INDISCIPLINA NA ESCOLA COMO FATOR DETERMINANTE NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM: A EXPERIÊNCIA DA ESCOLA SÃO FRANCISCO EM MARCO – CE

Publicado em: 26/08/2010 |Comentário: 2 | Acessos: 12,073 |

1 INTRODUÇÃO

 

Um dos temas mais discutidos, hoje, entre os educadores é a problemática criada a partir da indisciplina na escola. Pais, gestores e professores se vêem obrigados a enfrentar os problemas gerados pela falta da disciplina dentro e fora dos estabelecimentos de ensino. Segundo ESTRELA (2002) os problemas de indisciplina representam um dos mais antigos e persistentes desafios encontrados nas escolas, em todos os países industrializados.

De acordo com D'ANTOLA (1989) muitos teóricos têm afirmado que os problemas de indisciplina afetam a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, o desdobramento do currículo, e podem transtornar nossas melhores visões e práticas educacionais.

Dentre outras conseqüências podemos destacar o baixo aproveitamento do aluno em relação à aquisição de conhecimento, a exclusão social gerada a partir de descontentamento com os colegas, desordem em sala, o desestimulo do professor e problemas familiares.

No cotidiano escolar observa-se que o comportamento do aluno no ambiente de ensino é reflexo das experiências vividas no meio familiar e social. É comum encontrar alunos problemáticos filhos de famílias desestruturadas, onde um dos pais é ausente por algum motivo ou não dão a devida importância para a vida escolar e social do filho. Apesar dessa importante observação, não se pode atribuir a esse fator como sendo a única causa do problema. É importante perceber que cada indivíduo responde diferentemente aos estímulos provindos do meio. Enquanto alguns indivíduos apresentam indisciplina e agressividade diante de problemas familiares, em outros esse fator não interfere no rendimento e na disciplina em sala.

Na Escola de Ensino Fundamental São Francisco, município de Marco-Ceará, são relatados caso graves de indisciplina durante as reuniões pedagógicas. Os alunos mais problemáticos são alvo de comentários, discussões e indagações entre os professores. Após a apresentação do problema procura-se desenvolver estratégias e metodologias eficazes para o resgate do aluno, a fim de minimizar os prejuízos conseqüentes da indisciplina. Apesar da importância dos casos encontrados no Ensino Fundamental (séries terminais), enfatizam-se os problemas constatados no Ensino Fundamental (séries iniciais), devido à maior facilidade de resolução do problema junto aos pais e de suas posteriores implicações.

Diante da situação encontrada na escola, o núcleo gestor juntamente com os professores desenvolveu um trabalho de combate e prevenção aos casos mais sérios de indisciplina.

Como todo problema tem uma origem, a indisciplina encontrada na escola deve proceder de experiências anteriores, as quais reforçam na criança comportamento inadequado e muitas vezes agressivo.

A educação formal é dada pela escola. Porém, a educação global é feita a oito mãos: pela escola, pelo pai e pela mãe e pelo próprio adolescente. Se a escola exige o cumprimento de regras, mas o aluno indisciplinado tem a correspondência dos pais, acaba funcionando como um casal que não chega a um acordo quanto à educação da criança. O filho vai tirar lucro da discordância pais/escola da mesma forma que se aproveita quando há divergência entre pai e mãe. (TIBA, 1996, p. 165)

Nesta perspectiva é fundamental para o desenvolvimento do trabalho o contato com a família e o meio social onde está inserida este aluno. Estes, por sua vez, constituem-se peças fundamentais na formação e modelagem da personalidade do indivíduo, podendo interferir positivamente ou negativamente para o comportamento do aluno em sala.

O trabalho realizado pelos professores da Escola de Ensino Fundamental São Francisco teve como base dois eixos: reconhecer os casos mais graves de indisciplina, e identificar o fator causador da desordem, para, a partir daí, desenvolver possíveis soluções.

Após reuniões e estudos dos principais casos e a adoção de ações formativas junto aos alunos e familiares, resultados positivos começaram lentamente a aparecer. Ao fim do desenvolvimento dos trabalhos, mudanças significativas no comportamento foram observadas nos alunos tidos como indisciplinados.

Dessa forma, o presente artigo objetiva reconhecer os diversos fatores que influenciam a indisciplina na escola, analisar seus reflexos na aprendizagem e preparar os professores e funcionários para lidar adequadamente com situações adversas.

 

 

 

 

2 INDISCIPLINA ESCOLAR

 

De acordo com FREITAS (2009), a indisciplina pode surgir como alternativa para o "insucesso" escolar, procurando valorizar a sua relação como os outros. Este fracasso não se refere exclusivamente às notas nas disciplinas, mas também em certos valores que o aluno não vê refletidos nele.

Como conseqüências da falta desses valores, como a constituição física ou intelectual, podem gerar comportamento indisciplinado, tais como agressividade, apatia, desmotivação, desatenção e imaturidade. Tais sintomas devem ser encarados pela escola como distúrbios emocionais, sociais ou fisiológicos, que necessitam de maior atenção.

VASCONCELOS (2001) relata que só se alcança a disciplina através do trabalho conseqüente do coletivo da escola. Essa não é a realidade da maioria das escolas. Os trabalhos são segmentados, cada profissional desempenhando apenas sua função, sem a existência de uma coletividade. Enquanto os professores ministram suas aulas, os gestores estão ocupados em resolver problemas administrativos e burocráticos. Por outro lado, o aluno se vê obrigado a estar em uma sala sem entender o porquê e o para que; sem ver utilidade no que faz na escola, sendo para ele, muitas vezes, uma instituição que traz mais infelicidades que alegria. Essa insatisfação do aluno no tocante à aula gera desmotivação e desinteresse, que por sua vez gera a indisciplina, que acaba interferindo em todo o processo ensino aprendizagem, não só do aluno indisciplinado, mas também daqueles que ainda buscam conhecimento.

Segundo GUIMARÃES (1998) a escola, como qualquer outra instituição, está planificada para que as pessoas sejam todas iguais. Essa idéia se contrapõe à realidade constatada atualmente, na qual a sociedade está em constante transformação. O indivíduo está mudando. Não se aprende hoje da mesma forma que se aprendia há alguns anos atrás. O aluno se vê rodeado de informações provindas dos meios audiovisuais, como televisão, internet, computador. A homogeneidade requerida aos alunos pela sociedade é vista por muitos estudiosos como mecanismo disciplinar que impõe aos alunos e professores atitudes de submissão. Para MACEDO (2005) essa disciplina e ordem podem prejudicar a criatividade do educando.

Não se pode esquecer que a criatividade é importante, mas a permissividade é contraproducente. Atualmente não se pode impor a uniformidade de comportamento, mas a ausência de disciplina e ordem acarretará, sem dúvida, em atos de indisciplina cada vez mais perigosos a ponto de não se poder direcionar o processo de aquisição de conhecimento. A solução está no meio termo, uma escola que harmonize disciplina e liberdade para criar.

Herdado de outras gerações, o termo "disciplina" já carrega sobre si sentimentos de autoritarismo, exclusão de diálogo e submissão. Alguns alunos não suportam permanecer sob as "rédeas" do sistema. Ser controlado e se tornar igual aos demais já não cabe em uma sala de aula, precisamos formar o sujeito autônomo.

Além disso, outras situações prejudicam o ato de estudar. Constatou-se na família de alguns alunos carência material e psicológica. Acordar cedo, obedecer a um horário imposto, falta de material didático em casa, podem trazer graves danos ao comportamento do aluno caso não seja devidamente orientado.

FREITAS (2009) afirma que a competência no estudo se revela no tempo consumido para o alcance da meta. Se não há situação que beneficie e desenvolva o hábito do estudo, não só na sala de aula, dificilmente a aprendizagem será alcançada. "Não se pode esperar a vontade de estudar chegar. Essa espera pode ser infinita para a maioria dos estudantes, principalmente se ela se tratar da disciplina em que ele vai mal" (Ibdem).

Se a escola não se apresenta como espaço motivacional não contribuindo para o sucesso escolar do aluno e ele não encontra em si mesmo ou na família estímulos e dedicação para o aprendizado, em sala será refletida as conseqüências do seu insucesso e da sua inadaptação. Essas conseqüências podem se manifestam na forma de atos indisciplinados como meio para escape da sua realidade e inobservância das regras de hierarquia ainda não adquiridas pelo aluno.

 

 

 

 

3 CAUSAS DA INDISCIPLINA ESCOLAR

 

Um dos focos de estudo dos pesquisadores da área da educação é a determinação dos fatores que originam a indisciplina na escola. Uma das causas encontradas pela maioria dos pesquisadores está na estruturação e organização da família atual. TIBA (1996) afirma que hoje há falência da autoridade, seja em casa, na escola ou na sala de aula. Na maioria das famílias dos alunos tidos como indisciplinados percebe-se o autoritarismo ou a permissividade. O autoritarismo é diferente de autoridade. TIBA (1996) explica:

A autoridade difere do autoritarismo por não ser imposta, não tem descargas de adrenalina e não submete o outro a depressão, forçando uma reação. A autoridade é algo natural. O autoritarismo, ao contrário, é uma imposição que não respeita as características alheias provocando submissão e mal estar.

Observa-se em alguns grupos familiares a figura aterradora dos pais, que impõem, através de castigos e proibições. Não se tem diálogo nem orientação. O monólogo se faz presente, não dando espaço para conversas abertas e francas, nem para orientações pertinentes. Há famílias onde a permissividade se faz notar de diversas formas. Pais ausentes, devido o trabalho, deixam seus filhos sós em casa. Sem as devidas orientações as crianças tornam-se donas de si, permitindo a si mesmas aquilo que os pais não podem proibir. As duras jornadas de trabalho, encontradas principalmente entre os empregos oferecidos às pessoas de baixa renda, fazem com que os pais tentem suprir a carência deixada nos filhos através da liberdade excessiva, não impondo limites.

FREITAS (2009) afirma que essa realidade averiguada em muitas famílias é resultado de um processo histórico do desenvolvimento da disciplina dentro dos grupos familiares, o qual se pode dividir em três etapas: a de nossos avós, a dos professores e pais, e a dos jovens. A primeira usava de autoridade massacrante na educação dos filhos, cultivando a obediência cega e o autoritarismo. A segunda queria dar aos filhos aquilo que não tiveram, abolindo o uso da autoridade. Segundo FREITAS (2009) "por confundí-la com autoritarismo caíram na permissividade". Essa geração talvez seja a mais comum hoje. Os pais e professores têm dado muita autonomia as crianças ainda não preparadas para discernir as conseqüências de seus atos.

A terceira etapa seria conseqüência da etapa anterior. Indivíduos crescem com comportamento, atitude e discernimento fragilizados pela falta de valores não transmitidos pela família e pela escola.

A liberdade deve sim existir, mas variando conforme as pretensões desejadas. Não se pode permitir que uma criança ou adolescente seja dona de seus atos se não estão preparados para arcar com suas conseqüências.

O que se nota em muitos casos, é uma casa com crianças e sem adultos que se responsabilizem por elas. Este é um exemplo de liberdade sem responsabilidade. Crianças têm que aprender a lidar com liberdade responsável. Mas quem ensina a responsabilidade a essas crianças se seus pais estão fora, trabalhando? Ninguém. Se não tem adulto em casa, a quem essas crianças terão de obedecer? Ninguém. A falta de autoridade dos pais se reflete na convivência em sala de aula com os professores. TIBA (1996) conclui que filhos precisam de pais para ser educados, alunos precisam de professores para ser ensinados. Sem a educação dada pelos pais a criança não cumpre o seu dever como aluno. Como aprender sem ser educado para isso? Em contrapartida o professor, cuja função é orientar o processo de aprendizagem não pode se ocupar de um papel que não é seu. Até porque o trabalho realizado por ele não surtirá efeito se em casa os hábitos de educação não mudarem.

Apesar disso, não se pode desconsiderar a situação social a que a terceira geração está inserida. Hoje o professor não é a única fonte de aprendizagem. Sua tarefa no processo de ensino/aprendizagem mudou. Ele não detém todo o conhecimento nem toda a verdade. Atualmente sua função é orientar o estudante na busca e na construção do seu próprio conhecimento. O aluno já não é mais apenas um mero expectador do trabalho do professor. Ele interage no processo, pois já traz consigo informações adquiridas do meio onde vive. Segundo REBELO (2002) o que mais contribui para a indisciplina na escola é a prática e a resistência docente, além do currículo, a não participação dos pais na vida dos filhos e a falta de prioridade dos políticos com a educação.

Observa-se então que a culpa da indisciplina escolar é múltipla e não pode ser atribuída apenas à família, mas a todo um conjunto de fatores, em especial a crise ética na sociedade neoliberal que vivemos.

É essencial ressaltar a importância da falha no trabalho docente na conjuntura da indisciplina encontrada nas escolas brasileiras. Enquanto a sociedade e o cidadão mudam, a escola se opõe a transformação. As práticas permanecem as mesmas aplicadas há décadas. Apesar de todos os estudos e artigos publicados insistirem numa mudança e nortearem as novas tendências, os professores permanecem com suas metodologias inadequadas.

Isso não só é visto nas escolas de Ensino Básico, mas também em cursos de formação superior. Salas fechadas, organizadas em filas, com um professor expondo conteúdos que o aluno não percebe a significância.

Por sua vez, as políticas públicas nacionais não estimulam estas transformações. As tentativas propostas pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – 1996, até o momento não foram capazes de modificar nem mesmo os currículos, a fim de torná-los mais adequados para a situação social atual.

 

4 ANÁLISE DE CASOS E INTERVENÇÕES NA ESCOLA

 

A partir conclusões obtidas nos estudos em grupo, o quadro de professores da Escola de Ensino Fundamental São Francisco começou-se a refletir sobre possíveis formas de amenizar a indisciplina em sala e suas conseqüências na comunidade escolar. Nos encontros pedagógicos quinzenais foi iniciado um profundo estudo sobre a indisciplina, suas causas e conseqüências em obras de autores consagrados, como Içami Tiba (1996) e Augusto Cury (2003). As leituras nortearam os trabalhos propostos pelo grupo. Nelas foram identificadas diversas suposições sobre as causas da indisciplina em crianças. Depoimentos de professores sobre suas experiências com atos indisciplinados também ajudaram no andamento dos trabalhos, tais como: "Há alguns pais que apenas matriculam seus filhos e parece considerar a sua missão terminada", discorre uma professora do 4º ano, ou "a permissão que os pais dão aos seus filhos em excesso é muito nociva", depõe a professora do 5º ano.

Deduz-se então que toda a sociedade tem sua parcela de culpa no problema, porém confirmou-se outra hipótese: a de que a vida familiar tem papel preponderante no comportamento do aluno na escola.

Nesses encontros os professores tiveram oportunidade de expor seu entendimento sobre a indisciplina escolar. Essas informações foram então analisadas e utilizadas como fonte de dados para a continuidade dos trabalhos.

Os alunos do Ensino Fundamental (séries iniciais) considerados indisciplinados, foram convocados a reuniões onde, através de diálogos dirigidos, foram questionados sobre temas, como: convívio familiar, relação com os professores e gestores, interesse pelas disciplina, relações com a sociedade em geral, a fim de identificar o perfil desses alunos e os fatores que influenciam os comportamento indisciplinados para a partir daí traçar ações para minimizar ou erradicar o problema na escola.

Após as entrevistas, as respostas foram analisadas, e como resultado obtivemos a confirmação das suposições iniciais. A maioria dos alunos indisciplinados trazia do seio familiar problemas psicológicos e sociais relacionados à autoridade e ao excesso de liberdade.

Foi a partir desses resultados que pudemos tratar de possíveis soluções para o problema. Destacamos entre as ações executadas: a elaboração de normas de comportamento e convivência a serem seguidas e respeitadas dentro da escola, visto que a não observância de regras gera indisciplina; encontros entre professores e pais desses alunos, dado que é imprescindível a colaboração dos pais no processo educacional da criança; continuação dos estudos durante os meses subseqüentes, no sentido de orientar as melhores condições de convivência segundo os especialistas.

 

5 RESULTADOS

 

Com os trabalhos concluídos pôde-se chegar a diversas constatações a respeito dos estudos, da realidade escolar, do trabalho docente, do perfil dos alunos, das ações estabelecidas e de suas conseqüências no cotidiano da escola. Confirmaram-se as suposições atestadas pelos textos analisados e pela experiência dos professores, as quais afirmam a importância do meio social e familiar no qual se insere a criança para o desenvolvimento de atitudes adequadas na escola.

Diante das respostas dos alunos indisciplinados, verificou-se a dificuldade no diálogo entre pais e filhos, o que dificulta a harmonia em casa e na escola. Muitos deles quase não vêem os pais, já que estes saem para a labuta muito cedo, deixando seus filhos sós ou nos cuidados de um irmão mais velho. Percebe-se, nesses casos, a ausência de recursos financeiros da família. FREITAS (2009) afirma "o dinheiro conseguido através do trabalho não dá para oferecer uma boa alimentação a seus filhos, necessitando assim, da ajuda de programas sociais do governo para sobreviverem". Nesse sentido é comum a perda da autoridade dos pais em relação às crianças, devido sua ausência em casa por causa do trabalho. Já não precisam pedir para fazer algo ou para ir a algum lugar, já que não há adultos para permitir ou proibir.

Verificou-se também nesses alunos a consciência das ações da maioria dos professores. Muitas das crianças (76% dos entrevistados) percebem a preocupação dos professores quanto à sua aprendizagem, apesar de não fazerem disso estímulo para um bom comportamento. Em outros poucos casos descritos (18%), o aluno percebe a falta de liderança e capacidade de reação do professor, o qual apenas envia o aluno indisciplinado à coordenação para que esta cuide da ocorrência.

As reuniões de estudo de casos entre os professores possibilitaram um maior entendimento das causas e conseqüências da indisciplina na sala de aula, dando-lhes subsídios para enfrentar de forma adequada os problemas encontrados. "Essa ação facilitou a tomada de decisões em sala perante uma situação de indisciplina", segundo a fala de alguns professores.

As normas de convivência elaboradas pelos próprios alunos se mostraram deveras efetiva, visto que as crianças levaram em consideração o fato de terem sido elas mesmas a construí-las, tendo assim que obedecê-las. Apesar disso, alguns ainda se mostram resistentes às mudanças de comportamento.

De acordo como o depoimento de professores, a ação mais significativa foi a intervenção da família na relação aluno/escola depois das reuniões. Quando os pais se mostravam dispostos a ajudar no trabalho docente os resultados apareciam de forma mais rápida e efetiva. Crianças com apoio dos pais demonstraram aumento de interesse pelas disciplinas e melhor convivência com os colegas. Nestes casos, verificaram-se avanços quantitativos e qualitativos na participação dos alunos nas aulas, refletidos em suas médias bimestrais.

Com a execução das ações planejadas constatou-se a melhora das atitudes dos alunos em relação às atividades de sala, conversas paralelas, recuperação das boas maneiras e aumento das médias bimestrais.

 

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os casos de indisciplina escolar têm se mostrado um problema de responsabilidade de toda a comunidade escolar. É de extrema importância a atenção que deve ser dada a essa questão, pois percebe-se um avanço em todas as séries/anos das escolas públicas e privadas. É necessário buscar alternativas válidas para combater a indisciplina em todos os ambientes escolares. Este processo, que requer meses ou mesmo anos de trabalho coletivo, deverá incorporar a criação de grupos de trabalho responsáveis por avaliar, planejar e desencadear determinadas mudanças e avanços na escola (GARCIA, 1999).

No trabalho realizado na Escola de Ensino Fundamental São Francisco uma etapa importante observada foi o envolvimento do corpo docente na luta contra a indisciplina e suas colocações sobre a vida pregressa e atual do aluno com dificuldade de comportamento. Essas colocações apoiaram as abordagens realizadas nos textos estudados. Com o fim dos trabalhos realizados, acreditamos que as ações implantadas foram suficientes para a sensibilização do aluno quanto às suas relações diante do professor, de seus colegas e da direção do Colégio. Dessa forma conseguimos alcançar nossos objetivos de minimizar os problemas com indisciplina no ambiente escolar, preparando o docente para a tomada de decisão adequada diante de alunos problemáticos. Conseguimos também atingir um agente importante na formação de nossos alunos: a família.

Portanto, concluímos que implementar ações sistematizadas que atinjam efetivamente as causas do problema constitui uma importante ferramenta no combate à indisciplina na escola, e mais importante ainda, na formação ética e social do aluno.

Para finalizar, é necessário lembrar que ainda precisamos avançar nas pesquisas, nas conquistas sociais e considerar outras visões além de explorar novas perspectivas. Esse trabalho não é um fim, mas sim, um meio para atingir um objetivo maior: a conquista da cidadania e de uma escola de qualidade, sendo que no caminho haverá sempre problemas a serem ultrapassados, até porque, sem uma mudança estrutural da sociedade, a escola poderá fazer muito pouco.

 

INDISCIPLINE IN SCHOOLS AS A DETERMINING FACTOR IN THE LEARNING PROCESS: THE EXPERIENCE OF SCHOOL IN SAN MARCO - CE.

 

ABSTRACT


The discipline is one of the biggest problems faced by schools. She is one of the factors that determine the failure of the student, reducing the quality of education and discouraging the faculty. It is a difficulty at all levels of Brazilian education, regardless of the level of the individual. This article deals with determining the causes of school discipline and its consequences in the teaching / learning process, suggesting alternative actions to combat the problems of behavior. The study was conducted at Elementary School San Francisco, City of Marco-EC through the process of exploratory research, systematic studies and meetings with the school community, focusing on the treatment of indiscipline in the school routine. Shares applied in cases were shown to be effective, changing the behavior of the students regarded as undisciplined, raising a family of children, minimizing the cases of indiscipline in the classroom and preparing for the teacher. It is, therefore, it is possible to reduce the number of cases of bad behavior by implementing simple and effective actions.

Keywords: Indiscipline school, School, Damage.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/indisciplina-na-escola-como-fator-determinante-no-processo-ensino-aprendizagem-a-experiencia-da-escola-sao-francisco-em-marco-ce-3138468.html

    Palavras-chave do artigo:

    indisciplina escolar

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    prejuizo

    Comentar sobre o artigo

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    Comments on this article

    1
    ronaldo 01/07/2011
    eu gostei muito
    2
    Paulo 29/06/2011
    eu acho q tudo q tah no texto e verdade sobre a indisiplina dos alunos (as)
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