Linguagem e cultura popular: a família como a principal formuladora

Publicado em: 19/06/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 1,594 |

INTRODUÇÃO

A linguagem em sua diversa forma de se apresentar, permite ao ser humano expressar qualquer pensamento, o que faz dela a base de todo o conhecimento. Apesar disso, a ciência que a estuda, a linguística, é pouco conhecida, embora tenha sido a primeira disciplina de humanidades a ganhar status científico. Conhecer um pouco da história e da importância da linguagem na família e em outras instituições em que é trabalhada essa temática é o objetivo deste trabalho.

 A linguagem é tão importante que, sem ela, não seríamos capazes de pensar, pois todo pensamento estrutura-se na forma de alguma linguagem, seja ela verbal, visual, gestual, etc. O filósofo grego Parmênides (535-450 a.C.) já dizia que "ser e pensar são uma só e a mesma coisa", ideia reafirmada pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650) na famosa frase "penso, logo existo".

Quando se debate a questão da linguagem, a primeira pergunta é: "Por que o homem fala?" Na verdade, todos os animais usam alguma forma de linguagem, mas os diversos ruídos que produzem só expressam ideias genéricas de sentimentos, como fome, dor ou medo. O homem é o único a usar uma linguagem articulada, capaz de expressar todas as formas de pensamento, inclusive conceitos abstratos.

Várias teorias tentam explicar como o homem passou de grunhidos isolados a um sistema de elementos articulados (as palavras) que se combinam por um conjunto de regras (a gramática), formando conceitos complexos. A explicação mais recente é a "teoria da torre de Babel", inspirada na lenda bíblica segundo a qual, no princípio, todos os homens falavam a mesma língua, que teria sido confundida por Deus como castigo à ambição humana de atingir o céu construindo uma torre.

O trabalho se apresenta em etapa a primeira aborda os primeiros interesses em estudar essa linguagem, por que os autores como Rousseau pesquisou a importância da mesma para o desenvolvimento do homem? Por que no inicio os conceitos dos homens começou a crescer e entre eles se estabeleceu uma relação, mas próxima, antes essa linguagem era transmitida de outra forma.

Na segunda é trabalhado o processo de linguagem como identificação. Assim como a nossa cultura essa passa por muitas mudanças na sociedade, processo esse que vai de acordo com a convivência. O homem usa a linguagem para diversos fatores dentre ele para sua sobrevivência, por que sem ela não havia a interação entre em si.

A terceira vai apresentar a família como aspecto relevante na transmissão dessa linguagem, mesmo tendo outros ares é nela que se terá o primeiro contato autores como Vygotsky, Ochs, dentre outros vão estar presente nesse trabalho. Por fim teremos a discursão e a importância dessa temática para a sociedade.

  1. 1.       A CONSTRUÇÃO DA LINGUAGEM

O homem é o único animal capaz de se comunicar através da linguagem, e pensar antes de agir. O interesse pela linguagem se apresenta na Grécia no interior da filosofia, muitos conceitos surgem para tentar explicar o surgimento da linguagem.

Na busca pela sobrevivência, os organismos vivos precisam desempenhar algumas atividades de modo a garantir, essencialmente, condições de nutrição, reprodução e de proteção do perigo. Sabe-se também que essas condições só podem ser obtidas a partir do conhecimento, mínimo que seja, do meio ambiente em que se vive.

A linguagem propriamente dita só teria começado "quando as ideias dos homens começaram a estender-se e a multiplicar-se, e se estabeleceu entre eles uma comunicação mais íntima, procuraram sinais mais numerosos e uma língua mais extensa; multiplicaram as inflexões de voz e juntaram-lhes gestos que, por sua natureza, são mais expressivos e cujo sentido depende menos de uma determinação anterior". (Jean Jacques Rousseau, "Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens").·.

Já o filósofo e psicólogo americano George Herbert Mead (1863-1931), contrariamente a Rousseau, afirmava que a linguagem gestual precedeu a linguagem falada. A necessidade de combinarem certos gestos para coordenarem suas ações durante as caçadas ou fugas de outros animais levou os homens a desenvolverem certos gestos comuns que se repetiam.

            O surgimento da linguagem atende muitos conceitos, as primeiras explicações sobre a origem da linguagem têm seus fundamentos na religião. Deus teria dado a Adão uma língua e a capacidade de nomear tudo o que existe. Apenas uma língua, em que cada palavra teria apenas um significado. São explicações que atendem as necessidades da época.

Havia a necessidade de referir-se aos próprios instrumentos que o homem havia criado. Em seguida, era preciso criar formas para transmitir as intenções relativas à organização das atividades.  Pode-se dizer, portanto, que os seres humanos criaram a linguagem para tentar se entender. Será que conseguiram?

A linguagem assim como a sociedade passa por muitas modificações, cada cultura adapta – se ao seu ambiente. Na espécie humana, as formas de atividade e de organização desenvolveram-se de maneira tão diversa e complexa justamente porque deram origem à linguagem.

 A diferença entre a linguagem dos homens e a dos outros animais parece estar na capacidade que os primeiros têm de negociar sobre as atividades que desempenham. Nas demais espécies, o conhecimento dos indivíduos a respeito do meio ambiente e do outro inclui a capacidade de reagir ao sinal que emitem.

Porém, não há aquilo que entre os homens se convencionou chamar de "conversação". E como surgiu a conversação? Acredita-se que o homem, por ter criado e desenvolvido instrumentos que ampliaram sua capacidade de ação, passou a sentir a necessidade de discutir com seus semelhantes a respeito da divisão das tarefas no interior de uma comunidade.

Havia a necessidade de estabelecer qual atividade deveria caber a este ou aquele indivíduo, de posse deste ou daquele instrumento. Não é difícil imaginar que essa distribuição de funções gerasse controversas no seio da coletividade e que, para se chegar a um acordo, fosse preciso negociar.

Até hoje o surgimento dessa linguagem ainda é questionada e pesquisada. Um dos principais instrumentos que o homem aprendeu a usar para conhecer, explicar, entender e ver os aspectos relevantes de sua existência.

Chomsky define o conjunto de princípios e regras que determinam o uso da linguagem como "gramática universal". Trata-se de um sistema de princípios, condições e regras que são elementos ou propriedades de todas as línguas humanas. Esse sistema seria o resultado de um longo processo de evolução biológica, que constituiria a essência da linguagem humana (SILVA, 2008).

3.  A LINGUAGEM COMO PROCESSO DE INDENTIFICAÇÃO

           

Para Vygotsky, a história da sociedade e o desenvolvimento do homem estão totalmente ligados, de forma que não seria possível separá-los. 

Os seres humanos podem comunicar-se de várias maneiras distintas, como por exemplo, através de gestos, escrita, códigos, telefone, email, seja de qualquer lugar do mundo as pessoas conseguem se comunicar. Acreditamos que toda e qualquer comunicação tem como objetivo transmitir algum tipo de mensagem.

O papel central atribuído à linguagem numa e noutra ideologia explica-se por sua fundamental importância no contexto cultural: a linguagem é, ao mesmo tempo, o principal produto da cultura, e é o principal instrumento para sua transmissão. Por isso, o confronto ou comparação entre culturas - que é, em essência, o que esta presente tanto na ideologia da deficiência cultural quanto na ideologia das diferenças culturais - é, básica e primordialmente, um confronto ou comparação entre os usos da língua numa ou noutra cultura. (SOARES – 2001, p. 16)

           

A sociedade é feita de cultura. A cultura produz sociedade, assim como a língua. Cultura é todo fazer humano que pode ser transmitido de geração a geração. A língua é, portanto, um elemento da cultura de um povo. Formamos as pessoas, e consequentemente, somos formados por língua.

A língua tem poder sobre toda a sociedade, pois nenhuma sociedade sobrevive sem Linguagem, levando em consideração que o ser humano é, por natureza, um ser social. A informação e até a própria sobrevivência do homem dependem dessa, que é realizada através da língua. A língua tem formação psicológica, antropológica, sociológica, como já foi dito, e também científica, por meio da linguística, ciência instaurada por Ferdinand de Saussure.

A linguagem como identificação se da no ventre da mãe, pois a criança é capaz de identificar sua genitora ao nascer esse vinculo vai se tornando mais forte, seu desenvolvimento começa adaptar-se ao meio. 

Para Vygotsky, a aquisição da linguagem passa por três fases: a linguagem social, que seria esta que tem por função denominar e comunicar, e seria a primeira linguagem que surge. Depois teríamos a linguagem egocêntrica e a linguagem interior, intimamente ligada ao pensamento. Portanto a língua é o meio de locomoção, formação, e desenvolvimento da sociedade, aliada a outros fatores.

 Vivemos num mundo globalizado, o mundo do desenvolvimento. Se o desenvolvimento depende diretamente da língua, será que chegaríamos ao nível de desenvolvimento onde nos encontramos?A sociedade entendendo suas necessidades e procurando saná-las criou muitas mudanças na forma de ver a linguagem.

 Tudo isso seria possível sem a existência da língua? Não. Pois há um fator que forma a sociedade: o homem. E há um elo entre o homem e seu habitat, algo que liga os homens: a língua.

"O homem é por natureza um animal social [...] Como costumamos dizer, a natureza não faz nada sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala. Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, os outros animais a possuem ( sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externa – las entre si), mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo" (ARISTOTELES, 1997)

4. A FAMILIA COMO PROCESSO PRINCIPAL DA LINGUAEM

            A linguagem se dá de várias formas, mas é necessário considerar todo o contexto que a cerca, para a partir de então pensarmos como ensinar o uso desses códigos tanto linguísticos como gráficos, lembrando que estes mesmos dispõe de outros modelos de diálogo como por exemplo a expressão corporal.

 A família tem um papel especial para transmitir essa linguagem para a criança, pois é o primeiro contato que se tem no meio, a partir de então essa principal relação passa até outros vínculos como a escola, nessa passa a adquirir domínios básicos para realizar uma linguagem de acordo com as normas criadas.

 Nem uma linguagem é errada como já citado nesse trabalho ela vai se desenvolvendo de acordo com a convivência. Vale lembrar que a escola precisa repensar essa linguagem como metodologia a ser explorada e conhecer melhor a cultura para que se trabalhe de maneira qualitativa o ensino da mesma. Visto que este é um campo amplo a se estudado para que cada dia mais possa aprimorar essa linguagem não mudando de forma forçada, mas aprimorando.

A organização da linguagem reflete, portanto, não uma situação espelhar, mas um processo complexo, sociocultural mente abrangente e, ao mesmo tempo, reflexivo, por estar ligado a visões locais, como pensar, sentir e, principalmente, interagir. Dessa forma, estão integradas aqui propriedades locais e universais da linguagem, que resulta numa organização que extrapola o local, levando a uma relação estreita entre ideologia local sobre emoção, pessoa etc., e recursos gramaticais, dando origem a "um modelo culturalmente organizado de meios-fios do desenvolvimento gramatical" (OCHS E SCHIEFFELIN, 1997, p. 7).

Cada cultura apresenta formas distintas para lidar com a realidade da linguagem. Em algumas culturas, há uma intervenção mais direta dos pais, participando e interagindo com a criança, ajudando-a a proceder na linguagem de forma correta, buscando identificar as relações entre a intenção da criança e diferentes situações, através do processo de reformulação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

            A linguagem tem sido sempre a principal marca da identidade de um povo e é o que o faz lutar por sua liberdade. Mais do que isso, não se pode esquecer que todo desentendimento humano, entre pessoas ou entre grupos, decorre antes de tudo de falhas entre essa interação do homem com a linguagem quando se expressa. A linguagem, não é apenas interessante e fascinante, mas, sobretudo imprescindível para a sobrevivência humana.

A partir do momento que nascemos à linguagem, cultura e a família já faz parte do nosso viver. Ela se transforma de acordo com o crescimento e os conhecimentos que são adquiridos durante esse percurso.

Como a linguagem já existem desde a idade da pedra e muito se evoluiu até hoje, não podemos deixar que ela perda seu real significado, mas sim que continue se transformando cada vez mais para o nosso bem.

Existe uma semelhança muito grande entre a linguagem e a cultura, pois linguagem também é cultura, isso porque o homem pensa, raciocina, transforma, produz histórias através de sinais, escrita, símbolos; apenas o que muda é a forma da linguagem (fala) devido aos fatores geográficos e regionais.

Cultura e linguagem são raízes que devem ser respeitadas, trabalhadas no meio social, na família e nas escolas principalmente, pelo fato dos povos terem vindos de lugares diferentes, mostrar as diferentes línguas e formas de comunicação entre o ser humano.

Devemos nos conscientizar que cultura é uma herança adquirida de nossos antepassados e que devem ser respeitada sempre, pois somos usuários dela, e dependemos dela para crescer e progredir.

           

           

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEL RÉ, A. Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolinguística. São Paulo: Contexto, 2006.

BARDARI, Sérsi. O surgimento da linguagem. Disponível em: <http://sersibardari.com.br/wp-content/uploads/2010/07/4-Surgimento-da-linguagem.pdf>. Acesso em: 16 junho 2012

 APARECIDA Mônica. Linguagem, um processo de comunicação. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2393721> Acesso em: 12 junho 2012

SOARES, Magda – Linguagem Escolas – Uma perspectiva social, Ed. Ática, 17ª Edição, 7 ª Impressão, 2001.

MALMBERG, B. A língua e o homem. Introdução aos problemas gerais da lingüística, Rio de Janeiro, Nórdica/São Paulo, Duas Cidades, 1976.

HILL, A. A. (org.) Aspectos da lingüística moderna, São Paulo, Cultrix/EDUSP, 1974.

MARIA, Anna. A linguagem e a formação da consciência: uma perspectiva Histórica Cultural. Disponível em: <http://www.unimep.br/~ampadilh/a-linguagem-e-a-formacao.pdf>

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/linguagem-e-cultura-popular-a-familia-como-a-principal-formuladora-5994292.html

    Palavras-chave do artigo:

    cultura

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    interacao

    ,

    homem

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