Estimulando a comunicação: a importância e aquisição da comunicação para crianças portadoras de Múltipla Deficiência (I)

Publicado em: 22/09/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 826 |

Deficiência múltipla é o termo usado para classificar a condição do individuo que é portador de mais de uma deficiência associadas. Segundo a Política Nacional de Educação Especial do Ministério da Educação (1994), múltipla deficiência é "a associação, no mesmo individuo de duas ou mais deficiências primárias... com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e capacidade adaptativa." (p.15).

A múltipla deficiência pode se manifestar por combinações entre deficiências física, intelectual e sensorial. Essas associações trazem prejuízos sociais e educativos, já que muitas vezes, o indivíduo será privado de uma percepção integral do mundo que o rodeia e com isso terá poucas possibilidades de interagir com seu meio social.

O indivíduo portador de múltipla deficiência terá seu comprometimento agravado, ou não, dependendo do grau de cada deficiência e da forma de suas associações. Portanto o individuo que tiver em associação a deficiência sensorial, pode estar mais alienado de seu meio físico e social que outro, cuja associação envolve deficiência física e intelectual. Segundo Nunes (2001), os sentidos da visão e audição, são os principais canais para se receber e interpretar informações externas, sendo assim, quando há uma deficiência sensorial associada, o indivíduo possui menos capacidade de interagir com o ambiente do qual participa.

O contato humano é essencial para toda criança, estar com pessoas diferentes, crianças de mesma idade, menores ou maiores, estimula o conhecimento social e auxilia na formação da identidade infantil.  Para Vygotsky, a criança precisa do "outro", seja ele adulto ou criança, para se perceber como individuo e se desenvolver social e intelectualmente. Imitar, observar, interagir e se divertir com outros, são elementos que conduzem naturalmente a criança a uma formação de pertencimento a seu grupo social.

Considerando-se o desenvolvimento de um bebê sem deficiência, percebe-se que, por volta de dois anos este já é capaz de interagir plenamente com seu meio social, utilizando sua capacidade sensorial e suas habilidades motoras e de locomoção. O bebê com múltipla deficiência não possui as mesmas capacidades ou habilidades, porém, por meio da estimulação sensorial e precoce, podem-se obter bons resultados, no sentido de minimizar as limitações e ampliar a autonomia.

Além de habilidades motoras e sensoriais, para que haja interação social, é necessário que o bebê aprenda uma forma de comunicação entendível à maioria, o que geralmente corresponde a língua falada em seu grupo social. A comunicação, segundo Blaha (2001), possui funções, ou seja, razões para acontecer, entre elas estão a necessidade de dar e receber informações, aceitar algo oferecido, ou não e compartilhar descobertas, experiências. Desde cedo a comunicação se estabelece, pois o bebê é capaz de perceber que suas reações podem ser comunicativas para seus pais e pessoas mais próximas. Expressões faciais, que reconhece nos adultos, o choro, balbucios, gritos e sorrisos, tudo o que faz é interpretado pelos adultos mais próximos, e assim lhe trazem alívio e aconchego. Através da comunicação, a criança pode adquirir maior independência, diminuir frustrações, entender seu mundo e criar amizades. Por isso pode-se dizer que a comunicação, na infância, é a chave da aprendizagem.

Muitas vezes o portador de múltipla deficiência, não possui uma forma de perceber sinais comunicativos, seja por terem em associação a deficiência sensorial, seja por falta de oportunidades. Quando o adulto tende a sempre se antecipar, quanto às necessidades da criança, ele tira dela a oportunidade de "protestar" para pedir algo ou demonstrar incômodo, adquirir independência, fazer escolhas e interagir com outros.

Para se estimular e desenvolver formas comunicativas, em portadores de múltipla deficiência, deve-se ter em conta quais são as reais capacidades e limitações do indivíduo, a necessidade que todo ser humano tem de se comunicar e a importância desta para o desenvolvimento cognitivo e pessoal. Para compreender como isto irá ocorrer, é necessário conhecer como se dá a comunicação.

A comunicação possui duas funções básicas, a receptiva e a expressiva. A função receptiva, diz respeito às informações recebidas através da atenção dada a seus pares comunicativos. Para a criança portadora de múltipla deficiência, com deficiência sensorial ou intelectual (dependendo de seu grau de comprometimento), a recepção de informações do meio fica impedida ou diminuída, pela falta de compreensão ou pela impossibilidade de ver, ouvir. Para que esta criança possa receber de forma mais completa as informações de seu meio, ela precisara ser estimulada a perceber o significado dos objetos e toques que lhe são propostos.

Na função expressiva, respondemos aos estímulos do nosso meio por interações com pares comunicativos. Esta depende da primeira, já que não entendendo ou não recebendo de forma completa a informação a resposta dada será incoerente ou incompleta. No caso da criança portadora de múltipla deficiência, a incapacidade de ouvir ou falar diminui também suas formas de expressar-se de forma entendível ou convencional.

Dentre as estratégias mais usadas na estimulação da comunicação, ou respostas comunicativas, estão as antecipações de acontecimentos, o uso de objetos de referência e o sistema de calendário.

Percebendo-se a grande importância social e de aprendizagem que a comunicação possui para o ser humano, entende-se como imprescindível a estimulação e o ensino de formas alternativas de comunicação aos portadores de múltipla deficiência.

 

Bibliografia:

ALSOP, Linda. Un Manual de Recursos para Compreender e Interactuar com Infantes, Parvulos y Niños Pré-escolares com sordoceguera. SKI*HI Institute Department of Communicative Disorders, Utah State University Logan.

BLAHA, Robbie. Calendários, para estudintes com multiples discapacidades incluído sordoceguera. Córdoba: ROTAGRAF, 2003.

CARVALHO, Erenice Natália Soares de. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental: Deficiência Múltipla, volumes I, II. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2000.

NUNES, Clarisse. Aprendizagem Activa na criança com multideficiencia. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento da Educação Básica, 2001.

SERPA, Ximena. Manual para pais de surdocegos e Múltiplos deficientes Sensoriais. São Paulo: Liotti Del Arcom, 2002.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/estimulando-a-comunicacao-a-importancia-e-aquisicao-da-comunicacao-para-criancas-portadoras-de-multipla-deficiencia-i-3318593.html

    Palavras-chave do artigo:

    múltipla deficiência

    ,

    comunicação receptiva

    ,

    comunicação expressiva

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    Este trabalho tem como ponto de partida a coleta de informações a cerca da deficiência. Partindo do histórico das deficiências, buscou-se fazer um retrospecto histórico, abrangendo como foco a Deficiência Intelectual. Tendo assim como objetivo compreender a importância do jogo enquanto atividade lúdica, no desenvolvimento e aprendizagem da criança com Deficiência Intelectual.

    Por: Carina Heil Albrechtl Educaçãol 09/09/2010 lAcessos: 8,076 lComentário: 4
    GUTEMBERG MARTINS DE SALES

    O artigo discute as dificuldades de aprendizagem sintetizando a dislexia como uma das principais causas. A caracterização da pesquisa se deu por meio de pesquisa bibliográfica sobre dificuldades de aprendizagem e dislexia, apresentando os distúrbios de e na leitura, escrita e articulação. Dissertando-se sobre a origem dos problemas relativos às dificuldades de aprendizagem na visão da psicanálise, apresentaram-se os problemas que interferem na alfabetização.

    Por: GUTEMBERG MARTINS DE SALESl Educação> Educação Infantill 22/05/2014 lAcessos: 105

    O artigo trata do tema ALFABETIZAÇÃO, focando as dificuldades no aprendizado das letras e sons. Toma como referência as autoras Emília Ferreiro 2001) e Magda Soares (2003) que assinalam as dificuldades da criança em processo de alfabetização e propõem uma prática pedagógica consciente da realidade da criança. O estudo tem intenção autobiográfica peritindo uma reflexão sobre a prática do pesquisador-alfabetizador, garantindo a busca de novas abordagens e procedimentos.

    Por: Geraldo Francisco dos Santosl Educação> Educação Infantill 22/04/2011 lAcessos: 6,440
    CLEBERSON EDUARDO DA COSTA

    Existem muitas formas de desumanização e, uma delas, talvez a mais crucial, seja aquela que está sistematizada no desrespeito às diferenças, na medida em que esse desrespeito - no sentido micro - leva o indivíduo para longe da sua capacidade de coexistir e, consequentemente, para longe da possibilidade de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento pessoal; no sentido macro, leva a sociedade para xenofobismos, nacionalismos exacerbados, genocidismos, biocidismos, apartheids, etc.

    Por: CLEBERSON EDUARDO DA COSTAl Educaçãol 22/01/2015
    Magno Fernando

    Esse artigo busca analisar e compreender as implicações dessa remuneração para o trabalho docente. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter bibliográfico-documental com base em pesquisas relacionadas à remuneração docente e documentos relativos à temática elaborados por organismos internacionais.

    Por: Magno Fernandol Educaçãol 20/01/2015

    Vivemos em um um país, que demonstra abertamente, que toda sociedade convive pacificamente e não há preconceito ou discrimanação racial, vendemos a ideia que no Brasil existe a Democracia Racial, onde negros e brancos, se relacionam amigavelmente sem qualquer preconceito ou discrimanação. Porém observamos que, o que existe de fato, é o mito da Democracia Racial, ou seja, uma falsa ideia que brancos e negros vivem harmonicamente. Neste sentido, vamos relatar brevemente sobre algumas expressões.

    Por: Simone Marial Educaçãol 17/01/2015 lAcessos: 14
    Instituto Fisiomar

    Profissionais com qualificação saem na frente no mercado de trabalho e principalmente qualificação técnica. O curso técnico é um bom investimento, pois é um investimento barato, de curto prazo e que dá um excelente retorno. Uma Instituição séria que temos em Santa Catarina é o Instituto Fisiomar, com Cursos Técnicos de Segurança do Trabalho, Petróleo e Gás, Estética, Massoterapia e Podologia.

    Por: Instituto Fisiomarl Educaçãol 08/01/2015

    Considerando que a Educação deve ser voltada para a construção da cidadania, para o desenvolvimento das potencialidades do educando e a preparação para o trabalho, como diz na LDB – Lei nº 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), pensa-se que escola deve ser tida em nossa sociedade como oportunidade para o desenvolvimento, não só permitindo possibilitar ao educando estudar conteúdos, mas também dele ampliar relações com o outro, portanto devendo ser de qualidade.

    Por: nilda flores schutzl Educaçãol 30/12/2014
    Jaguaracy Conceição

    Esse texto tem como base a entrevista publicada na Revista Nova Escola de dezembro de 2014 e que traz como título: "A escola é a estrutura estável de quem vive numa família instável". Nela o sociólogo francês Bernard Lahire diz que o meio social é crucial ao desenvolvimento das crianças, pois sozinhas elas não conseguem superar as dificuldades que se deparam.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 23/12/2014 lAcessos: 21
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Basicamente a três milhões de anos atrás. A evolução humana foi desencadeada na África. Resultada de um elo anterior que favoreceu no surgimento do homo sapiens e do chimpanzé. Todas as populações do mundo descendem de tal elo. O que já foi explicitado cientificamente por comparações de DNA.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educaçãol 23/12/2014 lAcessos: 11

    Com o advento da globalização, a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação mundial. Objetiva-se evidenciar a importância dos alunos encontrarem na escola não só evidências de seu próprio mundo, mas também aparato capaz de os "cunharem" para uma participação social plena e não "fatiada", como sugere o estudo por disciplinas. Jovens e adultos, público cada vez mais informatizado, exige que as disciplinas deixem de ser apresentadas de forma isolada.

    Por: KÁTIA CÉLIA FERREIRAl Educaçãol 18/12/2014 lAcessos: 15
    Amanda de A. Soares Barbosa

    Uma breve análise pelas fases, indicadas historicamente, vivenciadas pela sociedade na convivência com a pessoa deficiente. Desde a exclusão até a inclusão, uma breve descrição dos fatos e movimentos ocorridos.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 30/05/2012 lAcessos: 124
    Amanda de A. Soares Barbosa

    As políticas públicas que regulamentam e orientam a educação especial estão muito distantes da nossa realidade, uma breve análise sobre estas distâncias é relatada neste artigo.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 30/05/2012 lAcessos: 273
    Amanda de A. Soares Barbosa

    As adaptações a serem realizadas para atender aos alunos com deficiência no ensino regular nem sempre são eficazes ou registradas, por falta de informações claras sobre o assunto. Para auxiliar nesta demanda é que este trabalho foi construído.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 06/06/2011 lAcessos: 830 lComentário: 3
    Amanda de A. Soares Barbosa

    Este é o segundo de cinco eixos adaptados com o objetivo de adaptar o ensino de alunos com necessidades especiais em escolas regulares.Para o aluno com deficiência a construção da identidade e autonomia, dentro de suas capacidades, é imprescindível para que este se sinta completo e participe ativamente de sua comunidade. Este artigo visa o envolvimento da escola e família em busca deste objetivo. Este material pode ser base para o ensino de alunos do pŕimeiro ao quinto ano.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 26/10/2010 lAcessos: 745 lComentário: 2
    Amanda de A. Soares Barbosa

    Dentre as estratégias mais usadas na estimulação da comunicação, ou respostas comunicativas, estão as antecipações de acontecimentos, o uso de objetos de referência e o sistema de calendário. Cada estratégia desenvolve habilidades comunicativas necessárias para a interação social da criança portadora de múltipla deficiência. O uso de formas alternativas de comunicação devem ser planejadas e preparadas, de forma acessível à criança, tendo em consideração suas habilidades motoras e intelectuais. A

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 22/10/2010 lAcessos: 728
    Amanda de A. Soares Barbosa

    O material bibliográfico exposto se destina aos professores da educação especial, cuidadoras de alunos com necessidades educativas especiais e pedagogos que lidam com esse público, em escolas de ensino regular.Baseado nos sete eixos do currículo de creche, exposto na revista Nova Escola. Se trata de uma tentatiovva de auxiliar na adaptação do currículo para alunos com necessidades eeducativas especiais. Este é o primeiro de cinco eixos produzidos.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 21/10/2010 lAcessos: 405
    Amanda de A. Soares Barbosa

    O sujeito portador de surdocegueira se vê muitas vezes impossibilitado de comunicar de forma efetiva com sua família e comunidade, a comunicação adaptada se torna então a única forma de realizá-lo com eficiência. Neste artigo está descrito o início de um projeto para ampliar as possibilidades de exprssão de sentimentos e desejos de uma aluna especial, surdocega congênita.

    Por: Amanda de A. Soares Barbosal Educaçãol 17/09/2010 lAcessos: 457
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