Proposta Pedagógica Da Educação Infantil Em Telêmaco Borba

Publicado em: 15/02/2010 |Comentário: 4 | Acessos: 7,051 |

A Proposta Pedagógica está embasada num meio humanizador, devendo servir à elevação da condição humana e garantir a toda humanidade as condições sociais e a instrumentalização necessária para o enfrentamento das situações que fazem parte da sociedade.

A Pedagogia é o processo através do qual o homem se torna plenamente humano. No meu discurso distingui entre a pedagogia geral, que envolve essa noção de cultura como tudo o que o homem produz, tudo o que o homem constrói, e a pedagogia escolar, ligada à questão do saber sistematizado, do saber elaborado, do saber metódico. A escola tem o papel de possibilitar o acesso das novas gerações ao mundo do saber sistematizado, do saber metódico, cientifico. Ela necessita organizar processos, descobrir formas adequadas a essa finalidade. Esta é a questão central da pedagogia escolar. (SAVIANI, 1997, p. 89)

Para Saviani (1997, p. 19) “a escola existe, pois, para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber”. Assim, o processo de humanização busca a formação integral do indivíduo, sendo necessário trabalhar as questões cognitivas, pedagógicas, morais, sociais e psicológicas, educar de forma ampla com o intuito de proporcionar a compreensão do mundo, tendo capacidade de praticar a crítica de forma reflexiva, consciente, responsável e com embasamento teórico.

Educar significa proporcionar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis, e cuidar é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano, valorizando e ajudando a desenvolver capacidades, como limpar, alimentar, evitar riscos de quedas. Com isso, ao educar a criança num processo amplo, percebe-se o envolvimento do educar e cuidar, estando intimamente ligados. Como destaca o texto de Forest, disponível em: http://www.icpg.com.br (2008) “plenamente entendidas e aplicadas, cuidar e educar caminham simultaneamente e de maneira indissociável, possibilitando que ambas as ações construam na totalidade, a identidade e a autonomia da criança”. Segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil:

O desenvolvimento integral depende dos cuidados relacionais que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a saúde, quanto à forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados. (REFERENCIAL CURRICULAR PARA EDUCAÇÃO INFANTIL, 1999, p. 24)

O cuidar faz parte do processo educativo, sendo necessário valorizar e ajudar no desenvolvimento das capacidades da criança, envolvendo tanto a dimensão afetiva, relacionais, biológicos, alimentares e relacionados à saúde, bem como esses cuidados são oferecidos oportunizando o acesso aos conhecimentos diversificados. De acordo com o Referencial Curricular para a Educação Infantil (1998, p. 25) “o cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo”.  Faz-se necessário cuidar da criança como um ser em constante desenvolvimento, com características próprias e singulares, promovendo o aumento de seus conhecimentos e habilidades, e ainda buscando torná-la autônoma no decorrer do processo de evolução.

Os CMEIs devem promover ações que contemplem as funções de cuidar e educar, buscando associar qualidade no processo educativo, considerando os contextos sociais, ambientais, culturais, buscando desenvolver no educando conhecimentos diversos num aspecto macroestrutural. Dessa forma, para Forest (2008) “educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal”. Adquirindo constantemente conhecimentos globais que envolvem tanto a realidade social como a cultural, com desenvolvimento pleno das habilidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, e ainda, das habilidades cognitivas, psicomotoras e socioafetivas.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, também adota-se a divisão por faixas etárias. A opção de organização dos objetivos, conteúdos e orientações didáticas por faixas etárias e não pelas designações institucionais – creche e pré-escola – pretendeu considerar a variação de faixas etárias encontradas nos vários programas de atendimento nas diversas regiões do país, buscando dentro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (art.30 cap. II, seção II), traçar suas próprias diretrizes, a fim de atentar para as particularidades existentes e necessidades de crianças de 0 a 6 anos. Considerou-se o mundo sociocultural e natural (instrumentalizou a ação do professor, onde suas experiências servem como referência para a prática educativa). Foram concebidas categorias curriculares para organizar os conteúdos – âmbitos e eixos (como trabalhar? / para quê? / por quê?), ressaltando a importância da relação entre a Formação Pessoal e Social, e Conhecimento de Mundo.

A Formação Pessoal e Social refere-se à construção do sujeito; o Conhecimento de Mundo refere-se à construção das diferentes linguagens e às relações que estabelecem os objetos de conhecimento. Cabe ao professor ter perfil para trabalhar com crianças dessa faixa etária, considera-se:

1.competência polivalente;

2.formação ampla que lhe proporcione condição de ser um aprendiz;

3.suas ações deverão ser planejadas para que ocorra êxito nos projetos educativos que venha desenvolver;

4.deverá estar comprometido com a prática educacional. (REFERENCIAL CURRICULAR PARA EDUCAÇÃO INFANTIL, 1999, p. 37)

A essas considerações acima descritas, objetivos foram traçados obedecendo a critérios que propiciam o desenvolvimento da Educação Infantil e estes estão relacionados à ordem física, afetiva, cognitiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social. Além dos objetivos específicos, o Referencial Curricular para a Educação Infantil (1999, p. 63) menciona a definição dos objetivos gerais, os quais são:

a) Desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;

b) Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;

c) Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;

d) Estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;

e) Observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;

f) Brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;

g) Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;

h) Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

O Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil (1999, p.65) ainda propõe programas e projetos curriculares de instituições infantis, visando o bem estar da criança e ambiente de trabalho favorável, como:

1. Condições externas: a proposta curricular deve estar vinculada às características socioculturais da comunidade na qual a instituição está inserida, ou seja, conhecimento da população, condições de vida, etc., possibilitarão um trabalho educativo que atenda a diversidade existente em cada grupo social.

2. Condições internas: implica no funcionamento da instituição educacional para que haja um bom desenvolvimento no projeto pedagógico.

3. Ambiente Institucional: cooperação e respeito entre os profissionais.

4. Formação do Coletivo Institucional: o coletivo de profissionais é responsável pela construção do projeto educacional e do clima institucional.

5. Espaço para formação continuada: importância de reuniões, palestras, visitas e atualizações, ambiente favorável para troca de experiências.

6. Espaço Físico e Recursos Materiais: preparação adequada do ambiente para que a criança possa aprender de forma ativa na interação com outras e com os adultos.

7.Versatibilidade dos Espaços: implica na organização e mudança constante do espaço.

8. Os Recursos materiais: deverão ser os mais variados: mobiliário, espelhos, brinquedos, livros, lápis, papéis, pincéis, tesouras, cola massa para modelar ,etc.

9. Acessibilidade dos Materiais: os materiais devem estar dispostos de forma acessível às crianças.

10.Segurança do Espaço e os Materiais: proteção adequada onde exista possibilidade de risco e materiais de boa qualidade.

11.Critérios para a formação de Grupos de Crianças: por idade e quantidade, exemplo: crianças de 12 meses – 6 crianças por adulto.

12.Organização do tempo: prevê atividades de repouso, alimentação e higiene.

13.Ambiente de cuidados: refere-se a um ambiente que considere as necessidades das diferentes faixas etárias, das famílias e as condições de atendimento.

14.Parceria com as famílias: implica em respeitar os vários tipos de estruturas familiares; diferentes culturas, valores e crenças; estabelecer comunicações; incluir o conhecimento familiar no trabalho educativo.

O Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil também mostra que capacidades de ordem física estão associadas à possibilidade de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, ao auto conhecimento, ao uso do corpo na expressão das emoções, ao deslocamento com segurança; as capacidades de ordem cognitiva estão associadas ao desenvolvimento dos recursos para pensar, o uso e apropriação de formas de representação e comunicação envolvendo resolução de problemas; as capacidades de ordem afetiva estão associadas à construção de auto-estima, às atitudes no convívio social, à compreensão de si mesmo e dos outros; as capacidades de ordem ética estão associadas à possibilidade de construção de valores que norteiam a ação das crianças; as capacidades de relação interpessoal estão associadas à possibilidade de estabelecimento de condições para o convívio social.

É preciso estar comprometido com o outro para se poder educar, não fazendo distinção ou diferenciação. As diretrizes curriculares definem-se de forma integrada, sem privilegiar um aspecto em detrimento de outro levando em consideração as necessidades das crianças de acordo com os padrões e valores da cultura e da sociedade onde se encontra. Diante deste contexto, os CMEIs de Telêmaco Borba, buscam constituir-se num espaço de educação e cuidado, oferecendo condições para que as crianças possam se desenvolver plenamente, onde o trabalho desenvolvido nas instituições estão embasados nos seguintes critérios:

  • Respeito à dignidade e aos direitos das crianças consideradas nas suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, religiosas, preservando suas características etárias e atendendo suas necessidades básicas;
  • Direito de brincar como forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil;
  • Acesso ao saber e aos bens sócio culturais disponíveis ampliando o desenvolvimento das capacidades relativas a expressão, comunicação, interação social, pensamento à ética e à estética;
  • Socialização por meio de sua participação nas mais diversificadas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma;
  • Atendimento aos cuidados essenciais à sobrevivência e ao desenvolvimento de sua identidade;
  • Condições para desenvolver de forma harmoniosa e a sua personalidade para que possa ser uma pessoa feliz e integrada a  sociedade;
  • Direito a atenção individual respeitando as especificidades de cada criança, compreendendo seus ritmos, dificuldades e necessidades;
  • Direito a um ambiente aconchegante, seguro e estimulante;
  • Direito à alimentação adequada, que atenda às necessidades de cada grupo em sua faixa etária, respeitando ritmos, preferências num processo de construção de hábitos alimentares adequados.

Assim, a organização do trabalho pedagógico também está relacionada à rotina de funcionamento da instituição, uma vez que os tempos existentes nessa rotina possibilitarão a organização do trabalho juntamente com a criança, por isso é importante definir alguns prazos e horários para que as crianças não passem muito tempo ociosas, ou em atividades apenas de cuidado. Além disso, todos os momentos na instituição devem ser educativos, promovendo o equilíbrio entre o educar/cuidar, com atividades permanentes e atividades diversificadas, ambas constituindo-se em momentos educativos e pedagógicos.

As atividades permanentes contemplam: higiene, banho, troca, refeições, o repouso, o brincar, a chegada, a saída, história, roda da conversa e outras.

As atividades diversificadas configuram-se em visitas e/ou pequenas excursões, experiência, pesquisa, entrevista, teatro e outras. Todos esses momentos exigem planejamento e atenção especial, buscando promover o desenvolvimento da inteligência e criatividade da criança, resultando sempre em novas aprendizagens, onde o cuidar e o educar estejam relacionados, tendo a linguagem como eixo norteador do trabalho, num processo interdisciplinar.

Assim, a função da escola fundamenta-se na certeza de que o ser humano pode desenvolver-se intensamente e ampliar a aprendizagem, por meio de um processo organizado e planejado de ensino. Como destaca Saviani (1997, p. 11) “para saber pensar e sentir; para saber querer, agir ou avaliar é preciso aprender, o que implica o trabalho educativo”. Com isso, o papel da docência se torna fundamental no processo de humanização, onde o professor necessita ter domínio do conteúdo científico, organizando-o, refletindo sobre ele e compreendendo-o em sua realidade educacional, com habilidades de criar e desenvolver propostas pedagógicas de acordo com as reais necessidades dos seus alunos, para que os mesmos possam ir além do senso comum, dominando o conhecimento e elaborando conceitos próprios de forma autônoma.

É possível afirmar que a tarefa a que se propõe a pedagogia histórico-crítica em relação à educação escolar implica:

a) Identificação das formas mais desenvolvidas em que se expressa o saber objetivo produzido historicamente, reconhecendo as condições de sua produção e compreendendo as suas principais manifestações bem como as tendências atuais de transformação;

b) Conversão do saber objetivo em saber escolar de modo a torná-lo assimilável pelos alunos no espaço e tempo escolares;

c) Provimento dos meios necessários para que os alunos não apenas assimilem o saber objetivo enquanto resultado, mas apreendam o processo de sua produção vem como as tendências de sua transformação. (SAVIANI, 1997, p. 14)

E, para tanto, a Proposta Pedagógica considera que os conteúdos são de suma importância na vida dos alunos, para inseri-lo na sociedade como um ser atuante no meio onde vive. Sendo assim, se faz necessário trabalhar conteúdos que tenham significado para o educando, estando contextualizado e fundamentado cientificamente em busca da elaboração de conceitos próprios que garantam a instrumentalização para a transformação social, onde a escola estando a serviço da transformação social necessita oferecer aos alunos, de qualquer classe, a compreensão de seu papel social e realmente efetivá-lo na prática. E para, um aprendizado de qualidade, o aluno deverá estabelecer relações entre o saber adquirido, as experiências vividas, as necessidades sociais e individuais, buscando sempre a aquisição efetiva do conhecimento.  

Gasparin (2005, p.15) ressalta que “o primeiro passo do método caracteriza-se por uma preparação, uma mobilização do aluno para a construção do conhecimento escolar. É uma primeira leitura da realidade, um contato inicial com o tema a ser estudado”. Assim, há a necessidade de valorizar os saberes do senso comum, trabalhando em direção do saber elaborado e constituindo o momento de ruptura (quando o professor introduz conhecimentos novos e modifica os conceitos e as experiências vivenciadas pelos alunos), favorecendo a análise crítica e conduzindo a aquisição de novos conhecimentos.

O papel do professor é apresentar os conteúdos ao aluno, de uma maneira que lhe chamem a atenção, estabelecendo as relações entre si, para levar o aluno a pensar, questionar e refletir sobre o que foi proposto. Neste sentido, de acordo com Gasparin:

Uma das formas para motivar os alunos é conhecer sua prática social imediata a respeito do conteúdo curricular proposto. Como também ouvi-los sobre a prática social mediata, isto é, aquela prática que não depende diretamente do indivíduo, e sim das relações sociais como um todo. Conhecer essas duas dimensões do conteúdo constitui uma forma básica de criar interesse por uma aprendizagens significativa do aluno e uma prática docente também significativa. (GASPARIN, 2005, p. 15-16).

Além disso, o educador precisa organizar sua prática pedagógica, promovendo as inter-relações dos conteúdos e disciplinas, métodos, objetivos e avaliação, de forma que contribua para a mediação entre o saber do senso comum e o conhecimento cientifico e cultural mais elaborado.

O professor a princípio anuncia aos alunos o conteúdo a ser trabalhado, promove o diálogo com eles sobre esse tema, buscando verificar qual o domínio que já possuem e que uso fazem na prática social diária, desafiando os alunos a mostrarem o que já sabem sobre cada um dos itens que serão estudados. Dessa forma, a prática social inicial é sempre uma contextualização do conteúdo. Após está fase, o professor faz indagações sobre o conteúdo trabalhado relacionando-o com a prática social, com o intuito de levantar questões que irão orientar o desenvolvimento da prática pedagógica por meio da utilização de diversos instrumentos que favoreçam a aquisição do conhecimento. Como afirma Gasparin (2005, p. 35) “a problematização é um desafio, ou seja, é a criação de uma necessidade para o educando, através de sua ação, busque o conhecimento”. Sendo o momento de evidenciar o estudo dos conteúdos propostos em função das respostas a serem dadas às questões levantadas inicialmente.

Segundo Gasparin (2005, p.51) após o levantamento das questões e sua sistematização, o processo ensino-aprendizagem é encaminhado para levar  alunos a aquisição de novos conhecimentos, com o objetivo sistematizado do conhecimento – o conteúdo.

O trabalho do professor e dos alunos será desenvolvido por meio de ações didático-pedagógicas, adequadas a cada tipo de conteúdo trabalhado, que são fundamentais à efetiva construção conjunta do conhecimento nas dimensões científica, social e histórica, se efetivando o processo dialético de construção do conhecimento que vai do empírico ao abstrato para o concreto.

Gasparin (2005, p. 53) cita que “a Instrumentalização é o caminho através do qual o conteúdo sistematizado é posto à disposição dos alunos para que o assimilem e o recriem e, ao incorporá-lo, transformem-no em instrumento de construção pessoal e profissional”.

O aluno, por sua vez, demonstrará a aquisição do conhecimento por meio da linguagem escrita e/ ou oral, expressando sua nova maneira de ver a prática social, ou seja, sua nova posição frente ao conteúdo trabalhado. Sobre isso Gasparin (2005, p. 128) destaca que “a Catarse é a síntese do cotidiano e do científico, do teórico e do prático a que o educando chegou, marcando sua nova posição em relação ao conteúdo e à forma de sua construção social e sua reconstrução na escola”. Dessa forma, o educando faz um resumo do conteúdo assimilado, demonstrando a aprendizagem do novo conceito adquirido.

Na prática social final do conteúdo, tanto o professor, como os alunos se modificam intelectual e qualitativamente em relação ao conteúdo, passando de um estágio de menor compreensão científica, social e histórica a uma fase de maior clareza e compreensão dessas mesmas concepções dentro da totalidade.

A Prática Social Final é a nova maneira de compreender a realidade e de posicionar-se nela, não apenas em relação ao fenômeno, mas à essência do real, do concreto. É a manifestação da nova postura prática, da nova atitude, da nova visão do conteúdo no cotidiano. É, ao mesmo tempo, o momento da ação consciente, na perspectiva da transformação social, retornando à Prática Social Inicial, agora modificada pela aprendizagem. (GASPARIN, 2005, p. 147)

Neste processo, tanto professor como alunos, adquirem uma nova forma de agir, com intenção e desejo de colocar em prática os conhecimentos assimilados, utilizando em seu dia-a-dia como forma de buscar a transformação da sociedade em que vive.

Com isso, seguindo as concepções de educação que buscam o pleno desenvolvimento dos educandos como sujeitos sociais e historicamente situados, e tomando como referência os princípios que regem a LDB 9394/96, os CMEIs se organizam de maneira a respeitar as diferenças entre os alunos em suas necessidades, buscando levá-los a níveis cada vez mais altos de aprendizagem, utilizando como base os Eixos Articuladores permeados pela linguagem que são: científico; ético-político; sócio-ambiental e estético-cultural.

a) Eixo científico – abrange: a linguagem em suas variadas formas, os conhecimentos gerais, a compreensão dos processos da natureza e da sociedade, a superação do senso comum pela compreensão dos conceitos científicos e do processo de formação humana histórico-social.

b) Eixo ético-político – abrange: os valores éticos-morais-políticos; as relações entre o público e o privado, os meios de comunicação de massa, as relações de poder, as atividades de reflexão consciente sobre os fatos humanos, os valores coletivos e individuais.

c) Eixo sócio-ambiental – abrange: a exploração e a preservação dos recursos naturais – conseqüências da degradação do meio ambiente – hábitos, atitudes e valores – ambiente familiar, escolar e social – a valorização do homem e da cultura.

d) Eixo estético-cultural – abrange: a compreensão das várias expressões culturais, o acesso à produção artística – cultural que melhor represente a cultura nacional em seus aspectos histórico-sociais.

Os Eixos Articuladores se envolvem entre si, favorecendo o trabalho interdisciplinar entre os conteúdos que deverão ser trabalhados de acordo com a necessidade de cada turma, levando em consideração a realidade em que estão inseridos, assim, os conteúdos devem estar contextualizados para terem significação para a criança. Dentre os conteúdos, os professores necessitam trabalhar a linguagem oral, linguagem escrita, arte, música, linguagem corporal, linguagem matemática e estudo da natureza e sociedade.

A linguagem acontece socialmente por meio da oralidade, leitura, escrita, desenho, escultura, mímica, movimentos, representações corporais, som e música. Parafraseando Vygotsky, a linguagem é fundamental para o desenvolvimento humano, englobando todas as estruturas psicológicas superiores da criança, onde a mesma se relaciona com o meio social e cultural, convivendo com as  diversas formas de expressão e vai elaborando a linguagem mais elaborada. O trabalho com a linguagem oral busca oferecer às crianças a ampliação da capacidade de comunicar-se, bem como, colabora para a formação e organização do pensamento. Por isso, as crianças necessitam falar nas mais diversas situações (contar fatos e histórias, transmitir recados, explicar um jogo, etc.), onde aprende a verbalizar pela interação com o outro.

A linguagem escrita compreende os gestos, o brinquedo e o desenho, onde desde pequena está em contato com a linguagem escrita (livros, jornais, embalagens, cartazes, placas de ônibus, outdoors, etc.), elaborando conceitos a partir de experiências do dia-a-dia, e ao entrar na escola a criança amplia esses conhecimentos por meio de atividades significativas de interação e elaboração.

Sendo assim a Arte constitui-se nas diversas linguagens, expressando, comunicando e atribuindo às sensações, aos sentimentos, aos pensamentos e à realidade, por meio de diversas manifestações como forma de se expressar e comunicar. Além disso, considera-se que desenhar é fundamental, pois para a criança as garatujas e os rabiscos têm significação, e gradativamente vão compreendendo a função social da escrita e começam a utilizar o código escrito para comunicar suas idéias.

Outro fator relevante a ser trabalhado na Educação Infantil é a música, propondo vinculação entre sensações, prazer e ritmo e favorecendo o processo de desenvolvimento da comunicação oral e expressão corporal para interagir com o mundo. Com isso, se faz necessário que o professor cante melodias, cantigas, brincadeiras cantadas, com rimas, poesias, contos, parlendas, etc., pois as crianças, nesta fase possuem um verdadeiro fascínio por tais atividades e sons.

A Linguagem Corporal também apresenta grande relevância, uma vez que o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. O movimento contempla muitas funções e manifestações do ato motor, desenvolvendo motricidade, refletindo sobre as posturas corporais e ampliando os conhecimentos relacionados a cultura corporal da criança. Sendo assim, é importante trabalhar os conhecimentos da psicomotricidade, assegurando o desenvolvimento funcional, afetivo e motor, por meio de atividades que envolvam a educação dos movimentos com as funções intelectuais, pois para que uma criança desenvolva aspectos de leitura e escrita é necessário desenvolver funções específicas de Coordenação Global, Esquema Corporal, Lateralidade, Estruturação Espacial/Temporal, Discriminação Visual e Auditiva.

A Linguagem Matemática está presente desde muito cedo entre as crianças pequenas, quando manipulam objetos identificando propriedades, contando quantidades, agrupando e classificando.  O conhecimento matemático não deve ser memorizados, mas sim assimilados por meio de experimentos e exploração, compreendendo o conceito de número, sua função e o seu uso na vida social, em atividades diversificadas (distribuição de materiais e tarefas na sala de aula, formação de grupos), possibilitando o contato com os elementos espaciais e numéricos, onde a criança organiza as estruturas do pensamento.

O Estudo da Natureza e Sociedade envolve temas relacionados ao mundo social e natural, enriquecendo a curiosidade pelas experiências e explorando o ambiente social e físico, com trabalhos sobre a história da cultura humana e da vida cotidiana em sociedade, além disso os fenômenos que ocorrem na natureza, as transformações feitas pelo ser humano e as mudanças climáticas.

Após o desenvolvimento destes conteúdos, estando articulados entre si, é necessário realizar um processo avaliativo, buscando averiguar se os objetivos propostos foram atingidos. E de acordo com a Proposta Pedagógica, a avaliação deve ser um processo diagnóstico, proporcionando reflexão sobre o trabalho desenvolvido, almejando a verdadeira apreensão dos educandos. Com isso a avaliação deve priorizar os níveis de complexidade de um mesmo conteúdo, a realização das atividades em momentos corriqueiros e/ou exclusivos, as produções cotidianas dos alunos, definindo claramente os objetivos e conteúdos avaliados, bem como os meios mais adequados para avaliação, observando sempre a constatação, a reflexão e a superação do problema.

A avaliação mostra ao professor o resultado de seu trabalho, servindo de parâmetro para o planejamento de suas atividades, e ainda buscando estratégias para atender os alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem. Dessa forma o professor deve apropriar-se de diversos instrumentos de avaliação, para ter informações sobre o processo educativo da criança e sobre o seu próprio trabalho, utilizando: Portifólio, que se trata de uma coleção de itens que revela conforme o tempo passa, os diferentes aspectos do desenvolvimento e aprendizagem da criança; Caderno do aluno, onde o professor poderá observar a utilização do espaço, senso crítico estético na organização e utilização dos diversos materiais para realizar as atividades propostas e a exteriorização dos conteúdos ensinados através de registros que produz nesse caderno; Atividades específicas, planejadas com o objetivo de avaliar um conteúdo em si (produção de texto, desenho, pintura, jogo, colagem, dobradura, entre outros). Além disso, o professor necessita utilizar de instrumentos de registro, que contemplam o caderno de registro da turma, onde anota diariamente fatos ocorridos durante o processo educativo (conquistas, avanços e dificuldades); Parecer Descritivo Bimestral, descrevendo informações específicas sobre o educando, sendo organizado considerando a relação e interação da criança com (educador, turma de crianças, família), sendo realizado bimestralmente e em casos de transferências.

Avaliar artigo
4
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 8 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/proposta-pedagogica-da-educacao-infantil-em-telemaco-borba-1863415.html

    Palavras-chave do artigo:

    educacao infantil proposta pedagogica telemaco borba

    Comentar sobre o artigo

    SANDRA VAZ DE LIMA

    O artigo a seguir tratar-se-a sobre o esenvolvimento da Educação Infantil, desde o surgimento da primeira creche "Cantinho Feliz" em 1983 até os dias atuais.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 15/02/2010 lAcessos: 1,211 lComentário: 2

    Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que altera o humor e costuma estar associada com baixa autoestima e culpa, e normalmente traz consigo distúrbios do apetite (comer demais, ou praticamente nada), e de sono (dormir demais, ou quase nada), entretanto um dos aspectos mais nocivos é a falta de perspectivas, um sentimento de ausência de futuro, de impossibilidade de solução dos problemas, que muitas vezes leva até ao suicídio.

    Por: Central Pressl Educaçãol 31/10/2014

    O presente artigo discorre contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança.

    Por: neide figueiredo de souzal Educaçãol 29/10/2014

    Faz-se necessário que a avaliação seja orientada pela lógica da continuidade dos processos de formação.

    Por: neide figueiredo de souzal Educaçãol 29/10/2014
    Erineia nascimento da Silva

    O lúdico proveniente da palavra latina "ludus" que significa jogos. Que segundo DANTAS, 1988, representa liberdade para brincar livremente, gratuitamente, prazerosamente. Tornando a brincadeira uma expressão máxima do lúdico, desde da antiga Roma e Grécia em períodos remotos da civilização ocidental utilizava os brinquedos na educação com base nas idéias de Platão e Aristóteles.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 28/10/2014
    Sebastiana Braga

    A formação profissional não consiste apenas em ouvir palestra ou fazer determinados cursos. Pelo contrario, ela é um processo continuo e progressivo, onde através da aprendizagem se acumula conhecimento e este por sua vez vai sendo transformado em práticas bem sucedidas. Dessa forma deve ser pensado numa multiplicidade de saberes que através de um projeto para formação continuada que se complemente e que aborde um tema central a todas as áreas no intuito do melhoramento do ensino aprendizagem.

    Por: Sebastiana Bragal Educaçãol 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Sei o quanto. Tudo isso não significa nada. Apesar da interminável beleza dos universos. Contínuos. Sei do insignificado das coisas. Do delírio dos deuses. Das franquezas das razões não lógicas. A metafísica não indutiva.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educaçãol 25/10/2014
    Amanda Souza Machado

    Este trabalho é uma continuação das discussões, pesquisas e reflexões ocorridas durante a elaboração do artigo científico sobre como os educadores exploram as fantasias das crianças, produzidas a partir dos programas de televisão. O artigo propõe-se a apresentar as influências da TV no imaginário das crianças e qual é o papel dos educadores neste momento.

    Por: Amanda Souza Machadol Educaçãol 23/10/2014

    O presente artigo é um estudo bibliográfico que tem como objetivo principal abordar conceitos educacionais e metodologias desenvolvidas em sala de aula usando o lúdico como alternativa de metodologia. O trabalho justifica-se pela necessidade de se entender e adequar a aprendizagem às atuais demandas da educação é necessário conhecer alguns caminhos já percorridos pelo ensino e que se levam a uma redefinição dos objetivos, conteúdo e metodológicos.

    Por: Graciele de Miranda Oliveiral Educaçãol 21/10/2014 lAcessos: 14
    SANDRA VAZ DE LIMA

    Empreendedores são pessoas que desejam participar ativamente da construção de um mundo novo, não apenas como expectadores, mas como atores das mudanças globais da atualidade. De modo geral a pesquisa busca conhecer as ações dos empreendedores nas organizações e dessa forma, saber como eles podem e devem contribuir para o crescimento e desenvolvimento. Especificamente buscou-se: diagnosticar o perfil "empreendedor"; identificar os desafios que a administração propõe ao gestor público.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 20/08/2013 lAcessos: 150
    SANDRA VAZ DE LIMA

    A Educação Especial é uma modalidade da Educação Básica, fundamentada no princípio da atenção à diversidade. Integram-se o Ensino Regular e a Educação Especial numa concepção da Educação Inclusiva, buscando a participação e permanência de todos os alunos na escola, numa educação de qualidade, onde o atendimento as pessoas com necessidades especiais não requer um ambiente especifico e único, mas sim necessita de recursos físicos, humanos e materiais para que seja possível atender a todos, adaptan

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 2,339
    SANDRA VAZ DE LIMA

    A Tecnologia Educacional é entendida como a área que estuda a aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC - na educação, a partir de um embasamento da didática, psicologia da aprendizagem e desenvolvimento tecnológico. Assim, as alterações no sistema educativo visam levar em conta as diferenças pessoais, estilos cognitivos, ritmos de aprendizagem, afinidades, áreas de interesse, estratégias de pensamento e motivação.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 167
    SANDRA VAZ DE LIMA

    Não existe uma única concepção sobre a EaD, pois o conceito evoluiu ao longo do tempo, influenciado pelo avanço das tecnologias da informação e da comunicação. Além disso, a concepção de educação a distância pode variar conforme o autor, sua base teórico-conceitual e sua concepção do que significam educação, ensino e aprendizagem.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 182
    SANDRA VAZ DE LIMA

    A expectativa é ao mesmo tempo ligada a pessoa e ao interpessoal, também a expectativa se realiza no hoje, e futuro presente, voltado para o ainda-não, para o não experimentado, para o que apenas pode ser previsto. Assim, percebe-se que a expectativa é um sentimento que surge diante de novidades, do diferente.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 87
    SANDRA VAZ DE LIMA

    Com os anos as análises históricas sofreram inúmeras mudanças, tendo historiadores como Jules Michelet que se preocupavam com histórias nacionais, espírito do povo, representando heróis. Tal autor chamou a atenção por identificar um agente sem rosto – o povo, as massas, como personagem da história e como protagonista dos acontecimentos.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 172
    SANDRA VAZ DE LIMA

    Conforme o texto "Correntes, campos temáticos e fontes", a escrita e a leitura são indivisíveis e estão contidas no texto, permitindo a comunicação e veicula representações, onde o historiador pergunta sobre quem fala e de onde fala, discutindo sobre ela. As relações entre essas instancias não são diretas nem reflexas, mas sim intermediadas pelo discurso narrativo, e para o entendimento da História Cultural pode ser o da metáfora, pois o discurso explica, fala de algo que se percebe e se entende

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 212
    SANDRA VAZ DE LIMA

    Entende-se que a História é construída conforme as práticas, as culturas de um determinado povo, uma organização social, onde o habitus integra os espaços de experiências, funcionando a cada momento vivido como matriz de sensações.

    Por: SANDRA VAZ DE LIMAl Educaçãol 24/07/2012 lAcessos: 70

    Comments on this article

    0
    Walcyr Kauss 18/01/2011
    Gostei muito do trabalho desenvolvido por voce. Será que poderia fazer contato comigo, estou desenvolvendo um trabalho sobre psicomotricidade e dificuldade de aprendizagem.
    0
    Vânia Rodrigues Rubiale 28/09/2010
    Achei excelente seu trabalho! Parabéns! Trabalho com a Educação Infantil em Ibaiti diretamente com os CMEIs e ler seu artigo me ajudou muito mais a rever meu trabalho. Gostaria de manter contato e quando tiver algum material que pudesse ser repassado, por favor será um acréscimo em nosso rabalho!
    0
    alexandre das paixão 25/05/2010
    oi sandra que belo artigo, gostei muito pois sou pedagogo e trablho com projeto de conscientização de educação ambienta. parabéns
    bom trabalho:sucesso.
    1
    Andre 10/05/2010
    Adorei o artigo, mt bom saber como é desenvolvido o trabalho infantil em outras localidades. Abraços.
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast