Tdah Na Escola: Estratégias De Ação Pedagógica

15/02/2010 • Por • 22,826 Acessos

1 INTRODUÇÃO

 Segundo a Enciclopédia Livre (2009) na década de 1980, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos da definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetida.

Sendo assim, reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção, assistência e ajuda tanto aos que têm este transtorno ou distúrbios quanto aos seus familiares.

Os fatores de risco, que podem estar relacionados ao TDAH, como meio ambiente (nicotina, bebidas consumidas durante a gravidez; exposição ao chumbo até 3 anos), problemas neonatais (falta de oxigênio, traumas obstétricos, rubéola intra-uterino, encefalite, meningite pós-natal, subnutrição e traumatismo craniano), fatores orgânicos (atraso no amadurecimento e alterações cerebrais) e ainda problemas familiares ( meio familiar caótico, alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução, famílias com baixo nível socio-econômico ou famílias com apenas um dos pais), todos estes fatores podem colaborar com os sintomas do TDAH.

Segundo Koch e Rosa (2009) a hiperatividade e déficit de atenção é um problema mais comumente visto em crianças e se baseia nos sintomas de desatenção (pessoa muito distraída) e hiperatividade (pessoa muito ativa, por vezes agitada, bem além do comum).

O que acontece com as crianças com hiperatividade é que perdem o interesse rapidamente, sentindo-se atraídas por atividades recompensadoras, divertidas e que necessitem de esforço para serem resolvidas, ou seja, que sejam diferentes e que chamem a atenção.

Entretanto nem todos que apresentam esses aspectos são hiperativos, para ser realmente constatado é necessário realizar diagnóstico específico, feito por profissionais especializados. A falta de diagnóstico e tratamento apropriado acarretam grandes prejuízos à vida do aluno, tanto profissional, como social, pessoal e afetiva, sem tratamento, outros distúrbios podem associar-se ao quadro, a auto-estima fica cada vez mais comprometida e a pessoa vai se isolando do mundo.

Dessa forma, após a confirmação do diagnóstico, faz-se necessário iniciar o tratamento específico para cada caso, que pode ser clínico, terapêutico e medicamentoso, buscando proporcionar melhoria na qualidade do processo ensino e aprendizagem.

Além disso, os professores precisam ter conhecimento sobre o assunto e buscar um trabalho diversificado, utilizando estratégias variadas de acordo com seu aluno, para que o mesmo consiga obter sucesso no âmbito escolar.

 

 DESENVOLVIMENTO

 Segundo Koch e Rosa (2009) a hiperatividade e déficit de atenção é um problema mais comumente visto em crianças e se baseia nos sintomas de desatenção (pessoa muito distraída) e hiperatividade (pessoa muito ativa, por vezes agitada, bem além do comum).

O que acontece com as crianças com hiperatividade é que perdem o interesse rapidamente, sentindo-se atraídas por atividades recompensadoras, divertidas e que necessitem de esforço para serem resolvidas, ou seja, que sejam diferentes e que chamem a atenção.

Entretanto nem todos que apresentam esses aspectos são hiperativos, para ser realmente constatado é necessário realizar diagnóstico específico, feito por profissionais especializados. Como cita o site Banco de Saúde (2009) que a falta de diagnóstico e tratamento correto acarretam grandes prejuízos à vida profissional, social, pessoal e afetiva da pessoa portadora. Sem tratamento, outros distúrbios podem associar-se ao quadro, a auto-estima fica cada vez mais comprometida e a pessoa vai se isolando do mundo.

Considera-se que a hiperatividade é um problema de saúde mental, como destaca Rohde e Benczick:

O TDAH é um problema de saúde mental que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho escolar; podendo ser acompanhado de outros problemas de saúde mental. (ROHDE e BENCZICH in ENCICLOPÉDIA LIVRE, 2009)

Fatores de Risco

O risco para o TDAH parece ser de duas a oito vezes maior nos pais das crianças afetadas do que na população em geral.

O site Banco de Saúde (2009) complementa citando que há fatores do meio ambiente que podem estar relacionados ao TDAH:

  • A nicotina de cigarros fumados pela mãe gestante bem como bebidas alcoólicas consumidas, podem ser causas significativas de anormalidades no desenvolvimento cerebral.
  • Crianças expostas ao chumbo entre 12 e 36 meses de idade pode ser outro fator.

Problemas neonatais como falta de oxigênio, traumas obstétricos, rubéola intra-uterino, encefalite, meningite pós-natal, subnutrição e traumatismo craniano são fatores que também podem contribuir para o surgimento do TDAH. De acordo com Rohde (2009) é importante ressaltar que a maioria dos estudos sobre possíveis agentes ambientais apenas evidenciaram uma associação desses fatores com o TDAH, não sendo possível estabelecer uma relação clara de causa e efeito entre eles.

Os fatores orgânicos, como atraso no amadurecimento de determinadas áreas cerebrais, e alterações em alguns de seus circuitos estão atualmente relacionados com o aparecimento dos sintomas. Dessa forma, todos esses fatores formam uma predisposição básica (orgânica) do indivíduo para desenvolver o problema, que pode vir a se manifestar quando a pessoa é submetida a um nível maior de exigência de concentração e desempenho.

Além da genética, a Encilopédia Livre (2009) cita os “problemas familiares como: um funcionamento familiar caótico, alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução, famílias com baixo nível socio-econômico, ou famílias com apenas um dos pais”, podem colaborar com os sintomas.

Assim, a exposição a eventos psicológicos estressantes, como uma perturbação no equilíbrio familiar, ou outros fatores geradores de ansiedade, podem agir como desencadeadores ou mantenedores dos sintomas.

Sintomas

De acordo com Koch e Rosa (2009) o TDHA se manifesta de três formas:

1. Desatenção;

2. Hiperatividade/ impulsividade;

3. Desatenção e hiperatividade.

Para que uma pessoa ter TDHA, o grau de desatenção e impulsividade necessita acontecer de forma intensa, interferindo no relacionamento social do indivíduo, em todos os ambientes que freqüenta – escola, trabalho, casa – pois muitas vezes falta de limites e regras se confunde com o problema, causando diagnósticos errôneos e rotulação à criança.

De acordo com a Enciclopédia Livre (2009) hoje já se sabe que a área do cérebro envolvida nesse processo é a região orbital frontal (parte da frente do cérebro) responsável pela inibição do comportamento, pela atenção sustentada, pelo autocontrole e pelo planejamento para o futuro.

O principal sintoma, segundo o site Banco de Saúde, é a dificuldade em manter o foco da atenção e/ou manter-se quieta, estes sintomas podem se manifestar de diversas maneiras:

  • As crianças com TDAH, em especial os meninos, são agitados ou inquietas, freqüentemente têm apelido de "bicho carpinteiro" ou coisa parecida.
  • Na idade pré-escolar, estas crianças mostram-se agitadas, movendo-se sem parar pelo ambiente, mexendo em vários objetos.
  • Mexem pés e mãos, não param quietas na cadeira.
  • Falam muito e constantemente pedem para sair de sala ou da mesa de jantar.
  • Têm dificuldades para manter atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não lhes sejam interessantes.
  • São facilmente distraídas por estímulos do ambiente externo, mas também se distraem com pensamentos "internos", dando a impressão de estarem "voando".
  • Nas provas, são visíveis os erros por distração (erram sinais, vírgulas, acentos, etc.).
  • Pela falta de atenção, esquecem recados ou material escolar, aquilo que estudaram na véspera da prova.
  • Tendem a ser impulsivas (não esperam a vez, não lêem a pergunta até o final e já respondem, interrompem os outros, agem antes de pensar).
  • É comum apresentarem dificuldades em se organizar e planejar aquilo que querem ou precisam fazer.
  • Seu desempenho sempre parece inferior ao esperado para a sua capacidade intelectual.

Segundo Koch e Rosa (2009) uma pessoa apresenta desatenção, a ponto de ser considerado como transtorno de déficit de atenção, quando tem a maioria dos seguintes sintomas ocorrendo a maior parte do tempo em suas atividades:
 

 

freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;

 

com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades recreativas;

 

com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais, não chegando ao final das tarefas;

 

Freqüentemente tem dificuldade na organização de suas tarefas e atividades;

 

com freqüência evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa);

 

freqüentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades;

 

é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa principal que está executando;

 

Com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias;

 As autoras ainda citam que além dos sintomas anteriores referentes ao excesso de atividade em pessoas com hiperatividade, podem ocorrer outros sintomas relacionados ao que se chama impulsividade, a qual estaria relacionada aos seguintes aspectos:

 

 

freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;

 

Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez;

 

freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intrometendo-se em conversas ou brincadeiras de colegas).

 Rohde e Benczick (in Enciclopédia Livre, 2009) caracterizam o TDAH em dois grupos de sintomas:

 Sintomas relacionados à desatenção

  • Não prestar atenção a detalhes;
  • Ter dificuldade para concentrar-se;
  • Não prestar atenção ao que lhe é dito;
  • Ter dificuldade em seguir regras e instruções;
  • Desvia a atenção com outras atividades;
  • Não terminar o que começa;
  • Ser desorganizado;
  • Evitar atividades que exijam um esforço mental continuado;
  • Perder coisas importantes;
  • Distrair-se facilmente com coisas alheias ao que está fazendo;
  • Esquecer compromissos e tarefas;
  • Problemas financeiros;
  • Tarefas complexas se tornam entediantes e ficam esquecidas;
  • Dificuldade em fazer planejamento de curto ou de longo prazo.

Os sintomas relacionados à hiperatividade/impulsividade

  • Ficar remexendo as mãos e/ou os pés quando sentado;
  • Não permanecer sentado por muito tempo;
  • Pular, correr excessivamente em situações inadequadas;
  • Sensação interna de inquietude;
  • Ser barulhento em atividades lúdicas;
  • Ser muito agitado;
  • Falar em demais;
  • Responder às perguntas antes de concluídas;
  • Ter dificuldade de esperar sua vez;
  • Intrometer-se em conversas ou jogos dos outros.

 

 Diagnóstico

 Koch e Rosa (2009) destacam que cerca de 3 a 6% das crianças na idade escolar (mais ou menos de 6 a 12 anos de idade) apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção. Isso porque quando a criança inicia o aprendizado na escola começa a demonstrar seus sinais, pelo fato do ajustamento à escola, a seguir regras e ritmo de aprendizagem que geralmente não acompanham.

A avaliação diagnóstica deve ser realizada a partir dessa idade pelo fato das crianças de 4 ou 5 anos apresentarem comportamentos agitados propícios da idade. Entretanto a maioria das pessoas adultas com hiperatividade já apresentavam os sintomas na infância.

O DSM-IV e a CID-10 incluem um critério de idade de início dos sintomas causando prejuízo (antes dos 7 anos) para o diagnóstico do transtorno. Entretanto, este critério é derivado apenas de opinião de comitê de experts no TDAH, sem qualquer evidência científica que sustente sua validade clínica42. Sugere-se que o clínico não descarte a possibilidade do diagnóstico em pacientes que apresentem sintomas causando prejuízo apenas após os 7 anos. (ROHDE,2009)

De acordo com Koch e Rosa (2009) na infância, o transtorno é mais comum em meninos e predominam os sintomas de hiperatividade. Com o passar dos anos, os sintomas de hiperatividade tendem a diminuir, permanecendo mais freqüentemente a desatenção, e diminuindo a proporção homem x mulher, que passa a ser de um para um.

Segundo Rohde (2009) um estudo recente de neuroimagem estrutural evidenciou que a trajetória neuroevolutiva de aumento dos volumes intracerebrais das crianças com TDAH segue um curso paralelo ao das sem o transtorno, porém sempre com volumes significativamente menores, o que sugere que os eventos que originaram o quadro (influências genéticas ou ambientais) foram precoces e não-progressivos. As diferenças entre casos e controles não pareceram relacionadas ao uso de medicações psicoestimulantes.

Por isso o diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente neurologista, pediatra ou psiquiatra, podendo ser auxiliado por alguns testes psicológicos ou neuropsicológicos, para o acompanhamento adequado do tratamento.

O diagnóstico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, como cita o Banco de Saúde (2009) é realizado pelo médico, em especial o psiquiatra, por meio de:

  • História clínica,
  • Testes e avaliações, como o questionários ASRS-18 e SNAP-IV.
  • Exames complementares, tais como exames de sangue, avaliação da visão e audição, exames neurológicos e de imagens para descartar diagnósticos diferenciais.

De acordo com os autores citados, para se diagnosticar um caso de TDAH é necessário que o indivíduo apresente pelo menos seis dos sintomas de desatenção e/ou seis dos sintomas de hiperatividade; além disso os sintomas devem manifestar-se em pelo menos dois ambientes diferentes e por um período superior a seis meses.

 

Tratamento Clínico X terapêutico X medicamento

 Após o diagnóstico faz-se necessário que a criança inicie o tratamento específico para seu caso, proporcionando melhores condições de aprendizado tanto na casa como na escola, visto que haverá o conhecimento por parte dos pais e professores de como lidar com a hiperatividade.

Koch e Rosa (2009) destacam que o tratamento para TDHA envolve o uso de medicação, geralmente algum psico-estimulante específico para o sistema nervoso central, uso de alguns antidepressivos ou outras medicações.

Os medicamentos mais comumente utilizados no Brasil são:

  • Metilfenidato,
  • Imipramina,
  • Nortriptilina,
  • Bupropiona,
  • Clonidina.

É de fundamental importância que seja avaliada criteriosamente a utilização medicamentos, visto que apresentam muitos efeitos colaterais, e quando nao traz melhora significativa não justificada a sua utilização. Mas se for bem administrado traz beneficios ao hiperativo, como cita a Enciclopédia Livre (2009) que mais de 80% dos portadores de TDAH beneficiam-se com o uso de medicamento, onde a duração do tratamento também é decorrente das respostas dadas ao uso e de cada caso em si.

Além disso, deve haver um acompanhamento do progresso da terapia, através da família e da escola, buscando melhora na atenção da criança devido à mudança de hábitos que ocorre com a melhora significativa dos sintomas

De acordo com o site Banco de Saúde (2009) a terapia cognitivo comportamental (TCC) é indicada para o tratamento do TDAH com ótimos resultados. Não existe até o momento nenhuma evidência científica de que outras formas de psicoterapia auxiliem nos sintomas de TDAH.

Comprovadamente a terapia cognitiva comportamental é que dá melhores resultados. O terapeuta deve funcionar como um treinador, dando instruções e sinalizando ("perceba como está se perdendo em detalhes... como está desviando de seu objetivo..., pare, volte àquele assunto...")

A terapia colabora com as crianças que apresentam TDHA, focando-se na mudança de velhos hábitos que já fazem parte do dia-a-dia, como adiamento crônico, desorganização, pensamentos negativos, buscando sempre resgatar auto-confiança e da auto-estima, geralmente muito abaladas.

O tratamento de crianças com TDAH exige um esforço entre os profissionais das áreas médica, saúde mental e pedagógica, em conjunto com os pais. Por meio desta combinação há uma intervenção multidisciplinar, envolvendo treinamento dos pais quanto à verdadeira natureza do TDAH e em desenvolvimento de estratégias de controle efetivo do comportamento, bem como um programa pedagógico adequado, aconselhamento individual e familiar, quando necessário, evitando o aumento de conflitos na família.

A criança com TDAH necessita treinar o controle do comportamento, para que possa realizar as atividades propostas com mais desenvoltura, deve-se utilizar o reforço positivo combinado com punições num modelo denominado custo de resposta, melhorando assim sua atenção e concentração.

De acordo com Rohde (2009) o DSM-IV subdivide o TDAH em três tipos, quais sejam: a) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; b) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade; c) TDAH combinado.

 

 Estratégias de ação pedagógica

O sucesso na sala de aula exige uma série de estratégias, onde a maioria das crianças com TDAH pode permanecer na classe normal, com pequenos arranjos na arrumação da sala, utilização de um auxiliar e/ou programas especiais a serem utilizados fora da sala de aula.

Os professores devem conhecer técnicas e estratégias que auxiliem os alunos com TDHA a terem melhor desempenho, sendo que em alguns casos é preciso ensinar ao aluno técnicas específicas para minimizar as suas dificuldades.

Quando os alunos com TDAH se dedicam a fazer algo estimulante ou do seu interesse, conseguem permanecer mais tranqüilas. Isto ocorre porque os centros de prazer no cérebro são ativados e conseguem dar um "reforço" no centro da atenção que é ligado a ele, passando a funcionar em níveis normais.

Uma das propostas de tratamento são as seções terapêuticas, sendo elaborada com envolvimento de profissionais e familiares, além disso professores e equipe pedagógica necessitam ser orientados no acompanhamento dos procedimentos necessários a serem empreendidos no dia-a-dia, em busca de melhorias no processo de ensino e aprendizagem.

Partel (2009) cita dicas para mudança de comportamento:

  • Evitar a utilização de reforços negativos, para que os mesmos não sejam aumentados.
  • Utilizar mais reforços de extinção – um comportamento sem IBOPE provavelmente sairá do ar.
  • Sempre utilizar reforços positivos, pois se a qualquer comportamento adequado (mesmo que para pais e professores não passe de mera obrigação), houver recompensa e/ou reconhecimento, esse tipo de comportamento tende a aumentar cada vez mais.
  • Quando se pretende modificar um comportamento indesejável, deve-se decidir por qual o comportamento positivo quer substituí-lo, para depois ir punindo o comportamento oposicional indesejável, com punições brandas, como por exemplo a perda de privilégios, mantendo a relação de uma punição para três ou mais situações de elogio e recompensa. A tendência é a extinção natural das punições.
  • Não se deve perder a perspectiva dos objetivos, evitando a irritabilidade, a impaciência, a confusão e atitudes enfurecidas frente ao aluno com TDAH.
  • É necessário manter o ritmo, respirando fundo e lembrando que o adulto é o educador.
  • Deve-se ter muita sabedoria e paciência para equilibrar amor com regras e limites claros na educação.
  • Objetiva-se a preparação da criança e/ou adolescente para viver em sociedade, para que se integre, com boa auto-estima, sabendo respeitar limites (seus e dos outros).
  • Olhar de fora da cena, como se fosse um estranho imparcial, racional, sem qualquer envolvimento emocional.
  • Deve-se enfocar o comportamento negativo, deficiente e destrutivo que necessita ser mudado, lembrando sempre que o aluno tem uma incapacidade, uma dificuldade, e não falta de caráter: ele não consegue controlar o que fala ou faz e com certeza tem qualidades e potenciais a serem valorizados.
  • É MUITO MAIS DIFÍCIL DECEPCIONAR ALGUEM QUE CONFIA EM NÓS.

Além disso, a sala de aula par atender alunos com TDAH necessita ser organizada e estruturada, utilizando material didático adequado à habilidade da criança, havendo avaliação frequente e imediata, estabelecendo regras claras, planejamento previsível e carteiras separadas, deve-se utilizar os prêmios como meio estimulador ao aluno, sendo os mesmos coerentes e frequentes, fazendo parte do trabalho com a turma.

Em alguns momentos as interrupções e pequenos incidentes devem ser ignorados, pois têm menores consequencias. Deve-se sim trabalhar estratégias cognitivas que facilitam a auto-correção, assim como melhoram o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas.

As atividades devem ser variadas, mas buscando sempre ser interessantes para os alunos, e ainda as expectativas do professor devem ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se estar preparado para mudanças.

Os professores devem ter conhecimento do conflito incompetência x desobediência, e aprender a discriminar entre os dois tipos de problema. É preciso desenvolver um repertório de intervenções para poder atuar eficientemente no ambiente da sala de aula de uma criança com TDAH.

Santos (2009) traz sugestões para Intervenções do Professor para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula:

l        Deve-se proporcionar uma boa estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente definidas).

l        Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo.

l        Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, para que os alunos não  desanimem facilmente.

l        Procurar dar responsabilidades que possam cumprir fazendo com que se sintam necessárias e valorizadas.

l        Iniciar sempre com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.

l        Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude.

l        Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer oportunidades sociais.

l        Trabalhar em grupos pequenos, buscando atingir melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais.  

l        Manter comunicação com os pais, pois geralmente, eles sabem o que funciona melhor para o seu filho.

l        Proporcionar mudança do ritmo ou o tipo de tarefa com frequencia para eliminar a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a auto-percepção.

l        Dar oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer ao mascote da classe.

l        Reconhecer as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH, fazendo adaptações necessárias. (Exemplo: se a atenção é muito curta, não deve esperar concentração em uma única tarefa)

l        Dar recompensa pelo esforço, persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado.

l        Trabalhar com exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade.

l        Avaliação continua sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.

l        Proporcionar contato aluno/ professor, permitindo um “controle” extra sobre o aluno na execução da tarefa, possibilitando oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais adequado.

l        Colocar limites claros e objetivos; tendo uma atitude disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação frequente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.

l        Fornecer instruções claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de distrações.

l        Não segregar o aluno que talvez precise de um canto isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações.

l        Fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de um lugar de castigo.

l        Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.

l        Proporcionar intervalos previsíveis sem trabalho que o aluno pode ganhar como recompensa por esforço feito, aumentando o tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através de um processo gradual de treinamento.

l        Perceber se há isolamento nas atividades recreativas barulhentas, pode indicar dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma intervenção adicional.

l        Preparar com antecedência para as novas situações, pois tem sensibilidade em relação às suas deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.

l        Trabalhar com métodos variados (som, visão, tato), entretanto, novas experiências envolvem muitas sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), e provavelmente irá precisar de tempo extra para completar a tarefa.

l        Reconhecer que os alunos com TDAH necessitam de aulas diversificadas, modificando o programa para que o aluno senta conforto.

l        Ter comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola, ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.

Também é necessário que o professor realize pesquisas sobre TDAH, com o intuito de melhorar a aprendizagem dos alunos que apresentam esse déficit, traçando estratégias para que os mesmos não e sintam entediados e não atrapalhem o andamento das aulas, o professor poderá:

  • Substituir as aulas monótonas aulas mais estimulantes que venham prender a atenção do aluno.
  • Utilizar recursos variados que não são habituais na sala de aula (informática, experiências, construção de maquetes, atividades desafiadoras de criar, construir e explorar.
  • Procurar trazer os alunos para perto do quadro, podendo acompanhar melhor o processo educativo, se está conseguindo acompanhar o ritmo, ou se é necessário desacelerar um pouco. 
  • Fazer um roteiro das atividades do dia, para que o aluno perceba as regras pré-definidas e que todos devem cumpri-las.
  • As tarefas devem ser curtas, para que ele consiga concluir a tarefa e não pare pela metade, o que é muito comum.
  • Não utilizar cores muito fortes na sala e na farda como amarelo e vermelho, cores fortes tendem a deixar os alunos mais agitados, excitados e menos atentos. Procure colocar tons mais neutros e suaves.
  • Possibilitar a saída do aluno algumas vezes da sala para levar bilhetes, pegar giz em outra sala, ir ao banheiro, assim estará evitando que ele fuja da sala por conta própria.
  • Elogiar o bom comportamento e as produções, ajudando a elevar sua auto-estima.
  • Utilizar uma agenda de comunicação entre pais e escola, evitando que as conversas se dêem apenas em reuniões.
  • Aproveitar as aulas de educação física como auxílio na aprendizagem dos alunos que parecem ter energia triplicada (ginástica ajuda a liberar a energia que parece ser inesgotável, melhora a concentração com exercícios específicos, estimula hormônios e neurônios, a distinguir direita de esquerda já que possuem problemas de lateralidade que prejudicam muito sua aprendizagem).

or meio das orientações e estratégias citadas o professor poderá melhorar o desenvolvimento tanto do aluno como da turma, uma vez que todos irão se adaptar ao novo trabalho realizado em sala de aula.

 

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Por meio do artigo percebe-se que ainda há pouco conhecimento sobre TDAH, sendo necessário que todos os envolvidos neste processo (professores, equipe pedagógica, alunos e pais) tenham conhecimento sobre TDAH, pois um dos maiores problemas está no fato de que ainda há pouco conhecimento no âmbito escolar e entre os pais, havendo ainda, rotulação dos alunos que são acusados injustamente de mal-educados, preguiçosos, desastrados, desequilibrados, justamente porque não foi diagnosticado e tratado a tempo.

No âmbito escolar os materiais utilizados devem ser são organizados contendo explicações claras e objetivas, e o tempo de durabilidade previsto para a realização das atividades  devem ser quantificados de forma diferente das exigências d sala comum.

O ambiente em sala de aula para o aluno com TDAH necessita ser projetado com algumas considerações a fim e permitir um retorno favorável para o aprendizado dessas crianças, podendo conter cartazes explicativos com normas de funcionamento estimulando os lembretes necessários para os alunos desatentos.

 Pode-se constatar que o professor desempenha um papel fundamental no diagnóstico do TDAH, devendo o mesmo ser orientado para distinguir um aluno sem limites de um que apresenta o problema, visto que este distúrbio só fica evidente no período escolar, quando é preciso aumentar o nível de concentração para aprender.

Deste modo, os alunos com TDAH necessitam ter na escola um acompanhamento especial, já que não consegue conter seus instintos, tumultuando a sala de aula, a vida dos colegas e dos seus professores. Além disso, é preciso aplicar uma ação didática-pedagógica direcionada para estes alunos, visando estimular sua auto-estima, levando em conta a sua falta de concentração, criando atividades diversificadas para que não haja um comprometimento durante sua aprendizagem.

Considera-se que o professor juntamente com toda a equipe da escola necessitam desenvolver um trabalho de mediadores, sendo fundamental o processo de observação do rendimento e avaliação dos alunos com TDAH, uma vez que por meio desse processo estarão conhecendo a situação de aprendizagem bem como conhecerão as necessidades específicas dos seus alunos, buscando no coletivo o desenvolvimento pleno dos alunos, fazendo sempre que necessário as adaptações curriculares, trabalhando com um modelo de ensino a partir do diferencial cognitivo e sócio-afetivo de cada um.

Assim, as estratégias a serem utilizadas buscam incentivar o aluno com TDAH e tornar a aula dinâmica para preencher sua atenção, a maioria dos alunos com esta necessidade especial pode permanecer na classe regular, com pequenas adaptações no ambiente estrutural da escola, modificação de currículo e estratégias adequadas a cada situação.

 

REFERÊNCIAS

ANTONY, Sheila. A Criança Hiperativa: Uma Visão da Abordagem Gestáltica.

Enciclopédia Livre. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

KOCH,  Alice Sibile; Ros Dayane Diomário da.  Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

PARTEL, Cleide Heloisa. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

ROHDE, Luis A.; HALPERN, Ricardo.  Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: atualização.

SANTOS, Lucy. Compreensão, avaliação e atuação: uma visão geral sobre TDAH.

Perfil do Autor

SANDRA VAZ DE LIMA

Nascida no município de Telêmaco Borba - Paraná. Graduada em Letras/ Inglês/Espanhol e Pedagogia. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia Clinica/ Institucional. Atua na área de Educação Especial na Rede Municipal e Estadual, e na Formação de Docentes.