O MARQUÊS DE POMBAL

Publicado em: 16/10/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 618 |

16 de outubro de 1769: o Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, no reinado de D. José I, Rei de Portugal, recebe o título de Marquês de Pombal.


A transformação econômica do século XVIII acontecia paralelamente a uma agitação no nível das idéias. Tal agitação foi conhecida como Iluminismo filosófico, cuja missão era o impulso a uma nova visão de mundo e do homem, baseando-se no retorno à razão.

Em 1750, em Portugal, ocorria o fim do reinado absolutista de D. João V. Momento que ocorria também a transição modernizadora do Estado português. Este, um país atrasado por causa da dependência política e econômica em relação à Inglaterra, de uma imensa burocracia administrativa e de um conservadorismo mental católico, dentre outras causas.

Dentro dessa transição, Portugal já sentia o clima do Iluminismo e do "despotismo esclarecido". Os "déspotas esclarecidos" eram monarcas e ministros influenciados pelo Iluminismo. O Ministro Sebastião José de Carvalho, no reinado de D. José I, é feito Marquês de Pombal. Este, um seguidor das idéias Iluministas, as mesmas dos filósofos Diderot, Lock, Hume, Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Helvetius e outros.

O Estado português encontrava-se enfraquecido, e Pombal buscava revigorá-lo, aperfeiçoando o mercantilismo, no plano econômico, e medidas do espírito iluminista, no campo administrativo. Buscava ainda libertar o Estado da influência direta e impositiva da Igreja Católica que era quase um Estado paralelo. Para isso expulsou os jesuitas de Portugal e do Brasil, pois o ensino era dominado pela Igreja, passando, então, a ser responsabilidade do Estado. A Universidade de Coimbra, por exemplo, foi reformada dentro dos padrões iluministas. No seu ministério foi criada a Real Fazenda, o incentivo à produção do vinho e manufaturas. No Brasil colonial, Pombal estimulou a criação de usinas de beneficiamento de produtos primários destinados à exportação (arroz, couro, fumo etc.), criou novas companhias de comércio, diversificou as atividades agrícolas e artesanais. Também intensificou a opressão fiscal contra a colônia.


Durante 27 anos, Pombal, como principal ministro e homem forte do governo português, buscou reformas, atuando como um "déspota esclarecido".

Temos, apesar das contradições, erros e interesses, um avanço cultural, social e político. Os fatos históricos, culturais, filosóficos não param no tempo. Há uma constante mudança de maneiras de pensar e ver o mundo. E o Iluminismo, aqui ilustrado na figura do Marquês de Pombal, levou sua Ilustração ou Filosofia das Luzes como um gesto alternativo a um mundo obscuro, feudal, supersticioso e repleto de tradições intocáveis.

As bases rumo à Revolução Francesa estavam prontas, e o "Antigo Regime" estava em vias de cair. O termo "Antigo Regime" (Ancien Régime) era usado para nomear a situação econômica, social e política anterior a 1789. Ou seja, o mercantilismo monopolista, o Pacto Colonial, os restos do feudalismo, e a predominância parasitária do clero e da nobreza.

O Iluminismo, na verdade, reforçou e foi reforçado pela Revolução Francesa. Suas idéias e ideais eram constantemente condenados e reprimidos pela Igreja. Impressos e livros (Enciclopédia) eram constantemente queimados. Entretanto, graças a diversos "clubes de idéias ilustradas" e à Maçonaria, os ideais iluministas continuaram a propagar-se.

Se por um lado o Iluminismo e a Revolução Francesa exageraram em alguns aspectos, ou deram muita ênfase ao racional e a busca de uma liberdade sem limites ou sem responsabilidade em alguns setores, como o econômico, por outro lado o atraso, a ignorância, o luxo desenfreado, os abusos do clero e da nobreza, a situação miserável e escrava das classes trabalhadoras eram insuportáveis.

Assim, o mundo via pela primeira vez algumas mudanças substanciais em diversos setores: nas questões jurídicas, pois começava a garantia legal dos direitos e deveres dos cidadãos; no "esclarecimento" que difundia-se em vários países europeus e americanos; na criação das bases ideológicas da Revolução Francesa e independência das colônias americanas; na educação, cultura e ciências; e na limitação do poder político da Igreja.

O mundo estava precisando de um pouco de Razão e Progresso; de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Os povos precisavam dar oportunidade à razão que há muito estava sufocada pela intolerância religiosa prepotente.

O progresso do homem só será garantido através do livre exercício de suas faculdades, a partir da liberdade de pensar.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior


Referências e sugestões bibliográficas:
"O Brasil em Perspectiva", Carlos Guilherme Mota (org.)
"Síntese de História da Cultura Brasileira", Nelson Werneck Sodré
"A Etiqueta no Antigo Regime: do sangue à doce vida", Renato Janine Ribeiro
"O Sistema Colonial", José Roberto do Amaral Lapa
"História do Brasil Colonial", Luiz Roberto Lopez
"O Iluminismo e os Reis Filósofos", Luiz R. Salinas Fortes
"As Grandes Correntes do Pensamento", Voltaire Schilling
"A Era das Revoluções", Eric J. Hobsbawm

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    Meio News RJ

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    O presente ensaio visa apresentar a visão de quatro historiadores sobre a visão do Imperio do Brasil.

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    Estudo de muitas confusões encontradas na TV, na Rede mundial de deturpação da Língua pátria, na Entrevista, no Catálogo Telefônico da Capital, no Guia Turístico, no Jornal, na Publicidade  até na Lei  e demais mídias, especialmente no tema Brasília e DF.

    Por: Euetu Nósl Educação> Ciêncial 15/08/2008 lAcessos: 3,465
    Jose Luiz Esteves Esteves

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    São inúmeros, mas iremos apontar os que consideramos como mais importantes: 1 – A qualidade de ensino em uma escola técnica (Etec) é considerada excelente. 2 – As Etec´s contam com equipes de Professores e Coordenadores muito bem preparadas e comuma estrutura completa de salas, laboratórios e equipamentos de última geração.

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    Este artigo informa sobre o curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores, uma formação frequentemente procurada (e essencial) por indivíduos que querem entrar no mercado de formação profissional.

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    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

    O presente texto possui uma abordagem reflexiva simples e ao mesmo tempo um foco informativo sobre as três áreas de "ciências" Psicopedagogia, Psicologia Transpessoal e Educação, numa prespectiva relacionada á Educação de maneira prática e explicativa.

    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

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    Por: ADRIANA CHAGAS MEIRELES ZURLOl Educaçãol 28/08/2014 lAcessos: 14

    O objetivo deste estudo foi contribuir para o entendimento de quais são os fatores que determinam o sucesso escolar de alunos dos meios populares, por meio da percepção dos educadores. Trata de um estudo descritivo, quantitativo e qualitativo. O instrumento de coleta dos dados foi um questionário estruturado com perguntas objetivas e subjetivas As perguntas objetivas se relacionam a identidade dos professores e vivência no ambiente escolar. As subjetivas buscam conhecer quais os fatores que poss

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    Prof. Hermes Edgar Machado Jr.

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    O nazifascismo chegou ao Brasil na primeira metade do século 20, em 1932, dentro do contexto dos acontecimentos europeus e inspirado principalmente no fascismo italiano: nascia a Ação Integralista Brasileira (AIB), através de um Manifesto à Nação Brasileira, de autoria do escritor Plínio Salgado e a partir de reuniões de vários grupos da direita política.

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    Inevitável é a solidão em "espírito" que em determinada fase do caminho cada discípulo experimentará, nos ensina praticamente todas as tradições espirituais.

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    O Mahabhárata, a "Grande Índia", é um dos dois maiores épicos clássicos da mundo. Mahabhárata provém do sânscrito "maha", grande, e "bhárata", Índia. O texto é enorme, e se for incluído o seu anexo, o Harivamsa, poderá ser considerado o maior volume de texto em uma única obra. É o texto sagrado de maior importância no hinduísmo, estimado por todos os esotéricos e ainda um verdadeiro manual de psicologia e descrição da evolução humana. No Mahabhárata encontramos a Bagavad Gita ("Sublime Canção").

    Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.l Religião & Esoterismol 24/01/2011 lAcessos: 94
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    O verdadeiro crescimento e evolução espiritual é muito diferente de simplesmente gostar de uma tradição espiritual qualquer, de seguir uma cartilha determinada, ou comodamente ler lindas mensagens. Sabe-se que nenhum instrutor desperdiçará seu tempo com pessoas sem um objetivo claro na vida espiritual. Por isso nós nos auto-qualificamos ou nós nos auto-desqualificamos para a caminhada espiritual. Mas tudo tem seu tempo.

    Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.l Religião & Esoterismol 21/12/2010 lAcessos: 228
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    As Escrituras Sagradas, de todas as tradições, revelam verdades eternas, atemporais, tais como as leis do ser, as experiências místicas interiores e a evolução dos mundos e seres. O mito, os símbolos e as histórias são pano de fundo para mostrar, aos que têm olhos e condições evolutivas de ver mais além da "letra morta", operações do Altíssimo na natureza, universos e seres. Mostram as operações e experiências místicas e esotéricas do gênero humano em geral, o despertar gradual da consciência.

    Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.l Religião & Esoterismol 11/11/2010 lAcessos: 479
    Prof. Hermes Edgar Machado Jr.

    É comum, entre os historiadores, dizer que o Estado monárquico era caritativo e paternalista. A vida se processava numa relação de troca, numa negociação entre o povo e o Império, pois o Estado monárquico promovia, de certa maneira, os auxílios e amparos públicos. Por outro lado, com o Estado republicano, o Brasil mudava a forma de governo sem revolucionar a sociedade. O povo continuava pobre e as elites na prosperidade.

    Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.l Educaçãol 06/11/2010 lAcessos: 231
    Prof. Hermes Edgar Machado Jr.

    Podemos dizer que o fim do governo de D. Pedro II foi marcado por uma série de contestações ao regime imperial. Contestações tendo por base a campanha abolicionista, a "questão religiosa", a "questão militar", a insatisfação da oligarquia cafeeira, a insatisfação das elites dos setores produtivos das províncias e as tranformações sociais e econômicas a partir da Revolução Industrial. Mas, o que realmente movia o Império rumo à República?

    Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.l Educaçãol 28/10/2010 lAcessos: 3,011 lComentário: 1
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