Interpretes Do Brasil Império
O presente texto visa apresentar algumas interpretações de alguns autores sobre o período do Brasil Império como COSTA (1999), DIAS (2005), CARVALHO (1996) e REIS (1989) mostrando suas diferenças e suas semelhanças na analise da consolidação e as dificuldade de se manter no império do Brasil.
Inicia com COSTA (1999) defende a tese que o surgimento do Império no Brasil como uma influência que vem de fora, ou seja, é uma influencia de vários movimentos que estava ocorrendo na Europa durante esse período do século XIX, é que influenciou a independência do Brasil. Um dos exemplos que a autora coloca é a influencia da revolução francesa, mas precisamente na crítica das instituições políticas com uma grande influencias do pensamento de Jean-Jacques Rousseau em seu celebre livro do Contrato Social.
Já DIAS (2005) vai apresentar uma tese diferente sobre o surgimento do Império no Brasil argumentando que a independência não coincidida com a unidade Nacional, e defende a idéia que com a interiorização da Metrópole, quando a sede de Portugal vem para o Brasil (chegada da família real) consolida o processo de independência, pois a partir desse momento a colônia passa mandar na metrópole, e Rio de Janeiro passou mandar economicamente, por esse motivo a autora justifica que não é possível pensar nesse período que o Brasil continue sendo colônia de Portugal.
DIAS(2005) para justificar sua tese sobre a interiorização da Metrópole diz que com a chegada da corte portuguesa no Brasil ajudou para não fragmentação da unidade territorial, no entanto não existe um sentido de nacionalidade que identifique como povo brasileiro. E também ressalta quando a família real chegou ao Brasil valorizou a burguesia local, e a elite portuguesa passou a ser secundaria.
COSTA (1999) diz que influenciou a independência do Brasil são razões de relações internacionais no âmbito da colônia, pois ocorreram vários conflitos internacionais por causa dos monopólios impediam o livre comercio, no Brasil houve vários movimentos que foram influenciados por esses conflitos como a guerra dos Mascates em Pernambuco e Beckman no Maranhão que questionavam o Pacto Colonial como uma forma de opressão da Metrópole sob a colônia.
O ponto em comum existente entre COSTA (1999) e DIAS (2005) é que as duas autoras concordam que no momento da independência do Brasil não existiu uma identidade comum que unisse o povo para lutarem pela independência, pois o povo como não tinha acesso à educação não sabia o que estava acontecendo no mundo político, e na Bahia o povo queria a independência do Estado e não o Brasil como o todo.
CARVALHO (1996) diz que foi muito difícil da consolidação do Império no Brasil, pois existia uma fratura na burocracia, ou seja, uma luta constante entre três setores do poder que era o judiciário, os padres e os soldados, isso mostrava que a elite no Brasil estava em uma constante luta entre si, e isso dificultava o Império governar o Brasil.
COSTA (1999) fala dessa briga da elite no tempo do império diz que essa elite era composta por fazendeiros, comerciantes, e pessoas que ocupavam cargos no governo e diz que houve uma luta ferrenha pelo poder, por isso que D. Pedro I abdicou do poder da mesma forma que CARVALHO refletia, mas COSTA colocou outros atores dessa elite.
COSTA (1999) diz que a característica da elite no período do Brasil império era em sua maioria tinha mais de cinqüenta anos, poucos eram portugueses de origem e tinham estudado na metrópole, e muitas vezes estavam ligadas a família, além de terem sidos funcionários da colônia.
CARVALHO (1996) apresentando essa elite que estava brigando constantemente pelo poder, os magistrados geralmente vinha de Portugal, passavam pelo crivo de pureza de sangue, e antes de chegar ao Brasil passava 15 anos em experiência de magistrado em Portugal. Já os padres a maioria era de origem portuguesa da ordem dos jesuítas, e muitas vezes brigavam com Estado, e os militares de uma maneira particular a marinha era composto somente por nobres.
REIS (1989) apresenta uma versão sobre a questão da independência do Brasil partido de uma visão na luta pelo poder na Bahia em que a população baiana (brasileiros ou cabras) fez uma ferrenha oposição aos caiados (portugueses), pois estes dominavam a política da independência do Brasil. Os caiados nesse período dominavam a política e economia e isso incomodava os cabras. REIS defende a tese que houve muita confusão para a consolidação da independência do Brasil.
COSTA (1999) e REIS (1989) concordam que houve lutas pelo poder entre as elites por interesses diferentes, COSTA apresenta três partidos que brigam entre si os dos portugueses, partido dos portugueses e brasileiros e o partido republicano, o primeiro queria manter o vinculo com Portugal, o segundo queria manter duas coroas união entre Portugal e o Brasil como um único país, e o terceiro queria a instalação da república e acabar com império.
REIS (1989) diz que a três partidos brigando entre si o partido dos portugueses que queriam manter a ligação com Portugal, o partido brasileiro que não tinha um objetivo bem claro e partido do Negro que foi criado pela elite, mas que com o passar do tempo esse partido criou serio problemas para o mesmo.
DIAS (2005) diz que na formação do Brasil não houve uma consciência nacional, uma vontade de ser brasileiro, e COSTA (1999) diz que também na formação do Estado Brasileiro não houve um consenso do povo por lutar pela união do território nacional, pois todos queriam satisfazer os seus próprios interesses.
Assim, pode concluir COSTA (1999) apresenta a versão que houve uma influencia do externo sobre o interno, DIAS (2005) já diz que o processo de independência ocorreu internamente, já CARVALHO (1996) fala que a burocracia do estado (juízes, militares e padres) brigam entre si para conseguir o poder e REIS (1889) diz que o processo de independência foi muito conturbada e brigas interna pelo poder. Com analise desses interpretes pode-se repensar a formação da identidade nacional que ocorreu entre o século XIX.
REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA
COSTA, Emília Viotti da. “Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil”. IN Da monarquia a República: momentos decisivos. São Paulo: Editora da UNESP, 1999, p.19-60.
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. A interiorização da metrópole e outros estudos. São Paulo: Alameda, 2005, p.07- 37.
CARVALHO, José Murilo de. “Juizes, Padres, e soldados:os matizes da ordem”. IN A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Editora Relume-Dumará, 1996, p 155-180
REIS, João José & SILVA, Eduardo. “O jogo duro de dois de Julho”. IN. Negociação e conflito: resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p 79-98.
Perguntas e Respostas
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