Leitura: Um Processo Da Sala De Aula E Da Biblioteca

28/03/2009 • Por • 4,603 Acessos

A prática de leitura é um fator que deve ser realizado, enfaticamente, na sala de aula e na biblioteca, fazendo uso de livros didáticos e paradidáticos, revistas, jornais, literatura clássica entre outros, a fim de transformar em  qualidade a relação textual com o mundo do leitor.

Vislumbrando este enunciado, este ensaio é significativo porque abordará dois fatores importantes que são realizados na escola, a leitura na sala de aula e seus resultados e o uso da biblioteca como formadora social de leitores.

As argumentações para o esclarecimento deste assunto estarão voltadas para a importância da leitura na sala, ao se perceber a significação do compartilhar as suas concepções e, da biblioteca, ao se identificar a sua função social como formadora de leitores.

Entende-se que a prática de leitura desenvolve com muita segurança, habilidades consideradas difíceis como a da construção de textos e a da explanação de críticas referente aos assuntos lidos. Mas para torná-las possíveis existem as formas de leitura que quando bem trabalhadas em sala enriquecem as práticas de aprendizagem dos alunos, dentre elas a leitura de textos infantis, os quais têm o poder de estimular, em qualquer tempo, os leitores a construírem postura crítica e a serem convocados a produzir textos.

Segundo CUNHA ( 1999, p. 27) isso é possível perceber ao entendermos que,

A Literatura infantil enquanto manifestação artística não é traição: apesar de ser sempre o adulto a falar à criança,  se ele for realmente artista,  seu discurso abrirá horizontes, proporá reflexão e recriação, estabelecerá a divergência, e não a convergência e, suas verdadeiras possibilidades educativas estão aí.

Nessa perspectiva, os educadores têm um papel primordial nesse processo, entendendo-se que de um modo geral devem ter total consciência da importância da leitura a ser realizada na sala de aula a fim de transformar a sua própria história enquanto cidadão. Cabe então ao professor a responsabilidade de transformar o espaço da sala de aula em um lugar atraente ao prazer e ao gosto pela leitura.

  Uma vez transformado o espaço da sala de aula em fonte de prazer os alunos devem fazer o compartilhamento das experiências das leituras. Este processo é feito hoje em diversas escolas, onde os professores direcionam os alunos a relatarem as concepções das leituras realizadas. Os relatos ocorrem através de expressão oral, de encenações e de julgamento.

 Acredita-se que com este trabalho os alunos se tornem sujeitos mais ativos diante dos processos  de leitura em sala de aula, podendo com isso desenvolver suas habilidades de leitura e num segundo plano a escrita e assim  efetivar o seu processo de aprendizagem, pois para entender o mundo que nos cerca, é necessário compreendê-lo, explicá-lo e interpretá-lo, dado o que diz GEMIGNANI (1998: p.63) onde a criança comunica, o professor capta, interpreta, desenvolve e acrescenta.

É sabido que o professor tem um papel importantíssimo no processo de leitura, pois a ele cabe toda a tarefa de "fechamento", que é o de possibilitar o relato das experiências oral ou escrita, do pensar críticos diante dos textos a que o aluno está sendo submetido a ler e ainda fazer ao aluno compreender que este momento é o dia maior significação para ele por ter a oportunidade de mostrar o que está sendo feito no âmbito de sala de aula.

O processo do compartilhar as experiências funciona como um mecanismo capaz de atingir o anseio maior do professor, o de verificar se os alunos estão compreendendo o que é lido, pois ele irá mostrar segundo suas concepções, o que conseguiu observar quando da realização da leitura. Com isso as dificuldades reflexivas, interpretativas e de construção de novos textos, a partir dos textos lidos e trabalhados em sala com os alunos irão lhes trazer mais condições de ler textos diversos e criar outro texto partindo do que leu.

Trata-se com isso de uma prática que também pode ser feita com o uso do livro didático. Quanto a isso verifica-se nas escolas o trabalho com os textos dos livros adotados a partir da escolha de docentes, comunidade escolar, associação de apoio e discentes. Como fator significativo cita-se o livro Linguagem: Criação e interação. Neste livro os textos seguem o que determina os Parâmetros Curriculares Nacionais, por estarem selecionados de acordo com os preceitos da construção crítica e reflexiva.

Os textos a serem selecionados são aqueles que, por suas características e usos, podem favorecer a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem, ou seja, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. (PCN, pág. 24).

 

Seguindo esses preceitos os textos trabalhados em sala atendem efetivamente os anseios da leitura por servirem de pontos de reflexão e de encaminhamento para os atos de dissertação a todos os discentes. Isso pode ser compreendido nas palavras de Brandão (2002, p. 40):

Os textos dissertativos visam instrumentalizar o professor na sua tarefa de desenvolver no aluno o seu papel de leitor crítico e que, de forma mais aguçada, poderá ser capaz de atravessar os significados implícitos no texto e se tornar sujeito do processo de construção do sentido.

 

Percebe-se ainda que as escolas se preocupam muito em cumprir o que vem sugerido nos livros didáticos, tanto em referência à norma quanto aos conteúdos. A leitura é trabalhada com o objetivo de fazer com que o aluno perceba a utilização e significação dos textos apresentados para que estas não sejam leituras consideradas prontas, porém capazes de levar o aluno a identificar valores a serem alcançados para aprendizagens significativas a partir do que realmente desperte o seu interesse.

Mesmo fazendo uso de bons textos dos livros didáticos e de outros textos na sala de aula o professor deverá ter em seu plano de aula o que pretende alcançar com a leitura trabalhada na formação de leitores para que estes sejam capazes de mergulhar na prática de todas as leituras sugeridas, pois se a escola deseja formar alunos leitores a partir da sala de aula ela deverá mostrar os mecanismos que tornem os alunos leitores de destaque dentro do próprio espaço de estudo.

Considerando os textos do livro didático e/ou aqueles que de forma avulsa são levados para a sala de aula pelo professor fica perceptível que este espaço pode ser realmente o lugar onde os alunos irão ter a capacidade de desenvolver suas habilidades e competências diante do mundo da leitura e, como conseqüência da escrita.

Mas o trabalho com a leitura não esbarra da sala de aula, ele deve ser visto também a partir do espaço da biblioteca, o qual deve amplamente explorado pelos professores para que os alunos tomem gosto por leituras diversas, a qual pode ser vista como propagadora da função social do ato de ler.

Sabe-se que o aluno que lê mais e que tem o habito de ler revela um desempenho melhor, posiciona-se de forma crítica diante dos fatos, acontecimentos, é capaz de selecionar os textos que atendam a uma necessidade sua, interpreta, analisa e produz com eficácia. Tudo isso quanto posto em prática pelo uso da biblioteca revela que é preciso ter a mesma como um espaço de formação de leitores, principalmente ao se entender que a esta é uma grande parceira dos resultados educacionais e significativos que se pode atingir no processo de ensino e aprendizagem.

O uso da biblioteca nas escolas é essencial para o desenvolvimento da leitura dos alunos, dos professores e de outros que dela fazem uso. Ela exerce a função social à medida que transfere sua riqueza de conhecimentos, que fornece livros e leituras com diferentes objetivos, onde o leitor pode ler para se divertir, ler para escrever, para estudar, para ampliar os conhecimentos, obter informações e comportar com sujeito crítico. Portanto, a leitura na nossa sociedade, é uma condição para dar voz ao cidadão e, isso acontece quando ele tem acesso aos livros, os quais podem levá-lo a ter uma leitura/interpretação da vida a fim de ajudá-lo na transformação de si mesmo e do mundo.

A biblioteca é um ambiente propício para a leitura, condição indispensável ao desenvolvimento social e a realização individual do homem. Através dela, pode ser experimentar a complexidade, a multiplicidade da escrita. E sabe-se que a escola representa a única oportunidade de ler que muitos alunos têm. É necessário, portanto, propiciar na biblioteca a dinamização da cultura da leitura viva, diversificada e criativa, que representa o conjunto de formas de pensar, agir e sentir de cada aluno frente a suas expectativas de mundo e de formação cidadã.

Visitas freqüentes à biblioteca podem ajudar os alunos a desenvolverem o papel de leitores e compreenderem o papel da escrita. Pode ainda lhes dar condições para que aprendam os procedimentos adequados à postura adequada que devem apresentar enquanto usuários de diversos livros, revistas, jornais. A leitura diária, seja de histórias, piadas, jornais, gibis, adivinhações, revistas, além de explicitar a função social da leitura ajuda o aluno a ampliar seus conhecimentos.

Para que a biblioteca exerça sua função social torna-se necessário que a escola desenvolva um trabalho de equipe, principalmente entre os professores e bibliotecários, que influenciem a comunidade escolar, promovendo o hábito de ler por meio de oficinas, de leituras variadas (oficina de gibi, de contos, de clássicos, de dramatizações, etc), cantos de leitura, atividades teatrais.

O fator social que aqui se discute está relacionado ao ato de permitir ao leitor o alcance de valores de cidadania que só podem ser atingidos quando se tem acesso ao mundo da palavra e, isso pode ser contemplado, exatamente na biblioteca.

A leitura deve ser vista aqui como uma habilidade humana que permite o acesso do povo aos bens culturais já produzidos e registrados pela escrita e, portanto, como meio de conhecimento e escrita dos fatos históricos, científicos, etc. E como um dos meios práticos de sua ampliação no mundo social. (EZEQUEIL, 1986, p. 85).

 

Não basta apenas entender que se deve ler na biblioteca é preciso identificar como ocorre o trabalho nela. O seu uso adequado está na possibilidade de garantir o contato, o acesso da comunidade à leitura contribuindo com o combate à alienação, proporcionando a participação plena e estimulação das inteligências.

Atividades de competições são um dos exemplos que a biblioteca utiliza para incentivar a participação discente na leitura. Esta é uma modalidade que permite ao aluno ter acesso a vários estilos empregados nos livros, pois conta nesse processo a quantidade de exemplares lidos e, em decorrência uma diversidade de gêneros conhecidos. Além disso, os alunos realizam pesquisas de conteúdos diversos, os quais são fixados muito mais que quando simplesmente trabalhados na sala de aula pelo professor, porque ao fazer isso o aluno terá a sua capacidade crítica posta em prática ao fazer suas sínteses.

Observa-se nas práticas educacionais que a biblioteca dentro da escola é um lugar que oferece estímulo porque repassa aos discentes a imagem do mundo que lhes está à frente, o qual precisa ser desvendo quando do acesso aos livros. Além disso, os alunos identificam-se como atores, sendo esta visão alcançada quando eles se compreendem como sujeitos ativos diante daquilo que estão lendo e, como conseqüência formulam o desfecho de cada história.

Nesse mundo de leitura o aprendizado do aluno na escola depende também do gosto de ler, sendo este repassado pelo ato "apaixonado" do professor, ao estar na sala de aula e dela fazer uso para a ampliação das leituras de seus alunos, e do bibliotecário, ao incentivar a visita à biblioteca para o conhecimento de diversos assuntos.

Realizar estes dois processos de leitura aqui abordados é permitir a formação de leitores, pois o ato de ler representa a ferramenta indispensável para o exercício da cidadania. Com isso, entende-se a que a leitura não é um ato puramente individual, antes é  uma prática social, pois ela não ocorre apenas para aquele que a faz, ela pode ser repassada aos que não a leram ao se fazer o compartilhar da mesma.

 

REFERÊNCIAIS

 

BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa; 3º e 4º Ciclos. Brasília MEC/SEF, 1998.

SILVA, Ezequiel Theodoro da.  Leitura na Escola e na Biblioteca.  8.ed. São Paulo: Papirus, 1986.

GEMIGNANI, Helena. Anotações sobre metodologia e prática de ensino na escola de 1º grau. 3 ed. São Paulo; Loyola, 1998.

KLEIMAN, Ângela. Oficinas de leituras: teoria e prática. 6 ed. Campinas/ SP; pontes, 1998.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Terceiro e quarto ciclos de Ensino Fundamental - Língua Portuguesa, 5ª a 8ª séries. Secretaria de Educação Fundamental. - Brasília: MEC/SEF, 1998.

SOUZA, Cássia Leslie Garcia de. Linguagem: criação e interação. 3.ed. - São Paulo: Saraiva, 2002.

Perfil do Autor

Rubens

Assessor de Currículo de Língua Portuguesa do Ensino Médio na Diretoria Regional de Ensino de Araguaína-TO.