Responsabilidade social do professor

Publicado em: 07/03/2012 | Acessos: 1,916 |

A responsabilidade social do professor

Em face da nova compreensão de mundo projetado nas últimas décadas, fez-se necessário, a toda evidência, pensar e repensar valores, conceitos e sujeitos ativos da ação educacional. Para tanto, viu-se premente uma alteração prospectiva a ser alcançada diariamente, e assim, ampliar e consolidar métodos pedagógicos de ensino mais racionais e menos provincianos.

Com isso, o profissional da educação toma para si a responsabilidade moral, juntamente com toda a sociedade – é lógico! – de construir novos e consolidar antigos valores para os jovens, em busca de uma sociedade mais justa e igual, para que assim, possa também ser solidária e fraterna[1].    

Como evidenciado no art. 205 da Constituição Federal, "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

Evidentemente que toda a sociedade se faz responsável moralmente pela formação do homem e do cidadão, principalmente, sem qualquer dúvida, o professor (ou educador): mola central da engrenagem educacional.

Data vênia, entendemos ser necessário ao "Novo" pedagogo e, inclusive ao professor da nova geração, fazer uso da inteligência pedagógica, agindo com a nova racionalmente projetada pela filosofia da argumentação, ou pela racionalidade discursiva, sustentadas por Habermas e Alexy, uma vez que moralmente responsáveis pela formação do indivíduo, para que este consiga alcançar a consciência cidadã[2].

Parece-nos, tendo por base a lei nº 9.394, mais conhecida como LDB, bem como a nova racionalidade advinda com a filosofia da argumentação ou da racionalidade discursiva, que o profissional da educação não deve mais usar de métodos desregrados de desproporcionalidade ou desarrazoabilidade, métodos injustos no aprendizado do jovem, por ser argumentados em traços fixos da "antiga pedagogia de ensino", a pedagogia da palmatória, a pedagogia arcaica ou barroca, mas, sem sombra de dúvidas, dialogar com o jovem novos métodos de ensino.

Há algum tempo atrás nos víamos diante de uma ciência pedagógica de ensino bastante fechada. Somente cabiam aos professores, pedagogos, psicólogos e estudiosos do ensino construir os seus modelos de aprendizagem e de socialização, ou "domesticação" do homo sapiens. O aluno não estava autorizado a participar dessa construção. Isso fazia parte de uma consciência tirânica de poder pedagógico.

Os professores e alunos não poderiam se relacionar num mesmo patamar de poder. "Professor era professor e aluno era aluno". Na nova compreensão da teoria discursiva, a construção dos métodos de ensino e da consciência cidadã do homem, o Professor e o aluno podem trocar de pólos, basta haver argumentação suficiente para a inversão dos lócus.

O professor não tem que sentar-se em local mais elevado que o aluno para representar sua posição de "supra-sumo", o dono da razão, a sapiência em pessoa, o segundo Salomão. Com o perdão da expressão, isso é tolice! Um professor não precisa se apresentar como autoridade para o aluno, mas agir de forma que o aluno respeite-o pela sua capacidade de compreensão e diálogo.

O aluno por ser agente de dignidade também deverá ser respeitado em seus direitos. Evidentemente que há casos extremos em que a força impositiva deve imperar. Agora, fazer da força física, da coação moral e da imposição psicológica diariamente como forma de metodologia, é sair dos trilhos da boa pedagogia e se calçar nos troncos da barbaridade, da insensatez e da falta de consciência.

Quem nunca ouviu falar que o professor ao passo que ensina, também aprende em sala de aula? Atribuir ao Professor o "título" de "dono da verdade", transforma a pedagogia do ensino em mais uma ciência tirânica e manipuladora de uma compreensão escrava de ensino (Senhor e Servo).

Conforme lembra a pedagoga Maria José Ferreira Ruiz, "não há saber nem ignorância absoluta: há apenas uma relativização do saber ou da ignorância. Por isso, educadores e educadoras não podem se colocar na posição de ser superiores, que ensinam um grupo de ignorantes, mas sim na posição humilde daqueles que comunicam um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo"[3].

Depois da apresentação do novo modelo de ensino desenvolvido por Paulo Freire, conseguiu-se enxergar a pedagogia do ensino como uma ciência aberta, capaz de dialogar suas bases e diretrizes, não somente com professores, mas também com os alunos (Influência da filosofia de Häberle).

Paulo Freire (1921-1997) entendia que o maior e mais desafiador objetivo educacional projetava-se na conscientização do aluno. Nessa perspectiva, o educador se apresenta como peça fundamental para desenvolver o ensino de libertação. Ou seja, os alunos devem ser instruídos ao ponto de obter a criticidade, espírito investigador, desbravador, a curiosidade.

Dessa forma - na filosofia freireana - o educador tem o dever de despertar a consciência dos oprimidos. O educador não deve se entusiasmar com a construção de alunos pacatos, tímidos, dóceis e fáceis de serem dominados, mas, impulsionar os estudantes a inquietude, ao incomodo.

Por conseguinte, o patamar da consciência da libertação foi apresentada aos profissionais do ensino fundamentando o dever dos educadores de terem uma responsabilidade moral muito maior, ajudando os desfavorecidos da sociedade a agir de tal forma, ao ponto de conseguir a libertação da opressão.

Por isso, entendemos que o maior desafio do profissional do ensino - na atualidade - gravita na construção do diálogo entre alunos e professores, a procura de uma pedagogia argumentativa-discursiva, em que todos estão no mesmo patamar de aprendizado.

O exército usa a força física para conseguir suas conquistas; a pedagogia usa da educação para conquistar conquistas...

[1]Para a Escola Nova, "a educação é considerada o único instrumento apropriado para a construção de uma sociedade laica e justa, gerenciada por um aparelho estatal que se inaugura a partir de um projeto político iluministicamente concebido e juridicamente implementado".

 [2]Porque tendemos a pensar assim? Para Haydt, "Toda teoria pedagógica tem seus fundamentos baseados num sistema filosófico. É a filosofia que, expressando uma concepção de homem e de mundo, dá sentido à Pedagogia, definindo seus objetivos e determinando os métodos da ação educativa. Nesse sentido, não existe educação neutra. Ao trabalhar na área de educação, é sempre necessário tomar partido, assumir posições. E toda escolha de uma concepção de educação é, fundamentalmente, o reflexo da escolha de uma filosofia de vida (Haydt, 1997, p. 23)".

 [3]"O papel social do professor: uma contribuição da filosofia da educação e do pensamento freireano à formação do professor". TEXTO PUBLICADO NA REVISTA IBERO AMERICANA DE EDUCAÇÃO. Disponível em: http://www.rieoei.org/rie33a03.htm> acesso em: 01 de janeiro de 2012. 

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 2 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/responsabilidade-social-do-professor-5723919.html

    Palavras-chave do artigo:

    dialogo educacao aluno professor

    Comentar sobre o artigo

    Luiz Domingos de Luna

    O Atigo é uma problematização entre a educação ideal e a educação fornecidas pela escoalas

    Por: Luiz Domingos de Lunal Educaçãol 21/09/2009 lAcessos: 118

    Pretendeu-se com este estudo, focalizar a Interdisciplinaridade da Educação Ambiental desenvolvida na E.E.E.F e M. Eneida de Moraes, com a finalidade de tornar evidentes as vantagens de trabalhos interdisciplinares desenvolvidos pelos educadores junto aos educandos com qualidade e com a finalidade de perceber como os educadores trabalham a interdisciplinaridade da E.A na sala de aula, principalmente do Ensino Fundamental, onde a criança começa a ter responsabilidade de cidadão brasileiro.

    Por: Cristina Ferreiral Ciências> Biologial 13/07/2008 lAcessos: 25,484 lComentário: 21
    ALESSANDRA MESQUITA

    A sexualidade é um componente imprescindível à formação da identidade do indivíduo, portanto, é relevante compreender o termo sexualidade em todas as suas vertentes e com total isenção de preconceitos dos educadores. Identificar o nível de conhecimento dos adolescentes sobre sexualidade, discutir medidas de prevenção para redução de abuso sexual, gravidez precoce e das Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST's através de atividades educativas que favoreçam o aprendiazado dos adolescentes.

    Por: ALESSANDRA MESQUITAl Saúde e Bem Estarl 28/12/2010 lAcessos: 1,604
    Jaime Teles dos Santos

    O presente artigo é resultante de uma pesquisa bibliográfica acerca do papel da tutoria como dispositivo de auxílio na educação a distância, buscando analisar os fatores que ampliam a produção e divulgação de conhecimentos a partir desta modalidade de ensino. Para tanto, iniciou-se um processo de reflexão na tentativa de (des)construir a ideia de que a educação a distância é uma educação distante em que o aluno estará isolado nesse processo formativo (Tutores/professores/instituição).Foi realiza

    Por: Jaime Teles dos Santosl Educaçãol 18/02/2010 lAcessos: 1,991 lComentário: 1
    Daniel Motta

    A revista Nova Escola é uma publicação de periodicidade mensal, criada em 1986 pela Fundação Victor Cívita. A revista é voltada à comunidade de professores do ensino fundamental. Entre suas editorias, ela aborda diversos assuntos da área educacional, sob as mais variadas formas de textos jornalísticos: entrevistas com especialistas, artigos, relatos de experiências, idéias para sala de aula e seções destinadas a divulgação de trabalhos desenvolvidos em diferentes comunidades do país.

    Por: Daniel Mottal Educação> Ensino Superiorl 05/11/2010 lAcessos: 4,447 lComentário: 1

    Vivemos em épocas distintas a dos nossos alunos; estamos sendo bombardeados de informações e técnicas cada vez mais sofisticadas, interessantes, dinâmicas que nem damos conta.Nossa geração! Não para a geração dos nossos alunos - geração Y - e principalmente para os seus filhos e netos, que provavelmente estarão presentes em 2100 em diante. Então devemos ser professores revolucionários e reencaminharmos os nossos alunos para a Educação, por meio dos 7 Caminhos da Postura Docente do Século XXI.

    Por: ADALBERTO ALABARCEl Educação> Ensino Superiorl 12/09/2012 lAcessos: 184
    shirleidy de sousa freire

    Elencam-se questões referentes a uma temática bastante polêmica no mundo de hoje. Refere-se à inclusão de alunos com necessidades especiais que estão inclusos no ensino regular. Enfocaram-se algumas infoemações referentes ao histórico da educação especial no contexto brasileitro.

    Por: shirleidy de sousa freirel Educação> Educação Onlinel 25/06/2011 lAcessos: 2,934
    Alinne do Rosário Brito

    O presente trabalho se pautou em observações e na experiência docente na possibilidade de se construir uma escola que se preocupa com a realidade de sua comunidade, através de projetos de intervenções que auxiliem a renda familiar ocasionando saberes pertinente aos âmbitos econômicos, sócio e cultural, na perspectiva de transformação social

    Por: Alinne do Rosário Britol Educaçãol 23/07/2012 lAcessos: 168

    O presente artigo tem por objetivo abordar algumas questões sobre a EAD, sua criação, autorização, credenciamento e suas contribuições para a formação docente e profissional, através das novas tecnologias de ensino.

    Por: marcelo donizete da silval Educação> Educação Onlinel 14/09/2009 lAcessos: 14,804 lComentário: 4
    Erineia nascimento da Silva

    O aluno especial tem algumas necessidade de auto realização igual aos demais alunos, assim como ele precisa ter sua autoestima valorizada para contribuir na definição de suas habilidades intelectuais, a interação social com a comunidade escola lhe dará segurança, o apoio dos pais e fundamental nesse processo.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 11/09/2014
    Erineia nascimento da Silva

    Cérebro é o órgão onde se forma a cognição, o órgão mais organizado do corpo humano. Portando a cognição pode emergir no cérebro e nele acontece dinâmicas evolutivas que permitem ao ser humano revelar-se como um ser auto-eco-organizador, para isso e necessário o envolvimento das funções bio-psico-sociais ou bioantropologicas.

    Por: Erineia nascimento da Silval Educaçãol 08/09/2014
    Formacerta.pt

    Este artigo informa sobre o curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores, uma formação frequentemente procurada (e essencial) por indivíduos que querem entrar no mercado de formação profissional.

    Por: Formacerta.ptl Educaçãol 08/09/2014

    O presente texto aborda sobre Saúde em Educação, como incentivo entre desenvolvimento social, psicológico, cultural e saúde educacional. Pois o artigo preocupa-se e questiona-se sobre a formação de crianças e adolescentes e a saúde pública escolar.

    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

    O presente texto possui uma abordagem reflexiva simples e ao mesmo tempo um foco informativo sobre as três áreas de "ciências" Psicopedagogia, Psicologia Transpessoal e Educação, numa prespectiva relacionada á Educação de maneira prática e explicativa.

    Por: Reginaldo Posol Educaçãol 07/09/2014

    O objetivo deste estudo foi verificar como a mídia influencia o desenvolvimento moral da criança, quando da sua exposição nos meios de comunicação a partir de uma denúncia não verídica de violência sexual em uma escola infantil do município de Vila Velha, Espírito Santo. Trata de um estudo descritivo, desenvolvido na Unidade Municipal de Educação Infantil "José Silvério Machado", Jardim Marilândia, Vila Velha, ES. Participaram do estudo 10 professores.

    Por: ADRIANA CHAGAS MEIRELES ZURLOl Educaçãol 28/08/2014 lAcessos: 12

    O objetivo deste estudo foi contribuir para o entendimento de quais são os fatores que determinam o sucesso escolar de alunos dos meios populares, por meio da percepção dos educadores. Trata de um estudo descritivo, quantitativo e qualitativo. O instrumento de coleta dos dados foi um questionário estruturado com perguntas objetivas e subjetivas As perguntas objetivas se relacionam a identidade dos professores e vivência no ambiente escolar. As subjetivas buscam conhecer quais os fatores que poss

    Por: SANDRA MARIA TEIXEIRA GRADIMl Educaçãol 28/08/2014

    O objetivo deste artigo é relatar a experiência de participação no projeto de psicologia escolar, denominado Mundo Imaginário, que ocorreu entre maio e junho de 2013. A proposta de intervenção em Psicologia Escolar/Educacional envolveu basicamente a aplicação de atividades para as crianças que fazem parte do preparatório para o primeiro ano do ensino fundamental, em uma escola filantrópica de Teresina-Pi, a partir de demandas relatadas e observadas pelos professores de tais turmas.

    Por: Daniel Soaresl Educaçãol 26/08/2014
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast