Formação Continuada

18/07/2010 • Por • 494 Acessos

A formação continuada é necessária e de fundamental importância em todas as profissões e com a docência não deve ser diferente. Assim, é de fundamental importância que o(a) docente seja o(a) responsável pela sua formação contínua.

O avanço tecnológico vem fazendo com  que as novas gerações adquiram conhecimentos que grande parte dos(as) docentes não possuem. Apesar disso, há no seio do corpo docente quem espera o aperfeiçoamento via poder público. É evidente que não pode ser negada a responsabilidade do poder público na formação continuada, conforme preceitua o Art. 67 da Lei Nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases (LDB), assim expresso: "Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais de educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:

I - ...

II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico, remunerado para esse fim;

III - ...

IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação e na avaliação do desempenho;" (LDB, 1996).

É sabido que o poder público não mostra vontade e decisão de promover as necessárias capacitações para que haja o aperfeiçoamento docente. resta-nos então, sermos os(as) responsáveis pelo nosso aperfeiçoamento, pois se assim não o fizermos permaneceremos estagnados no tempo. Porém o que mais causa perplexidade, é observarmos que há docentes que zombam dos(as) que buscam o auto-aprefeiçoamento.

Perrenoud (2000) nos fala que o ofício de professor está em transformação. Ora, para que essa transformação realmente ocorra é necesário que novos conhecimentos sejam adquiridos, a fim de que se possa acompanhar a evolução constante da tecnologia.

De acordo com Perrenoud(2000) a autoformação é resultado de uma reflexão, devida a um projeto - pessoal ou coletivo - do que uma probabilidade clara da instituição(Perrenoud, 2000 p. 179). O que está explicitado, só reforça o nosso argumento de que deve o o(a) docente responsabilizar-se pelo seu aperfeiçoamento constante.

No início desse artigo fizemos alusão ao avanço tecnológico. Como então avançar no uso das novas tecnologias, sem capacitação para tal mister? Perrenoud(2000) cita duas declarações que são atribuídas a Patrick Mendelsohn, responsável pela unidade das Tecnologias da Formação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra: "As crianças nascem em uma cultura em que se clica, e o dever dos professores é inserir-se no universo de seus alunos"; "Se a escola ministra um ensino que aparentemente não é mais útil para uso externo, corre um risco de desqualificação. Então, como vocês querem que as crianças tenham confiança nela?"

Cremos que essa desqualificação já ocorre nos dias atuais. Não sei se podemos classificar de desqualificação, mas, observa-se que grande parte do corpo discente não se sente atraída pela escola.

Perrenoud nos mostra que a escola não pode ignorar o que se passa no mundo. Dessa forma, utilizar as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação(NTCI) é de fundamental importância para uma nova maneira de pensar, de decidir e de trabalhar.

Tem-se observado a grande batalha travada entre direção, docentes e discentes a respeito do celular, sendo que há estados que já legislam com o fito de proibir o seu uso em sala de aula. Perguntamos: é essa a medida mais acertada ou deve-se aproveitar o celular como ferramenta de ensino e aprendizado na sala de aula? Há uma Operadora de Celular, que promove capacitação para que o aparelho seja utilizado como ferramenta para a produção de vídeos, fotos e textos. Relatam docentes que já passaram por essa capacitação, que os resultados tem sido satisfatórios e os(as) discentes aprovaram a idéia.

Observa-se então, que uma melhor qualificação profissional, poderá promover uma melhor educação, bem coomo servirá para a ascenção docente.

Encerraremos esse artigo com uma citação de Perrenoud: "O exercício e o treino poderiam bastar para manter competências essenciais se a escola fosse um mundo estável. Ora, exerce-se o ofício em contextos inéditos, diante de públicos que mudam, em referência a programas repensados, supostamente baseados em novas abordagens e novos paradigmas. Daí a necessidade de uma formação contínua, que em italiano se chama aggiornamento, o que ressalta o fato de que os recursos cognitivos mobilizados pelas competências devem ser atualizados, adaptados a condições de trabalho em evolução". (Perrenoud, 2000 p. 155/156)

Referências

PERRENOUD, Ph. 10 Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: ARTMED Editora, 2000.

BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases. Brasilia. 1996