Prática Da Leitura

05/07/2009 • Por • 20,299 Acessos

INTRODUÇÃO

            A importância da leitura vem a cada dia ganhando força em seus diversos segmentos, pois é um dos requisitos básicos na aprendizagem do indivíduo.

É importante aprender a ler, porque a condição de leitor tornou-se indispensável à ascensão a novos graus do ensino e da sociedade. Mas a leitura é muito mais do que um processo de decodificação ou decifração de sinais e símbolos, pois dizemos que um indivíduo só aprendeu a ler quando compreende o que lê, quando retira o significado do que lê e interpreta os sinais escritos.

 

O ato de ler é algo que se adquire no decorrer de anos, pois a leitura vem aos poucos contribuir para a formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos a extensão e a profundidade de cada texto lido.

PRATICANDO A LEITURA

Quando a criança está aprendendo a ler são necessários alguns requisitos, dentre eles destacam-se saber diferenciar visualmente as letras impressas e perceber que cada símbolo gráfico corresponde a um determinado som, e isso ocorre da seguinte maneira como explica Morais (1986, p.17):

 

Este processo inicial da leitura, que envolve a discriminação visual dos símbolos impressos e a associação entre Palavra impressa e Som, é chamado de decodificação e é essencial para que a criança aprenda a ler. Mas, para ler, não basta apenas realizar a decodificação dos símbolos impressos, é necessário que exista, também, a compreensão e a análise crítica do material lido. (...) Sem a compreensão, a leitura deixa de ter interesse e de ser uma atividade motivadora (...). Na verdade, só se pode considerar realmente que uma criança lê quando existe a compreensão (...).

 

Com isso a prática da leitura vai sendo associada à difusão da escrita, à fixação do texto, à alfabetização dos indivíduos entre outros. Sabemos que tudo isso é importante, mas não o bastante para o processo da leitura que a cada dia exige novos conhecimentos e aperfeiçoamentos.

Mas para a aquisição da leitura ocorrer de fato é importante levar em consideração as condições que cada indivíduo possui. Essas condições podem ser: sociais, econômicas, ambientais, emocionais, cognitivas etc. Segundo a teoria o que vem sendo fator predominante na vida do indivíduo são as condições sociais, pois nem todos têm acesso à leitura porque em nossa sociedade capitalista esse acesso se dá das formas mais diferenciadas, pois cada classe social tem sua visão do grau que a leitura deve ocupar na aprendizagem e na sua vida.

Compreendemos que o processo da leitura não ocorre de uma hora para outra, mas sim com muito treino. Como nos diz Martins (2007, p. 84) “o treinamento para a leitura efetiva implica aprendermos e desenvolvermos determinadas técnicas”. Mas somente isto não basta, pois cada leitor possui sua maneira ou hábito de ler. Logicamente que tais técnicas ajudarão o leitor a descobrir o seu próprio jeito para o gosto da leitura, não há como forçar ou acelerar o ritmo de ninguém.

Percebemos que a prática da leitura pode ocorrer de muitas maneiras, mas é o próprio leitor que dita o seu interesse, as suas motivações, as suas vontades que o levarão ao hábito da leitura, pois para ler o leitor leva em consideração a influência que recebe do ambiente ao seu redor, ou seja, desde a sua posição para ler aos instrumentos como o lápis, dicionário, livros que o auxiliaram nessa leitura. Assim ressaltamos Martins (2007, p.85) [...] “cada um precisa buscar o seu jeito de ler e aprimorá-lo para a leitura se tornar cada vez mais gratificante”.

Mediante isso se verifica um aspecto de suma importância para a prática da leitura: a realidade do aluno, ou seja, o professor deve envolver as práticas cotidianas do educando no exercício da prática da leitura. Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como isto poderá influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, a criança perceberá que a leitura é um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem, que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

Sabemos que nem sempre a criança gosta de ler, porém é necessário que os envolvidos em sua educação estejam atentos para fazer com que a leitura se torne algo prazeroso em sua vida, demonstrando para ela que ler se tornou fundamental no mundo em que vivemos. Nas trilhas do mesmo entendimento, Souza (1992) afirma:

Leitura é, basicamente, o ato de perceber e atribuir significados através de uma conjunção de fatores pessoais com o momento e o lugar, com as circunstâncias. Ler é interpretar uma percepção sob as influências de um determinado contexto. Esse processo leva o indivíduo a uma compreensão particular da realidade.

A literatura nos diz que os benefícios da leitura são notáveis no comportamento e no expressionismo dos indivíduos, apesar de que muitos ainda se encontram alienados pela aparência de uma boa vida repleta de entretenimentos e mesmo aos que não os tem, pela descrença em um futuro melhor. A leitura é importante em todas as idades e em todo momento da vida. Ela estimula a formação de cidadões críticos que exige a inserção na sociedade.

Então podemos nos perguntar: como se faz para que um indivíduo se torne um bom leitor? Sabemos que não há receitas prontas para isso, mas sim que as pessoas envolvidas no processo educacional possam utilizar todas as estratégias possíveis para seduzir ou ganhar novos leitores. Penso que é imprescindível saber usar dos artifícios necessários no qual se possa  oferecer ao outro o que o outro deseja, mesmo que este não tenha consciência do seu próprio desejo, de sua necessidade em adquirir novos conhecimentos. Assim como no diz Lopes (2009):

Seduzir pela força da palavra bem aplicada, pela sugestão, passando um entusiasmo honesto, verdadeiro. Seduzir pelo exemplo exercido em casa, tornando a leitura uma prática prazerosa que pode (e deve) tornar-se familiar, encontrando respaldo na escola através de professores leitores, no sentido amplo que envolve a palavra leitura. Refiro-me ao tipo de professor que “lê” as necessidades individuais de cada educando.

Assim o maior desafio se encontra na necessidade da busca e criação de mecanismos que propiciem a atração pela leitura na mais tenra idade, na fase da infância, em que a criança está descobrindo seu mundo, está despertando para a realidade e tentando participar desta realidade com suas novas fantasias e descobertas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Contudo, não há como negar que a prática da leitura possa ocorrer de uma hora para outra, mas no decorrer de toda uma vida, dependendo é claro das condições que cada indivíduo dispõe nesse processo.

 

A necessidade de se criar o gosto pela leitura trará sim imensos benefícios que tornarão o indivíduo agente ativo no processo de interação, socialização, criatividade e etc. Logicamente que isso deve se dá através da diversificação das atividades desenvolvidas no processo de ensino e aprendizagem.

 

Portanto, ler não deve ser algo que seja sofrível, mas sim algo prazeroso, instigante, emocionante e que auxilie o indivíduo no desenvolvimento de suas habilidades. Que ele tenha no contato com qualquer livro o conhecimento de alegria, magia e informação que o ajudarão na sua história de vida.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

LOPES, Calixtrata Nogueira de Sales. Disponível em: www.artigonal.com Acesso em: 04/05/09.

 

 

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2007.

 

MORAIS, Antonio apud OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico. 9ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

 

SOUZA, Renata Junqueira de.  Narrativas Infantis: a literatura e a televisão de que as crianças gostam. Bauru: USC, 1992.