Hermenêutica E Educação

28/11/2009 • Por • 4,603 Acessos

O presente texto visa apresentar uma breve discussão entre a Hermenêutica e a Educação como uma forma de repensar o verdadeiro sentido da palavra educação a luz da interpretação de alguns filósofos que discutem a hermenêutica como uma possibilidade de descobrir a manifestação do ser na Educação.

1. Discussão sobre Hermenêutica

O conceito de hermenêutica discutido por STEIN (1996) parte do pressuposto que é um questionamento existencial baseado do que seria a interpretação do Ser em sua totalidade, e que muitas vezes esse ser é interpretado somente como um ente (objetividade).

STEIN inicia sua reflexão reportando a construção do conceito de verdade desde antiguidade onde os gregos buscavam um principio unitário de racionalidade baseado no pensamento lógico até chegar à fenomenologia hermenêutica de Heidegger em que se tenta quebrar essa tradição baseada na lógica.

Quando se retorna ao Dasein o ser ai jogado na existência que tenta descobrir o seu ser, mas como o ser é algo que não pode ser descoberto acaba ficando no não transparente. Pois não se pode compreender o sentido puro das coisas. Onde Heidegger coloca dois pontos de vista que é o sentido das estruturas que a descrição do objeto no mundo e o sentido da estrutura.

Por isso a importância da hermenêutica como uma “possibilidade” de tentar conhecer esse ser que não pode ser conhecido, pois as palavras nunca podem dizer o não dizível. Essa é a principal questão da Hermenêutica que é a tentativa de voltar a si, mas mesmo sabendo que esta nunca vai encontrar a si.

O ser no mundo é um ser que está jogado, mas que busca desvendar o ser observando o horizonte indizível que talvez no silêncio o ser possa ser compreendido ou talvez não. A hermenêutica ajuda a refletir o ser humano como um ser que não pode ser objetivado, algo que não pode ser dizível.

HERMANN (2002) diz da importância da hermenêutica na educação como uma possibilidade de reflexão sobre o campo educacional e fazer novas interpretações sobre o sentido na formação do seu modo do ser, por um debate a respeito da racionalidade que atua na ação pedagógica.

HERMANN influenciada por Gadamer vai dizer que a educação é o lugar do dialogo por ser um lugar onde há a palavra e reflexão que ultrapassa o domínio do conhecimento, mas a formação do ser do educador como profissional em si, em que tenta desvendar a si mesmo.

2. Discussão sobre Educação

A Educação enquanto conceito que vem sendo desenvolvido e discutido ao longo dos séculos pela sociedade, uma vez que o homem, sempre buscou uma melhor forma para poder se relacionar com os outros. Pode-se fazer uma analise hermenêutica que desde o período da Grécia antiga, os poetas é que eram os educadores da cidade, e por meio das declamações dos poemas, se reproduzia a historia dos seus ancestrais, e os filósofos queriam ter essa influencia na educação da cidade, pois a filosofia tinha uma forte ligação com a política, e era a melhor maneira de formar os cidadãos bons comprometido com a polis.

O filosofo grego Platão (2003) em seu livro a Republica vai fazendo uma apresentação de como seria uma cidade ideal para ele e como devia ser a formação dos seus cidadãos de acordo com o pensamento da paidéia grega, pois para Platão a pólis devia ser governada pelos guardiões filósofos que eram responsável pela educação da cidade sua principal função era de administrar a cidade, e para isso precisava ter algumas qualidades.

Após definir qual é a função dos guardiões da polis, em seguida vai construir um modelo do que seria para o homem ideal, vai contestar o conceito da Paidéia grega feita por Homero e Hesíodo, onde estes iniciavam primeiro pela ginástica e depois a música Platão iria dizer ao contrario.

Para Aristóteles (2004) vê a importância da educação para formação de uma boa cidade, com Platão a importância da educação física na formação dos seus cidadãos, por isso a grande importância do papel do legislador, no momento da formação da família, para que a cidade consiga chegar ao meio termo, para o melhor funcionamento.

Segundo o Filósofo o legislador é que tem o papel principal na formação da educação na educação da polis, principalmente para não forma cidadãos covardes, mas corajosos, para a defesa da sua cidade, igualmente como Platão trabalha na sua idéia de educação.

O pensador francês o barão de MONTESQUIEU (2004) em seu celebre livro o “Espírito das Leis” vai dizendo que para sistema de governo existe um determinado tipo educação, para a manutenção da forma de governo, e sua importância na preparação dos cidadãos para participar do governo.

E MONTESQUIEU (2004) inicia descrevendo de como deve ser desenvolvida o objetivo da educação em uma monarquia, que para ele o mais importante é que seus súditos cultivem o hábito de agradar uns aos outros, pois agindo desse modo possam manter essa forma de governo para a posteridade. Em seguida apresenta como é a forma da educação em um governo despótico que o principal objetivo é de implantar o medo em seus cidadãos, para que estes não questionem a ordem estabelecida como pode ser ver na citação a seguir. Por fim, mostra como é a educação em um governo republicano que ele compara um pouco as cidades-estados gregas, em que a virtude é o objetivo principal dessa forma de governo, como uma maneira de se manter ainda viva para as futuras gerações.

Montesquieu, igualmente como Platão e Aristóteles vão defender a idéia é de suma importância da educação para a formação dos seus cidadãos, e como esses são educados, vão ter maior zelo, ou não pela sua cidade, e na escolha de seus governantes.

O sociólogo francês Émile DURKHEIM (1978) vai apresentar um conceito diferente do que foi apresentado pelos teóricos filósofos anteriores, onde se baseia o conceito de educação na perfeição, pois para o sociólogo esse conceito vai mudando com o decorrer do tempo, por isso para ele a educação é um fato social.

De acordo com o conceito defendido por DURKHEIM a educação consiste como um meio de socialização as novas gerações, por isso que para ele considera como um fato social, pois ela não é feita individualmente, como os filósofos imaginavam, mas é o coletivo faz essa formação para as novas gerações.

Segundo DEMO (1996) a educação não é somente uma ação de treinar o estudante, a exercer uma atividade, mas defende a idéia que o educando vai construindo a sua autonomia por meio da pesquisa. Outro educador FREIRE (1996) diz que educação não deve ser uma mera transmissão de conhecimento, mas criar uma possibilidade do educando construir o seu próprio conhecimento baseado com o conhecimento que ele trás de seu dia-a-dia familiar.

Conclusão

A Educação e a Hermenêutica têm uma relação profunda com ajuda da analise de vários autores que trataram sobre esse conceito, como de suma importância para a transformação da realidade, e dependendo do ponto de vista, vai se trilhando um caminho para o aperfeiçoamento do ser humano, e como este pode conviver melhor com o outro.

Em suma não se deve esquecer que a educação deve ser refletida a luz da hermenêutica para saber como ela está chegando a sua verdadeira essência o ser que é o ser humano e dessa forma pensar em ser melhor consigo mesmo, e tendo consciência de  que é ser no mundo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ARISTÓTELES. A Política. São Paulo, Martin Claret .2004.

CRUZ, Vicente Vagner. O Conceito de Educação. IN Cruz, Vicente Vagner.Um Oratório Salesiano como proposta de política publica. Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais . UFPA, 2009

DEMO, Pedro. Educar pela Pesquisa. Campinas/SP, Ed. Autores Associados, 1996.

DURKHEIM, Émilie. Educação e Sociologia. 1958-1917. São Paulo: Melhoramento [Rio de Janeiro] Fundação Nacional de Material Escolar, 1978.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34°ed. São Paulo. Ed. Paz e Terra, 1996.

HERMANN, Nadja. Hermenêutica e Educação. Rio de Janeiro, Ed. DP&A, 2002.

MONTESQUIEU. O Espírito das Leis. São Paulo Martin Claret, 2004.

SOARES, Antonio Jorge. Dialética, Educação e Política: Uma releitura de Platão. 2°ed. São Paulo Editora Cortez 2002.

STEIN, Ernildo. Aproximações sobre Hermenêutica. Porto Alegre Ed. IPUCRS. 1996.

PLATÃO. A República. São Paulo Martin Claret 2003.

Perfil do Autor

Vicente Vagner Cruz

Sou Licenciado e Bacharel do Curso de Ciências Socias pela Universidade Federal do Pará. (UFPA)Atualmente faço uma especialização em ensino...