – esta é uma lista introdutória de problemas humanos, que repercutem na saúde física e mental do aluno de Educação Física e do atleta competititivo".(p.57)

 

 METODOLOGIA UTILIZADA NAS AULAS

 

 

Material utilizado nas aulas de futsal

 

 -  1 apito Fox 40

 -  3 bolas de futsal

 -  1 quadra

 -  8 cones tamanhos médio

 -  6 pares de coletes

 - 1 caneta

 - 1 prancheta

 - 1 lista de freqüência

 

Material utilizado nas aulas de handebol

 

-  1 apito Fox 40

-  5 bolas de handebol

-  1 quadra

-  8 cones

-  6 pares de coletes, azul e vermelho

-  10 cordas

-   1 caneta

-   1 prancheta

-   1 lista de freqüência

 

MÉTODOS

 

Método utilizado nas aulas de futsal

 

Alongamento (5 min)

Aquecimento (10min)

Atividade desportiva (100min)

 Volta à calma (5 min)

  

FLUXOGRAMA DAS AULAS DE FUTSAL

 

              As aulas se iniciam com alongamento da musculatura, adutores e extensores do ombro, e para os músculos que realizam a flexão do tronco. Exercícios para extensores abdutores do quadril, extensores do tronco e flexores da perna.

             Aquecimento com corrida e movimentos variados em volta e dentro da quadra.

            O desenvolvimento das aulas consiste em ensinar as técnicas praticas do futsal, como o passe, drible, chute, cabeceio, marcação, posse de bola, domínio, visão de jogo e próprio jogo de futsal.

             A volta a calma com caminhada em silencio sobre a linha da quadra, com explanação sobre a aula.

  

MÉTODO UTILIZADO NAS AULAS DE HANDEBOL

 

Alongamento (5 min)

 Aquecimento (10min)

Atividade desportiva(30min)

 Volta à calma (5min)

 

FLUXOGRAMA DAS AULAS DE HANDEBOL

 

             Alongamento de todos os grupos musculares exigidos nas atividades.

             Aquecimento com brincadeiras lúdicas, e movimentação por toda a quadra.

              Desenvolvimento com os fundamentos do handebol como: O drible, finta, progressão, passe, arremessos, defesa, recepção e ataques

             Volta a calma com caminhadas e comentários sobre as regras do handebol.

 

 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

                 Perante a análise e discussão dos objetivos da educação física escolar, pode se observar alunos desmotivados que não querem participar das aulas, alunos indisciplinados que se ocupam com outras atividades, procurando chamar a atenção do grupo; crianças que a todo tempo ficam pedindo bola  "queremos sempre jogar bola durante as aulas".                                                                                                                      

                 Nestas experiências, quando as atividades foram direcionadas para o lúdico, percebeu-se que as crianças demonstraram maior envolvimento, criatividade e até mesmo deram sugestões de jogos ao término das aulas, inclusive demonstrando não querer parar com as atividades. Assim os jogos foram fazendo parte do planejamento para enriquecer as aulas de educação física. Em relação a alguns alunos indisciplinados, que antes ficavam mais distante do grupo, também procurava participar das aulas.             

               Juntamente com a inserção dos jogos no dia a dia, os professores de sala de aula (pedagogos) declararam que após as aulas de educação física, o rendimento com os alunos são melhores, principalmente nas atividades que requer concentração. Esses fatos foram relevantes para a busca de conhecimentos necessários à compreensão da função do jogo no processo educacional.Que são discutidos durante o planejamento, onde se elabora o plano anual de curso que é dividido por bimestre (etapas), sendo que cada etapa será subdividida em aula a aula, com indicação de objetivos, execução e recursos de um esporte com suas maneiras de jogar e suas regras.

               O educador física no desenvolvimento de suas práticas demonstra ter um papel significativo na formação integral dos participantes do processo educacional com uma contribuição significativa na transmissão e produção do conhecimento sobre as muitas manifestações da cultura do movimento, sobre as diversas possibilidades de práticas físicas. Contudo entendemos que nosso papel pode ser altamente significativo como prática social. Entretanto, temos que mostrar nossas práticas e reavaliar nossas propostas pedagógicas a fim de rumarmos na construção de um novo tempo para a Educação Física onde se reconheça sua prática educativa como fundamental na formação do ser humano, onde ela ocupe seu espaço na sociedade como integrante desta estrutura social e que trabalhe nas transformações da mesma entendendo-a como possível de tais atitudes e, por fim, que seus profissionais tornem-se capazes de transcender o entendimento da prática pela prática.

 

CONCLUSÃO

 

              A presente pesquisa permite-nos concluir que realmente existe uma necessidade de se alterar a maneira pela qual as aulas de Educação Física  é exercida atualmente e, que, é possível promover esta alteração pedagógica de modo a se tirar um maior proveito do processo ensino, sendo que para isto podemos adapta a Educação Física a  uma realidade que não exerça sobre os alunos uma pressão constante na busca de resultados. Desta forma podemos sugerir a realização de uma metodologia que estimule o aluno em todas as tarefas.

              Cabe agora a nós educadores físicos, estudarmos e conhecermos o que cada aluno pode potencialmente realizar e em quais condições pode apresentar um nível de desenvolvimento que lhe permita realizar determinados movimentos ordenados pelo professor, para que assim possamos contribuir, dentro da educação física escolar, com o avanço do processo de desenvolvimento motor o qual ocorre em todos nós, seres humanos.

 

         NOTA

         ¹ Graduado em Educação Física e Especialista em Educação Física Escolar.

 

REFERENCIAS

 

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Perfil do Autor

Joaquim Rangel Lucio da Penha

Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual Vale do Acarau e Especialista em Educação Física Escolar pelas Faculdades Integradas...