Educação Na Contemporaneidade: Uma Educação Aprendente Para Uma Organização Aprendente

28/09/2009 • Por • 4,603 Acessos

Introdução

Todos os pais sonham em oferecer uma educação de qualidade a seus filhos e a sociedade e esperam também que seus filhos possam fazer parte de uma boa organização empresarial, com um bom salário e um ótimo emprego. Para que este sonho vire realidade, nós educadores necessitamos desenvolver a criticidade de nossos alunos, mostrando seus direitos e deveres enquanto cidadãos e necessitamos educá-los para a vida, mostrando uma ampla ressonância e inspiração na atitude aprendente. O objetivo desta comunicação é analisar se a postura que as escolas e professores (educadores) têm utilizado ajudará os alunos a serem pessoas críticas e com o lado poesis bem desenvolvido ou se estão sendo mais conteudistas a ponto de ignorar a humanização de seus alunos?

Sabemos que um bom professor é um referencial para seus alunos, isto é, mesmo a escola não trabalhando em seu currículo o seu desenvolvimento como ser crítico e emancipado, fazendo deste parte de uma massa de manobra, objeto de manipulação, nós professores poderemos ter uma autonomia, a ponto de escolher para nossos alunos os conteúdos que efetivamente promovam neles atitudes, reflexões e manifestações objetivadas, fazendo-os fugir da alienação que segundo Aranha (1996, p. 235) é a “perda da individualidade; perda da consciência crítica”, o que vai contra os princípios de uma escola onde prevalece uma ecologia cognitiva.

Demo (2000, p. 17) nos alerta quanto a “instituições educacionais que dão diplomas mas não cultivam o saber pensar”, e nós educadores, precisamos nos preocupar em ensinar o aluno a isso, a tirar suas próprias conclusões, a ser emancipativo, a contextualizar suas respostas e a ser participativo no processo educacional.

Para termos alunos críticos, será necessário desenvolvermos nele o entendimento de cidadania. É preciso que ele entenda o que é ser cidadão e como se tornar um cidadão. Para Silva (2001) cidadania é o reconhecimento de sujeitos que são diferentes e que possuem diferenças, mas são portadores do direito de ter direitos. É desnaturalizar as desigualdades sociais revelando que elas são fruto de dominação de uma classe, e temos a obrigação de fazer com que nossos alunos façam valer sua condição de cidadão, o que vai de encontro as palavras de Delors (2001, p. 67) onde ele nos fala que“ é na escola que deve começar a educação para uma cidadania consciente e ativa”.

Segundo Tomazi (1997, p. 131) “cidadania é ter direitos, é o direito de ter uma educação para saber quais são os nossos direitos e como exercitá-los”, e cidadania também significa “ter deveres, como: respeitar o direito dos outros, respeitar o que é público, e também respeitar as leis e as normas que regem nossa sociedade.”

O fato dos direitos estarem inscritos na constituição de um país ou explícito em leis que regulamentam nossa vida não configura a existência dos direitos na prática cotidiana dos cidadãos. É o exercício dos direitos que lhes dá existência , permanência e solidez. Os nosso direitos e deveres só existem enquanto são vivenciados. É o exercício da cidadania que a torna viva e presente. (TOMAZI, 1999, p. 140)

 

Conforme nos mostra Aranha (1996, p. 50), a educação é um “fator importantíssimo para a humanização e a socialização”. O educador tem a função de levar o aluno para o novo, e não ficar na educação de palavras de ordem e não criação do pensamento. Tem que fazer do aluno um ser questionador, e também o próprio professor tem que ser questionador, tem que se perguntar se o que está ensinando é realmente importante para o aluno, ou se está sendo mais um conteudista e fazendo uso do ensino bancário. Segundo Freire (1996, p. 27) o ensino “bancário deforma a necessária criatividade do educando e do educador”, e nós professores precisamos ir contra tal ensino, levando os alunos a autonomia e não a heteronomia.

O professor tem uma função em sala de aula, sua função

Todavia, não é dar aula, mas garantir a aprendizagem do aluno, formulando, ao mesmo tempo, a necessidade de aprendizagem escolar aqui e agora, e sobretudo a aprendizagem para a vida, permanentemente. (DEMO 2000, p. 90)

A aprendizagem é essencial para nos tornarmos cidadãos. Segundo Demo (2000, p. 89) “aprender vai se tornando direito humano fundamental, quase no mesmo nível que o direito à vida”.

o homem é e será um ser criador e ativo que comunica e vive em comunidade, que aprende, que pensa e que sente a exigência ética. Esses caracteres específicos se traduzem em necessidades – de superação, de movimento e de ação, de desenvolvimento intelectual, de contato com os outros e de auto-afirmação na criação – para cuja satisfação a educação tem o dever de contribuir. Ela escapa assim, a normalização, atribuindo-se como fim o sujeito ético, a pessoa humana. (HADJI 2000, p. 109)

 

A educação terá a função, conforme Delors (2001, p. 48) “procurar tornar o indivíduo mais consciente de suas raízes, a fim de dispor de referências que lhe permitam situar-se no mundo, e deve ensinar-lhe o respeito pelas outras culturas”.

Para buscarmos uma educação aprendente, nós professores teremos que estar preparados para aprender. Isso significa que precisamos nos adaptar sobretudo para transformar a realidade, para nela intervir, recriando a fala da nossa educabilidade a um nível distinto do nível do adestramento.

Segundo Freire (1996, p. 32), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” e é nisso que nós professores temos errado, nós não fazemos o aluno pensar, pois para isso, é preciso saber pensar. De acordo com Demo (2000, p. 17) “saber pensar não é só pensar. É também, e sobretudo, saber intervir. Teoria e prática, e vice-versa”. O conhecimento é questionado, é subjetivo e construído pelo próprio indivíduo.

O professor tem esta tarefa fina e subilina de mostrar que a crítica é necessária para aprender com autonomia, mas que a aprendizagem deve também incluir a convivência comum com o bem maior. Pois mais decisivo que inovar, e humanizar a inovação. (DEMO 2000, p. 53),

 

Para Hadji (2001, p. 155) a “qualidade do professor se mede pela quantidade de trabalho ao qual ele conduz seus alunos. O que conta é saber fazer com que estes trabalhem (neodiretividade emancipadora)”.

Quando um aluno se encontra inserido em uma educação aprendente, ele foge a cidadania tutelada e assistida, tão alertada por Demo (2000), onde a primeira faz dos alunos pessoas submissas e ignorantes e a segunda, faz os alunos aceitarem apenas a assistência necessária e tem como ideal viver sem assistência. Através de uma educação aprendente, o aluno conquistará uma cidadania emancipada, aquela que o fará saber o que querer, por que querer e como querer, o fará crítico, ativo e humanizado.

Se seguirmos os princípios de uma educação aprendente, faremos nossos alunos conquistarem uma cidadania. Fazendo com que os mesmos transformem a sociedade onde nos encontramos, sem que haja a alienação[1] dos nossos alunos e abrindo mão do behaviorismo.

 

Metodologia

A pesquisa será desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica, a partir dos autores utilizados como refencial teórico.

 

Considerações

Através do instrucionismo, o aluno é condenado a um processo flagrante de domesticação subalterna. Não existirá mais vaga em uma organização para pessoas que não sabem pensar. Nos encontramos hoje na era do conhecimento, e um profissional que não teve uma boa formação, não conseguirá desenvolver em tempo hábil seu lado cognitivo para se adaptar as mudanças impostas pelo mercado altamente competitivo. Segundo Nonaka (1997, p. 27) “numa economia onde a única certeza é a incerteza, a única fonte garantida de vantagem competitiva duradoura é o conhecimento”, e será um profissional preparado em uma escola aprendente que terá maior chance de sucesso, pois este profissional será um profissional criativo, questionador, humanizado e com um forte poder de adaptação, pois sua escola o preparou para a educação da vida, instaurando nele uma a relação dialógica, mostrando que a troca é mais produtiva que a imposição.

Conforme Imbernón (2000), precisamos nos tornar agentes de transformação e não de transmissão, evitando a tão citada fala de Paulo Freire apud Aranha (2000, p. 207) quando fala sobre dois tipos de pedagogia: “a pedagogia dos dominantes, na qual a educação existe como prática de dominação, e a pedagogia do oprimido – tarefa a ser realizada – na qual a educação surge como prática da liberdade”. Não podemos usar a educação para dominar a massa, e sim para libertá-la para o novo, o belo e a cidadania. Precisamos deixar de ser conteudistas e fazermos nossos alunos tornarem-se cidadãos críticos e aprendentes, pois quando os mesmos se formarem para a procura de um bom emprego, estes cairão em uma organização que terá o mesmo princípio de uma educação aprendente, pois para muitos autores, uma organização nos dias de hoje, é considerada como um ser vivo, pois ela depende de muitas coisas para sobreviver, como mercado, comunidade de onde está inserida, funcionários e muitos outros quesitos.

Referências

 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda.  Filosofia da educação. 2 ed. São Paulo: Moderna, 1996.

 

DEMO, Pedro.  Saber pensar. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2000 – (Guia da Escola Cidadã; v. 6)

 

TOMAZI, Nelson Dacio.  Sociologia da educação. São Paulo: Atual, 1997.

 

FREIRE, Paulo.  Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

SILVA, Maria Abádia.  A cidadania no contexto de restrições dos direitos sociais. 2001

 

HADJI, Charles.  Pensar e agir a educação: da inteligência do desenvolvimento ao desenvolvimento da inteligência. Trad. Vanise Dresh, Porto Alegre: Artmed, 2001.

 

DELORS, Jacques.  Educação: um tesouro a descobrir. 6 ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2001, “Relatório para UNESCO da Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI”.  p. 1 a 117

 

  1. História da educação. 2 ed. São Paulo: Moderna, 2000 (p. 194 – 233)

 

IMBERNÓN, F..  A Educação no século XXI.. Trad. Ernani Rosa, Porto Alegre: Artmed, 2000, p. 21 – 35.

 

NONAKA, Ikujiro,.  A empresa criadora do conhecimento in STARKEY, Ken,  Como as organizações aprendem: relatos do sucesso das grandes empresas. São Paulo: Futura, 1997 (p. 1-40 e 300-390)

 

 

 

[1] Segundo ARANHA (1996, p. 22) Alienação: O verbo alienar vem do latim alienare, “afastar, distanciar, separar”. Alienus significa “que pertence a outro, alheio, estranho”. Alienar, portanto, é tornar alheio, é transferir para outrem o que é seu, ainda ARANHA (1996, p. 235). Alienação: Perda da individualidade; perda da consciência crítica.

Perfil do Autor

Wolmer

Wolmer Ricardo Tavares é escritor, palestrante e atua como docente universitário da UNIPAC. É Mestre em...