Fisiologia Reprodutiva das aves

Publicado em: 09/05/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 2,421 |

Fisiologia Reprodutiva das aves

 Os sistemas reprodutores de machos e fêmeas são distintos e é particularmente importante conhecermos o da fêmea visto o macho raramente levantar problemas a este nível. O sistema reprodutivo do macho é semelhante na maioria dos animais, no caso das aves os testículos estão colocados na cavidade abdominal e ligados à cloaca que funciona como orgão copulatório e excretor em ambos os sexos.

A eficiência reprodutiva de matrizes é determinada pela carga genética e por fatores ambientais como instalações, programa de luz, nutrição e manejo, que influenciam a capacidade de atingir este potencial. Para alcançar o desempenho reprodutivo máximo é necessário o conhecimento de fatores que influenciam a maturidade sexual, ovulação, fertilização, formação do ovo e oviposição.

 Sistema reprodutivo das fêmeas

 O aparelho genital da galinha é composto por um ovário e um oviduto, que se localizam do lado esquerdo da cavidade abdominal da ave. Durante o período embrionário, o oviduto e o ovário do lado direito estão inicialmente presentes.

Nas aves, os folículos grandes e  amarelos, destinados a ovulação estão organizados dentro de uma hierarquia. O controle da hierarquia folicular que permite a ovulação diária é estabelecido pelos folículos pequenos(6 a 8 mm). O folículo amarelo que ultrapassar 8 mm em diâmetro, entra em hierarquia , continua a desenvolver e ovula. Entretanto, eventos moleculares dentro de folículos menores (< 8 mm) fazem com que muitos folículos entrem em atresia (regridem), enquanto outros folículos são selecionados para entrar em hierarquia (JOHNSON,1993)

Uma das principais funções dos ovários é a produção de hormônios esteróides, essenciais para o crescimento e função do trato reprodutivo. A progesterona atua na secreção de albúmen e indução do pico de LH. O desenvolvimento do oviduto é estimulado por vários hormônios gonadais, embora a ação da progesterona seja mais direcionada para células secretórias, tais como aquelas responsáveis pela produção de avidina. Estrogênio e androgênio promovem o desenvolvimento de uma variedade de tecido glandular, muscular e conjuntivo dentro do oviduto.

O oviduto é separado anatomicamente em cinco partes. A primeira parte é o infundíbulo, que capta o óvulo logo após a sua liberação pelo ovário e, caso ocorrer a presença de espermatozóide, ocorre a fertilização. Este é um processo eficiente, onde a fertilidade é uma característica atribuída ao galo, enquanto que o desenvolvimento embrionário é de responsabilidade da fêmea. O magno é a região responsável pela secreção de albúmen, sendo esta a parte mais longa do oviduto. O istmo é a região mais curta, onde se formam as membranas da casca. O útero, ou glândula da casca, é um órgão muscular e secretório, onde o fluído é adicionado ao ovo e ocorre a formação da casca do ovo e deposição da cutícula. A vagina serve de passagem do ovo do útero até a cloaca. Na região úterovaginal estão localizadas as glândulas hospedeiras de espermatozóides. Os espermatozóides ali se armazenam após a inseminação artificial ou monta natural, quando então se deslocam em via ascendente em direção ao infundíbulo.

As espécies avícolas apresentam semelhanças no trato reprodutivo com outras espécies animais (ex. répteis) devido a presença de sítios especializados no trato feminino, no qual os espermatozóides residem durante períodos prolongados após uma cópula. As glândulas localizadas na junção útero-vaginal são consideradas o principal sítio de armazenamento de espermatozóide no oviduto. Já no infundíbulo vai ocorrer a fertilização. Estas glândulas armazenam espermatozóides durante um período de 3 a 4 semanas em galinhas e 8 a 15 semanas em peruas (Brillard, 1993), embora a percentagem de ovos férteis começa a cair dentro de 5-7 dias na galinha e de 14-21 dias na perua.

Normalmente 50-200 células espermáticas entram nas glândulas e se orientam paralelamente ao longo da glândula. A aglutinação de cabeça com cabeça dos espermatozóides é a possível explicação para a manutenção prolongada in vivo dos espermatozóides nas glândulas (Tingari e Lake, 1973). O mecanismo que causa a liberação das células espermáticas das glândulas não é conhecido, mas isto possivelmente ocorra com uma redução progressiva na capacidade espermática em aglutinar.

 Seleção espermática

 A quantidade de espermatozóides depositados na vagina das aves excede (em bilhões) o número de células espermáticas necessárias para fertilizar de 1 a 15 oócitos. Pesquisas conduzidas em perus e galináceos demonstraram que somente de 1-2% da população inicial de espermatozóides alcançam as glândulas hospedeiras da junção útero-vaginal. Na realidade, estudos iniciais demonstraram que a migração espermática aos sítios de armazenamento é um processo ativo onde a motilidade individual e progressiva é necessária. Assim,espermatozóides mortos ou que não apresentam motilidade não alcançam as glândulas hospedeiras de espermatozóides (ALLEN; GRIGG, 1957).

 Neuroendocrinologia reprodutiva

 O sistema reprodutivo é basicamente regulado pelo eixo hipotalâmico-hipofisiário-gonadal. A maturação do eixo hipotalâmico-hipofisiário-gonadal do embrião ocorre já aos 13 dias de incubação (Woods, 1987). Entretanto, ainda nos períodos iniciais do desenvolvimento embrionário, este é capaz de sintetizar uma variedade de hormônios esteróides (Guichard et al., 1973). Várias áreas do cérebro são utilizadas, mas o principal ponto de tradução de sinais neurais em controle hormonal ocorre no hipotálamo, localizado numa região na base do cérebro, próximo da pituitária. O FSH pode estimular a produção de hormônios esteróides pelas células do folículo em desenvolvimento, particularmente dos folículos menores (Johnson, 1993). O FSH também é produzido por gonadotrofos, mas pouco se sabe se o LH e o FSH são produzidos pelos mesmos ou diferentes gonadotrofos.

 Pituitária posterior

 De importância na reprodução de aves, nesta região é secretada a arginina vasotocina, envolvida com a contração uterina e a oviposição (Shimada e Saito, 1989). O hormônio ovariano progesterona produz um aumento da afinidade entre a arginina vasotocina e o receptor no útero, aumentando a contração uterínica e a expulsão do ovo (Takahashi et al., 1994).

 Ovulação e oviposição

 A ovulação ocorre aproximadamente 6 horas após o pico de LH e de 15-45 minutos após a oviposição.

Ao avaliar a parede celular do folículo, pode ser observada uma região estruturalmente diferente, caracterizada por ser avascular, que é denominada de estigma.

A oviposição ocorre aproximadamente 24-26 horas após a ovulação e após o ovo ter sido formado no oviduto. As prostaglandinas e os hormônios da pituitária posterior são os mais importantes no processo da oviposição. Dentre as prostaglandinas se destacam a PGF2e a PGE2 . A PGF2atua na contração do útero da galinha, enquanto que a PGE2 atua na abertura útero-vaginal (Bahr e Johnson, 1991; Etches, 1996).

 O ciclo ovulatório

O ciclo ovulatório em galinhas é caracterizado por uma seqüência de ovos colocados. Esta consiste em um número de dias em que ocorre a oviposição, seguido por um dia de pausa. Assim, uma vez os mecanismos de feedback entre ovário, pituitária e hipotálamo alcançarem a maturidade de desenvolvimento, a matriz é capaz de produzir ovos.

Quanto ao desempenho reprodutor , isso pode variar com a idade, matrizes pesadas geralmente começam a postura com 23 semanas de idade, alcançando 5% de postura (galinha-dia) a 24-25 semanas. Dentro de 6 semanas, alcançam o pico de postura (85-87%) e assim se mantém por 2- 4 semanas. Após este período, ocorre um declínio gradual na produção de ovos, chegando a 55% de produção de ovos às 64 semanas de idade. O declínio na produção de ovos após o pico é mais rápido em matrizes pesadas do que em poedeiras, o que é comercialmente referido como falta de persistência. Em parte, este declínio no número de ovos ocorre devido a uma redução na seqüência, com uma maior proporção de dias onde não ocorre oviposição (Leeson e Summers, 2000).

Com o avançar da idade o peso do ovo aumenta, a casca torna-se mais fina e piora a qualidade interna. Ocorre também uma alta incidência de ovos sem casca .Chega uma hora que a galinha para de colocar ovos, o que geralmente é resultado do não engolfamento da gema pelo infundíbulo.

 Fotoperíodo

 O fotoperíodo é um aspecto fundamental no desempenho reprodutivo das aves. Ao alterar a intensidade e duração do fotoperíodo, o hipotálamo altera a produção de fatores liberadores de gonadotrofinas (GnRH).

Existem várias teorias para explicar o fotoperíodo, a mais aceita atualmente é a da ação da luz diretamente sobre fotoreceptores hipotalâmicos, após atravessar a cavidade craniana (Etches, 1996). As aves iniciam a fase reprodutiva após terem alcançado determinada idade e/ou peso corporal. Até aproximadamente 12 semanas de idade, as aves são insensíveis a luz. Aves submetidas a curtos fotoperíodos durante a recria alcançam a maturidade sexual a uma idade mais precoce e o inicio da produção de ovos após transferência para um longo fotoperíodo será rápida e de forma sincronizada.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/fisiologia-reprodutiva-das-aves-4747668.html

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    sistemas reprodutores

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    femea

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