Pressupostos Da Educação Inclusiva

Publicado em: 29/07/2009 |Comentário: 1 | Acessos: 17,905 |

PRESSUPOSTOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

O homem desde a Antiguidade apresenta dificuldade em lidar com questões que fogem ao seu conhecimento, à sua explicação e ao seu padrão de normalidade. Na sua história os casos de perseguição, intolerância e exclusão marcaram e marcam grupos de indivíduos tidos como “diferentes”, submetendo-os às mais diversas formas de homogeneização, violentando-os no que se tem de mais precioso que é a sua identidade enquanto ser humano.

 

No mundo contemporâneo, a sociedade capitalista é cada vez mais seletiva ancorada em princípios econômicos que têm como objetivo formar indivíduos que reproduzam o modelo excludente, alienados da sua condição humana, destituídos de sua cidadania.  Um modelo voltado para a exploração, que tem em vista a produção e o consumo, no qual uma pequena parte é beneficiada no processo. Dessa forma, apenas os considerados “perfeitos”, “normais” e “produtivos”, pertencentes a uma elite, têm direito às possibilidades de usufruírem da fruição de bens materiais e culturais, produzidos por toda sociedade.

 

Os indivíduos são selecionados pela etnia, religião, gênero, cultura e condições físicas e mentais. Quem não se encontra no modelo de referência é ignorado e marginalizado, fazendo parte da grande massa de excluídos, pessoas das quais se retiraram as mínimas condições de desenvolvimento humano, tendo seus direitos básicos negados.

 

 Dentro deste cenário a pessoa com deficiência sempre teve sua imagem associada à incapacidade, à limitação, à doença. Esta imagem ganhou força e se cristalizou, devido ao modelo médico da deficiência, que ver a deficiência apenas em seu aspecto biológico, direcionando o atendimento às ações de adaptação do sujeito à sociedade, sem buscar transformações sociais que transpusessem as barreiras estruturais e humanas impostas à pessoa com deficiência. Fixando o foco nas suas limitações e não nas suas possibilidades.

 

 As lutas dos movimentos sociais, que defendiam uma sociedade mais democrática e acessível a todos, culminaram com grandes avanços no atendimento às pessoas com deficiência. Sassaki (1997), evidencia como evoluiu o atendimento prestado às mesmas. Antes a sociedade praticava a exclusão total, pois não as aceitava como seres pertencentes à humanidade. Em seguida destinou-as um atendimento segregado, dentro de instituições especializadas e mais recentemente procura nortear suas práticas com a filosofia da inclusão social, que se caracteriza por buscar um atendimento pautado no respeito às diferenças, tendo como alicerce a democracia e a cidadania.

 

No entanto, o autor deixa claro que os modelos tradicionais de atendimento ainda persistem, apesar de sua evolução, quando afirma:

 

Evidentemente, essas fases não ocorreram ao mesmo tempo para todos os segmentos populacionais. Ainda hoje vemos a exclusão e a segregação sendo praticadas em relação a diversos grupos sociais vulneráveis, em vários pontos do Brasil, assim como em praticamente todos os outros países. Mas também vemos a prática da tradicional integração dando lugar, gradativamente, à inclusão.  (SASSAKI,1997,p.16)                           

                                                                                                                 

 

Por integração entende-se um modelo de atendimento que visa moldar a pessoa com deficiência dentro dos padrões aceitáveis para vivência em sociedade, não busca transformações sociais que permitam o seu desenvolvimento. Este tipo de atendimento é fortemente marcado pelo modelo médico de deficiência, como foi mencionado anteriormente, que vê o deficiente como um doente. Sassaki (1997, p.29) critica tal modelo e refuta “..neste a pessoa deficiente é que precisa ser curada, tratada, reabilitada, habilitada, etc. A fim de ser adequada à sociedade como ela é, sem maiores modificações.”

 

Este modelo médico da deficiência, ao qual se remete, ainda é para muitas pessoas o atendimento ideal. Por isso, o mesmo autor aponta este modelo como um dificultador das mudanças de práticas sociais em relação às pessoas com deficiência. Afirmando que:

 

 

O modelo médico da deficiência tem sido responsável, em parte, pela resistência da sociedade em aceitar a necessidade de mudar suas estruturas e atitudes para incluir em seu seio as pessoas com deficiência e/ou de outras condições atípicas para que estes possam, aí sim, buscar o seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional. É sabido que a sociedade sempre foi, de maneira geral, levada a acreditar que, sendo a deficiência um problema existente exclusivamente na pessoa com deficiência, bastaria prover-lhe algum tipo de serviço para solucioná-lo. (SASSAKI, 1997, p. 39).

 

 

É importante frisar que essa percepção que se tem da pessoa com deficiência foi construída historicamente e, portanto, é determinada por fatores culturais, por isso, a demora em se mudar tal percepção, somente ao longo da história é que poderemos sentir as transformações trazidas pela inclusão social.

 

Os estudos de Tessaro (2005) mostram que o movimento de luta pelos direitos das pessoas com deficiência teve seu marco histórico em 1981, quando a Organização das nações Unidas (ONU) declarou-o como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes. Neste ano, importantes conceitos ganharam conhecimento internacional, com os conceitos de vida independente, o de igualdade (de poder exercer os direitos de cidadãos) e o de capacidade, que representa a garantia de terem as mesmas oportunidades da população em geral. A partir desse momento o movimento ganha maior visibilidade, e vai impulsionar outros posteriormente, como a inclusão escolar.

 

Sassaki (1997) atesta que a inclusão é um movimento social de grande repercussão, que ganhou muita força a partir dos anos 90, e tem como pressuposto a igualdade entre os homens, ou seja, a luta contra qualquer forma de discriminação. Caracteriza-se pela organização de grupos que sofreram fortes impactos sociais que o mantiveram numa situação de total abandono por parte dos poderes públicos e da sociedade como um todo, que atuam para garantir sua inserção no mundo econômico, cultural e social.

 

 

 

 

 

Nesse panorama ganha força o modelo social da deficiência, que muda radicalmente o cerne da questão, a deficiência passa a ser vista como uma conseqüência das barreiras impostas pela sociedade, por esta perspectiva, é a sociedade que precisa sofrer transformações para dar às pessoas com deficiência o acesso às condições estruturais e humanas para o desenvolvimento das suas potencialidades. SASSAKI pontua muito bem essa mudança de concepção:

 

“Cabe, portanto, á sociedade eliminar todas as barreiras arquitetônicas, programáticas, metodológicas, instrumentais, comunicacionais e atitudinais para que as pessoas com deficiência possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, sócia, educacional e profissional.” (1997, p. 45)

 

É a partir dessa mudança de olhar que a educação inclusiva ganha impulso e começa a se concretizar de forma mais forte no espaço escolar.

 

Para se entender melhor o conceito de educação inclusiva, é necessário que se faça um estudo histórico sobre a sua evolução. Sabemos que a mesma não se remete somente às crianças com deficiência e sim a todas as crianças que em maior ou menor grau apresentam suas dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, sabe-se que um de seus maiores obstáculos é vencer as barreiras históricas e epistemológicas impostas pela escola às crianças com deficiência.   

 

Assim, ao se falar em inclusão de crianças com deficiência na rede regular de ensino é necessário que se faça um breve histórico da educação especial, como forma de esclarecer alguns pontos pertinentes à sua especificidade e ao processo que culminou na educação inclusiva.

 

Desde a Grécia Antiga os indivíduos com deficiência sofrem resistência na sua aceitação social, TESSARO (2005, p. 20) aponta que ”os deficientes eram considerados como coisas que não possuíam alma; por isso eram negligenciados, maltratados e até eliminados”. A humanidade evoluiu em relação a essas atitudes, e os deficientes não são mais eliminados, porque isso já não é mais tolerado perante a sociedade, porém a exclusão simbólica continua.

 

Na Europa, na Idade Média, os considerados diferentes, ganharam o direito à vida, porém são colocados fora do convívio social, perseguidos e sacrificados, com a falácia de que os mesmos eram a imagem do diabo, ligados à feitiçaria, e com a premissa de que não eram semelhantes à imagem de Deus. Eles eram pecadores e deveriam ser expurgado da sociedade. Essa visão ancorada em princípios religiosos contribui muito para a subjugação dos indivíduos com deficiência. Segundo MAZZOTA:

 

A própria religião, com toda sua força cultural, ao colocar o homem como “imagem e semelhança de Deus”, ser perfeito, inculcava a idéia da condição humana como incluindo a idéia de perfeição física e mental. E não sendo “parecidos com Deus”, os portadores de deficiência (ou imperfeitos) eram postos à margem da condição humana. ( 2001, p. 16)

 

 

Fica contundente que a questão religiosa foi uma das mais influentes na concepção preconceituosa que se tem do indivíduo com deficiência, como também da deficiência como algo imutável, caracterizando os indivíduos como incapacitados e inválidos, o que traz descompromisso da sociedade com o atendimento destinado a esses indivíduos. Quando se tem algum atendimento esse é revestido de caráter caridoso, não como se fosse um direito.

 

Os estudos de Santos (2002) mostram que a partir de meados do século XVI, tem-se início a primeira tentativa de atendimento prestado às pessoas com deficiência com base científica, através dos estudos de Paracelso e Cardano, médicos alquimistas. Só houve uma consolidação da visão científica sobre a deficiência no século XIX, através dos estudos de Pinel, Itard, Esquirol, Seguim, Morel, Down, Dugdale, Froebel, Guggenbuehl, quando a deficiência passou a ser tratada como um caso médico.

 

Mazzota (2001) destaca que no Brasil, no século XIX, surgiram algumas instituições para o atendimento aos indivíduos com deficiência, inspiradas pelas experiências na Europa e nos Estados Unidos. Esse atendimento era destinado a cegos, surdos, deficientes mentais e deficientes físicos, a partir de iniciativas particulares e oficiais. Data-se o início do atendimento escolar aos indivíduos com deficiência no Brasil em 12 de setembro de 1854, com o decreto Imperial nº. 1.428, de D. Pedro II, que fundou o Imperial Instituto dos meninos Cegos, no Rio de Janeiro, hoje com o nome de Instituto Benjamin Constant (IBC). Também nesse período foi criado Imperial Instituto de Surdos-Mudos (1857), atualmente chamado de Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

 

Desse período em diante foram criadas várias instituições com o mesmo objetivo. Destacam-se nesse processo o atendimento de crianças com problemas mentais, através do Instituto Pestallozzi, fundado em 1926; e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) no Rio de Janeiro, em 1954.

O autor sinaliza que mesmos com os avanços dos estudos na área de Psicologia e Pedagogia, que demonstravam a possibilidade do ingresso dos alunos com deficiência em classe regular, permanecia uma visão depreciativa da deficiência, o que ocasionou resistência dos sistemas educacionais, contribuindo para o fracasso escolar desses alunos.

Com a Lei nº 5.692/71, responsável pela reforma do ensino de 1º e 2º graus, e a Emenda Constitucional de 1978, contempla-se a educação especial com a edição de normas e planos políticos de âmbito nacional: as definições do Conselho Federal de Educação sobre a educação escolar dos “excepcionais”; as resoluções dos Conselhos Estaduais de Educação sobre diretrizes da educação especial; a criação dos setores de educação especial no sistema de ensino, e a criação das carreiras especializadas em educação especial na rede escolar (“os professores de excepcionais”) e também no campo de reabilitação (FERREIRA, 2006).

 

Mittler (2003) traz nos seus comentários que a política dos anos 70 que norteia a educação especial é marcada pelo modelo de integração e este consiste em preparar a criança com deficiência para a sua entrada na rede regular de ensino. Mittler (2003, p. 34) faz uma grande crítica a esse processo revelando que neste caso ”o aluno deve adaptar-se à escola e não há necessariamente uma perspectiva de mudança de que a escola mudará para acolher uma diversidade cada vez maior de alunos.” Com essa citação fica claro que a integração fere um dos principais pressupostos da educação inclusiva, que é o de transformar a escola, de provocar nela uma ampla revisão de suas práticas, de forma a garantir a todos o acesso democrático a um espaço que deve promover o respeito à diversidade humana.

 

A partir da década de 1980, começa a se configurar uma nova realidade no mundo ocidental, e o Brasil não fica de fora deste processo; principalmente por estar saindo de um período ditatorial. Com o processo de abertura democrática acontecem diversos movimentos pelo direito de todos à educação e discussões sobre o sistema de ensino. Em 1988, com a aprovação da Constituição Federal, grupos historicamente excluídos, dentre eles, as pessoas com deficiência, ganham força visibilidade social. 

Já na década de 1990, aconteceram amplas reformas estruturais e educacionais no país, inspiradas e direcionadas por organismos internacionais, caracterizadas pelo discurso de Educação para Todos (UNESCO). Dessa forma o governo brasileiro se vê pressionado, diante das mudanças, em obedecer ao paradigma da educação inclusiva, o que trouxe uma mudança radical no panorama do sistema educativo do Brasil, principalmente em relação ao aumento do número de matrícula das crianças com deficiência na rede regular de ensino.

Inicia-se nesse período a idéia de uma educação inclusiva, quando se amplia a discussão sobre a atuação da educação especial, principalmente nas escolas públicas. A nova proposta de educação inclusiva traz em si a luta para romper com a idéia de inserção apenas física das crianças com deficiência na rede regular, como é vista por grande parte das pessoas.

 

 

Portanto, a educação inclusiva contrapõe-se a todo e qualquer tipo de discriminação, e nessa perspectiva a escola precisa rever todos os seus conceitos, em busca de uma educação que respeite a heterogeneidade. Essa tarefa não é nada fácil para uma instituição que se acostumou à padronização, que excluiu de seu espaço qualquer forma de diversidade.

 

 

Um dos principais documentos em defesa da educação inclusiva é a Declaração de Salamanca (UNESCO), criada em 1994, na Espanha. Ela chama atenção dos governantes para o atendimento das pessoas com deficiência na rede regular de ensino. Esta instituiu que:


Cada criança tem características, interesses, capacidades de aprendizagem que lhe são próprios; os sistemas educativos devem ser projetados e os programas aplicados de modo que tenha em vista toda a gama dessas diferentes características e necessidades; as pessoas com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas comuns, que deverão integrá-las numa pedagogia centralizada na criança, capaz de atender a essas necessidades. (Declaração de Salamanca, 1994)

 

A declaração de Salamanca (1994) dá as seguintes prerrogativas aos governos:


• atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais;

• adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes razões para agir de outra forma;

• desenvolvam projetos de demonstração e encorajem intercâmbios em países que possuam experiências de escolarização inclusiva;

• estabelecem mecanismos participatórios e descentralizados para planejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com necessidades educacionais especiais;

• invistam maiores esforços em estratégias de identificação e de intervenção precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva;

• garantam que, no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de professores, tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de educação especial dentro de escolas inclusivas. (Declaração de Salamanca, 1994)


Essas exigências ocasionaram grandes transformações nos sistemas de ensino dos países signatários, mesmo o Brasil não sendo, este se comprometeu a implantar as novas diretrizes para educação de crianças com deficiência. No país houve um aumento significativo do número de matrículas de crianças com deficiência nas escolas públicas. Segundo o MEC (Seesp, 2006) houve um crescimento de 358% nas matrículas de crianças com deficiência em escolas comuns entre 2002 e 2006.

 

Isso gerou de início um grande impacto, pois os professores, os gestores, os educadores e os pais de alunos sem deficiência reagiram com temor à idéia da inclusão.  Para Ferreira (2006, p. 221) “o temor existente em relação aos estudantes com deficiência, se explica pala história de insivibilidade de crianças e jovens desse grupo social no cenário educacional brasileiro”. Essa reação se deve às representações que se fazem das crianças com deficiência.

 

Diante do novo panorama o governo brasileiro teve que reformular a sua política de atendimento às crianças com deficiência na rede regular de ensino. Uma das primeiras resoluções foi a introdução da política de Educação Inclusiva nas políticas públicas do sistema educacional. Nos seus estudos Santos (2006) aponta as principais, como: PNEE - Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Secretaria de Educação Especial, 1994); a nova LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL. Senado Federal : Lei de nº 9394/96, 1997), o PCN – Parâmetro Curricular Nacional de Adaptações Curriculares para a educação de alunos com NEE ( BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação/ Secretaria de educação especial, 1999) e o PNE – Plano Nacional de Educação (BRASIL. Senado Federal, 2000).

 

Para a autora esses documentos possibilitaram um grande passo no processo de inclusão escolar, pois garantem em lei o acesso das crianças com deficiência na rede regular de ensino, portanto, torna-se proibido a recusa de matrículas por parte das escolas. Sem dúvida isso foi um grande avanço, porém para transformar a lei em uma realidade, é preciso que a sociedade faça pressão sobre os órgãos públicos, de modo a concretizar a inclusão de uma maneira satisfatória, disponibilizando não só vagas, como também qualidade de ensino.

 

Com o direito de acesso garantido em lei, é preciso assegurar a permanência e o prosseguimento do estudo das crianças com deficiência na rede regular. A luta pela qualidade na educação deve ser defendida para todas as crianças e a inclusão como movimento social representa um dos principais caminhos para se buscar esse objetivo.

 

Ferreira citado por Tessaro (2005, p. 41) declara de forma categórica que:“ inserir o aluno portador de deficiência em uma escola que não foi redimensionada dentro de um novo paradigma, significa dar prosseguimento ao processo de exclusão...” Não adianta apenas assegurar a presença física da criança com deficiência na escolar regular, ela precisa fazer parte efetiva do processo ensino-aprendizagem, para tal, a escola necessita refletir como incluí-la. Isso gera transformações nas práticas pedagógicas, tão arraigadas das formas tradicionais de ensino.

 

Ainda existem divergências entre os teóricos sobre o processo de inclusão, alguns como Montoan defendem a inclusão total, independente do grau de deficiência; sem o suporte das escolas especiais. Montoan (2006) afirma que a inclusão questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e regular, mas também o próprio conceito de integração. Para a autora a inclusão é incompatível com a integração, já que prevê a inserção escolar de forma radical, completa e sistemática. Segundo Montoan (2006, p.19) “todos os alunos, sem exceção, devem freqüentar as salas de aulas do ensino regular.”

 

Já Omote (1999) tem um ponto de vista diferente, para esse autor nem todos os tipos de alunos com deficiência podem ser incluídos nas classes regulares. Segundo o autor devem-se ter critérios bem definidos para esse processo, pois a inclusão desses alunos se for feita de forma precipitada; sem os devidos cuidados, ao invés de favorecê-lo pode prejudicá-lo, levando-o a uma segregação maior.

 

Mrech citada por Tessaro defende que:

 

A inclusão apenas poderá ocorrer a partir do momento em que a escola passar por uma reestruturação, ou seja, quando ela estiver voltada para a comunidade, for uma escola de vanguarda, dar a oportunidade de um bom desempenho aos alunos, incentivar a colaboração e a cooperação, quando for capaz de oferecer ambientes educacionais flexíveis.  (Mrech apud Tessaro, 2005, p. 48)

 

 

Fica claro nos pontos de vistas dos teóricos que a inclusão é um processo complexo, que precisa ser mais discutido pelos atores envolvidos. Que a escola precisa fazer uma inclusão responsável, não apenas para obedecer a uma lei. A problemática é: esperar a escola ficar pronta para receber as crianças com deficiência ou através dessa inclusão buscar as mudanças? O que se tem bem definido entre os teóricos é que a escola não pode mais fechar as suas portas para diversas formas de ser e de aprender, e que chegou a hora de rever seus conceitos sobre as pessoas com deficiência e a educação. Eis uma verdadeira revolução.

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências:

 

DENARI, Fátima. Um (novo) olhar a formação do professor de educação especial: da segregação à inclusão. In: Inclusão e Educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. David Rodrigues (org.). São Paulo: Summus, 2006. p. 36-59.

 

FERREIRA, Windys B. Inclusão x exclusão no Brasil: reflexões sobre a formação docente dez anos após Salamanca. In: Inclusão e Educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. David Rodrigues (org.). São Paulo, 2006. p. 212-236.

 

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O direito de ser, sendo diferente, na escola. In: inclusão e Educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. David Rodrigues (org.). São Paulo, 2006. p. 184-2007.

 

MITTLER, Peter. Da exclusão à inclusão. In: Peter Mittler. Educação Inclusiva: contextos sociais; trad. Windyz Brazão Ferreira. Porto Alegre: Artmed, 2003. p. 23-37. 

 

MAZZOTA, Marcos J. S. Educação Especial no Brasil: história e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 2001.

 

MAGALHÃES, Rita de Cássia Barbosa Paiva. Um breve panarama da educação especial no Brasil. In: Reflexões sobre a diferença: uma introdução à educação especial. Rita de Cássia Paiva Magalhães; Ana Maria Veiga Lage (Orgs). Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.

 

OMOTE, S. Normalização, integração, inclusão. Ponto de Vista. Vol. 1, nº 1, p. 4-13, 1999.

 

TESSARO, Nilza Sanches. Inclusão escolar: concepções de professores e alunos da educação regular e especial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.

 

SANTOS, Jaciete Barbosa. A “dialética da exclusão/inclusão” na história da educação de ‘alunos com deficiência’. Revista da FAEEBA- Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 11, nº17, p.27-44, jan/jun, 2002.

 

UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: Corde, 1994.

.

 

 

 

Avaliar artigo
4
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 8 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/pressupostos-da-educacao-inclusiva-1080600.html

    Palavras-chave do artigo:

    educacao especial

    ,

    educacao inclusiva

    ,

    crianca com deficiencia

    Comentar sobre o artigo

    Este artigo é fruto de estudos realizados e de experiências profissionais vividas em instituição educacional de ensino especializado, buscando compreender a dinâmica do processo de (re) significação, ou consequente revisão, no campo das ideias, e quiçá, práticas, acerca da modalidade de educação especial e inclusiva no sistema de ensino brasileiro. Com efeito, tal artigo é adornado de reflexões com perspectivas híbridas sobre o fazer da educação especial na perspectiva da inclusão, fazendo valer, todavia, as contribuições da educação especial no processo de desenvolvimento sócio-educativo da pessoa com deficiência no ensino regular.

    Por: Marcos Matozinhos de Morais Munhósl Educaçãol 21/09/2009 lAcessos: 3,508 lComentário: 1

    A educação inclusiva é um movimento social que desafia a escola a ser mais representativa da diversidade que existe na sociedade, tornando-se assim mais democrática e justa, sabendo lidar com as diferenças.

    Por: Delimar da S. F. Magalhãesl Educação> Educação Onlinel 02/10/2014 lAcessos: 12

    Sabemos da necessidade e da urgência de se enfrentar o desafio da inclusão escolar e de colocar em ação os meios pelos quais ela verdadeiramente se concretiza. Por isso, temos de recuperar o tempo perdido, arregaçar as mangas e promover uma reforma estrutural e organizacional de nossas escolas comuns e especiais.

    Por: Maria Zilda da Silva Barbosal Educaçãol 25/11/2014
    josé irlan das graças souza

    Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a pratica pedagógica dos professores de Educação Física com deficiência. Acreditamos ser de suma importância pesquisar sobre a inclusão profissional de um professor com deficiência e as dificuldades enfrentadas por ele. De que forma o professor de Educação Física com deficiência exerce sua prática pedagógica.

    Por: josé irlan das graças souzal Educação> Ciêncial 06/05/2010 lAcessos: 600
    Erica Adami Giaretta

    A educação especial é uma realidade presente nas escolas públicas e particulares do Brasil, porém o que se vê, por um lado, são crianças portadoras de necessidades educacionais especiais sendo matriculadas na rede regular de ensino público e privado e, por outro lado, escolas, professores e demais profissionais despreparados para atender às necessidades específicas destes alunos.

    Por: Erica Adami Giarettal Educaçãol 27/11/2010 lAcessos: 7,394

    O presente ensaio refere-se ao preconceito de crianças com necessidades especiais, relatando a inclusão dessas na escola e no meio social. Citando que essas crianças são capazes de realizar muitas atividades, sendo que deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as posições de outras pessoas ou da sociedade em que vive.

    Por: Rosirene Abadia de S. Macedol Educação> Ensino Superiorl 26/11/2014
    Natália de Souza Cardoso

    O artigo abordou como tema "a inclusão de crianças com síndrome de Down na educação física, com o propósito de mostrar à sociedade de que essas crianças são capazes de participar das aulas de educação física, apesar de todos os problemas que enfrentam no decorrer de sua vida.

    Por: Natália de Souza Cardosol Educação> Educação Infantill 22/08/2011 lAcessos: 1,700

    Autoras: Elenilce Paes da Rosa e Souza e Teula Regina de Almeida Rodrigues RESUMO: Este artigo resume-se que os Portadores de Necessidade Especiais, através dos tempos, têm vencido a batalha na indiferença da discriminação. Nos dias atuais a preocupação tem sido grande da sociedade, do poder político e principalmente da Educação, em reintegrar essas pessoas portadoras de necessidades especiais no ambiente social.

    Por: Elenilce e Teulal Educação> Educação Infantill 15/11/2010 lAcessos: 702

    O presente artigo tem como objetivo pesquisar sobre as principais questões envolvidas na educação especial. Refletir sobre o processo atual da educação especial e investigar os recursos especializados para educar e socializar as pessoas com necessidades especiais, tendo em vista as suas dificuldades individuais. Compreender o papel das escolas de educação especial. O artigo trata principalmente de Concepção de Educação Especial, seu Surgimento no Brasil, Concepção de Educação Inclusiva, E Formaç

    Por: Dirlene dos Santos Martinsl Educaçãol 29/11/2012 lAcessos: 288

    Com o advento da globalização, a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação mundial. Objetiva-se evidenciar a importância dos alunos encontrarem na escola não só evidências de seu próprio mundo, mas também aparato capaz de os "cunharem" para uma participação social plena e não "fatiada", como sugere o estudo por disciplinas. Jovens e adultos, público cada vez mais informatizado, exige que as disciplinas deixem de ser apresentadas de forma isolada.

    Por: KÁTIA CÉLIA FERREIRAl Educaçãol 18/12/2014

    A expressão artística faz parte da história humana desde os tempos mais remotos. Sendo assim, a Arte é um dos modos de conhecimento ao qual os estudantes devem também ter acesso, assumindo-se como sujeitos capazes de apreciação estética e criação artística, articuladas aos processos e mediações da cultura contemporânea. Diante das mudanças pelas quais o ensino-aprendizagem de Arte passou, vê-se a necessidade de discorrer a respeito da presença desta disciplina no currículo escolar, revendo sua i

    Por: KÁTIA CÉLIA FERREIRAl Educaçãol 18/12/2014

    Sabe-se que a educação é responsável pela formação do aluno enquanto cidadão, de maneira a prepará-lo para a vida em sociedade, para que saiba atuar criticamente nesse meio. Assim, a escola inclusiva busca complementar a formação do aluno por meio das relações de convivência, uma vez que conviver com o diferente é parte desse processo de formação, até porque, como já mencionamos, é na escola que o aluno desenvolve seus aspectos cognitivos, motores e psicológicos.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    As revela à existência de ações políticas e sociais que possam concretizar e promover a efetividade da inclusão social da pessoa com necessidade educacional especial. Vejo que a sociedade deve compreender como se dá o processo de ensino-aprendizagem da criança com Síndrome de Down na Educação Básica, as dificuldades enfrentadas e as possibilidades e mecanismos de reconhecimento e aceitação dessas limitaçõ

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    No processo de inclusão a escola propõe a conviver com o "diferente", aceitá-lo, auxiliá-lo, e muitas vezes aprender algo com essas crianças. Entretanto para oferecer uma inclusão verdadeira é preciso entender as particularidades das crianças, mediar a socialização de forma que todos trabalham para o aprendizado de cada uma delas, em benefício de todos. Pretendo contribuir com as discussões éticas e educacionais que envolvem a formação da criança Down por meio da educação.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    A educação escolar é um dos contextos em que a criança aprende e desenvolve-se nos aspectos cognitivos, emocional e social. Por isso a necessidade de incluir a criança com necessidades especiais na escola, pois atender a todos é parte do processo educativo, por isso a diversidade cultural e outras questões sociais precisam ser vivenciadas também em sala de aula.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    Apresento algumas características que identificam a criança Down, o conceito de Educação Inclusiva e Educação básica, e da diversidade na educação. Relacionam-se aspectos positivos da inclusão da criança Down na Educação Básica e como deve acontecer essa inclusão, enumerando as dificuldades no processo de inclusão da criança Down na Educação Básica. Conceitua-se a Síndrome de Down e sua identificação, bem como o tratamento e a motivação para inserir a criança com deficiência na Educação Básica.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    O estudo realizado teve como foco principal compreender os avanços no processo de construção do conhecimento dos alunos de uma turma de 3º ano, através dos jogos matemáticos, priorizando, desse modo, a ludicidade no ensino. A pesquisa foi desenvolvida durante o estágio realizado pela acadêmica e pesquisadora junto a uma turma de 3º ano.

    Por: Luziane Da Silva Costal Educaçãol 15/12/2014
    ANGELA DA SILVA SOARES

    Este artigo tem como objetivo discutir as relações entre o brincar, a criança e a aprendizagem. Tendo como pressuposto a teoria sócio-interacionista, desenvolvida por Vigotsky e seus colaboradores Leontiev e Elkonin, esta teoria concebe a construção do conhecimento como um processo histórico-social, viabilizado pelas interações sociais, nas quais as crianças se apropriam da cultura, da forma dos homens de ser e agir no mundo.

    Por: ANGELA DA SILVA SOARESl Educação> Educação Infantill 31/03/2011 lAcessos: 6,595
    ANGELA DA SILVA SOARES

    Este artigo visa fazer um estudo sobre representações sociais, seu conceito, sua história e sua relação com a construção do conhecimento.

    Por: ANGELA DA SILVA SOARESl Educaçãol 27/09/2009 lAcessos: 5,071
    ANGELA DA SILVA SOARES

    Este artigo tem como objetivo fazer uma discussaõ sobre a formação do professor numa perspectiva inclusiva. Uma das maiores queixas dos professores em relação à inclusão escolar é a falta de preparo para lidar com crianças com deficiência.E como deve ser este preparo? Como a formação pode ajudar o professor a atuar de forma mais consistente neste processo?

    Por: ANGELA DA SILVA SOARESl Educaçãol 01/08/2009 lAcessos: 7,821 lComentário: 1
    ANGELA DA SILVA SOARES

    Este trabalho tem como objetivo apresentar um estudo sobre concepção de infância e Educação Infantil, demonstrando a evolução histórica do sentimento de infância e sua repercussão no atendimento às crianças pequenas. As transformações ocorridas no campo da Educação Infantil estão estritamente ligadas à visão que se tem da criança. De um quase anonimato, a criança passa a ser percebida de uma forma romântica e evolui para um sujeito histórico-cultural, com status de cidadão. Diante desse panorama, a Educação Infantil teve que acompanhar as novas especificidades no tratamento destinado às crianças, originando um novo perfil de educador, que tem que se apropriar dos pressupostos pedagógicos necessários para o desenvolvimento de uma prática docente de qualidade.

    Por: ANGELA DA SILVA SOARESl Educação> Educação Infantill 29/07/2009 lAcessos: 91,749 lComentário: 5

    Comments on this article

    1
    Jéssica Baptista 02/06/2010
    Com todos os cuidados o texto apresenta em tópicos desde o inicio das principais discussoes ate as atuais, referindo-se a aos que precisam de cuidados especiais (nao incapazes) voltado principalmente ao ambiente escolar.
    O texto como conclusao requer mais atençao voltados aos necessitados, igualdade, respeito e valor pois somos diferentes em geral um do outro mas cada um dentro de si tem seu potencial e por isso a escola é um direito de todos.
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast