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O Nascimento Do Brasil

Por: NERI DE PAULA CARNEIRO Ranking do Autor Ouro Autor nos TOP 100 | Publicado em: 16-03-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 812 | Avaliação:  (510) Ranking do Artigo Prata (?)

O nascimento do Brasil

Neste 2008 é interessante que façamos mais uma revisão da história, começando justamente com a indagação: Desde quando existe o Brasil?
Depende da intenção e da ótica da pergunta. O continente americano é bem antigo. O nome Brasil é bem mais recente. Antes era Pindorama, foi Ilha de Vera Cruz, foi Terra de Santa Cruz. Virou Brasil. E virou Brasil por causa da presença do colonizador, branco, europeu que aportou em terras do Brasil em abril de 1500.
Não é nenhum segredo de Estado o fato de que desde os primeiros anos até o século XIX, nosso país não passava de uma colônia portuguesa. Essa situação só mudou com a controvertida chegada da família real, ocorrida em 1808, fugindo dos exércitos de Napoleão Bonaparte e apoiada pela marinha inglesa. A inauguração da nova fase da história deste “país tropical, bonito por natureza” teve por base um dilema: ver Lisboa invadida pelas tropas francesas ou vê-la bombardeada pela marinha inglesa?
Podemos dizer que nesse contexto e com esse episódio pitoresco e grotesco, sem deixar de ser hilariante, foi que o Brasil realmente nasceu. A partir disso a colônia passou a ser a sede do reino. Quase que se invertem os papéis!
Em síntese, um episódio europeu deu origem a um novo país, que não nasceu pronto, mas se fez em poucos anos, pois em 1822 se fez independente e logo depois uma república. Mas nada exclui a afirmação de que o Brasil nasceu pelo avesso. Desde o descobrimento e ao longo dos séculos os grandes eventos da história do nosso país se fizeram em função de interesses externos.
Como lemos em qualquer livro didático, a presença da nobreza portuguesa fez nascer várias inovações, as quais foram introduzidas no país, não porque os portugueses gostassem daqui, mas por necessidade administrativa.
Como manter a sede do reino e suas bases econômicas sem uma sede bancária? Daí o nascimento do Banco do Brasil! Como impressionar os visitantes estrangeiros, só com a exuberância das florestas? Daí a criação de bibliotecas, museus, jardim botânico e acolhida às “missões artísticas” e “filosóficas”! Como movimentar a economia? Daí a abertura dos portos ao comércio e instalação de indústrias, antes proibidas! Como instalar a corte em meio à mata e a charcos? Daí o processo de urbanização, drenagem e edificação de residências, inicialmente tomadas aos antigos moradores! Como tratar os achaques tropicais que vitimavam os europeus? Daí a criação da escola de medicina!
Não é demais reiterar que em todos esses períodos e episódios da história nacional não estiveram presente os interesses da população brasileira, mas os das elites portuguesas, representadas pela nobreza e comerciantes; e nacionais, representadas principalmente pelos fazendeiros.
Alguns anos após a chegada e instalação da corte, no Rio de Janeiro, e finda a “ameaça” napoleônica manifestaram-se algumas divergências e conflitos em Portugal. Situação que levou de volta d. João VI, deixando aqui seu filho d. Pedro, como príncipe regente. Entretanto, embora popular como jovem, como político não foi convincente. Várias regiões e situações exigiram dele mão mais pesada, no combate aos revoltosos, pois rebeliões não faltaram. E problemas com Portugal também não! Isso ampliou a rejeição ao príncipe. Nesse panorama foi que se deu a independência, não muito garbosa, mas muito providencial, para nosso país e para a os interesses da coroa. Afinal de contas as recomendações do rei d. João, ao partir, teriam sido explícitas: já que se fará a independência, teria dito o rei “que seja por ti que me respeita, do que por um desses aventureiros”
Não foi, exatamente um “samba do crioula doido”, mas antes de ser mais provado nos conflitos, d. Pedro, que já era primeiro, precisou voltar para Portugal deixando seu filho, ainda menino, para assumir o trono mais tarde e assegurar a posse do grande latifúndio, chamado Brasil. Por isso o jovem país ficou sendo administrado por regentes. Mas os governos regenciais não deram conta de segurar a barra de administrar a grande fazenda do novo imperador, para o imperador. Por isso adiantaram sua maioridade.
Mesmo assim os problemas, as crises políticas, as intrigas palacianas e o crescimento da oposição ampliaram a situação de desconforto. Dessa forma não porque o povo estivesse querendo, nem porque entendesse ser essa uma necessidade a república se fez, em 1889. Também sem o brilho cívico que se vê nas telas pintadas por encomenda, mas pela voz tremulante de um marechal adoentado. Segundo pesquisas recentes, Deodoro fora tirado da cama, pois estava enferomo, para ler a Proclamação da República.
Assim, o embrião que começara a se formar em 1500, teve um período de gestação de 3 séculos. O parto da nova nação se realizou entre crises e avanços ocorridas no período de 1808 a 1889, com uma forte contração em 1822, chamado ano da independência. Independência que teve a cara que conhecemos porque fundamentada nesse processo.
Em razão disso tudo é que podemos dizer que o Estado Brasileiro, neste 2008, completa 200 anos. Nasceu com a chegada da família real e ao passar a ser sede do Reino.
Mesmo que não se façam grandes comemorações, como as que ocorreram pelos 500 anos do “achamento” (como diz Caminha na carta ao rei), é importante, que façamos a revisão de nossas impressões sobre nosso país, pois foi assim que nasceu o Brasil.
Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação
Filósofo, Teólogo, Historiador
Leia mais: http://falaescrita.blogspot.com/
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NERI DE PAULA CARNEIROPerfil o autor:

Concluí mestrado em Educação (UFMS), especialização em Educação (UNESC-Cacoal-RO), especialização em Metodologia do Ensino Superior (UNIR-RO), especialização em Metodologia de Leitura Popular da Bíblia (CEBI-RS). Concluí os cursos de graduação em Filosofia, Teologia, História. Sou Professor de História e Filosofia pela rede pública estadual (R. Moura-RO); professor de Filosofia na Faculdade de Pimenta Bueno - FAP (Pimenta Bueno-RO), na Faculdade de Rolim de Moura - FAROL (R.Moura-RO), na UNESC (Cacoal-RO). Radialista e colaborador em jornais da região de Rolim de Moura – RO.
Publiquei alguns livros de circulação regional além de artigos em revistas científicas de Rondônia.

Meus textos são publicados regularmente no jornal Folha da Mata (Rolim de Moura-RO) nos blogs: http://falaescrita.blogspot.com e http://ideiasefatos.spaces.live.com e no site www.webartigos.com

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