Quot;evasão" escolar na educação de jovens e adultos

25/10/2012 • Por • 233 Acessos

1. INTRODUÇÃO

           Nesse artigo, a pretensão é apresentar para a discussão as causas e consequências da evasão escolar, mas especificamente na Educação de Jovens e adultos, a partir de pesquisa qualitativa, realizada por meio da aplicação de questionários, com seis questões abertas, elaboradas para cada um dos três segmentos da comunidade escolar à saber: aluno, professor e equipe diretiva, efetuada na Rede Pública de Ensino do município de Mataraca, na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Ribeiro Bessa para Jovens e Adultos - Ensino Fundamental. A evasão escolar é um problema complexo e se relaciona com outros temas da pedagogia, como formas de avaliação, reprovação escolar, currículo e disciplina escolares. Para combater a evasão escolar, é preciso atacar em duas frentes: Uma de ação imediata que busca resgatar o aluno "evadido", e outra de reestruturação interna que implica na discussão e avaliação das diversas questões enumeradas acima. É importante realizar campanha de esclarecimento, mostrando que o estudo formal é um direito de todo cidadão. Com os órgão competentes é importante desenvolver projetos de complementação da renda da família e repetência escolar. Além disso, definem estratégias de combate à evasão escolar específicas para escola.

            O problema da evasão escolar preocupa a escola e seus representantes, ao perceber alunos com vontade de estudar, ou com importantes atrasos na sua aprendizagem. Os esforços que a escola, na pessoa da direção, equipe pedagógica e professores fazem para conseguir a frequência e aprovação dos alunos não asseguram a permanência deles na escola. Pelo contrário muitos desistem.

Neste sentido, é preciso considerar que a evasão escolar é uma situação problemática, que se produz por uma série de determinantes.

Entender e interferir positivamente no processo de evasão escolar é um desafio que exige uma postura de desconstrução das verdades construídas pelos leitores, assumindo assim uma atitude reflexiva diante dos conhecimentos prévios acerca da evasão escolar. Assim vale destacar que essa situação é semelhantes ao ato de conhecer citado por Freire (1982, p.86), como um desafio, onde se lê que:

O próprio fato de tê-lo como tal me obrigou a assumir em face dele uma atitude crítica e não ingênua. Essa atitude crítica, em si próprio, implica na penetração na "intimidade" mesma do tema, no sentido de desvelá-lo mais e mais. Assim, [...] ao ser a resposta que pouco dar ao desafio, se torna outro desafio a seus possíveis leitores. É que minha atitude crítica em face do tema me engaja num ato de conhecimento.

Para ser um bom gestor o profissional necessita possuir características de um líder democrático, assumindo o papel de administrar e dirigir a instituição, permitindo que a equipe escolar e a comunidade participem das decisões escolares, envolvendo todos no processo educacional com a finalidade de atender o bem coletivo.

2."EVASÃO" DO ALUNO TRABALHADOR.

A iniciativa de voltar este trabalho investigativo para a Educação de Jovens e Adultos EJA – deu-se por conta da íntima relação construída com este público. Durante a permanência no Projeto de Ensino Fundamental do 2º semestre, várias foram as ações pedagógicas desenvolvidas, bem como as questões e problematizações que permearam a prática educativa.

Tais indagações aguçaram-me o pensamento e, como educador, gostaria de refletir

acerca do fenômeno chamado aqui de "evasão". Ao fazer uma revisão bibliográfica

sobre o tema abordado, pudemos perceber que existe e persiste a demanda de produção de conhecimento sobre a área temática – EJA, pois, segundo Arroyo (2006) o campo da EJA tem uma longa história, entretanto não é ainda um campo consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas e diretrizes educacionais, da formação de educadores e intervenções pedagógicas. Nesta pesquisa o que pretendeu-se foi, inicialmente, conhecer o perfil destes sujeitos que encontram-se num processo educativo que tem como um de seus objetivos atender às suas especificidades, partindo do pressuposto de Arroyo (2006):

Penso que a reconfiguração da EJA não pode começar por perguntar-nos pelo seu lugar no sistema de educação e menos pelo seu lugar nas modalidades de ensino. (...) O ponto de partida deverá ser perguntar-nos quem são esses jovens e adultos.  (ARROYO, 2006, p.22).

3. A ESPECIFICIDADE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS TRABALHADORES

Santos, G.L. (2001) chama atenção de que durante os "percalços e interrupções nos estudos" dos alunos de EJA a exclusão precoce da escola ocorre também na escolarização tardia, resultado da baixa escolaridade, que acarreta constrangimentos sociais diversos. A autora trabalha na perspectiva de que por mais que seja importante ampliar a compreensão da exclusão e da reinserção enquanto fenômenos do sistema educacional brasileiro, não se pode deixar de considerar que tais fenômenos constituem experiências que sujeitos específicos vivenciam em momentos determinados de suas vidas.

Sendo assim, após analisarmos todos os fatores internos e externos citados pelos autores e ao analisarmos o contexto no qual a Educação de Jovens e Adultos está inserida, havemos de tomar o devido cuidado para não cairmos na perspectiva que Arroyo (2006) assinala a seguir:

...os jovens e adultos continuam vistos na ótica das carências escolares: não tiveram acesso, na infância e na adolescência, ao ensino fundamental, ou dele foram excluídos ou dele se evadiram; logo propiciemos uma segunda oportunidade. (ARROYO, 2006, p.23).

Dessa maneira, muitas vezes o sistema escolar continua a ser pensado em uma lógica e estrutura interna que nem sempre tem facilidade de se abrir para a pluralidade de indicadores que vem da sociedade e dos próprios alunos jovens e adultos. Assim, sete concordamos com a perspectiva de Arroyo (2006), quando o autor afirma que a juventude e a vida adulta trazem consigo um tempo de marcas de socialização e de sociabilidade, de formação e intervenção. Dessa forma, esses "tempos de vida" do jovem e do adulto, assinalados pelo autor, devem ser tratados como "tempo de direito" que culmina na urgência de se elaborar e implementar políticas públicas dirigidas à garantia da pluralidade de seus direitos e ao reconhecimento de seu protagonismo na sociedade.

 4. CONCLUSÃO

            Para concluir é necessário reconhecer as limitações deste trabalho a evasão escolar, dada suas implicações, incluindo desde fatores cognitivos e psicoemocionais dos alunos a problemas socioculturais, institucionais e aqueles relacionados a economia e a política (BRASIL, 2006). Por esta razão o recorte feito aqui é constituído por parte dos determinantes institucionais, reportando-se apenas a questões relacionadas ao trabalho educativo desenvolvido nas escolas públicas.

            Considera-se nessa perspectiva, oferecer subsídios para o adequado desenvolvimento do trabalho educativo na escola, com ajuda de autores estudados, que oferecem importantes contribuições, no sentido de amenizar os prejuízos causados pela evasão escolar.

            Com esse objetivo foram levantados aspectos importantes da opinião dos alunos, equipe diretiva e professores, sobre a Escola Municipal de Ensino Fundamental José Ribeiro Bessa – EJA. Assim também com a característica do exercício diário referente ao trabalho docente. Ao mesmo tempo esse levantamento possibilitou detectar os problemas e os pontos divergentes entre os participantes.

            Nesse sentido cabe à escola, transformar parte da realidade, que produz o fracasso e a evasão escolar, trazendo como consequência a exclusão social. Isso equivale dizer, que é preciso delimitar algumas possibilidades da escola, entorno dos quais podem ser tomadas medidas no sentido de trazer-lhes mais credibilidade e competência (AQUINO, 1997).

            Como se vê, até aqui foi discutido sobre as causas da evasão escolar, entendida por muitos autores por fracasso escolar, convergindo para suas consequência por muito autores por fracasso escolar, convergindo para suas consequências, justificando parte do processo. Brasil (2006), evidencia a ocorrência de baixa auto-estima ligada a timidez excessiva e ao sentimento de incapacidade, dificuldade para o ingresso no mercado de trabalho, má qualificação de vida, desqualificação, estimulo a violência e prostituição, gravidez precoce, consumo e tráfego de drogas. Enfim, a maior consequência é a consolidação da desigualdade social, que por sua vez, coloca as pessoas numa situação complemente desprotegida, com dificuldades de saída dessa complicada condição.

5. REFERÊNCIAS

AQUINO, Júlio Groppa. O mal-estar na escola conteporânea: erro e fracasso em questão. AQUINO, J. G. (Org.). In: Erro e fracasso na escola: alternativas teóricas e práticas. 4.ed. São Paulo: Summus, 1997, p. 91-110.

ARROYO, M. Educação de Jovens e Adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública.  In: GIOVANETTI, Maria Amélia, GOMES, Nilma Lino e SOARES, Leôncio (Orgs.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2006, p.19-50.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Alunas e Alunos da EJA. Brasília: Coleção: Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos, 2006.

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 8. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

SANTOS, G. L. Quando adultos voltam para a escola: o delicado equilíbrio para obter êxito na tentativa de elevação da escolaridade. In: SOARES, Leôncio (Org.).Aprendendo com a diferença – estudos e pesquisas em educação de jovens e adultos. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2003, p.11-38.

www.senado.gov.br/legislacao/constituicao federal - acesso em 23/10/2012

Perfil do Autor

IVONALDO AGUIAR

Licenciado em Ciênicas Biológica desde 2009, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú e Concluinte 2013 em Especialização em Gestão...