Recuperação De Final De Ano

Publicado em: 21/12/2009 |Comentário: 3 | Acessos: 5,993 |

Final de Ano e a história se repete. Chega a hora do Conselho de Classe, que vai decidir a vida dos(as) discentes que foram para a recuperação e não foram aprovados. Discussões entre docentes, evidências de que a indisciplina social dos(as) discentes (Luckesi, 2006, pg. 67) é uma  variável que alguns/algumas docentes usam no momento de avaliar, estão pre    sentes no Conselho de Classe.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Era de se esperar que poder público, gestores de estabelecimentos de ensino e docentes cumprissem o que ela preconiza. Porém, o que pode ser visto em nossas escolas públicas, embora a Lei tenha sido promulgada em 20/12/1996, é que há um completo desconhecimento do seu teor.

Esse desconhecimento já é visível no Art. 12, que no seu inciso V diz que os estabelecimentos de ensino terã a incumbência de prover meios para recuperação dos alunos de menor rendimento, o que não ocorre. Por sua vez, o Art. 13 através do inciso IV nos mostra, que cabe ao docente criar estratégias de recuperação para discentes de menor rendimento. Quantos(as) docentes têm conhecimento desse dever? Quantos(as) o cumprem?

Ouvimos sempre a mesma justificativa, que o(a) docente em razão dos baixos salários, tem que trabalhar os três turnos, o que não permite rever os conteúdos ministrados. Surge então o poder público, como parte integrante do "status quo" em que se mantém a educação pública no nosso país, educação de péssima qualidade, bem como desobedece ao inciso V do Art. 3º da LDB, ao não valorizar o(a) docente.

E então, seguimos por esse prisma, ou faremos alguma coisa para mudar? Como uma ajuda para encontrar a resposta à nossa indagação, reproduzimos um parágrafo de Werneck do seu livro Como Vencer na Vida Sendo Professor - Depende de Você:

quem deve amar, em primeiro lugar, a sua profissão é você mesmo.                                Nenhuma outra pessoa deveria prezar tanto a sua profissão quanto

você. Se não der prioridade a ela, outros poderão esquecê-la e você

levará a pior como profissional. Não espere pelos outros, faça

acontecer. (Werneck, 2007, pg. 13)

É evidente que o nosso dia a  dia em sala de aula, nos mostra que vários são os fatores  que levam discentes à recuperação ou à conservação, dentre eles podemos destacar: falta de estudo, não cumprimento de tarefas, desestímulo, faltas às aulas, absenteísmo e desestímulo de parte dos(as) docentes, inobservância da LDB.

O Art. 24 no seu inciso V, diz que a avaliação é contínua e cumulativa com os aspectos qualitativos prevalecendo sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. Ora, sabe-se que há docentes que não atribuem qualitativo e há os que atribuem apenas um ponto. Qual a consequência? Maior número de discentes na recuperação de final de ano.

Como ocorre essa recuperação? Algumas escolas estabelecem cinco dias para as aulas e a avaliação. Há discentes que fazem recuperação de todas as matérias ou de maior parte delas e são aprovados. Houve realmente aprendizado? A resposta a esse questionamento, enseja a formulação de outro artigo.

Por que então, não usar a recuperação dos conteúdos dentro de cada unidade? Coordenação pedagógica e docentes devem estabelecer estratégias para a recuperação paralela nos casos de baixo rendimento. Em assim agindo, a escola estará cumprindo o estabelecido na letra "e", inciso V do Art. 24, favorecendo aos discentes de baixo rendimento.

Cremos que o pouco que fizermos por aqueles e aquelas, que têm dificuldades de entendimento, será muito. Lembremo-nos do que escreveu Freire: "Mudar é difícil mas é possível". (Freire, 2006, pg.79)

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/recuperacao-de-final-de-ano-1609153.html

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    recuperacao

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    Comentar sobre o artigo

    marlucia pontes gomes de jesus

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    Por: marlucia pontes gomes de jesusl Educaçãol 25/07/2011 lAcessos: 1,819

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    Por: Rosimeire Moreira Quintelal Educação> Ensino Superiorl 14/01/2012 lAcessos: 799
    Neusa Amorim

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    Por: Neusa Amoriml Educação> Ensino Superiorl 26/08/2011 lAcessos: 1,929

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    Por: Maria José Esmeraldo Roliml Educaçãol 19/11/2008 lAcessos: 16,105 lComentário: 9
    Jaguaracy Conceição

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    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 08/06/2012 lAcessos: 100
    Clecia Pacheco

    Objetiva discorrer, através de uma busca à história, sobre a escravidão afro-indígena no Brasil

    Por: Clecia Pachecol Educação> Ensino Superiorl 13/12/2010 lAcessos: 759

    Com o advento da globalização, a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação mundial. Objetiva-se evidenciar a importância dos alunos encontrarem na escola não só evidências de seu próprio mundo, mas também aparato capaz de os "cunharem" para uma participação social plena e não "fatiada", como sugere o estudo por disciplinas. Jovens e adultos, público cada vez mais informatizado, exige que as disciplinas deixem de ser apresentadas de forma isolada.

    Por: KÁTIA CÉLIA FERREIRAl Educaçãol 18/12/2014

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    Por: KÁTIA CÉLIA FERREIRAl Educaçãol 18/12/2014

    Sabe-se que a educação é responsável pela formação do aluno enquanto cidadão, de maneira a prepará-lo para a vida em sociedade, para que saiba atuar criticamente nesse meio. Assim, a escola inclusiva busca complementar a formação do aluno por meio das relações de convivência, uma vez que conviver com o diferente é parte desse processo de formação, até porque, como já mencionamos, é na escola que o aluno desenvolve seus aspectos cognitivos, motores e psicológicos.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    As revela à existência de ações políticas e sociais que possam concretizar e promover a efetividade da inclusão social da pessoa com necessidade educacional especial. Vejo que a sociedade deve compreender como se dá o processo de ensino-aprendizagem da criança com Síndrome de Down na Educação Básica, as dificuldades enfrentadas e as possibilidades e mecanismos de reconhecimento e aceitação dessas limitaçõ

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    No processo de inclusão a escola propõe a conviver com o "diferente", aceitá-lo, auxiliá-lo, e muitas vezes aprender algo com essas crianças. Entretanto para oferecer uma inclusão verdadeira é preciso entender as particularidades das crianças, mediar a socialização de forma que todos trabalham para o aprendizado de cada uma delas, em benefício de todos. Pretendo contribuir com as discussões éticas e educacionais que envolvem a formação da criança Down por meio da educação.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    A educação escolar é um dos contextos em que a criança aprende e desenvolve-se nos aspectos cognitivos, emocional e social. Por isso a necessidade de incluir a criança com necessidades especiais na escola, pois atender a todos é parte do processo educativo, por isso a diversidade cultural e outras questões sociais precisam ser vivenciadas também em sala de aula.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    Apresento algumas características que identificam a criança Down, o conceito de Educação Inclusiva e Educação básica, e da diversidade na educação. Relacionam-se aspectos positivos da inclusão da criança Down na Educação Básica e como deve acontecer essa inclusão, enumerando as dificuldades no processo de inclusão da criança Down na Educação Básica. Conceitua-se a Síndrome de Down e sua identificação, bem como o tratamento e a motivação para inserir a criança com deficiência na Educação Básica.

    Por: Rosely dos Santos Ferreiral Educaçãol 17/12/2014

    O estudo realizado teve como foco principal compreender os avanços no processo de construção do conhecimento dos alunos de uma turma de 3º ano, através dos jogos matemáticos, priorizando, desse modo, a ludicidade no ensino. A pesquisa foi desenvolvida durante o estágio realizado pela acadêmica e pesquisadora junto a uma turma de 3º ano.

    Por: Luziane Da Silva Costal Educaçãol 15/12/2014 lAcessos: 11
    Jaguaracy Conceição

    O Art. 26 - A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi acrescido pela Lei nº 10.639/03 e com redação da Lei nº 11.645/08. De acordo com esse artigo todos os estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados são obrigados a estudar a história e cultura afro-brasileira e indígena.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 23/11/2014 lAcessos: 28
    Jaguaracy Conceição

    A cada Avaliação de final de Unidade um "tsunami" de notas baixas devasta a caderneta de rendimentos das turmas. Emerge daí uma série de especulações. Para o(a) discente e sua família a culpa é do(a) docente que não sabe ensinar; para o(a) docente a culpa é do corpo discente e da família que não acompanha a aprendizagem dos filhos.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educação> Ciêncial 02/05/2014 lAcessos: 34
    Jaguaracy Conceição

    O objetivo deste texto é estimular a procura pela melhoria da Avaliação Integrada que vem sendo implantada em algumas escolas. Para tal partiu-se de um acompanhamento feito por um docente de Educação Física em relação à área de Linguagens (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física).

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 23/12/2013 lAcessos: 78
    Jaguaracy Conceição

    O presente texto tem o intuito de incitar os docentes a uma reflexão sobre a prática avaliativa, vez que, tem sido constatado que o que estamos fazendo é Verificação e não Avaliação. Sabemos que avaliação faz parte do processo ensino-aprendizagem e não pode continuar legitimando o fracasso discente.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 27/06/2013 lAcessos: 59
    Jaguaracy Conceição

    Se a Educação fosse um ser humano poderia haver uma feijoada ou churrasco fazendo "link" com cervejas geladas para prestigiar a efeméride. Como a realidade da Educação em nosso país é bastante controversa, a data poderá passar em brancas nuvens e quiça, tenha algo a festejar. Deixemos de lado comemorações e tais e vamos falar sério sobre Educação, nos reportando ao que explicita a Constituição da República Federativa do Brasil.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 28/04/2013 lAcessos: 21
    Jaguaracy Conceição

    A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu Capítulo III trata DA EDUCAÇÃO, CULTURA E DO DESPORTO e a Seção I Da Educação. É possível perceber que ela vem sendo constantemente desrespeitada inclusive pelas autoridades públicas que detém o poder de administrar.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 15/04/2013 lAcessos: 37
    Jaguaracy Conceição

    Cotidianamente lemos, assistimos, ouvimos críticas à Escola Pública. As pessoas que fazem as críticas não têm a mínima preocupação em buscar os fatores que fazem com que ela não funcione a contento. Esses fatores são os mais variados possíveis e englobam o Governo, o corpo docente e o discente e a família.

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 09/03/2013 lAcessos: 51
    Jaguaracy Conceição

    O Art. 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDBEN) estabelece os princípios que devem ser ministrados pelo ensino. O seu inciso I nos mostra o seguinte: "igualdade de condições para o acesso e permanência na escola".

    Por: Jaguaracy Conceiçãol Educaçãol 03/02/2013 lAcessos: 57

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    Rita Medina 03/01/2010
    O articulista foi muito feliz na escolha,pois,o tema é bastante pertinente.Abro um viés,nas palavras do professor Marcelo Tavares ao dizer que frustrações salariais,limitações,deficiencias e posturas docentes, não justificam a acomodação principalmente dos profissionais mais experientes.Abro um adendo ao artigo do profor Jaguar e confirmo, que o poder público não só é integrante,mas chave mestra para fazer toda engrenagem educacional funcionar,com fiscalização e cobrança das práticas pedagógicas desenvolvidas pelos gestores das escolas.
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    Jaguaracy Conceição 23/12/2009
    Para consulta
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    Lucimeyre Almeida Campos 22/12/2009
    É um artigo que muitos professores precisam tomar conhecimento.
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