O gestor como agente mobilizador e a função social da escola

Publicado em: 10/04/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 6,256 |

O GESTOR COMO AGENTE MOBILIZADOR E A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

Maria das Graças Ribeiro

Pós graduada pela Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS, em Gestão Educacional: orientação e supervisão escolar.

e-mail: graça.r.beiro@hotmail.com

 

Orientadora Professora Mestre Neide Pena Cária

Universidade do Vale do Sapucaí - UNIVÁS

e-mail: iinap@uol.com.br

 

Resumo: Este Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação buscou pesquisar a Gestão Escolar e a Função Social da Escola, tendo por objetivo investigar a relação do processo escolar com o cumprimento da função social da escola e do gestor como elemento determinante para o bom clima organizacional. Os gestores têm à difícil tarefa de gerenciar de modo participativo e democrático buscando a participação de todos os segmentos da comunidade escolar e desenvolvendo a principal função da escola que é a função social e a pedagógica. Desse modo foi realizado um trabalho de pesquisa bibliográfica, evidenciando alguns teóricos e apresentando os aspectos gerais da Gestão Escolar, onde o gestor participa ativamente do processo dando nova fisionomia ao sistema escolar. Abordou-se a função do gestor escolar e o gestor como líder do processo educacional que influenciapessoas através do processo de comunicação para que se alcance as metas e objetivos propostos. Nesse contexto abordou também a importância da qualificação técnica no processo de gestão escolar, tornando o gestor um agente mobilizador de todo o processo educacional. Para tanto, a gestão participativa torna-se muito importante neste processo, uma vez que auxilia os recursos humanos na construção da verdadeira cidadania.

Palavras-chave:Gestor,cidadania,educação

Abstract:This Work of Conclusion of the Course of Masters degree looked for to research the School Administration and the Social Function of the School, tends for objective to investigate the relationship of the school process with the execution of the social function of the school and of the manager as decisive element for the good organizational climate. The managers have to the difficult task of managing of way participativo and democratic looking for the participation of all of the school community's segments and developing the main function of the school that is the social function and the pedagogic. He/she gave way a work of bibliographical research was accomplished, evidencing the some theoretical ones and presenting the general aspects of the School Administration, where the manager participates actively of the process giving new physiognomy to the school system. It was approached the school manager's function and the manager as leader of the education process that it influences people through the communication process for he/she is reached the goals and proposed objectives. In that context it also approached the importance of the technical qualification in the process of school administration, turning the manager an agent mobilizador of whole the education process. For so much, the administration participativa becomes very important in this process, once it aids the human resources in the construction of the true citizenship.

Key-words: administration,Citizenship,education

 

1-INTRODUÇÃO:

 

Este trabalho de pesquisa procurou refletir a postura do atual gestor no âmbito escolar, espaço em que deverá desenvolver uma gestão compartilhada, criativa, motivadora e afetiva.

Atualmente, a presença do diretor no processo pedagógico lança outro olhar para a escola e nos faz refletir sobre a verdadeira função social da mesma.

A formação permanente do gestor como alternativa possível à construção de uma educação mais qualificada e competente, tem-se tornado uma realidade a qual se constrói a partir do processo de formação integral do ser humano, mediante o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades, ressignificando sua postura no cotidiano da escola.

A pesquisa que resultou nesta sistematização foi motivada pela escolha do tema o qual está ligada a sua atualidade uma vez que o assunto, Gestão Escolar, levanta questionamentos entre os educadores e também por apresentar um campo vasto para aprimoramentos na área educacional.

Essa pesquisa aborda a Gestão Escolar e a Função Social da Escola, por considerá-la de grande importância a toda sociedade, pois é papel fundamental da escola na contemporaneidade estabelecer novas formas de relação possibilitando ao homem ser capaz de atuar e adaptar-se constantemente às novas formas produtivas da atualidade. Partindo desse pressuposto, levantam-se algumas hipóteses que ao longo da pesquisa serão elucidadas:

O interesse no tema se deu em virtude da pesquisadora atuar alguns anos em escolas públicas e perceber a necessidade de uma parceria mais significativa e efetiva entre família, escola e gestão escolar.

O objetivo da pesquisa será o de investigar a relação do processo de gestão escolar com o cumprimento da função social da escola e do gestor como um elemento determinante para o bom clima organizacional e para a melhoria da aprendizagem. Esse é o grande desafio proposto nesta pesquisa, onde procura responder as questões, ampliando assim, as reflexões sobre a relação da gestão escolar e a função social da escola.

A relevância do estudo se pauta na asserção de que hoje em dia, a educação possa contribuir efetivamente na formação de cidadãos capacitados e competentes para melhorarem sua qualidade de vida.

 

2- GESTÃO ESCOLAR :ASPECTOS GERAIS

 

Para Chiavenatto (1983), a escola é vista como organização, à medida que ela se constitui como unidade social de "agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos".

Na área educacional, administrar, gerir, organizar, dirigir, tomar decisões, se reúnem no conceito de administração escolar, que segundo Santos (1996) tem como objetivos essenciais planejar, organizar, dirigir e controlar os serviços necessários à educação, incluindo no seu âmbito a organização escolar.

A educação na escola vem se modificando a partir da década de 90 do século anterior. Os fins gerais da educação conduzem à construção de uma sociedade educativa, cujo propósito essencial é o desenvolvimento integral do homem, ou seja, bio-psico-social, tornando-o mais crítico, mais participativo e mais criativo.

A nossa sociedade requer uma educação funcional, que capacita o homem a adaptar-se às mudanças. Para tanto, o gestor participará ativamente deste processo, dando uma nova fisionomia ao sistema escolar. A sociedade exige homens pensantes, exercendo sua verdadeira cidadania.

A educação torna-se importante fator de responsabilidade e comprometimento quando busca construir uma escola de qualidade, cujo sujeito possa participar de ações e da vida social dignamente, pautada numa educação funcional e significativa.

Para Tort (2007), o educador quer que a educação seja voltada para a essência do homem, se tornando gratificante e não massificante, e isto é, o papel do Gestor Escolar, pois ele é o fio condutor da instituição.

É responsabilidade dos gestores escolares se conscientizarem da sua verdadeira tarefa dentro do sistema educacional, deixando o conservadorismo de métodos e técnicas já ultrapassadas e buscando novos recursos para melhoria dos processos não só pedagógicos, mas os administrativos e financeiros, pois, a sociedade exige um homem mais flexível, com melhor relacionamento interpessoal, trabalhando mais coletivamente e construindo sua autonomia e cidadania.

Para o Gestor, todo o enfoque do problema educacional recoloca sua tarefa profissional em observação.

 

 

2.1 CONCEITO DE GESTÃO:

 

Para Nogueira (2002, p. 118), "a gestão, em geral, é concebida de forma pragmática, significa a tomada de decisões sobre os recursos para atingir objetivos e compreende as funções de planejamento, organização, direção e controle".

Segundo Heloísa Luck (1998), o conceito de gestão pressupõe, em si, a idéia de participação, isto é, do trabalho associado de pessoas analisando situações, decidindo sobre seu encaminhamento e agindo sobre elas, em conjunto. Isto porque o êxito de uma organização depende da ação construtiva de seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um "todo" orientado por um: vontade coletiva.

Libâneo (2004, p. 101) afirma que "gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos de uma organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnico-administrativos".

Para Fischer (2002, p. 12), "entende-se por modelo de gestão a maneira pela qual uma empresa se organiza para gerenciar e orientar o comportamento humano no trabalho". Para isso a empresa se estrutura definindo princípios, estratégias, políticas e práticas ou processos de gestão. A gestão e seu foco de atenção: as pessoas, as quais resultam no caráter de ação.

Para Chiavenato (2002, p.129), "na realidade, a palavra recurso representa um conceito muito estreito para abranger pessoas. Mais do que recursos, elas são participantes de uma organização".

Segundo Aquino (1998), nesses novos tempos na busca de obter resultados por intermédio de pessoas, para que uma organização seja bem sucedida, o gestor convive com a missão de liderar pessoas e essa liderança deve ser dinâmica e eficaz, estabelecendo relação com a motivação. Um dos maiores inimigos das iniciativas inovadoras dentro das empresas é a desmotivação. Felizmente, despontam profissionais que encarnam papéis de liderança, permitindo que a inovação aconteça na prática.

Pode-se compreender, com base nos referidos autores que a liderança envolve a influência de uma pessoa por outra pessoa ou por um grupo de pessoas, e é necessária em todas as atividades e em todos os tipos de organização humana, principalmente nas empresas.

Vale ressaltar que para Aguiar (2002), liderança é a capacidade de tomar iniciativa em situações sociais de planejar, de organizar a ação e de suscitar colaboração.

Nessa sociedade onde as mudanças acontecem velozmente, fazem-se necessários líderes, gestores, cuja atividade mais relevante é lidar com pessoas e motivá-las, principalmente nas organizações de trabalho, que conseguem colocar o cliente externo como centro da estratégia e em primeiro lugar, sem se esquecer dos clientes internos; dessa forma o líder, o gestor ou o administrador pratica e direciona seu foco no foco do cliente.

Chiavenato (1994:146) afirma que:

 

O gerente não lida apenas com o capital ou dinheiro, com máquinas ou equipamentos, mas trabalha, sobretudo com pessoas. É através das pessoas que o gerente consegue a execução das tarefas, a alocação dos recursos materiais e financeiros, a produção de bens ou serviços, bem como o alcance dos objetivos organizacionais. Daí a sobrevivência e o sucesso da empresa. Ao lidar com pessoas, a principal habilidade e ferramenta gerencial que emerge é a liderança.

 

Dessas acepções, pode-se ressaltar que para ser um bom administrador, gestor deve-se ter boa capacidade de comunicação humana, pois o papel do líder é o de influenciar a pessoa em função dos relacionamentos existentes entre si, no sentido de provocar mudanças no comportamento de maneira intencional para que objetivos sejam alcançados.

Tais afirmações vêm de encontro ao que queremos explanar, ou seja, a partir do momento que o gestor é aceito pelo grupo, que sua comunicação é convincente e motivadora, o mesmo o percebe como possuidor ou controlador de meios para a satisfação de suas necessidades, permitindo alcançar os objetivos, mesmo apesar de conflitos internos e externos.

2.2 Conceito de Gestão Escolar

Para que as organizações funcionem, e, assim, realizem seus objetivos, requer-se a tomada de decisões e a direção o controle dessas decisões. É esse  o processo que denominamos gestão.

A organização e gestão segundo Libâneo (2004, p. 100) visam:

a) prover as condições, os meios e todos os recursos ao ótimo funcionamento da escola e do trabalho em sala de aula;

b) promover o envolvimento das pessoas no trabalho por meio da participação e fazer o acompanhamento e a avaliação dessa participação, tendo como referência os objetivos de aprendizagem;

c) garantir a realização da aprendizagem de todos os alunos.

O contexto educacional contemporâneo, principalmente representado pela escola pública, vem construindo de forma gradual um significativo grau de autonomia e posicionamentos frente algumas determinações dos Estados, evidenciadas a partir das organizações de classe, dos professores, dos sindicatos ou dos órgãos colegiados das escolas.

Conforme Luck (2008, p. 21):

Gestão escolar é um processo de mobilização da competência e da energia de pessoas coletivamente organizada para que, por participação ativa e competente, promovam a realização, o mais plenamente possível dos objetivos de sua unidade de trabalho, no caso, objetivos educacionais.

Na história brasileira, as formas de gestão da sociedade sempre se caracterizaram pelo poder governamental personalizado, ou seja, a pessoa detentora do poder era responsável pelas decisões. No contexto educacional contemporâneo, principalmente representado pela escola pública, vem construindo de forma gradual, significativo grau de autonomia e/ou posicionamentos frente às determinações do Estado, inclusive os sujeitos que compõem a gestão escolar junto aos ditames do sistema (SCHNECKNBERG, 2007).

Para Schnecknberg (2007), a concepção técnico-científica apresenta uma perspectiva burocrática e tecnicista de escola, ou seja, a direção centraliza numa pessoa as decisões que serão tomadas e sempre de cima para baixo, bastando que se cumpra um planejamento prévio, que não inclui a participação dos professores, coordenadores pedagógicos, alunos, funcionários e pais, enfim, a comunidade escolar. Nesse contexto a escola é entendida e gerida como uma realidade neutra e técnica, sendo vista apenas para alcançar resultados eficazes e eficientes.

De acordo com Libâneo (2003, p. 324):

 

A versão mais conservadora dessa concepção é a administração clássica ou burocrática 1. A versão mais recente é conhecida como modelo de gestão da qualidade total2,  com utilização mais forte de métodos e de práticas  de gestão da administração empresarial.

 

Na perspectiva dessa concepção, escola é entendida como espaço de construção social efetivada por professores, diretor, coordenadores, pais, alunos e membros da comunidade, compostas por lideranças locais envolvidas com a gestão escolar, dando oportunidade aos membros do grupo de discutir e deliberar, numa relação de participação e colaboração. Tal intenção sugere a importância da ressignificação do poder local, como espaço de diversidade, autonomia, compartilhamento, enfim, de democracia.

 

 

2.3 Gestão participativa: pressupostos

Conforme explicita Luck (2008), a gestão participativa consiste no envolvimento de todos os que fazem parte direta ou indiretamente do processo educacional no estabelecimento de objetivos, na solução de problemas, na tomada de decisões, na proposição de planos de ação em sua implementação, monitoramento e avaliação, visando melhores resultados do processo educacional.

Para Prais (1990), a expressão gestão participativa, de certa forma redundante, porém uma redundância útil no sentido de reforçar uma das dimensões mais importantes da gestão escolar, ou seja, a administração colegiada.

A gestão participativa se assenta, no entendimento de que o alcance dos objetivos educacionais, em seu sentido amplo, depende da canalização e emprego adequado da energia dinâmica das relações interpessoais no contexto da organização escolar e em torno de objetivos educacionais, entendidos e assumidos por seus membros, como empenho coletivo para sua realização

Segundo Luck (2008), a gestão participativa reforça uma série de princípios interligados. Haja vista que a democracia constitui característica fundamental de sociedade e grupo centrados na prática dos direitos humanos, mas também o seu dever de assumir responsabilidade pela produção de bens e serviços. Nesse sentido, se expressa como condição fundamental para que a organização escolar se traduza em um coletivo atuante com deveres que dele emanam e se configuram em sua expressão e identidade.

A participação constitui uma forma significativa de promover maior interação entre os profissionais da escola e diminuir as desigualdades. Essa participação tem seu foco na busca de formas mais democráticas de administrar uma instituição educacional. Portanto, gestão democrática é o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade participem de forma regular e contínua das tomadas de decisões mais importantes. É pela participação efetiva que a pessoa desenvolve consciência do quanto ela é importante para a sociedade como um todo.

Para Coronel (2007), a constituição de uma gestão participativa se efetiva quando seus membros internos e externos participam coletivamente e criticamente das decisões, não como meros participantes, mas como construtores de um processo que vise à melhoria das condições humanas e sociais dos indivíduos presentes na escola e em seu entorno.

Pela participação, a escola se transforma num amplo espaço de democracia, organizando seus pares, os quais se tornam conscientes do seu papel social, tornando a participação mais efetiva, resultando no fortalecimento do sistema como um todo. Para isso faz-se necessário estabelecer uma íntima relação entre idéias e estratégias.

 

 

3 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

A escola sendo uma instituição social com o objetivo explícito de desenvolver as potencialidades físicas, cognitivas e afetivas dos alunos, por meio da aprendizagem dos conteúdos, os quais desenvolvem conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes e valores que, aliás, deve acontecer de maneira contextualizada desenvolvendo nos alunos a capacidade de tornarem-se cidadãos participativos na sociedade em que vivem.

Eis o grande desafio da escola, fazer do ambiente escolar um meio que favoreça o aprendizado, encontro com o saber e com descobertas de forma prazerosa e funcional, pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola, conforme Libâneo et al. (2005, p. 117), afirma:

Devemos inferir, portanto, que a educação de qualidade é aquela mediante a qual a escola promove, para todos, o domínio dos conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas indispensáveis ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos.

 

Para tanto, se faz necessário que a escola ofereça situações para o aprendizado, fazendo com que o aluno compreenda que, muito mais importante do que possuir bens materiais é ter a garantia do seu espaço no mercado competitivo, através de uma educação de qualidade, onde ele aprenderá a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, ou seja, a educação ao longo da vida baseia-se nesses quatro pilares (DELORS, 2006).

Segundo Penin et al. (2001, p. 45), "uma escola voltada para o pleno desenvolvimento do educando valoriza a transmissão de conhecimento, mas também enfatiza outros aspectos: as formas de convivência entre as pessoas, o respeito às diferenças e a cultura escolar".

A função social da escola é preparar o cidadão para o pleno exercício da cidadania. E para o alcance deste objetivo não basta somente passar as regras da convivência social ou transmitir-lhe conhecimento. O papel da escola vai muito, além disso, ela precisa preparar atores transformadores, cujo compromisso é com a formação do cidadão, com o fortalecimento dos valores de solidariedade para que de fato essa sociedade seja transformada.

De acordo com Libâneo (2005, p. 116), outro grande desafio é "o de incluir, nos padrões de vida digna, os milhões de indivíduos excluídos e sem condições básicas para se constituírem cidadãos participantes de uma sociedade em permanente mutação".

A escola, ao cumprir sua função social de mediação, influi significativamente na formação da personalidade humana e, por essa razão, não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos (LIBÂNEO, 2004).

Nesse sentido, é importante ressaltar a importância da unidade de propostas e objetivos entre todos os segmentos da escola e o gestor, pois todos falando a mesma linguagem o resultado será positivo e haverá melhoria na qualidade de ensino e nas condições humanas de vida

 

 

3.1 O que a escola precisa fazer para cumprir sua função social

 

Pode-se compreender com Torres (2006), a escola deve assegurar a realização de dois grupos de atividades básicas:

 

1) Atividades-fim: possuem relação direta com todos os aspectos que envolvem a tarefa maior da escola, ou seja, o processo de ensino e aprendizagem.

2) Atividades-meio: não possuem uma relação direta com o processo educativo, mas concorrem para torná-lo efetivo, propiciando as condições básicas para que ele se realize.

Essas atividades desenvolvidas de forma articulada e integrada irão possibilitar que a organização e a gestão sejam realizadas com vistas ao cumprimento da missão maior da escola: propiciar uma educação de qualidade para todos.

As atividades-meio e as atividades-fim a serem planejadas e avaliadas podem ser identificadas a partir dos diferentes processos que se desenvolvem no interior da escola e que correspondem a três grandes dimensões, pedagógica, política e administrativo-financeira.

No cotidiano da escola esses processos ocorrem de forma articulada. Ao gestor ou diretor da escola, cabe planejar, coordenar, controlar e avaliar os processos e atividades, verificando os resultados alcançados. Para tanto, é necessário ter a habilidade de integrar e motivar sua equipe de trabalho garantindo êxito. Isso significa que a liderança pelo gestor irá influenciar na condução dos processos de trabalho, e conseqüentemente, nos resultados esperados pela escola

 

 

4- A GESTÃO ESCOLAR FRENTE A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

 

A gestão escolar, além de ser uma das funções do processo organizacional, é um imperativo social e pedagógico. A escola mais uma vez assume uma função social muito importante à medida que funciona como aparelho ideológico e precisa atender às demandas da sociedade emergente. Nesse sentido o gestor escolar tem um grande desafio, que é o de integrar consciente e criticamente a escola, seus alunos e professores no universo da sociedade do conhecimento (GAMA, 2001).

Libâneo (2004, p.263) afirma que:

uma escola bem organizada e gerida é aquela que cria e assegura as melhores condições organizacionais, operacionais e pedagógicas de desempenho profissional dos professores, de modo que seus alunos tenham efetivas possibilidades de serem bem sucedidos em suas aprendizagens.

 

Para Luck (2008, p. 98), "a gestão é um conceito associado à democratização das instituições e o reconhecimento de que todos são responsáveis pelo conjunto de ações realizadas e seus resultados".

Nesse sentido, o gestor deve promover uma gestão participativa num processo de mobilização social pela melhoria da qualidade do ensino e de vida de toda a sua comunidade escolar, cumprindo com ânimo e entusiasmo, todas as ações que competem à escola e ao gestor.

4.1 O gestor como líder do processo educacional

 

A cultura organizacional do gestor é decisiva para o sucesso ou fracasso da qualidade de ensino na escola, a maneira como ele conduz o gestionamento das ações é foco que determinará o sucesso ou fracasso da escola.

De acordo com Libâneo (2005. p. 302), o gestor como líder deve observar algumas características no processo educacional como:

Características organizacionais positivas eficazes para o bom funcionamento de uma escola: professores preparados, com clareza de seus objetivos e conteúdos, que planejem as aulas, cativem os alunos.

Um bom, clima de trabalho, em que a direção contribua para conseguir o empenho de todos, em que os professores aceitem aprender com a experiência dos colegas.

 

Vale ressaltar que o importante segundo Chiavenato (1994: 153), "É que cada gerente (diretor) aprenda a observar o seu estilo de liderança, no sentido de fortalecer o seu desempenho individual e avaliar a situação em que está vivendo".

No entanto, é papel do líder obter a cooperação, direcionar os conflitos e integrar o grupo para que se mantenham unidos mesmo nesta época de organizações virtuais, buscando alcançar os objetivos e o sucesso da empresa ou da instituição.

Em função disso, compreende-se que a liderança está associada a estímulos, incentivos, que segundo Vergara (1994), provoca a motivação nas pessoas para a realização de tarefas e suprimento das suas necessidades.

A liderança além, da capacidade de influenciar os demais membros do grupo, envolve a aceitação voluntária dessa influência que ajuda o grupo a caminhar em busca dos objetivos propostos pela organização.

Segundo Eboli (2002, p. 206), "fica evidente a importância dos líderes e gestores assumirem seu papel de educadores. É fundamental que eles se envolvam e se responsabilizem pela educação e aprendizagem de suas equipes e se comprometam com todo o sistema".

A partir do momento, que o gestor, com seu profissionalismo conquista o respeito e admiração da maioria de seus funcionários e alunos, há um clima de harmonia que predispõe a realização de um trabalho, onde apesar das dificuldades, os professores terão prazer em ensinar e alunos prazer em aprender.

Nesse sentido, o gestor educacional deve ter um perfil que contemple a liderança, competência técnica, habilidades, bom relacionamento pessoal, que seja pró-ativo buscando sempre construir a verdadeira cidadania da sua comunidade escolar.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Ao finalizar esta pesquisa, onde o objetivo principal era o de refletir sobre a relação da gestão escolar e a função social da escola, acredita-se ter conseguido concluir com êxito os propósitos, os quais se pautaram nos referenciais teóricos dos diversos autores.

Atualmente, torna-se cada vez mais importante a figura do gestor escolar eticamente comprometido, crítico, motivado, afetivo e inovador. Não aquele gestor autoritário, mas o que busca uma gestão compartilhada, sendo o elo ativo na mediação sujeito X saber, sustentando vínculos que permitam o desenvolvimento das competências e a construção de verdadeiros projetos de vida.

Assim posto, apesar de tantas alternativas administrativas, psico-pedagógicas, linguísticas, sociológicas, metodológicas, não podemos pensar em gestão escolar sobre o ponto de vista do professor, querendo que o aluno repita conhecimentos prontos e acabados conforme fizemos até Piaget. Hoje, mais do que nunca, necessitamos do envolvimento e comprometimento de todos os segmentos da instituição escolar. Por isso a renovação da prática administrativa e educativa é um desafio para os gestores e educadores atuais.

É necessário uma proposta de gerenciamento administrativo e pedagógico que permitam trabalhar com a realidade vivenciada pelos pais, educandos, educadores e escola. Nesta proposta de trabalho administrativo e pedagógico os papéis do gestor e do educador são muito mais amplos ultrapassando a mera execução de tarefas e transmissão de conhecimentos.

Nessa abordagem concluiu-se também que o gestor escolar pode contribuir muito com a função social da escola, através da gestão participativa e democrática, possibilitando o envolvimento dos profissionais da educação, alunos, e comunidade em geral na tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar.

Nesse sentido a democracia deve ser construída no cotidiano das relações escolares, pois a efetiva democratização do ensino público somente irá acontecer através da democratização da gestão escolar que buscará envolver os setores mais amplos da sociedade.

Concluiu-se também que uma gestão democrática não se constrói sem um planejamento participativo, que conte com o envolvimento dos vários segmentos representativos da comunidade escolar nos processos de tomada de decisão, bem como na definição de metas e estratégias de ações, tornando o gestor um agente mobilizador de todo processo educacional.

O gestor além da qualificação técnica deve ter espírito de liderança para que seus funcionários estejam sempre motivados, o que não é tarefa fácil para nenhum gestor, frente a uma organização. Sabe-se, portanto, que equipes motivadas são imbatíveis, procurando sempre alcançar seus objetivos e metas estabelecidas.

Nesse sentido, o líder deve conhecer o potencial de motivação de cada membro da sua equipe e saber extrair do próprio ambiente de trabalho as condições externas para elevar a satisfação profissional.

É urgente a capacitação daquela que se diz elite pedagógica, para que possam com responsabilidade e compromisso, renovarem a sua prática, melhorarem a qualidade da gestão escolar e conseqüentemente do ensino e sensibilizar os alunos do papel que eles representam na sociedade.

O gestor difere das demais pessoas à medida que manifesta comportamentos favoráveis à liderança, para isto requer habilidades de observar, escutar, falar, se envolver, compreender, orientar, dar e receber feed-back. Porém não importa a intenção do gestor, mas como suas ações despertam a atenção, o interesse e a motivação nos seus liderados.

Enfim, acredita-se que essa pesquisa bibliográfica possa trazer bons resultados, pois se concluiu que a gestão escolar quando participativa e democrática constrói a verdadeira cidadania e desenvolve o potencial humano dentro de uma organização sendo o gestor um agente mobilizador de todo esse processo.

 

 

 

REFERÊNCIAS

AGUIAR, Maria Aparecida Ferreira de. Psicologia aplicada à administração: teoria crítica e a questão ética nas organizações. São Paulo: Excellus, 2002.

 

CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando Pessoas: o passo decisivo para a administração participativa. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1994.

 

______________________. Recurso Humanos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002, p. 129.

 

CORONEL. Fábio Reis. O processo de gestão em uma rede estadual pública: o Programa Dinheiro Direto na Escola. Revista Gestão em Rede. 2007, Junho, nº 78, p. 12 – 19.

 

DELORS, Jacques. A educação para o século XXI: questões e perspectivas. Trad. Fátima Murad. Porto alegre: Artmed, 2005, p. 260.

 

EBOLI, Marisa et. al. As pessoas na organização. O desenvolvimento das pessoas e a educação corporativa. 10 ed. São Paulo: Gente, 2002, p. 206.

 

FILHO, Lourenço. Organização e Administração Escolar. São Paulo: Melhoramentos, 1976.

 

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. 5. ed. (Revista Ampliada). Goiânia: Alternativa, 2004, p. 319.

 

___________________. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2005.

 

LUCK, Heloísa. A dimensão participativa da gestão escola. Gestão em Rede. (Disponibilizado inicialmente na Biblioteca do SIAPE – Sistema de ação Pedagógica), 1988, p. 13 – 17.

 

__________________. A gestão participativa na escola. 4. ed.Petrópolis – RJ: Vozes, 2008: Série: Cadernos de Gestão.

 

MARQUES, Juracy C. Administração Participativa. Porto Alegre: Sagra, 1987.

 

 

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    gestor

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    ,

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    marlucia pontes gomes de jesus

    O artigo trata da evolução da Eja no Brasil e, em especial, no Estado do Espírito Santo, focalizando a questão da necessidade da oferta de uma educação de qualidade.

    Por: marlucia pontes gomes de jesusl Educaçãol 18/04/2011 lAcessos: 2,165

    Trata-se de um texto que produzi para orientar minhas reflexões no 2♂ Painel - Família e Educação Cidadã, no XX ENCONTRO ESTADUAL DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, realizado em fortaleza/Ce. Tema: Escola, Família e Educação Cidadã. Período: 16 a 18/09/2009 2º Painel: Família e Educação Cidadã.

    Por: Francisca Francineide Cândidol Educaçãol 08/12/2009 lAcessos: 2,104 lComentário: 2

    São inúmeros, mas iremos apontar os que consideramos como mais importantes: 1 – A qualidade de ensino em uma escola técnica (Etec) é considerada excelente. 2 – As Etec´s contam com equipes de Professores e Coordenadores muito bem preparadas e comuma estrutura completa de salas, laboratórios e equipamentos de última geração.

    Por: Thonny Siqueiral Educaçãol 17/09/2014
    Erineia nascimento da Silva

    O aluno especial tem algumas necessidade de auto realização igual aos demais alunos, assim como ele precisa ter sua autoestima valorizada para contribuir na definição de suas habilidades intelectuais, a interação social com a comunidade escola lhe dará segurança, o apoio dos pais e fundamental nesse processo.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 11/09/2014
    Erineia nascimento da Silva

    Cérebro é o órgão onde se forma a cognição, o órgão mais organizado do corpo humano. Portando a cognição pode emergir no cérebro e nele acontece dinâmicas evolutivas que permitem ao ser humano revelar-se como um ser auto-eco-organizador, para isso e necessário o envolvimento das funções bio-psico-sociais ou bioantropologicas.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 08/09/2014
    Formacerta.pt

    Este artigo informa sobre o curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores, uma formação frequentemente procurada (e essencial) por indivíduos que querem entrar no mercado de formação profissional.

    Por: Formacerta.ptl Educaçãol 08/09/2014

    O presente texto aborda sobre Saúde em Educação, como incentivo entre desenvolvimento social, psicológico, cultural e saúde educacional. Pois o artigo preocupa-se e questiona-se sobre a formação de crianças e adolescentes e a saúde pública escolar.

    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

    O presente texto possui uma abordagem reflexiva simples e ao mesmo tempo um foco informativo sobre as três áreas de "ciências" Psicopedagogia, Psicologia Transpessoal e Educação, numa prespectiva relacionada á Educação de maneira prática e explicativa.

    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

    O objetivo deste estudo foi verificar como a mídia influencia o desenvolvimento moral da criança, quando da sua exposição nos meios de comunicação a partir de uma denúncia não verídica de violência sexual em uma escola infantil do município de Vila Velha, Espírito Santo. Trata de um estudo descritivo, desenvolvido na Unidade Municipal de Educação Infantil "José Silvério Machado", Jardim Marilândia, Vila Velha, ES. Participaram do estudo 10 professores.

    Por: ADRIANA CHAGAS MEIRELES ZURLOl Educaçãol 28/08/2014 lAcessos: 16

    O objetivo deste estudo foi contribuir para o entendimento de quais são os fatores que determinam o sucesso escolar de alunos dos meios populares, por meio da percepção dos educadores. Trata de um estudo descritivo, quantitativo e qualitativo. O instrumento de coleta dos dados foi um questionário estruturado com perguntas objetivas e subjetivas As perguntas objetivas se relacionam a identidade dos professores e vivência no ambiente escolar. As subjetivas buscam conhecer quais os fatores que poss

    Por: SANDRA MARIA TEIXEIRA GRADIMl Educaçãol 28/08/2014
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