Modalidades Da Avaliação

30/11/2009 • Por • 6,564 Acessos

Avaliação Diagnóstica

Na visão da avaliação diagnóstica, a concepção de educação passa a ver o educando como sujeito de sua própria aprendizagem. Nessa perspectiva, a avaliação não pode centrar-se nos produtos, mas sim no processo, em primeiro plano, sem comparação com padrões externos. O foco deixa de ser apenas o aluno.

A avaliação diagnóstica é muito complexa, já que envolve uma rede de relações em que estão incluídos aquele que ensina e aquele que aprende. Essa avaliação é utilizada por quem acredita que a pessoa humana é sempre capaz de crescer.

Pois, segundo Luckesi (1995):

Constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a competência, pois como diagnóstico ela será sempre um momento dialético do senso do estágio em que se está e a de sua distância em relação a perspectiva que está colocada como ponto a ser atingido à frente.

Um dos propósitos da avaliação com função diagnóstica é informar o professor sobre o nível de conhecimentos e habilidades de seus alunos, antes de iniciar o processo ensino-aprendizagem, para determinar o quanto progrediram depois de um certo tempo. No início do período letivo ele precisa fazer uma avaliação diagnóstica da classe, para verificar o que os alunos aprenderam ao longo dos períodos anteriores, isto é, qual a bagagem cognitiva que eles estão levando para aquela série.

A avaliação também auxilia a equipe técnica da escola no que se refere à formação e remanejamento das classes.

Assim, percebe-se que a avaliação diagnóstica, rapidamente se divulgou na literatura pedagógica brasileira, em especial na área de didática e formação de educadores, foi uma cunhada por Luckesi (1984), para nomear sua teoria sobre a avaliação da aprendizagem. Sua abordagem processual e qualitativa deveria pautar todos os procedimentos avaliativos, garantindo que a avaliação fosse um processo contínuo, compartilhado, sistemático e efetivamente democrático, comprometido com as aprendizagens do educandos.

Avaliação Formativa

Outra forma de avaliação é a formativa, com função de controle, sua realização é no decorrer do ano letivo, com a intenção de verificar se os educandos estão alcançando os objetivos previstos, isto é, os resultados obtidos durante o desenvolvimento das atividades propostas.

A avaliação formativa constrói-se num processo compartilhado, dialógico, formativo por excelência tanto para professores como para alunos, e isto toca numa questão política de organização da escola, de gestão dos processos pedagógicos e, sobretudo, de gestão das políticas públicas de educação curriculares, de avaliação, entre outras.A função da avaliação numa visão mais restrita seria: recolher informações nos objetivos, utilizando instrumentos válidos e precisos, interpretar informações recolhidas com base em critérios preestabelecidos, identificando objetivos atingidos e não atingidos, planejar atividades de recuperação para os alunos que não atingiram os critérios estabelecidos.

Assim, a avaliação formativa numa visão mais ampla visa buscar a compreensão e o funcionamento cognitivo do aluno face da tarefa proposta. Nesse sentido, determina se o educando tem domínio gradativo de cada etapa da instrução, antes de caminhar para a etapa seguinte do processo de ensino e aprendizagem. É nessa modalidade de avaliação que o aluno percebe seus erros e acertos e encontra estímulo para um estudo sistematizado. A avaliação formativa propicia orientar tanto o aluno no estudo como o professor no trabalho, pois pode ser utilizada como um recurso de ensino e como uma fonte de motivação.

Avaliação Somativa

A avaliação somativa, tem função classificatória, sua realização é no final de um curso, período letivo ou unidade de ensino, e consiste em classificar os alunos de acordo com os níveis de aproveitamento previamente estabelecidos, geralmente tendo em vista sua promoção de uma série para outra.

É uma visão mecanicista de educação, onde o professor é o dono do saber e os alunos passivamente acatam suas verdades, bem como as dos livros didáticos e das apostilas utilizadas.

A avaliação recai sobre os acertos, onde é estimulada a competição. O aluno estuda apenas para obter resultados convenientes, para “ passar de ano”.

Nesse caso, utiliza-se a avaliação classificatória, comparada por Gandim (1987) aquela feita pelo agricultor que separa, ao final da colheita, as laranjas boas das ruins, referindo-se apenas ao passado, sem a possibilidade de um diagnóstico para melhorá-las.

Diante do relato exposto pelo autor acima, pode-se afirmar que a avaliação somativa consiste em atribuir ao aluno uma nota ou conceito final para fins de promoção. Tradicionalmente, é com essa função que a avaliação tem sido mais usada na escola. A mesma supõe uma comparação, pois o aluno é classificado segundo o nível de aproveitamento e rendimento alcançado, geralmente em comparação com os demais colegas, isto é com o grupo classe.

Apresenta-se o seguinte quadro de forma esquematizada entre as três modalidades de avaliação, segundo a autora Haydt (sd):

MODALIDADES E FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO

MODALIDADE

FUNÇÃO

PROPÓSITO

(para que serve)

ÉPOCA

(quando aplicar)

Diagnóstica

Diagnosticar

Verificar a presença ou ausência de pré-requisitos para novas aprendizagens.

Detectar dificuldades específicas de aprendizagem, tentando identificar suas causas.

Início do ano ou período letivos, ou início de uma unidade de ensino.

Formativa

Controlar

Constatar se os objetivos estabelecidos foram alcançados pelos alunos.

Fornecer dados para aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem.

Durante o ano letivo, isto é, ao longo do processo de ensino e aprendizagem.

Somativa

Classificar

Classificar os resultados de aprendizagem alcançados pelos alunos, de acordo com níveis de aproveitamento estabelecidos.

Ao final de um ano ou semestre letivos, ou ao final de uma unidade de ensino.

Analisando o quadro, pode-se destacar que a avaliação não deve ser usada somente como forma de ameaça ou castigo para alunos indisciplinados, ou para preencher a aula quando o professor não tiver tido tempo para prepará –la, pois a mesma é um processo e como tal ela deve ser encarada. Sendo que a mesma deve fazer parte da rotina da sala de aula usando-a periodicamente como uns dos aspectos integrantes do processo ensino-aprendizagem.

Ao fazer uso conjugado da três modalidades da avaliação e suas respectivas funções como diagnosticar, controlar e classificar o professor estará garantido a eficácia do seu ensino e a eficiência da aprendizagem.

Perfil do Autor

SANDRA VAZ DE LIMA

Nascida no município de Telêmaco Borba -Paraná. Graduada em Letras/ Inglês. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia...