O ATO DE ENSINAR E AS RELAÇÕES QUE PERMEIAM A EDUCAÇÃO

Publicado em: 29/11/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,402 |

O ATO DE ENSINAR E AS RELAÇÕES QUE PERMEIAM A EDUCAÇÃO

 

LOPES, E. J.; MILARÉ, E.; MIQUELOTTO, D.H.; SANTOS, J.O. dos; SILVA, C.F. da.

 

Graduandos do curso de Filosofia da PUC Campinas

 

E-mail: [email protected]

Orientadora: SALVUCCI, M.

 

 

RESUMO

 

Este artigo tem como objetivo destacar o direito que todos têm à educação, uma vez que a mesma dá condições para que todos tenham oportunidades iguais em nossa sociedade. A análise do artigo tem como fundamentação a teoria histórico-cultural, investigando a maneira como os professores transmitem conhecimento e os alunos assimilam o que foi transmitido, mostrando assim que o ato de ensinar é uma mediação, na qual professor e aluno são sujeitos do processo de aprendizagem.

 

PALAVRAS-CHAVES: Educação, aprendizagem, teoria histórico-cultural, professor, aluno.

 

 

ABSTRACT

This article aims to highlight the right of everyone to education, since it gives conditions for everyone to have equal opportunities in our society. The analysis of the reasons the article is historical-cultural theory, investigating how teachers transmit knowledge and students assimilate what has been transmitted, thus showing that the act of teaching is mediation, in which teacher and student are subjects of the process learning.

KEYWORDS: Education, learning, historical-cultural theory, teacher, student.

 

INTRODUÇÃO

 

Este artigo nos permitiu, estudantes de filosofia, perceber que é na escola que a nossa razão de ser cidadão ganha sentidos, portanto não é apenas um direito [a educação], mas também necessária para a formação do homem político (aquele que faz parte da sociedade com seus direitos e deveres). Visando a formação humana e cidadã, a escola busca ensinar o aluno através de sua história e da sua realidade, todas as ciências, para que, consiga superar obstáculos da sociedade atual.

Constatamos ainda que haja alguns problemas que podem ser trabalhados para transformar o processo de aprendizagem. A metodologia usada ainda segue os moldes tradicionais de ensino, na qual os alunos tornam-se ouvintes e reprodutores e os professores possuem o conhecimento e estão habituados a trabalhar desta maneira, não procurando construir um processo diferenciado de acordo com a realidade local.

Atualmente, o método tradicional de ensino, não responde aos anseios e necessidades da educação. Faz-se urgente e necessário pensar em novas estratégias de ensino, levando em consideração o conhecimento dos alunos: criando novos instrumentos pedagógicos que incentivem a participação do aluno e auxiliem na construção do conhecimento criando uma reflexão sobre o senso comum.

O ato de ensinar e aprender exige mudanças estruturais que envolvem todos os agentes que interagem entre si no processo da educação: aluno, professor, instituição e sociedade.

 

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

 

A educação deve ser vista como um dos instrumentos que a sociedade possui para promover a equiparação das oportunidades e a justiça social, que devem permear as relações entre as pessoas.

A sociedade atual só poderá ser contextualizada, se colocada na perspectiva da globalização, ou seja, uma sociedade caracterizada pelo avanço tecnológico e neoliberal. Assim, temos que levar em conta os fatores sociais em que vivemos, pois a escola não está isolada do mundo, mas pelo contrário, está totalmente inserida e responsável pela formação de seus futuros cidadãos, ou para outros, a futura mão de obra qualificada.

No neoliberalismo, todos os países são obrigados a competirem economicamente no mercado mundial. E esta competição globalizada acarreta grandes problemas sociais, como desemprego e a exclusão social.

Para superar estes problemas, a educação escolar é vista como principal meio de solução. Sendo reconhecida mundialmente como de suma importância para o desenvolvimento do mercado capitalista. A reação do Brasil a estes fatores são comentadas no texto a seguir:

 

O Brasil tem experimentado, desde o início da década de 90, amplo processo de ajustes do sistema educativo. Todavia, esse reconhecimento e esse empreendimento, especialmente no governo de Fernando Henrique Cardoso, deram-se de acordo com uma lógica econômica, cujo projeto educativo tem por objetivo último adequar a educação escolar às novas demandas e exigências do mercado. Nesse sentido, a educação assume a perspectiva de mercadoria ou serviço que se compra, e não de um direito universal, o que leva a tornar-se competitiva, fragmentada, dualizada e seletiva social e culturalmente. (LIBÂNEO, 2007, p. 117).

 

 

A escola no Brasil ingressa um novo perfil de ensino, correspondente às exigências do mercado. "Escola não é fábrica, mas formação humana. Ela não pode ignorar o contexto político econômico; no entanto não pode estar subordinada ao modelo econômico e a serviço dele" (LIBÂNEO, 2007, p. 117). Para os autores desta obra, a educação não pode ser serva do mercado, mas não pode ignorá-lo.

Após ter estudado alguns contextos da educação escolar e ter feito a observação de campo em uma instituição com ensino médio e técnico na cidade de Campinas – SP, podemos destacar os diferentes sistemas de ensino. Sendo que nas escolas particulares predomina uma formação para o mercado de trabalho, promovendo a competitividade, utilizando como estratégia de marketing a aprovação dos alunos nas universidades. Nas escolas públicas municipais, há uma formação voltada para a ética e cidadania; nas escolas públicas estaduais o ensino é voltado para o mercado de trabalho, mas não com a mesma ênfase das escolas particulares.

O papel da educação escolar na sociedade atual deve ser entendido como realização da cidadania, contra todo o tipo de desigualdade e exclusão social. "Ser agente de mudanças; trabalhar a tradição e os valores nacionais; e preparar cidadãos capazes de entender o mundo, sua realidade e de transformá-lo positivamente" (LIBÂNEO, 2007, p. 118).

Na realidade a educação é um direito social que infelizmente em nosso país não é dividido com todos.

Sempre ouvimos dizer que a educação é direito de todos, sendo ela gratuita e fundamental, e isso é afirmado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Para Dermeval Saviani, é na escola que a nossa razão de ser cidadão ganha sentidos, portanto não é apenas um direito [a educação], mas também necessária para a formação do homem político.

A legislação brasileira garante ensino, a educação escolar, para todos os cidadãos, de qualquer etnia ou classe social. Mas, se o ensino é gratuito, qual é o sentido da existência das escolas privadas, sendo que, todos têm o direito à gratuidade? Não é o mesmo ensino? Estas indagações nos levam a reflexão sobre a educação que está sendo oferecida nas escolas públicas. Se a educação oferecida nas escolas particulares é de boa qualidade, por que não oferecer desta para todos? Mas, quem garante que o ensino privado é o melhor? Levando em consideração os argumentos elencados acima, o qual diz que a maioria das escolas privadas serve ao mercado capitalista, construindo um espírito competitivo e individualista.

"Educação é direito de todos!" Até quando a exclamação dará lugar à interrogação? Até conhecermos uma educação igualitária, e que esta seja descoberta rapidamente, antes que a sociedade mude, pois esta [educação] já será frustrante.

Como parte do curso de licenciatura em filosofia há a necessidade da realização de práticas de ensino que tem como proposta, inicialmente, possibilitar um maior contato e vivência do aluno do curso de filosofia, nós, futuros educadores, no ambiente da escola, espaço onde muitas transformações acontecem na prática.

Visa também o processo de observação e análise da prática pedagógica e da forma como as escolas e os educadores trabalham a questão do conhecimento, além de contribuir para o estudo de autores que discutem a educação através da concepção da construção do conhecimento, tendo como pressuposto uma abordagem mais profunda da aprendizagem, incentivando a criatividade, a participação, a vivência em comunidade, respeitando a história e a trajetória de vida das pessoas, auxiliando a pensar e repensar as idéias e propostas, gerando questionamentos que visem mudanças. A experiência vivida nesta prática de ensino, mostra que é necessário pensar a educação como uma alternativa para construção do conhecimento.

No período de observação em sala de aula percebemos a preocupação e o esforço dos educadores para com os alunos, os quais expõem o conteúdo programado e esperam um retorno da sala, normalmente através da repetição ou da reprodução do conteúdo apresentado, talvez como uma forma de confirmar a aceitação das informações fornecidas.

Com isto podemos destacar o que há muito vem sendo discutido, que o ato de ensinar não é mais a mera transmissão de conhecimento, por parte do professor, e memorização do conteúdo apresentado, por parte do aluno. A problematização agora está em torno do centro da aprendizagem: o aluno.

Acredita-se que o ato de ensinar tem que ser voltado para quem aprende e não para quem ensina. Assim, a aprendizagem em sala de aula deixa de ser uma construção bancária, ou seja, ela passa do sistema em que o professor deposita as informações no aluno para um novo método de ensino: a mediação, na qual o professor atua como mediador pedagógico entre a informação passada e a aprendizagem por parte dos alunos, levando-os a reflexão, à participação e ao relacionamento dos conteúdos com o contexto social dos alunos.

Através do método da mediação muda-se o perfil do professor, deixando de ser "dono do saber" e autoritário para ser o facilitador, incentivador e motivador da aprendizagem. Na atualidade o papel do professor é incentivar seus alunos ao debate, à exposição do que eles têm de conhecimento prévio do assunto abordado em sala de aula.

O ato de ministrar aulas tornou-se um trabalho a ser desenvolvido em equipe, sendo o professor e o aluno os protagonistas, fazendo da sala de aula um ambiente de troca de experiências.

Sendo assim, através dessa mediação, os alunos terão melhores condições na formação de seus conceitos, a partir do que foi dado.

A teoria histórico-cultural entende a relação entre o desenvolvimento humano e a aprendizagem diferentemente das outras concepções. O desenvolvimento e a aprendizagem estão relacionados desde o nascimento da criança. O desenvolvimento não é um processo previsível, universal ou linear, ao contrário, ele é construído no contexto, na interação com a aprendizagem. A aprendizagem promove o desenvolvimento atuando sobre a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, transformando o desenvolvimento potencial em desenvolvimento real. Em outras palavras, ao fazer com que determinada função aconteça na interação, estamos possibilitando que ela seja apropriada com a ajuda de um adulto ou de outra criança mais experiente, realizando assim, uma determinada atividade, estamos antecipando o seu desenvolvimento através da mediação  (ZANELLA, 1992).

A sala de aula é composta por alunos em diferentes níveis de desenvolvimento, tanto real quanto potencial, devendo, em situações de interações significativas, possibilitarem que cada um seja agente de aprendizagem do outro. Se, em um momento, o aluno aprende, em outro, ele ensina, pois o desenvolvimento não é linear; é dinâmico e sofre modificações qualitativas. O professor é o principal mediador, devendo estar atento, de modo a que todos se apropriem do conhecimento e, conseqüentemente, alcancem as funções superiores da consciência, pois é a aprendizagem que vai determinar o desenvolvimento. O papel do professor mediador é, no ambiente escolar, o de  atuar na zona de desenvolvimento proximal dos alunos  com o objetivo de desenvolver as funções psicológicas superiores. Esta atuação se concretiza através de intervenções intencionais que explicitarão os sistemas conceituais e permitirão aos alunos a aquisição de conhecimentos sistematizados (FONTANA, 1996).

Portanto, a escola deve ser um dos meios responsáveis para que o processo de aprendizagem seja efetivo e que ela contribua para o surgimento de novas idéias, novos conhecimentos sobre uma determinada realidade de estudo ou de inserção, na qual ocorram discussões e reflexões sobre os assuntos estudados e que os alunos obtenham respostas às suas indagações e criem diferentes formas de ver as coisas e os fatos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A escola, em seu papel social, deve levar a autonomia à seus alunos, preparando-os para a cidadania. Deve-se levar em conta o contexto no qual o aluno está inserido e não apenas os conteúdos acadêmicos e o professor deve tornar-se um pesquisador, a fim de buscar uma melhoria do processo da prática educativa, desenvolvendo estratégias com criatividade.

Temos a convicção que o ato de ensinar e de aprender é revolucionário e é um processo que envolve a formação e a geração de conhecimento. O conhecimento não se adquire pela quantidade de informações que são passadas para as pessoas, mas ele se perpetua pelas etapas que transformarão essas informações, que se tornarão saber (adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades, questionar-se, mudar comportamentos, descobrir o sentido das coisas e dos fatos e transformar-se constantemente como pessoa e agir na sociedade em que se está inserido).

O processo de aprendizagem é vivo e se renova a cada instante. Nenhuma experiência vivida ocorre da mesma forma e num mesmo momento, pois há vários fatores que determinam essa nova trajetória a ser traçada. Por isso é preciso que haja a mobilização, a sensibilização para o conhecimento. Assim, será possível ter uma escola que exerça as suas funções sociais e políticas, tendo profissionais comprometidos na formação de cidadãos críticos e conscientes, que construirão uma nova sociedade.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

FONTANA, Roseli Aparecida Cação. Mediação pedagógica na sala de aula. Campinas, Autores Associados, 1996.

 

LA TAILLE, Yes de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Yes de La Taille, Marta Kohl de Oliveira, Heloysa Dantas. São Paulo, Summus, 1992.

 

LIBÂNEO, J.C.; OLIVEIRA, J.F. de; TOSCHI, M.S.. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2007.

 

SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Autores Associados, 1983.

ZANELLA, Andréa Vieira. Zona de desenvolvimento proximal, análise teórica de um conceito em situações variadas. São Paulo. Dissertação de Mestrado PUC/SP, 1992.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-ato-de-ensinar-e-as-relacoes-que-permeiam-a-educacao-3753773.html

    Palavras-chave do artigo:

    educacao

    ,

    aprendizagem

    ,

    teoria historico cultural

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