Recuperação De Final De Ano

21/12/2009 • Por • 6,035 Acessos

Final de Ano e a história se repete. Chega a hora do Conselho de Classe, que vai decidir a vida dos(as) discentes que foram para a recuperação e não foram aprovados. Discussões entre docentes, evidências de que a indisciplina social dos(as) discentes (Luckesi, 2006, pg. 67) é uma  variável que alguns/algumas docentes usam no momento de avaliar, estão pre    sentes no Conselho de Classe.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Era de se esperar que poder público, gestores de estabelecimentos de ensino e docentes cumprissem o que ela preconiza. Porém, o que pode ser visto em nossas escolas públicas, embora a Lei tenha sido promulgada em 20/12/1996, é que há um completo desconhecimento do seu teor.

Esse desconhecimento já é visível no Art. 12, que no seu inciso V diz que os estabelecimentos de ensino terã a incumbência de prover meios para recuperação dos alunos de menor rendimento, o que não ocorre. Por sua vez, o Art. 13 através do inciso IV nos mostra, que cabe ao docente criar estratégias de recuperação para discentes de menor rendimento. Quantos(as) docentes têm conhecimento desse dever? Quantos(as) o cumprem?

Ouvimos sempre a mesma justificativa, que o(a) docente em razão dos baixos salários, tem que trabalhar os três turnos, o que não permite rever os conteúdos ministrados. Surge então o poder público, como parte integrante do "status quo" em que se mantém a educação pública no nosso país, educação de péssima qualidade, bem como desobedece ao inciso V do Art. 3º da LDB, ao não valorizar o(a) docente.

E então, seguimos por esse prisma, ou faremos alguma coisa para mudar? Como uma ajuda para encontrar a resposta à nossa indagação, reproduzimos um parágrafo de Werneck do seu livro Como Vencer na Vida Sendo Professor - Depende de Você:

quem deve amar, em primeiro lugar, a sua profissão é você mesmo.                                Nenhuma outra pessoa deveria prezar tanto a sua profissão quanto

você. Se não der prioridade a ela, outros poderão esquecê-la e você

levará a pior como profissional. Não espere pelos outros, faça

acontecer. (Werneck, 2007, pg. 13)

É evidente que o nosso dia a  dia em sala de aula, nos mostra que vários são os fatores  que levam discentes à recuperação ou à conservação, dentre eles podemos destacar: falta de estudo, não cumprimento de tarefas, desestímulo, faltas às aulas, absenteísmo e desestímulo de parte dos(as) docentes, inobservância da LDB.

O Art. 24 no seu inciso V, diz que a avaliação é contínua e cumulativa com os aspectos qualitativos prevalecendo sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. Ora, sabe-se que há docentes que não atribuem qualitativo e há os que atribuem apenas um ponto. Qual a consequência? Maior número de discentes na recuperação de final de ano.

Como ocorre essa recuperação? Algumas escolas estabelecem cinco dias para as aulas e a avaliação. Há discentes que fazem recuperação de todas as matérias ou de maior parte delas e são aprovados. Houve realmente aprendizado? A resposta a esse questionamento, enseja a formulação de outro artigo.

Por que então, não usar a recuperação dos conteúdos dentro de cada unidade? Coordenação pedagógica e docentes devem estabelecer estratégias para a recuperação paralela nos casos de baixo rendimento. Em assim agindo, a escola estará cumprindo o estabelecido na letra "e", inciso V do Art. 24, favorecendo aos discentes de baixo rendimento.

Cremos que o pouco que fizermos por aqueles e aquelas, que têm dificuldades de entendimento, será muito. Lembremo-nos do que escreveu Freire: "Mudar é difícil mas é possível". (Freire, 2006, pg.79)

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Jaguaracy Conceição