O Papel Do Educador Na Inclusão Social

Publicado em: 25/06/2009 |Comentário: 4 | Acessos: 47,085 |

Educação

 

         As escolas regulares, seguindo orientação inclusiva, constituem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos.

 

 

“As escolas devem ajustar-se a todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, sociais, lingüísticas ou outras. Neste conceito devem incluir-se crianças com deficiências ou superdotadas, crianças de rua ou crianças que trabalham, crianças de populações imigradas ou nômades, crianças de minorias lingüísticas, étnicas ou culturais e crianças de áreas ou grupos desfavorecidos ou marginais”

Declaração de Salamanca, UNESCO, 1994

 

Introdução

 

         Esta pesquisa originou-se pela percepção da necessidade de apontar para os educadores de classes regulares quais os tipos de informes, palestras, seminários e cursos de especialização adequados para o seu aperfeiçoamento e para o recebimento de alunos com necessidades educacionais especiais.

         Veremos também, que tipo de apoio os professores recebem das instituições de ensino, do governo e dos familiares. E qual a mudança necessária no ambiente escolar para o recebimento dessas crianças.

         Nesse sentido, abordamos a vivência de quatro professores do ensino fundamental de escolas públicas e particulares, de três unidades de ensino e de três responsáveis legais, construindo através de suas narrativas materiais para compreensão desse processo. Os questionários realizados encontram-se anexados nesse estudo. (Anexos nº 01, 02 e 03).

         A construção de uma escola inclusiva é um desafio, pois requer quebra de paradigmas, enfrentamento do desconhecido, aceitação do não saber e efetivar, na prática, os princípios que fundamentam uma escola inclusiva.

         A proposta de uma educação inclusiva apresenta evolução nos últimos vinte anos, reflexo das discussões da sociedade internacional que tem como meta maior à humanização da sociedade, tornando-a mais igualitária e menos preconceituosa, buscando uma Escola para Todos.

         Contudo, precisamos conhecer a real dificuldade enfrentada pelos professores que recebem esses alunos e quais as alternativas geradas por eles para adquirir a metodologia e a aprendizagem necessária para desenvolver seu alunado.

         O processo de inclusão de todo indivíduo inicia-se no rompimento da vida intra-uterina no núcleo familiar, pois há uma geração de conflito com a entrada de um novo ser. Após esse período toda vez que buscamos a inserção nos grupos que vamos ou queremos interagir, também acontece o desejo de inclusão. A luta pela inclusão se dá na escola, no clube, na turma de amigos, nos grupos religiosos, no mercado de trabalho, enfim na sociedade.

         A sociedade na qual vivemos, tem por diretriz a superação e o homem tem, a todo o momento, que apresentar-se perfeitamente capaz de superar todos os obstáculos durante sua trajetória de vida, seja ela no âmbito particular ou no profissional. O profissional hoje tem que ser multifuncional, competente, arrojado, competitivo, entre outros atributos que façam com que seja visto como diferente.

         Temos ainda, o lado pessoal, onde um dos pontos do nosso padrão é o paradigma da beleza física, da aparência pessoal, e nele o feio sempre terá que se incluir no mundo dos belos. Com a chegada da velhice, o idoso deverá se preparar para a sua entrada na sociedade, pois ela, ainda não está preparada para acolhê-los. Há ainda os analfabetos, milhares, que deverão ser incluídos no mundo dos signos............Inclusão.

         É de inclusão que se vive á vida. É assim que os homens aprendem, em comunhão. O homem se define pela capacidade e qualidade das trocas que estabelece e isso não seria diferente com os portadores de necessidades educacionais especiais. (FREIRE, 1996)

         Em relação às necessidades educacionais, apresentamos os Tratados e Convenções vigentes no nosso país.  A Convenção Internacional sobre Pessoas com Deficiência é o primeiro tratado dos direitos humanos do Século XXI e é amplamente conhecida como tendo uma participação da sociedade civil sem precedentes na história, particularmente de organizações de pessoas com deficiência.

 

Elementos significativos do artigo 24 da instrução do esboço:

 

  •                       Nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência
  •                       Acesso para estudantes com deficiência à educação inclusiva em suas comunidades locais
  •                        Acomodação razoável das exigências individuais
  •                        O suporte necessário dentro do sistema de ensino regular para possibilitar a aprendizagem, inclusive medidas eficazes de apoio individualizado.

 

Barreiras ao ensino inclusivo:

 

  •                        Atitudes negativas em relação à deficiência
  •                         Invisibilidade na comunidade das crianças com deficiência que não freqüentam a escola
  •                          Custo
  •                          Acesso físico
  •                          Dimensão das turmas
  •                           Pobreza
  •                           Discriminação por gênero
  •                           Dependência (alto nível de dependência de algumas crianças com deficiência dos que as cuidam)

 

          Segundo o Parecer CNE / CEB (Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica) nº 02/01, os educandos que apresentam necessidades educacionais especiais são aqueles que, durante o processo educacional, demonstram:

a) dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitação no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares compreendidas em dois grupos: aquelas vinculadas á uma causa orgânica específica e aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências;

b) dificuldades de comunicação e sinalização diferenciada dos demais alunos, demandando adaptações de acesso ao currículo com a utilização de linguagens e códigos aplicáveis;

c) altas habilidades / superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os levem a dominar rapidamente os conceitos, os procedimentos e as atitudes e que, por terem condições de aprofundar e enriquecer esses conteúdos deve receber desafios suplementares.

          A chamada Educação Inclusiva iniciou nos Estados Unidos através da Lei Pública 94.142, de 1975 e, atualmente, se encontra na sua terceira década de implementação.

         No Brasil, a Câmara dos deputados, aprovou em primeiro turno no último dia 03 de setembro, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Com 418 votos favoráveis, 11 abstenções e nenhum contrário. Quando a norma entrar em vigor, O Brasil passará a ser o 21º país a adotar a Convenção, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

         Cláudia Pereira Dutra, Secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, afirma a importância deste documento: “No que diz respeito à educação, a Convenção assegura a inclusão educacional das pessoas com deficiência em todos os níveis de escolaridade, por meio do artigo 24, que garante, por exemplo, que nenhuma pessoa com deficiência seja excluída do sistema educacional geral sob alegação de deficiência”.

         Por Educação Inclusiva se entende o processo de inclusão dos portadores de necessidades especiais ou de distúrbios na aprendizagem na rede comum de ensino em todos os seus graus. Da pré-escola ao 4º grau e através dela se privilegiam os projetos da escola.

         O processo de inclusão escolar requer da sociedade um novo olhar para as diferenças do indivíduo, determinando um compromisso assumido por todos, pois o ser humano possui como principal característica, a pluralidade, e não a igualdade ou a uniformidade.

         Portanto, discursar sobre inclusão e escola inclusiva, supõe falar de vários aspectos que alinhavam esses conceitos, tais como, o sujeito do processo, os princípios, as políticas educacionais, entre outros.

         Na escola inclusiva o processo educativo é entendido como um processo social, onde todas as crianças portadoras de necessidades especiais e de distúrbios de aprendizagem têm o direito à escolarização o mais próximo possível do normal. O alvo a ser alcançado é a integração da criança portadora de deficiência na comunidade. (MRECH, 2006)

 

         A atuação e a forma de tratamento do aluno da Escola Inclusiva é diferente na sua forma de tratamento em relação as escolas tradicionais. Uma das diretrizes elaborada para essa instituição é a de que os professores mantenham uma maior proximidade com os alunos, focando, assim, a  captação das suas maiores dificuldades, como por exemplo, qual o facilitador para um maior entendimento das aulas. Onde o resultado esperado é um maior nível de aprendizagem.

         A Escola Inclusiva também parte do princípio que a parceria dos pais é essencial no processo de inclusão da criança na escola. Crêem também, que todas as alterações na instituição devem ser discutidas entre pais, professores, alunos e equipe técnica.

         A análise do percurso de vida dos pais entrevistados apresenta uma realidade que difere do que é dito como “correto”. Perguntamos a esses pais, se em algum momento eles se sentiram discriminados. A resposta foi um uníssono. Sim. Todos sofreram algum tipo de discriminação nas escolas atuantes por inclusão, onde hoje, todas as escolas da rede pública, devem receber em suas U.E. alunos com necessidades especiais educacionais. Lei essa, que não garante o direito a todos, conforme relato neste estudo. Uma das crianças que possui como necessidade especial deficiência física e motora de 10 anos, não está inserida no ambiente escolar devido à burocracia das U.E. procuradas, próximas a sua residência (Jardim América). As outras duas mães, possuem cada uma, uma filha com síndrome de down e não conseguiram vaga em instituições públicas próximas às suas residências (Tijuca), pois as U.E. só aceitavam crianças com necessidades físicas. Ambas estão matriculadas no Centro Educacional Tocando em Você, que é uma instituição particular especializada em crianças portadoras de Síndrome de Down. As mães informaram que recebem todo e qualquer tipo de apoio desta unidade, da direção e do corpo docente. Todos os questionamentos são respondidos e as crianças participam de todas as atividades oferecidas pela escola, como natação, hidroginástica, ballet, entre outras. Ressaltam inclusive que o desenvolvimento não é maior por falta de uma maior esforço das educandas.

         A realidade vivida por essas mães enquanto buscavam apoio na rede pública de ensino, encontra-se totalmente em desacordo com a afirmativa do autor abaixo em relação ao princípio da normalização.

                                       

                                De acordo com, MRECH, 2006, “O princípio da normalização diz respeito a uma colocação seletiva do indivíduo portador de necessidade especial na classe comum. Nesse caso, o professor de classe comum não recebe um suporte do professor da área de educação especial. Os estudantes do processo de normalização precisam demonstrar que são capazes de permanecer na classe comum . O processo de inclusão se refere a um processo educacional que visa estender ao máximo a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e na classe regular. Envolve fornecer o suporte de serviços da área de Educação Especial através dos seus profissionais. A inclusão é um processo constante que precisa ser continuamente revisto.

 

         A inclusão surge no cenário educacional como uma nova perspectiva que envolve rever concepções a respeito da educação, do ensinar e do aprender. Com ela emergem vários questionamentos sobre o que fazer e como fazer. Em meio a isso, o professor, é levado a questionar-se sobre os saberes necessários para trabalhar com crianças com necessidades educacionais especiais, considerando que não dispôs de formação para tal.

         Por conta disso, aprender a trabalhar com a inclusão é um desafio para os docentes e para a   Escola de modo geral, que necessitam criar meios para aprender a trabalhar com perspectiva. Assim, o professor, cuja função é ensinar, tem também a necessidade de aprender.

Aprender é adquirir conhecimentos, construir saberes que são ferramentas para desenvolver seu trabalho. O professor vai aprendendo a ensinar enfrentando cotidianamente diversas situações que lhe possibilitam construir tais ferramentas (TARDIF, 2002).

         O sucesso do processo de aprendizagem depende do projeto de inclusão, com trabalho cooperativo entre o professor regular e o professor especializado que é o educador com especialização para atuar com crianças com necessidades educacionais especiais, na busca de estratégias de ensino, alternativas metodológicas, modificações, ajustes e adaptações na programação e atividades;

         O plano de aula dos alunos portadores de NEE, são traçados em conjunto, visando duas etapas, a inclusiva e a de aprendizagem. E de acordo com o desenvolvimento individual ou da turma, a estratégia de ensino é ajustada para o alcance do objetivo inicial proposto.    

A inclusão traz a voga à questão de que nós, professores não estamos prontos, formados, nos faz enxergar que sempre temos algo a aprender e que essa aprendizagem é diária e tem que fazer parte do nosso cotidiano.

Em todos os segmentos profissionais, a formação é um processo diário e para toda a vida. Na docência, este quadro não é diferente, o professor tem que focar a aprendizagem permanente, estruturar seus saberes e consolidar sua trajetória. Porque ela é permanente, se faz de diversas formas, e é adquirida em lugares distintos.

         Segundo TARDIF (2002), essa concepção de formação que o professor traz remete à aquisição dos saberes a qual apresenta fontes de aquisição relacionadas à história de vida, à família, à escola, às instituições formadoras, aos materiais didáticos e à prática.

         De acordo com essa tipologia os saberes dos professores possuem várias fontes de aquisição e diferentes modos de integração no trabalho docente.

         Os saberes dos docentes que trabalham com a inclusão estão relacionados principalmente aos saberes pessoais e aos saberes provenientes de sua própria experiência, os quais tem origem na família, na educação no sentido lato, no ambiente de vida, na prática do ofício na escola e na sala de aula, bem como na experiência com os pares.

 

         Assim, a aprendizagem da docência, bem como a construção dos saberes para trabalhar com aluno incluído pode se dar de diferentes formas. No entanto, alguns fatores se destacam na aprendizagem do professor em relação ao aluno incluído: a experiência de trabalho com tais alunos; o tempo, importante fator na evolução da forma de ensinar; e a relação que estabelecemos com outros colegas, como parte de um processo interativo e dinâmico.  (DAL FORNO E OLIVEIRA, 2004)     

 

         Com a prática, validamos os saberes adquiridos. A experiência do dia a dia, mostra  o melhor caminho para o sucesso do educador. E como a grande maioria dos professores não recebe a formação devida para tratar alunos com necessidades especiais, a prática na sala de aula, é quem ensina e indica  a melhor forma de tratamento e  adaptação da didática necessária.

Cada indivíduo pensa e age de forma distinta, ocorre o mesmo com os alunos oriundos da inclusão. Por esse aspecto, o professor deve olhar seus alunos, e buscar em cada um, sua real necessidade, seus desejos e seu tempo,  adequando a metodologia de ensino e o tratamento.

Aprender a ensinar não é algo que nasce com o individuo, mas que vai sendo construído no decorrer de sua carreira. Para este autor a carreira é “um processo temporal marcado pela construção do saber profissional”. (TARDIF,2002)

         Por este motivo, o profissional da área de educação, deve buscar alternativas para produzir o seu saber, o docente deve desenvolver a experiência educacional de ensinar e aprender através de práticas de ensino inclusivas.

          A inclusão deve atingir todos os alunos dentro de uma classe e não somente os alunos portadores de necessidades especiais. A inclusão não difere, ela tem como foco o aluno e precisa atingir a todos, com o objetivo de desenvolvimento de aprendizagem para todos. Cabe ao professor, ser o facilitador desta inclusão, direcionando um novo olhar e ouvindo atentamente a cada um deles.

         De acordo com Martins (2007), devido ao sistema de ensino, aos mecanismos de exclusão,  hoje os professores saem da Universidade sem a técnica anteriormente aprendida no magistério, pois os cursos universitários formam apenas acadêmicos, não oferecendo sustentabilidade para enfrentar o sistema de ensino, principalmente das escolas públicas. Esta é a grande falência no sistema de formação do educador. Há uma distância muito grande entre o curso de magistério e o superior. O professor não sabe como agir  e não tem fundamento para a prática, que inclui como planejar uma boa aula, os passos para isso, o que é fazer o registro de uma sala de aula e sua dinâmica. Hoje, o professor sai da universidade e não sabe o que fazer. E nem por onde começar. A professora Regina Martins, fala da educação para alunos classificados como “normal”, como então deve agir o educador que recebe na  sua classe, alunos por inclusão, sem possuir a especialização necessária. O que fazer?

         O professor, ao receber alunos portadores de necessidades especiais, terá que romper suas próprias barreiras, terá que trabalhar a tolerância, o medo do novo, o preconceito e a falta de formação necessária.

         O papel do professor, também é aprender, e essa aprendizagem é constante, ele deverá identificar diferentes formas de pensar a sua profissão, deve enfrentar como parte de um movimento constante de busca . Nesse sentido, Freire (1996) diz que “a consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca”.

         Esse movimento pode representar o que Pineau (1988), chama de autoformação, definindo-a como “a apropriação por cada um do seu próprio poder de formação”.  Na autoformação , o professor assume a necessidade de aprender e se apropria do processo de formação.

        Josso (1988) também coloca que, “O ser em formação só se torna sujeito no momento em que a sua intencionalidade é explicada no acto de aprender e em que é capaz de intervir no seu processo de aprendizagem e de formação para o favorecer e para o reorientar”.

         Querer aprender, isto é o que fará a diferença para o educador que tramitar na esfera da educação especial, não ter medo do novo, incluir ao invés de excluir, atuar com sistema de aprendizagem contínua, observar o individual e não o macro, trocar com seus pares e aprender com colegas que se especializaram nessa cadeira, a experiência conta, mas a aprendizagem diária, a vivência, a postura autoformativa e explorar ao máximo as oportunidades oferecidas, fará desse educador, um educador também especial. A autoformação implica em busca, em investimento na própria aprendizagem e essa busca, assume sempre formas muito variadas.

         A análise do relato dos quatro professores entrevistados, sendo um professor de escola particular e três da rede pública de ensino, nos mostra que: o Estado, não fornece nenhum tipo de apoio aos educadores, como palestras, cursos, oficinas, entre outros e nem tampouco a própria escola. Com exceção de uma professora, que possui formação na área de fonoaudiologia, especialização em psicopedagogia e participa de encontros para compartilhar experiências com a equipe do Instituto Helena Antipoff (responsável pela Educação Especial da Rede Municipal de Ensino, e considerado o único de referência na área em todo o país e está localizado na Rua Mata Machado nº 15 – Maracanã – RJ) _ (Como anexo, foto da equipe do Helena Antipoff. Anexo 04),os demais educadores não possuem e não buscaram nenhum tipo de especialização para o recebimento de crianças com necessidades educacionais especiais, apesar de atuarem em unidades de ensino que atuam por inclusão. De acordo com eles, possuem outras prioridades no momento, como conclusão de curso universitário e também por falta de oportunidade e motivação.

         As necessidades especiais que seus alunos apresentam são: Síndrome de Down, Paralisia Cerebral Leve e Moderada, Retardo Mental, Dislexia, entre outras.

         Em relação à infra-estrutura do estabelecimento de ensino, a maioria dos docentes informa que a U.E. possui de forma adequada.

 

         A inclusão trouxe a necessidade de repensar a educação e a instituição escolar, principalmente pelas dificuldades enfrentadas pelos docentes. Por isso, traz consigo mudanças na forma de ver, pensar e fazer a educação escolar e a docência. Ela surge como um estímulo para se pensar a educação a partir da inadequação de um sistema escolar tradicional no qual é o aluno que necessita adaptar-se a escola, e esta por sua vez esquiva-se de possíveis mudanças. É também a oportunidade de rever e repensar práticas escolares desestimulantes procurando torná-las mais atraentes, inovadoras e dinâmicas. (DAL FORNO E OLIVEIRA, 2004)

 

 

         A inclusão representa um grande desafio, mas a superação pode ocorrer com o entrosamento dos pais, escola e funcionários, com a troca dos professores de classe regular e dos educadores especializados, revisão das estratégias de ensino, formação continuada para os educadores e a consolidação da inclusão através da elaboração de políticas públicas de formação em serviço pelos órgãos governamentais.

         As propostas de políticas públicas para o indivíduo com necessidade educacional especial são reconhecidas através de Lei pelos órgãos governamentais, mas ainda não funciona na sua plenitude. Das três instituições pesquisadas, duas da rede pública e uma da rede particular, apenas uma atua por inclusão (rede municipal), embora não tenha uma procura satisfatória, por se tratar de uma creche. E de acordo coma direção da mesma, a estrutura física não é adequada para as crianças ditas “normais”, quiçá para com as portadoras de necessidades especiais. Ainda de acordo com a direção da U.E., não é solicitado ao quadro de docentes. cursos de especialização, somente a orientação de um profissional especializado, e mesmo sendo uma unidade por inclusão, dependendo do tipo de necessidade da criança, há restrição dos educandos no seu recebimento. Informa também a direção, que os casos mais graves são encaminhados para uma escola especializada daquele município (Nova Iguaçu).

 

 

Conclusão

 

         Vimos neste estudo que os educadores de classe regular não possuem conhecimento adequado e metodologia científica para o trabalho das crianças com necessidades especiais em contraponto com os educadores especiais que possuem saberes adquiridos em sua formação. Contudo, a prática diária, a troca e a autoformação, faz com os educadores de classe regular adquiram a experiência necessária para desenvolver o alunado em questão.

         Uma sociedade é formada por grupos de indivíduos, de classes, cultura, nações e conseqüentemente necessidades distintas, mas que aprendem a conviver com as diferenças impostas pelo meio em que vivem, portanto a convivência da classe dita “normal” e da classe dos portadores de NEE, a partir do conhecimento da dificuldade e ou necessidade de cada um, gera aprendizagem para todos os integrantes.

         Dessa forma, vemos que uma postura aberta à mudança, por parte dos professores e da Escola, é fundamental dentro de uma perspectiva inclusiva. Postura essa que mostra a urgência da mudança do pensamento que prego que somente os educadores especiais podem trabalhar com alunos com necessidades especiais. O caminho da Escola inclusiva ainda possui vários obstáculos, mas com a união de todos os envolvidos no processo, a captação da melhor estratégia para cada escola que busca a inclusão, a dificuldade poderá ser minimizada e o conceito de educação e aprendizagem unificado em todas as instituições de ensinos sejam elas, inclusivas ou especiais e na sociedade.

         Dessa forma, a formação continuada vem minimizar a ausência de conhecimentos relacionados à inclusão, colaborando para aprendizagem do educador, complementando e auxiliando seu desenvolvimento profissional e suprindo deficiências da formação inicial com relação as diferenças dos alunos e a presença destes em classe regulares.

         Com base na narrativa dos professores é possível verificar que a ausência de formação, não os impediu de aceitarem o desafio posto pela inclusão. Vemos então, que uma postura aberta a mudança, é primordial dentro de um ambiente inclusivo. Postura essa, que derruba o mito de que só os educadores especiais podem trabalhar com crianças especiais, mas também nos mostra que a troca, a orientação, a busca pela aprendizagem, a quebra de paradigmas, é essencial para o enfrentamento desse desafio. Devemos entender o novo e traçar um caminho que nos possibilite partilhar experiências e, com isso, objetivar os saberes experienciais. A parceria entre o profissional da educação especial e o do ensino regular, qualifica e muito o processo inclusivo, este profissional  deve ser o apoio, o mediador da formação continuada dos educadores no contexto escolar regular nas U.E. que atuam por inclusão. Neste estudo, também consta anexado o artigo Resignificar a Escola do Profº José Pacheco, solicitando aos educadores, a revisão de suas práticas pedagógicas (Anexo nº 07).

         Um sistema escolar inclusivo precisa investir na capacitação contínua de seus professores e funcionários, chamando-os para o entendimento do processo, focando um processo contínuo de sensibilização e atualização constante do quadro funcional e da comunidade onde a U.E. está inserida.

         A formação continuada, aqui discutida, não pode ser somente de breves cursos realizados para atualização e capacitação do educador, mas também, composta e complementada por reuniões de estudos na escola, analisando a realidade vivida por aquele grupo de alunos, suas necessidades e suas potencialidades.

         Pelo levantamento do IBGE, vemos também que entre 2002 e 2006, o total de professores na educação especial, aumentou 22,8% e destes, 33,3% dos educadores possuem curso específico. Também, uma queda de 3,8% dos professores, sem a especialização adequada que atendem as classes de alunos com necessidades especiais educacionais, (Anexo nº 05).

         Finalizo este estudo com a convicção de que a escola e a sala de aula devem ser um espaço inclusivo, acolhedor, um ambiente estimulante que sempre reforçará os pontos fortes do indivíduo, reconhecendo suas dificuldades e adaptando-se  as peculiaridades do alunado.

         Neste espaço escolar, onde as limitações são únicas e ímpares, toda a infra-estrutura deve ser adaptada ao coletivo, como por exemplo, rampa de acesso para cadeirantes, material em Braille para deficientes visuais, Libras para deficientes auditivos, entre outros.  O ambiente deve ser acolhedor e com total respeito ao indivíduo, sempre respeitando o limite do outro e também reconhecendo no outro o que ele tem de melhor para fazer e transmitir. Formar um aluno dentro da escola é justamente destacar suas diferenças e não padronizá-lo, é ensiná-los o máximo que possam aproveitar.

         Enfatizo que o êxito do processo de aprendizagem e de inclusão depende da formação continuada do professor, dos grupos de estudos com os profissionais especializados, possibilitando uma ação prática, da reflexão e do constante redimensionamento do fazer pedagógico. Por isso apresento para os docentes, um quadro (Anexo nº 06) com cursos que podem ajudar os profissionais que estejam interessados num aprimoramento na área, sua localização e valor monetário. Esperando que esta contribuição seja de valia para sua autoformação.    

        

                                                               

              REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

DAL FORNO, Josiane Pozzatti, O professor na escola inclusiva construindo saberes.

PACHECO, José et al. (org.). Caminhos para a inclusão: um guia para aprimoramento da equipe escolar. Porto Alegre: Artmed, 2006

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

JOSSO, M. C. Da formação do sujeito ao sujeito da formação. In: NÓVOA, A.; FINGER, M. (Orgs.) O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, Departamento dos Recursos Humanos da Saúde, 1988. p. 35-50.

TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários: elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas conseqüências em relação à formação para o magistério. Revista Brasileira de Educação, n. 13, p. 5-24, jan/fev/mar/abr. 2000.

SILVA, Karla Fernanda Wunder. Tessituras entre a Escola Regular e a Educação Especial. 2002. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2005.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Brasil adotará documento da ONU sobre pessoas com deficiência. DF: MEC 2008.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Projeto Educar na Diversidade. DF: MEC 2008.

INSTITUTO HELENA ANTIPOFF. Projeto Integrado de animação Instituo Helena Antipoff/SME-RJ e Departamento de Artes e Design N.A.D.A – Núcleo de Arte Digital e Animação Vice reitoria Comunitária – PUC RIO.

FERREIRA, Cláudia Linhares Lucas O papel do professor na educação inclusiva.

DAL FORNO, Josiane Pozzatti; OLIVEIRA, Valeska Fortes de. Ultrapassando barreiras: professoras diante da inclusão. 2005. Monografia (Especialização em Educação Especial) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2005.

MRECH, Leny Magalhães. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. 

 

 

                                                                       ANEXO 01

 

 

Questionário para os Professores

 

 

 

Identificação do professor

 

______________________________________________________________________

 

Qual o nome da instituição?A instituição de ensino é pública ou particular?

 

______________________________________________________________________

 

 

Você possui algum (s) aluno (s) com necessidade especial?

 

______________________________________________________________________

 

 

O (s) aluno (s) são portadores de que tipo de deficiência?

 

______________________________________________________________________

 

 

A instituição de ensino atua por inclusão ou é uma escola especial?

 

______________________________________________________________________

 

 

Você acha que a escola possui infra-estrutura adequada para acolhida desse (s) alunos (s)?

 

______________________________________________________________________

 

 

Que tipo de treinamento que você recebeu da instituição para acolhida desse (s) aluno (s)?

 

______________________________________________________________________

 

 

Você procurou se especializar em algum tipo de necessidade especial? Qual?

 

______________________________________________________________________

 

(Se não) Porque?

 

______________________________________________________________________

 

 

Qual sua motivação para trabalhar com crianças com necessidades especiais?

 

______________________________________________________________________

 

 

As crianças com necessidades especiais exigem uma postura / tratamento diferenciado?

Por que?

 

______________________________________________________________________

 

 

Qual o apoio que a classe dos professores recebe do Estado?

                         

______________________________________________________________________

 

 

Qual o seu sentimento em relação à inclusão social?

 

______________________________________________________________________

 

 

O que você acha que deve mudar, ser melhorado ou incluído?

 

______________________________________________________________________

                       

   

ANEXO 02

 

 

Questionário para os órgãos públicos (Secretaria de Educação)

 

 

Identificação do órgão e responsável:

 

______________________________________________________________________

 

 

Qual a quantidade de escolas especiais dentro deste núcleo?

 

______________________________________________________________________

 

 

Na contratação dos professores para esta rede, é necessário especialização? De que tipo (s)?

 

______________________________________________________________________

 

 

Todas as escolas deste núcleo atuam com inclusão de crianças com necessidades especiais?

Há um percentual ou número de vagas determinado?

 

______________________________________________________________________

 

 

Quando a escola atua com inclusão, é necessário que o professor possua especialização?

 

______________________________________________________________________

 

 

Há restrição do corpo docente no recebimento de crianças com necessidades especiais?

 

______________________________________________________________________

 

 

É verificado pelo órgão se a infra-estrutura da escola é adequada para aceitação do aluno (s)

com necessidades especiais?

 

______________________________________________________________________

 

 

Há algum tipo de reclamação ou sugestão dos pais ou responsáveis legais em relação à rede

de ensino? Quais?

 

__________________________________________________________________

 

  

ANEXO 03

 

Questionário para Família

 

 

Identificação do pai ou responsável legal:

 

______________________________________________________________

 

 

Você possui ou é responsável legal por uma(s) criança (s) com necessidades especiais?

 

______________________________________________________________________

 

 

Qual o tipo de necessidade?

 

______________________________________________________________________

 

 

Esta (s) criança (s) está matriculada e instituição escolar? Qual?

 

_______________________________________________________________________

 

 

A instituição de ensino é pública ou particular?

 

_______________________________________________________________________

 

 

A instituição possui infra-estrutura adequada para a necessidade desta (s) criança (s)?

 

______________________________________________________________________

 

 

 

Você enfrentou ou enfrenta algum tipo de dificuldade para matricular esta (s) criança (s)?

Qual?

 

______________________________________________________________________

 

 

Você enfrentou algum tipo de preconceito? Qual?

 

_______________________________________________________________________

 

 

 

 

Caso sim, o preconceito foi por parte da escola ou de terceiros (pais, funcionários ou alunos)?

 

______________________________________________________________________

 

 

 

Qual o seu relacionamento em relação aos professores desta instituição? Eles esclarecem

suas dúvidas?

 

______________________________________________________________________

 

 

E em relação à instituição?

 

______________________________________________________________________

 

 

O que você acha que falta para melhorar o desempenho desta (s) criança (s)?

 

______________________________________________________________________

 

 

                                                                            ANEXO 04    

 

 

 

Quadro de Docentes e funcionários do Instituto Helena Antipoff

 

 

                                                     

 

 

 ANEXO 05

 

         Dados referentes ao processo de matrícula nas redes públicas e privadas do Brasil, assim como a especialização do quadro de docentes, de acordo com a última pesquisa realizada pelo IBGE para a Secretaria de Educação Especial – Ministério da Educação.

 

Evolução de Matrículas na Educação Especial de 1998 a 2006

 

         Entre 1998 e 2006, houve crescimento de 640% das matrículas em escolas comuns (inclusão) e de 28% em escolas e classes especiais.

 

Evolução de Matrículas na Educação Especial na Rede Pública e Privada  de 1998 a 2006

 

         Entre 1998 e 2006, houve crescimento de 146% das matrículas em escolas públicas com orientação inclusiva e de 64% em escolas privadas.

 

Evolução de Matrículas em escolas Regulares / Classes Comuns de  2002 a 2006

 

         Entre 2002 e 2006, houve crescimento de 194% das matrículas inclusivas, com crescimento de 175% em escolas com apoio pedagógico especializado e 208% em escolas sem apoio pedagógico especializado.

 

Escolas Públicas e Privadas com Matrículas na Educação Especial de 2002 a 2006

 

         Entre 2002 e 2006, houve crescimento de 119,5% das escolas com matrículas na educação Especial, com crescimento de 125% na rede pública e 88% na rede privada.

 

Professores na Educação especial de 2002 a 2006

 

         Entre 2002 e 2006, houve crescimento de 22,8% no total de professores na Educação Especial, com crescimento de 33,3% dos professores com curso específico e queda de 3,8% dos professores sem curso específico para atender alunos com necessidades educacionais especiais.

 

ANEXO 06

 

Quadro para Autoformação dos Educadores

  

NECESSIDADES EDUCACIONAIS
ESPECIAIS

INSTITUIÇÃO

LOCAL

TELEFONE

OBSERVAÇÕES

Distúrbio de Comportamento
Distúrbio de Aprendizagem
Síndrome de Down
Síndrome de West

Associação Pestalozzi
de Niterói

 

 

 

 

 

Est.Caetano
Monteiro nº 857
Pendotiba - Niterói

2199-4400
2199-4408

A divisão é tratada por NEE e por faixa etária.
Atuam com estágio não remunerado

Distúrbio de Comportamento
Distúrbio de Aprendizagem
Síndrome de Down
Síndrome de West
Altas Habilidades/Superdotação

Centro de Estimulação e Psicopedagogia - CRIART

Rua Goiânia nº 126
Andaraí

2570-4873

Atendem todos os tipos de síndrome, não fornecem estágio técnico, somente atendimento para portadores de necessidades especiais

Deficiência Visual

Instituto Benjamin
Constant

Av. Pasteur nº 857
Urca

3478-4454
3478-4455

Atuam com deficiência
visual parcial e total
Atuam com estágio não remunerado

Deficiência Visual

Capacitação de
Professores - IBC

 

3478-4456

Curso de Qualificação de Professores na área de
 deficiência visual. Curso pago.

Deficiência Visual

Laboratório de Educação
a Distância - IBC

 

 

   Curso a distância

Deficiência Visual

USP

 

 

Curso de braille on line gratuito

Deficiência Visual

Biblioteca Pública do
Estado do Rio de Janeiro

Av. Presidente Vargas
126 - Centro

2224-6184
2242-6619
 R: 214

Curso Gratuito
O curso de Braille
encontra-se suspenso, o
prédio está em reforma.

Deficiência Auditiva

Federação Nacional de
Educação e Integração
dos Surdos - FENEIS

Rua Santa Sofia
nº 139 - Tijuca

2567-4880

Novas turmas iniciam em
janeiro/2009 - entrar em contato em dezembro/2008, hoje o valor da mensalidade é de R$ 65,00 e as aulas são semanais pelo período de 03 horas.

Altas Habilidades
Superdotação

Instituto Social Atuando

Rodovia Washington
Luiz nº 16481
Parque São Judas
Duque de Caxias

2776-1962

A unidade atua com
acompanhamento,
capacitação e
profissionalização.
Encontra-se em expansão.
Atua com voluntariado

Dislexia

Curso de Capacitação em Dislexia

Pró-Reitoria de Educação Continuada -Fortaleza

088-32915271

 088-99110892

O Curso de Capacitação em Dislexia focaliza as estratégias de intervenção didática na reabilitação de educandos com necessidades educacionais especiais, particularmente as dificuldades específicas em leitura. São estudados métodos, técnicas e recursos para o tratamento da dislexia em sala de aula.

Curso de Educação Especial

Portal Ensinando

 

Atendimento educacional aos portadores de necessidades especiais; Progressão sócio-histórica; História da Educação Especial no Brasil; entre outros.

 

          Curso a Distância

Próxima Turma :

Data início : 15/11/200

Data Fim: 14/12/2008

Carga Horária: 80 hrs

Investimento: R$ 106,00 (aceita cartão de crédito e débito em c/c)

Atua com todas as necessidades educacionais especiais

Instituto Helena Antipoff

Rua Mata Machado nº 15 - Maracanã

  2569-0378

 

Instituto responsável pela Educação Especial da Rede Municipal.

Ministram cursos para o quadro de professores municipais e quando há sobra de vagas, aceitam inscrições. O curso inicia em março e o contato deve ser feito em fevereiro.  Curso gratuito.

 

 

 

 

ANEXO 07

 

Carta escrita pelo professor JOSÉ PACHECO, em 2006 com o título Resignificar a Escola

 

 Escola – Reflexão Crítica

 

          O artigo abaixo, “Resignificar a Escola” é do Profº José Pacheco (2006), no qual apresenta a Escola da Ponte como uma proposta de mudança de paradigma sobre o funcionamento da Escola.  Nele, propõe uma reflexão crítica, da realidade do funcionamento da instituição Escola, a qual estamos servindo, e busca pensar a maneira como administramos nosso tempo. O autor pretende que o referido texto, nos faça pensar sobre o tempo que gastando em detrimento das atitudes que podem ser tomadas no presente para a Escola mudar e atender a todos com dignidade

 

 

          Para que se concretize a inclusão é indispensável a alteração do modo como muitas escolas estão organizadas. Para que a inclusão passe a ser mais do que um enfeite de teses, será preciso interrogar práticas educativas dominantes e hegemônicas. Será preciso reconfigurar as escolas.

         No passado, como nos nossos dias, há escolas cativas de vícios e ancoradas em práticas obsoletas, geradoras de insucesso. Há mais de um século, como hoje, há professores que se interrogam e tentam melhorar as escolas. Mas há, também, "dadores" de aulas que recusam interrogações e que impedem que as escolas melhorem.        

         Quando serão postos em prática os princípios de escola inclusiva enunciados, há dez anos, na Conferência de Salamanca? Quando se deixará de centrar o problema no aluno, para centrar numa gestão diversificada do currículo? Quando cessará a intervenção do especialista, num canto da sala de aula, e se integrará o especialista numa equipe de projeto? Quando se concretizará uma efetiva diversificação das aprendizagens, que tenha por referência uma política de direitos humanos, que garanta oportunidades educacionais e de realização pessoal para todos?       

          Por muito que isso desespere os adeptos do pensamento único, eu sei que é possível concretizar a utopia de uma escola que dê garantias de acesso e de sucesso a todos (e com excelência acadêmica!). E sei (como outros sabem) que isso é possível... na prática! Sabemos que há muitos professores conscientes da falência do tradicional modelo de organização e de que urge reconfigurar as escolas. Quantos professores eu conheço capazes de desconstruir estereótipos e de operar essa reconfiguração!        

          Perguntar-se-á, então: O que impede que o façam? Por que não mudam as escolas?

 

 

                                                           

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-papel-do-educador-na-inclusao-social-993763.html

    Palavras-chave do artigo:

    educacao escola inclusiva especializacao

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    Pessoas com necessidades especiais, durante muito tempo, consideradas diferentes ao logo do tempo, numa sociedade discriminatória, A conquista e o reconhecimento de direitos das pessoas se às necessidades do alunado, respeitar o ritmo e os processos de aprendizagem, propondo uma pedagogia centrada nas potencialidades humanas, em com deficiência no Brasil tornaram-se componentes integrantes de políticas sociais a partir da metade do século passado.

    Por: CLEA MARCIA PEREIRA CAMARAl Educação> Ensino Superiorl 14/03/2012 lAcessos: 1,015
    shirleidy de sousa freire

    Elencam-se questões referentes a uma temática bastante polêmica no mundo de hoje. Refere-se à inclusão de alunos com necessidades especiais que estão inclusos no ensino regular. Enfocaram-se algumas infoemações referentes ao histórico da educação especial no contexto brasileitro.

    Por: shirleidy de sousa freirel Educação> Educação Onlinel 25/06/2011 lAcessos: 3,154
    Erica Adami Giaretta

    A educação especial é uma realidade presente nas escolas públicas e particulares do Brasil, porém o que se vê, por um lado, são crianças portadoras de necessidades educacionais especiais sendo matriculadas na rede regular de ensino público e privado e, por outro lado, escolas, professores e demais profissionais despreparados para atender às necessidades específicas destes alunos.

    Por: Erica Adami Giarettal Educaçãol 27/11/2010 lAcessos: 7,320

    cONHEÇA UM POUCO SOBRE AS LEGISLAÇÕES QUE REGULAMENTAM A EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL E ENTENDA COMO INICIARAM AS DISCUSSÕES NO MUNDO.

    Por: VIVIANE AVELINO MARCELOSl Educaçãol 24/01/2009 lAcessos: 44,255 lComentário: 20
    Elias Ribeiro Tork Filho

    O presente artigo apresenta como objetivo investigar a práxis pedagógica da Educação Física na 1ª Etapa da Educação de Jovens e Adultos (EJA), especificamente as dificuldades do professor em ministrar aulas à clientela da EJA. Pois, sabe-se que a Educação Física Escolar a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, apresenta-se como componente curricular obrigatório da educação básica. Com isso, analisa-se que a EJA ao fazer parte da educação básica precisa que o prof

    Por: Elias Ribeiro Tork Filhol Educação> Ensino Superiorl 17/12/2013 lAcessos: 106
    Valdec Romero Castelo Branco

    Nesse artigo analisa-se o processo de avaliação, não pela visão de um especialista em pedagogia. A escola deve incorporar uma nova realidade, caracterizando-se pela capacidade de gerir relacionamentos interpessoais com os alunos, os pares, os superiores e a comunidade e, não apenas formadora de mão de obra para esse ou aquele segmento de mercado.

    Por: Valdec Romero Castelo Brancol Educação> Ensino Superiorl 20/07/2010 lAcessos: 1,243
    Aline Pereira Dutra Santana e Sabrina Celestino Soares, Orientadora: Profª. Ms. Josiane Fujisawa Filus

    Este artigo faz uma reflexão sobre a história da educação escolar de pessoas em condição de deficiência no Brasil. Analisamos o final do século XVIII até as atuais discussões sobre o processo inclusivo. Observamos que os conceitos de deficiência e a ênfase na limitação da pessoa acompanharam os educadores no decorrer dos anos e têm influenciado a prática deles até hoje. Concluímos que uma educação de qualidade a todos ainda não é uma realidade, mas é preciso o trabalho de todos para que aconteça

    Por: Aline Pereira Dutra Santana e Sabrina Celestino Soares, Orientadora: Profª. Ms. Josiane Fujisawa Filusl Educaçãol 04/11/2009 lAcessos: 2,746 lComentário: 6

    Resumo Este artigo apresenta a trajetória da educação de jovens e adultos e da educação profissional no Brasil estabelecendo relações com os diversos contextos históricos a partir das políticas públicas implementadas desde a Colônia até os dias atuais e identificando os mecanismos de acesso, permanência ou exclusão nessas modalidades de ensino no que diz respeito à educação formal. A análise efetuada mostra que tanto a educação de jovens e adultos quanto à educação profissional no Brasil têm em comum o caráter discriminatório e assistencialista, e aponta o que está sendo feito para integrar essas modalidades de ensino, de modo a promover a inclusão dos indivíduos que nelas estão inseridos.

    Por: Ivonete Sacramentol Educaçãol 09/02/2009 lAcessos: 12,717 lComentário: 12
    Evilasio Ferreira de Sousa

    A presente proposta envolve as pessoas que estão inseridas no universo do Ensino Fundamental, do primeiro ao quinto ano, do município de Catolé do Rocha, Estado da Paraíba, tendo como objetivo contribuir para a compreensão da educação e das relações intertécnicas, com ênfase da inserção do negro da vida escolar. Estudo este que proporcionou aos educadores e educandos o conhecimento da situação atual sob o prisma dos aspectos culturais, onde as desigualdades afloram e se mostram com total nitidez

    Por: Evilasio Ferreira de Sousal Educação> Ensino Superiorl 05/10/2011 lAcessos: 109
    Marcelo Gomes González

    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), foi um documento criado em 1996 com o intuito de nortear a Educação Básica no Brasil. Nele ainda perduram alguns erros, mas ainda assim, esse documento foi uma evolução para educação nacional, principalmente para a Educação Física. No Ensino Fundamental I tem-se como objetivo a formação da identidade do cidadão, para saber seu lugar na sociedade. Apresentando-lhe várias culturas e reforçando as já existentes.

    Por: Marcelo Gomes Gonzálezl Educaçãol 17/10/2012 lAcessos: 137

    Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que altera o humor e costuma estar associada com baixa autoestima e culpa, e normalmente traz consigo distúrbios do apetite (comer demais, ou praticamente nada), e de sono (dormir demais, ou quase nada), entretanto um dos aspectos mais nocivos é a falta de perspectivas, um sentimento de ausência de futuro, de impossibilidade de solução dos problemas, que muitas vezes leva até ao suicídio.

    Por: Central Pressl Educaçãol 31/10/2014

    O presente artigo discorre contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança.

    Por: neide figueiredo de souzal Educaçãol 29/10/2014

    Faz-se necessário que a avaliação seja orientada pela lógica da continuidade dos processos de formação.

    Por: neide figueiredo de souzal Educaçãol 29/10/2014
    Erineia nascimento da Silva

    O lúdico proveniente da palavra latina "ludus" que significa jogos. Que segundo DANTAS, 1988, representa liberdade para brincar livremente, gratuitamente, prazerosamente. Tornando a brincadeira uma expressão máxima do lúdico, desde da antiga Roma e Grécia em períodos remotos da civilização ocidental utilizava os brinquedos na educação com base nas idéias de Platão e Aristóteles.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 28/10/2014
    Sebastiana Braga

    A formação profissional não consiste apenas em ouvir palestra ou fazer determinados cursos. Pelo contrario, ela é um processo continuo e progressivo, onde através da aprendizagem se acumula conhecimento e este por sua vez vai sendo transformado em práticas bem sucedidas. Dessa forma deve ser pensado numa multiplicidade de saberes que através de um projeto para formação continuada que se complemente e que aborde um tema central a todas as áreas no intuito do melhoramento do ensino aprendizagem.

    Por: Sebastiana Bragal Educaçãol 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Sei o quanto. Tudo isso não significa nada. Apesar da interminável beleza dos universos. Contínuos. Sei do insignificado das coisas. Do delírio dos deuses. Das franquezas das razões não lógicas. A metafísica não indutiva.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educaçãol 25/10/2014
    Amanda Souza Machado

    Este trabalho é uma continuação das discussões, pesquisas e reflexões ocorridas durante a elaboração do artigo científico sobre como os educadores exploram as fantasias das crianças, produzidas a partir dos programas de televisão. O artigo propõe-se a apresentar as influências da TV no imaginário das crianças e qual é o papel dos educadores neste momento.

    Por: Amanda Souza Machadol Educaçãol 23/10/2014

    O presente artigo é um estudo bibliográfico que tem como objetivo principal abordar conceitos educacionais e metodologias desenvolvidas em sala de aula usando o lúdico como alternativa de metodologia. O trabalho justifica-se pela necessidade de se entender e adequar a aprendizagem às atuais demandas da educação é necessário conhecer alguns caminhos já percorridos pelo ensino e que se levam a uma redefinição dos objetivos, conteúdo e metodológicos.

    Por: Graciele de Miranda Oliveiral Educaçãol 21/10/2014 lAcessos: 14

    Comments on this article

    0
    kellen 29/03/2010
    Parabéns pelo artigo, pois estou desenvolvendo o meu, e através do seu tive uma nova visão. sucesso
    0
    isabel martins 29/03/2010
    gostaria se possivel de receber informacoes a respeito do inicio da educao no brasil,grata
    1
    samuel 11/11/2009
    estão 6 bolas
    0
    ednalva 02/07/2009
    Parabéns pelo artigo, pois estou desenvolvendo o meu, e através do seu tive uma nova visão.
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