Leitura De Livros Paradidáticos

16/08/2009 • Por • 12,423 Acessos

O Livro Paradidático

Os conhecimentos que o educando vai desenvolver ao longo de sua caminhada educacional estão estreitamente relacionados ao livro paradidático que a escola trabalha ao longo do período, com seus alunos.

Por mais diversificadas que sejam as concepções e as práticas de ensino e aprendizagem, possibilitar ao aluno a apropriação do conhecimento implica escolher uma abordagem metodológica, ser coerente em relação a ela e, ao mesmo tempo, contribuir satisfatoriamente para a consecução dos objetivos, quer da educação geral, quer da disciplina e do nível de ensino em questão.

Por outro lado, as estratégias propostas devem mobilizar e desenvolver várias competências cognitivas básicas, como a compreensão, a memorização, a análise, a sintaxe, a formulação de hipóteses e o planejamento. Portanto, o livro paradidático não poderá, em detrimento das demais, privilegiar uma única dessas competências, sob pena de induzir a um domínio efêmero dos conteúdos escolares e comprometer o desenvolvimento cognitivo do educando.

Segundo Rangel,

Como instrumento e reflexo dessa situação particular, o livro paradidático precisa atender a essa dupla exigência; de um lado, os procedimentos, as informações e os conceitos propostos nos manuais escolares devem ser corretos do ponto de vista das áreas do conhecimento a que se vinculam. De outro lado, além de corretos, tais procedimentos, informações e conceitos devem ser apropriados à situação didático-pedagógica a que servem. Em decorrência disso, necessitam atender ao consenso dos diferentes especialistas e agentes educacionais quanto aos conteúdos mínimos a serem contemplados e ás estratégias legítimas para a apropriação desses conteúdos. Na medida em que os currículos são a expressão mais acabada desse consenso, é imprescindível que os livros paradidáticos considerem as recomendações comuns às diferentes propostas curriculares estaduais e municipais em vigor. (2000, p.08)

Considera-se fundamental que o livro paradidático venha acompanhado de orientações ao professor que explicitem os pressupostos teóricos, de bibliografia e de sugestões de leituras que contribuam para sua formação e atualização. É importante que oriente o docente para a articulação dos conteúdos do livro entre si e com outras áreas do conhecimento, trazendo, ainda, proposta e discussão sobre a avaliação da aprendizagem. É desejável, também, que apresente sugestões de atividades e de leituras para os alunos.

O livro paradidático é um recurso indispensável dentro do espaço escolar, pois o professor pode utilizá-lo como suporte para planejar suas aulas, elaborar atividades, selecionar questões, ampliar seus conhecimentos, elaborar avaliações. Para o aluno o mesmo torna-se indispensável, pois é através dele que o mesmo interage com a história, desenvolve pesquisas, e conhece civilizações, povos e culturas que existiram há centenas de anos.

A educação escolar caracteriza-se pela mediação didático pedagógica que se estabelece entre conhecimentos práticos e teóricos. Por isso mesmo, seus procedimentos e conteúdos devem adequar-se tanto á situação especifica da instituição escolar e do desenvolvimento do educando quanto aos diferentes saberes a que se recorre.  (RANGEL, 2000 p.08)

O livro paradidático é peça fundamental para o cumprimento do currículo escolar, pois com o livro o aluno lê e resolve as atividades no próprio livro sem perca de tempo, sem o livro paradidático o professor tem que tirar uma aula para copiar o conto, a fábula, a história, outra para copiar a atividade de leitura e observação dos fatos e outra para copiar o conteúdo como foco, personagens, lição de vida ou moral da história, todas essas ações poderiam ser realizadas em uma única aula se o professor tivesse o livro paradidático como recurso facilitador da aprendizagem e da leitura.

Quando não há o livro na sala de aula o professor acaba por perder muito tempo copiando conteúdos e atividades, e assim acaba por não conseguir cumprir com a proposta curricular. Portanto, não se pode perder de vista que o objetivo último da educação escolar é “preparar o educando para o exercício da cidadania” e “qualificá-lo para o trabalho”.  E isto só se torna possível quando a escola dispõe de bons livros paradidáticos de apoio facilitando assim o processo de ensino e aprendizagem.

A importância do livro paradidático para o desenvolvimento da leitura

Ler é essencial. Através da leitura, testa-se os próprios valores e experiências com as dos outros. No final da leitura de cada livro, fica-se enriquecido com novas  experiências, novas idéias, novas pessoas. Eventualmente, fica-se conhecendo melhor o mundo, e um pouco mais de si mesmo.

O livro pode ser entendido como um documento escrito e assinado pela mão da humanidade, que registra a vitória do saber sobre a calamidade da ignorância. Ele é o documento do passado, do presente e uma visão profética do futuro, que ajuda a pessoa a entender o mundo, a vida e a si mesmo. (MENEGOLLA, 1991, p. 100).

Ler é estimulante. Tal como as pessoas, os livros podem ser intrigantes, melancólicos, assustadores, e por vezes, complicados. Os livros transportam as pessoas para outros tempos, outros lugares, outras culturas. Os livros possibilitam que se vivencie em situações e dilemas que nunca poderia imaginar encontrar. Os livros ajudam a sonhar e pensar.

Nada desenvolve mais a capacidade verbal que a leitura de livros. Na escola aprende-se gramática e vocabulário. Contudo, essa aprendizagem nada é comparada com que se pode absorver de forma natural e sem custo através da leitura regular de livros.

Alguns livros são simplesmente melhores que outros. Alguns autores vêem com mais profundidade o interior de personagens estranhas, e descrevem o que eles vêem e sentem de uma forma mais real e efetiva. As suas obras podem exigir mais dos leitores: consciência das coisas implicadas em vez de meramente descritas, sensibilidade às nuances da linguagem, paciência com situações ambíguas e personagens complicadas, vontade de pensar mais profundamente sobre determinados assuntos. Mas o esforço vale a pena, pois esses autores podem proporcionar aventuras que permanecem na memória para toda a vida.

É essencial perseverar. A maioria da boa escrita é multi-facetada e complexa. É precisamente essa diversidade e complexidade que faz da literatura uma atividade recompensatória e estimulante.

Muitas vezes um livro tem que ser lido mais de uma vez e com abordagens diferentes. Estas abordagens podem incluir: uma primeira leitura superficial e relaxada para ficar com as principais idéias e narrativas; uma leitura mais lenta e detalhada, focando as nuances dos textos, concentrando-nos no que nos parece ser as passagens chave; e ler o texto de forma aleatória, andando para trás e para frente através do texto para examinar características particulares tais como temas, narrativa, e caracterização dos personagens.

Segundo Ferreiro:

A necessidade de ler, de se informar, de estar atento aos grandes e pequenos temas, de abandonar a passividade e opinar sobre tudo que nos cerca. A leitura nos dá a segurança na construção da linguagem clara dizendo o que queremos dizer. A informação nos garante um nível satisfatório de argumentos. (FERREIRO, 2004, p.27)

Todo leitor tem a sua abordagem individual, mas o melhor método, sem dúvida, de extrair o máximo de um livro e lê-lo várias vezes.

A leitura é importante em todos os níveis educacionais. Portanto, deve ser iniciada no período de alfabetização e continuar nos diferentes graus de ensino. Ela constitui-se numa forma de interação das pessoas de qualquer área do conhecimento.

A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento. Está intimamente ligada ao sucesso do ser que aprende. Permite ao homem situar-se com os outros. Possibilita a aquisição de diferentes pontos de vista e alargamento de experiências. É também um recurso para combater a massificação executada principalmente pela televisão. Para o educando, o livro é ainda um importante veículo para a criação, transmissão e transformação da cultura.

Através do hábito da leitura, o homem pode tomar consciência das suas necessidades, promovendo a sua transformação e a do mundo.

O livro pode ser considerado como precioso recurso de ensino. No entanto, não é tão popular como o giz, o quadro negro, o lápis e o caderno. É grande o número de livros aditados, com inúmeros títulos diferentes que poderiam, se bem utilizados, concorrer para a melhoria da qualidade do ensino, Campos (1987, p. 38) enfatiza que:

O professor tem a liberdade de escolher as obras didáticas para seus alunos em função do conhecimento que tem dos livros, da escola e dos alunos. Pode ainda usar de materiais impressos para o ensino de sua disciplina: dicionários, revistas, jornais e outros e, até mesmo, elaborar seus próprios textos, incentivando assim as muitas formas de ler.

É necessário que se lembre que a educação do ser humano envolve sempre dois fatores, como nomeia Ferreiro (1985); formação e informação. Por isso, os conhecimentos transmitidos às novas gerações devem ser trabalhados com os valores e costumes para que ocorra a sobrevivência e evolução da cultura. Os textos podem ser utilizados na realização de objetivos educacionais tanto para formar como para informar.

A aprendizagem da leitura sempre se apresenta intencionalmente como algo mágico, senão enquanto ato, enquanto processo da descoberta de um universo desconhecido e maravilhoso. Freire (1985 p.43) diz: “ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém educa a si mesmo; os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Refletindo melhor, se poderia dizer: ninguém ensina ninguém a ler. O aprendizado é em última instância, se desenvolva na convivência, cada vez mais com os outros e com o mundo, naturalmente!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa teve por finalidade levar o educador a refletir sobre as práticas de leitura desenvolvidas com o apoio do livro paradidático em sala de aula, mostrando tipos de leitura e a importância de se desenvolver a mesma no espaço escolar, pois é através da leitura que o educando interage com os outros e desenvolve, assim, a suas habilidades cognitivas.

Essa interação proporciona o conhecimento da própria realidade social, cognoscitiva e tecnológica como um todo, pois uma triste realidade que podemos observar na escola, é que a maioria dos educadores utiliza o livro didático como único elemento chave da sua prática pedagógica. Sendo assim torna-se para o educando o ensino um processo doloroso. Onde o verdadeiro papel do nosso sistema educacional deveria ser o de acordar o homem para ter vez e voz, de concordar ou discordar, de falar e de calar, de defender seus direitos, quando isto for necessário. Proporcionar uma educação para a inclusão cognoscitiva, ensinando a estender a mão para salvar o homem e não para esmagá-lo. Educar não é oprimir. É libertar. É contestar.

De tudo o que se pode observar, um grande e importante objetivo para o ensino é a formação de um leitor maduro. A maioria dos autores consultados falam em leitor crítico. Tanto a primeira expressão quanto a segunda expressam o grau de aprendizagem do educando e a sua formação para um leitor consciente não depende somente de sua trajetória escolar.

Quanto se delimitou o tema, o que se quis estipular foi que, a superação das dificuldades, e mais especificamente com relação à leitura, não é tarefa de um uma única instituição social, mas de toda a Nação como um todo, através da definição de um projeto político, econômico e social que vise a melhoria das condições de vida da população e seu acesso aos bens socialmente produzidos, incluindo  o conhecimento elaborado.

É preciso que todos os profissionais envolvidos na educação tenham a consciência de que é fundamental que o poder público estabeleça uma política educacional clara, com objetivos bem definidos, que garanta atendimento escolar de boa qualidade a toda à população e, ao mesmo tempo, respeite as diversidades sócio-culturais.

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Perfil do Autor

Walderclaudio Nascimento Santos

Graduado em Pedagogia e LETRAS; Pespecialista em Português e Literatura; Gestão e Coordenação escolar e Docência do Ensino Superior em Educação. Mestre em Educação; Doutorando em Educação.