MANIFESTO PAU-BRASIL

17/07/2010 • Por • 8,239 Acessos

 

¹BIA OLIVEIRA DE ANDRADE

²MARIA DAS GRAÇAS DE MEDEIROS PIRES

 

 

 

 

 

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¹Acadêmica do 5º semestre do curso de Letras-UVA; www.biaandrade1988@hotmail.com

²Acadêmica do 5º semestre do curso de Letras-UVA;www.graap1@hotmail.com

INTRODUÇÃO

 

O tema, "Manifesto Pau-Brasil", pretende expor um pouco do contexto histórico, fazendo uma análise detalhada para compreensão do assunto em destaque. Pois, o autor Oswald de Andrade denominou justamente esse manifesto, levando em consideração que foi à primeira riqueza brasileira a ser exportada. E qual a importância de compreender o manifesto de 1924?

Diante disso é relevante enfatizar que por serem poucas as relíquias que abordam o respectivo assunto, ainda é bastante sucinto, causando dúvidas da importância para a história brasileira. Dessa forma, o artigo em si está embasado no teórico Coutinho, sendo utilizadas também outras referências bibliográficas.

Portanto, o objetivo do artigo é apresentar de forma concisa, aos futuros leitores para que tenham um aparato mais preciso do "Manifesto Pau-Brasil", que revolucionou e propagou um "novo" olhar diante da literatura brasileira.

 

MANIFESTO PAU-BRASIL E SUA HISTORICIDADE

A Semana de Arte Moderna trás uma nova proposta de fazer literatura, isto é, representando uma nova linguagem, a liberdade criadora e o rompimento com o passado, deixando curiosidades por apresentar o adjetivo "novo", indo de encontro ao parnasianismo o qual predeterminava a linguagem formal. Sendo a mesma considerada como o marco inicial para o modernismo e o acontecimento mais importante ocorrido no Brasil, revolucionando a linguagem literária, mediante os eventos com apresentações de danças, poesias e música, ocorrendo assim diversas transformações tanto artísticos quanto políticos, como afirma Coutinho (p, 179) "... a Semana de Arte Moderna foi identificada como o brado coletivo principal de um novo espírito, conseqüências de uma série de transformações tanto no âmbito internacional como no interno, tanto no campo artístico como no político e social".

Dessa forma é relevante abordar um dos antecedentes para realização do evento, dentre eles, em 1912 – Oswald de Andrade introduz a novidade futurista, devido ter passado longo tempo na Europa deixou-se "contaminar" com a ideia vanguardiana. Outro marco foi em 1914, com Anita Malfati que exibi o expressionismo através de suas obras.

Após esse movimento, surgem às revistas para divulgarem as novas idéias e os manifestos dando continuidade ao modernismo, sendo a mais conhecida a "revista Klaxon". Com isso a consolidação do modernismo brasileiro desenvolveu-se por etapas, tendo o marco inicial em São Paulo na semana de arte moderna de 1922. Pois, um grupo de artista nativo pretendia repassar o pensamento das vanguardas européias à cultura brasileira, como também denunciar o descaso político, principal causador das ruínas sociais. A primeira fase do modernismo ocorreu de 1922 a 1930, durante este período surgiram muitas mudanças idealistas, conseqüentemente surgiram às manifestações que revolucionaram o país, tal que relata Coutinho (p, 193):

ao mesmo tempo que se procura o moderno, o original e o polêmico, o nacionalismo se manifesta em suas múltiplas facetas: uma volta às origens, a pesquisa das fontes quinhentistas, a procura de uma "língua brasileira" (a língua falada pelo povo nas ruas), as paródias, numa tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras, e a valorização do índio verdadeiramente brasileiro.

 

Dentre os movimentos culturais, encontra-se "o manifesto Pau-Brasil", publicado em 18 de março de 1924 no jornal "O Correio da Manhã", que defendia uma linguagem primitiva nas obras, levando em consideração à cultura brasileira sem fugir da historicidade grotesca dos antepassados e a necessidade de criar uma arte com o jeito dos brasileiros. O manifesto partiu de Oswaldo de Andrade, que reivindicava a favor de uma poesia espontânea, baseada ao desenvolvimento quinhentista. Retrocedendo na história, a valorização comportamental do homem primitivo da época de 1500. Diante disso, combatia-se a cópia literária pronta por está fundamentada em conceitos erudito, principalmente as vinda do exterior, que predeterminava a forma de expressão aos demais países. Neste caso Coutinho (p, 195) enfatiza: "... Oswaldo apresenta como proposta uma literatura extremamente vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.".

Vale ressaltar também alguns trechos do manifesto:

 

A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança...

A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.

 

 

Diante do pressuposto observa-se que, as idéias presentes no trecho eram justamente pertencentes à cultura brasileira, como, o carnaval no Rio, por está relacionado à religiosidade, a língua sem arcaísmo, ou seja, deixando esse lado mais antigo ou épocas remotas de se expressar para assim falar da forma que os próprios brasileiros comunicam-se e também a grande riqueza brasileira, seja a comida típica ou as culturas presenciadas pela comunidade, em que Oswald abordava tais elementos para eliminar a insolência e principalmente relatando a exportação do Pau-Brasil, tão cobiçado na época, como, "... pensei (...) em fazer uma poesia de exportação. Como o pau-brasil foi à primeira riqueza brasileira exportada, denominei o movimento Pau-Brasil". (FARACO E MOURA, apud, Oswald de Andrade, p. 187).

Porém, em 1926 surge o "manifesto verde amarelo", criticando a idéia de Oswald de Andrade, referindo-se de "nacionalismo afrancesado".

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Conforme o estudo apresentado, essa foi uma pesquisa que primeiramente foi necessário compreender o contexto histórico para então adentrar no referido tema, observar-se que, é bastante concisa a questão do manifesto pau-brasil, por justamente não ter muitos livros que dão ênfase para abordar o respectivo assunto, mas sem dúvida alguma foi de suma relevância obter como conhecimento para assim só ampliar cada vez mais experiências.

Diante disso, é importante que os alunos tenham a compreensão do que se trata tal manifesto, partindo da história do Brasil para a literatura, ou seja, podendo interagir ou participar mais da aula, já que autor Oswald de Andrade retrata justamente da primeira riqueza do Brasil e principalmente as características e ideias que o manifesto propagou, colocando como foco tal exportação e conhecendo um pouco mais do que abrange a literatura.

Portanto, pesquisar, analisar e dialogar são tarefas de um bom educando e nada melhor do que adquirir conhecimentos e ir em busca de outros, sendo assim, vale a pena conhecer na íntegra o "Manifesto Pau-Brasil".

 

REFERÊNCIAS

 

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de gramática histórica. 7. ed. Rio de Janeiro.

FARACO & MOURA. Literatura Brasileira. Editora Àtica.

Perfil do Autor

Bia Oliveira de Andrade

Acadêmica do 5º semestre do curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade vale do Acaraú-UVA-Amapá. www.biaandrade1988@hotmail.com